8 de março de 2015

Passeios no Rio de Janeiro - 4 programinhas bem cariocas

Bom dia, Ipanema!!
(Vista do terraço do Hotel Plaza Ipanema, na Farme de Amoedo)
Desde pequenininha, sou uma carioca eventual. Já morei na cidade por cinco temporadas, a última delas entre 2009 e 2011. Como toda habitante do Rio de Janeiro, eu tenho meu repertório de programas e passeios — alguns bem locais, outros que são pura turistagem em casa.

Um bom cardápio de passeios no Rio de Janeiro tem que ter praia, boteco, almoço que mais parece jantar (pela hora, não pela superprodução) e algum programa cultural. Na minha passagem mais recente pelo Rio eu fiz tudo isso e recomendo.

Teve praia no Posto 9, em Ipanema, farra na Mureta da Urca (com direito a muita cerveja e pasteizinhos de camarão de responsa), almoço tardio no Bar do Beto e exposição no CCBB. Mais carioca do que isso? Só faltou a roda de samba e o jogo no Maracanã.

Veja as dicas:
Ipanema de manhã cedinho
⭐ Pegar uma praia
Ir à praia no Rio é uma experiência que vai muito além de tomar sol e banho de mar. É programa para o dia inteiro, para ver gente, socializar e até relaxar com um livrinho. 

E você só precisa aparecer por lá. O resto, as barracas fornecem: aluguel de cadeira e guarda-sol, cerveja gelada, petiscos... Se precisar, os vendedores ambulantes resolvem a outra parte do equipamento, do protetor solar aos óculos escuros, da canga ao biquíni, tem de tudo para comprar nas areias cariocas.

Tem de tudo nas barracas do Posto 9. 
Dá até para postar as fotos em tempo real...
As pedras do Arpoador estão a um pulinho do metrô
Desta vez, fiquei hospedada na Farme de Amoedo, a 50 metros do famoso Posto 9, em Ipanema, e foi lá que matei minha saudade da água salgada.

Mas curtir a praia no Rio não é só pra quem mora ou se hospeda perto do mar.

Ipanema, Arpoador ou Copacabana são bem acessíveis com transporte público — por mais que o baixo astral gentrificante e higienista tente dificultar o acesso de quem mora longe à diversão mais democrática dos cariocas.

É muito fácil chegar a essas praias de metrô. Para Copacabana, desça nas estações Arcoverde, Siqueira Campos ou Cantagalo (esta a mais próxima do Posto 6). A estação General Osório deixa você de cara para o gol do Arpoador e do Posto 9, em Ipanema.

Também não precisa voltar pra casa vestindo o biquíni molhado. A maioria dos quiosques mais modernos têm banheiros e vestiários subterrâneos, assim como os postos salva-vidas. Alguns têm até armários com chave, para você guardar a bolsa. Já falei dos vestiários das praias cariocas aqui neste post

Paella do Bar do Beto, na Farme de Amoedo
⭐ Almoço (muito) tardio com os amigos
Um fim de semana no Rio de Janeiro não está completo se não rolar um daqueles almoços que começam quase na hora do jantar — mas você sabe que está almoçando, porque jamais sairia para jantar enrolada na canga e calçando sandália de dedo.

O almoço do fim de semana, no Rio, é um prolongamento da praia, mesmo que a praia tenha acabado às dez da noite. A maioria dos restaurantes próximos à Orla já está "treinada" para isso, recebendo os clientes ainda com os cabelos pingando na maior naturalidade.

Sim, há muitas casas pega-turista em Copacabana e Ipanema, com preços black tie e qualidade abaixo da crítica. Mas tem a santa internet pra lhe salvar e basta uma pesquisa básica para encontrar lugares legais.

No caso dessa passagem pelo Rio, esse lugar foi o Bar do Beto, em Ipanema. No cardápio teve cerveja bem gelada, dry martini bem decente e uma paella surpreendente.

Bar do Beto 
Rua Farme de Amoedo nº 51, Ipanema, a 300 metros do Metrô General Osório)

É famoso pela feijoada, que já foi eleita a melhor do Rio, há alguns anos. Tem atendimento simpático e relaxado, como convém. O lugar já foi mais simples, mas passou por uma repaginada, em 2011. Os preços também ganharam um upgrade, mas a comida continua saborosa e honesta.

Eles dizem que a paella (R$ 115) serve duas pessoas. Mas eu, minha amiga Mônica e minha irmã Simone, mortas de fome, não conseguimos dar conta dela toda e ainda levamos uma quentinha com o que ficou no tacho. usta R$ 115. Atendimento simpático e relaxado, como convém.

Monica e Simone na Mureta da Urca
⭐ Mureta da Urca
Taí um bairro que todo mundo merece descobrir e curtir. A Urca é o berço do Rio de Janeiro, local da primeira povoação estabelecida por Estácio de Sá, no Século 16. Essa ponta de terra com vista privilegiada para as belezas da cidade ainda conserva um climinha de cidade pequena (como não é passagem para lugar nenhum, está livre de trânsito).

A Urca tem encantos imperdíveis, como a Trilha Claudio Coutinho, na base do Morro do Pão de Açúcar, a Praia Vermelha (enseada que tem um dos melhores banhos de mar do Rio, apesar dos copos e garrafas plásticas que chegam boiando, na maré cheia) e, claro, dois cartões postais famosos, os morros da Urca e do Pão de Açúcar (experimente subir o com o bondinho no final da tarde, para ver a cidade acender as luzes aos poucos, a seus pés...).

Casquinha de siri, pastel de camarão
e esse visual. 
Dá pra pedir mais?
➡️  Mas ainda acho que o jeito mais carioca de curtir a Urca é simplesmente encostar na mureta próxima à Fortaleza de São João (sede da Escola Superior de Guerra), à sombra das amendoeiras, e suspirar diante da vista da Enseada de Botafogo e do Aterro.

Como esse é um culto eclético, a parte profana fica por conta da cerveja gelada e dos petiscos do Bar Urca, uma venerável instituição do Rio de Janeiro. Experimente e depois me diga se não tenho razão J


⭐ Bar Urca 
Rua Cândido Gaffrée, 205, Urca. (O ônibus de integração com o Metrô Botafogo faz ponto final bem em frente). 

Esse bar/restaurante tradicional é o grande responsável pela popularidade da Mureta da Urca. Tem um salão climatizado, no primeiro andar, mas a coisa ferve mesmo é no balcão do térreo, com cara de botecão de garagem, onde são servidas as cervejas bem geladas (Original a R$ 10, preço que tá virando raridade), as famosas casquinhas de siri (R$ 17) e pasteizinhos de responsa (R$ 3, o de camarão).

Para uma experiência realmente sublime, peça a porção de camarão à milanesa (R$ 45), generosa o suficiente para servir três gulosas.



Barquinhos, barulhinho do mar... À direita, o salão do restaurante


CCBB: só a arquitetura já valeria o passeio
⭐ Exposições no CCBB
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (o Metrô Uruguaiana está a 600 metros)

Se São Paulo tem o MASP, o Rio tem o CCBB. O primeiro Centro Cultural Banco do Brasil (hoje, a instituição também tem unidades em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte) é um programaço, super acessível a cariocas e visitantes.

Primeiro, pela localização, bem no Centro da cidade, muito fácil de chegar com transporte público. Segundo, porque as maravilhosas exposições que abriga costumam ter entrada gratuita e os espetáculos, quando pagos, têm preços populares (na casa do R$10).

O cinema do CCBB tem uma programação interessante, geralmente gratuita. E sempre dá pra garimpar um livrinho legal
Uuma das Improvisações de Kandinsky
Nessa visita, me esbaldei com a excelente exposição Kandinsky: tudo começa num ponto, uma aula sobre o russo Wassily Kandinsky, artista, pioneiro da arte abstrata.

A mostra me apresentou a uma série de contemporâneos e referências do artista, mas, principalmente, traduziu pra mim aquelas linhas que eu sempre admirei, como quem curte uma bela canção sem entender a letra. A arte popular russa, a estética e o imaginário do xamanismo das tribos mongóis e os experimentalismos da virada do século, de repente, começaram a falar comigo, nos traços do mestre.


No Branco, a obra mais famosa da exposição


A arte popular russa é uma referência forte na obra de Kandinsky e está representada na exposição

➡️ Se não tiver uma exposição tão bacana em cartaz, nem por isso você deve tirar o CCBB do seu radar. O belo edifício neoclássico onde está instalado o centro cultural já vale a visita.

O prédio, do final do Século 19, já foi sede da Bolsa de Fundos Públicos, é um primor decorativo, da cúpula aos pisos de mármore, dos gradis de ferro às luminárias.

Transformado em centro cultural, em 1989, é apontado como um dos mais visitados do mundo (17º no ranking de público).

Com programação sempre variada de cinema, teatro, palestras e espetáculos musicais, tem se notabilizado pelas incríveis exposições de artes plásticas (Mestres do Renascimento, Impressionismo, Índia) e retrospectivas de cinema (Tarantino, Samuel Fuller, Hitchcock). Os catálogos dessas mostras estão disponíveis para download  no site da instituição.

Estranhei ver o bistrô do mezanino fechado, no dia em que estive lá. Eu adorava almoçar por lá, quando trabalhava na Rua Debret, no Centro do Rio. 

A vizinhança do CCBB: a Igreja da Candelária
 e a Casa França Brasil, centro cultural 
instalado na antiga sede da Alfândega
Indice: todos museus e sítios arqueológicos citados aqui na Fragata

Mais passeios bacanas no Rio de Janeiro
Rio de Janeiro: o que fazer na Cinelândia
O que ver no Museu Nacional de Belas Artes
4 dias no Rio - uma temporada em Botafogo
Um mergulho em Copacabana
Mirantes do Rio: a Urca e o Forte de Copacabana
MAR - Museu de Arte do Rio
Rio de Janeiro: uma noite no Theatro Municipal
Rio: dicas para fins de semana e feriadões
No Rio, como os locais (um jeito bacana de curtir Copacabana)
A Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro: meus postais afetivos

Rio de Janeiro - todas as dicas (post índice)




Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.


Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário