sábado, 5 de março de 2011

Como aproveitar uma conexão:
8 horas na Cidade do Porto

Casario do Cais da Ribeira
Música deste post: Terra, Caetano Veloso

Quem disse que pegar voo com conexão é chato? Minha viagem Rio-Barcelona (pela TAP) tinha uma parada na Cidade do Porto, a “capital” do Norte português, que eu só conhecia de passagem. A cidade é linda e merece mais tempo, mas com 8 horas no Porto dá pra a gente se apaixonar um bocado e fazer ótimos passeios.

Quando comprei o bilhete, escolhi seguir para Barcelona no último voo e ter bastante tempo para passear à beira do Rio Douro, na terra do Infante D. Henrique, personagem obrigatório para quem gosta de fragatas do céu e do mar.

A Igreja de Santo Antônio dos Congregados — você vai ver que fachadas recobertas com azulejo são muito comuns no Porto, uma forma de proteger as construções da unidade que vem do rio. À direita, uma farmácia combina o tom oitocentista da fachada com toques Art-Nouveau
Nosso voo chegou ao Porto de manhãzinha. O metrô é uma mão na roda para ir do Aeroporto ao Centro. A viagem até a Estação da Trindade levou cerca de 30 minutos. Daí, o melhor é prosseguir a pé pela Avenida dos Aliados, até o Centro Histórico — a gente sabe que chegou lá quando começa a entortar o pescoço para namorar as fachadas cobertas de azulejos, revestimento muito comum na cidade, para proteger as construções da umidade que sobe do Rio Douro.

A primeira fachada mais notável é da Igreja de Santo António dos Congregados, logo depois da Praça da Liberdade, a caminho da Estação São Bento — o terminal ferroviário mais bonito que conheço, famoso por seus painéis de azulejos.

Uma fachada na Rua das Flores
Ali pertinho, vale a parada na Confeitaria Flor de São Bento: apesar do cartaz que anuncia “especialidades francesas” na vitrine, a Flor arrebenta mesmo é na rabanada, par perfeito para a caneca de chocolate fumegante. Muito simples e irrepreensível, essa minha primeira refeição em terras lusas.

O Porto certamente merece muito mais que uma simples paradinha entre conexões. Nem bem cheguei já estou com vontade de ficar. Nas duas outras vezes que passei por aqui, na ida e na volta do Caminho de Santiago, a sensação foi a mesma.

Mesmo sem tempo para explorar a cidade mais a fundo, já é um prazer enorme descer a Rua das Flores, a caminho do Cais da Ribeira: um corredor de fachadas recobertas de azulejos, a bela Igreja da Misericórdia, o prédio da Santa Casa e a Farmácia Moreno (ando com mania de gostar de farmácias antigas...).

Um passeio de barco pelo Rio Douro é a chance de ver a famosa ponte Luís I por este ângulo
Pertinho do Cais da Ribeira, é obrigatória a parada para contemplar o belo conjunto da Igreja de São Francisco, a única em estilo gótico na cidade (concluída no Século 15), e a Ordem Terceira, neoclássica.

O Porto é lindo e, do outro lado do rio, Vila Nova de Gaia não fica atrás.  Para não ter que escolher dar as costas a nenhuma das duas — e apesar do frio — tomamos o barquinho turístico que singra o rio até a foz, passando sob as pontes metálicas Luís I e D. Maria Pia, do Século 19, e a Ponte da Arrábida, com seu “sotaque” dos anos 60 do Século 20.

Igreja de S. Francisco
O melhor do passeio de barco, porém, é olhar as construções seculares de um e do outro lado do Douro. Taí um torcicolo bem pago...

Tanta beleza abriu nosso apetite: escolhemos o Restaurante da Alzira, no Cais da Ribeira. Hora de tomar uns bons cálices de vinho do porto para espantar o frio e pensar no paraíso com os inesquecíveis mexilhões com nata e as gambas grelhadas do almoço, devidamente arrematado com uma gigantesca fatia de toucinho do céu que só pode mesmo ter tido origem celestial.

Uma parada diante da placa que homenageia as Alminhas da Ponte, e, na subida do Funicular dos Guindais, a despedida à bela paisagem da beira do rio. Estamos indo embora de uma linda cidade. Que venha Barcelona, mas quem disse que é chato pegar voo com conexão?

O Porto e Vila Nova de Gaia (abaixo): melhor não ter que escolher para onde olhar

Dicas práticas e endereços

A TAP tem um voo direto do Rio de Janeiro para o Porto. São 10 horas de viagem.

Para ir do aeroporto ao Centro, o melhor é pegar o metrô, que faz a viagem até a Estação da Trindade em cerca de 30 minutos. O bilhete de ida e volta custa € 3, € 0,50 do cartão, que pode ser recarregado. Cada passagem dá direito ao uso do transporte público do Porto por 2 horas seguidas, incluído o Funicular dos Guindais. 

Confeitaria Flor de São Bento
No comecinho da Rua das Flores. Nosso café da manhã, chocolate quente e rabanadas, custou 2,5 Euros por pessoa.

Restaurante da Alzira
Viela do Buraco n° 3, Cais da Ribeira.

Ambiente simples, atendimento super-hiper-simpático, mexilhões inacreditavelmente maravilhosos e sobremesa de rasgar a roupa. Com entradinhas de bolinhos de bacalhau, pratos principais, vinho, cerveja e sobremesa, a refeição custou 31 Euros por pessoa.

Os rabelos são embarcações típicas do Rio Douro, originalmente usadas para o transporte do vinho. Ao fundo, Vila Nova de Gaia
Passeios de barco
São oferecidos aos turistas na beira do Cais da ribeira. Duram cerca de uma hora e a viagem é perfeita para ver as duas cidades à beira do Rio. 10 Euros por pessoa.

Artesanato
Acho que ainda não contei que adoro casinhas (prometo um post), tenho uma coleção imensa, de quase todos os lugares que já visitei. O Passarinho da Ribeira ( Cais da Ribeira n° 31) tem casinhas das mais bonitas que já encontrei, em louça, reproduzindo os maravilhosos azulejos locais. Custam em média 10 Euros cada. A loja tem muitas coisas fofas, de super-bom gosto.

As Alminhas da ponte (centro), no Cais da Ribeira
Alminhas da Ponte
Uma placa em baixo relevo clocada no Cais da Ribeira marca um dos episódios mais trágicos das Guerras Napoleônicas em Portugal. Em 1809, durante a invasão do exército francês, milhares de pessoas tentavam atravessar do Porto para Vila Nova de Gaia pela Ponte das Barcas, que cedeu sob o peso dos fugitivos. Acredita-se que 4 mil pessoas tenham se afogado nas águas geladas de março. Até hoje, o povo do Porto acende velas e deposita flores no memorial às vítimas.

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4 comentários:

  1. Sendo Portugal muito parecido com a Bahia, vc não se sentiu em casa?

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  2. Vô Chico, as ladeiras e arquitetura lembram a Bahia, sim, mas a luz é completamente diferente. Fora da Bahia, o lugar onde mais me senti em casa foi Santiago de Cuba: a cada esquina que dobrava, achava que ia dar de cara com o Farol da Barra ou o Elevador Lacerda :)

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  3. Cinthia, passeando no cais da Ribeira, vi as velas acesas em memória as alminhas da ponte. Emocionante. Estou em Portugal seguindo a rota da Fragrata Surprise.

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    Respostas
    1. Que bom, Jaci!! Fico muito feliz qdo vejo que as informações da Fragatinha foram úteis. Bjo

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