domingo, 18 de setembro de 2011

A Quinta da Boa Vista

Em 2006, um estandarte na fachada do Museu Nacional comemorava a "estreia" do maxacalissauro, esqueleto do maior dinossauro que habitou terras hoje brasileiras, no acervo da casa. As crianças deliram com a coleção de fósseis da Quinta da Boa Vista
Comparado com os grandes museus do mundo, o nosso Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, pode até perder muitos pontos no quesito "preciosidades do acervo". Mas não conte isso para as crianças que dão gritinhos de emoção diante das múmias e esqueletos de fósseis expostos lá. 

O maior encanto do lugar é exatamente seu público, composto principalmente por crianças moradoras dos bairros menos badalados do Rio, pessoas que que não viajam para ver o Louvre ou o British Museum e que percorrem os salões da antiga morada da família real brasileira com um brilho curioso nos olhos que emociona mais que qualquer raridade faiscante que um museu possa exibir.


O esqueleto do maxacalissauro foi reconstituído em resina, em tamanho natural. O bichão tinha 13 metros, pesava quase nove toneladas e viveu há cerca de 80 milhões de anos. Partes do fóssil original também fazem parte do acervo do Museu Nacional. O dinossauro foi encontrado em Prata (MG)
Parte da coleção de fósseis do museu
Para muitos moradores das redondezas, a principal atração é a imensa e agradável área verde da Quinta da Boa Vista, um dos poucos espaços de lazer ao ar livre disponíveis naquele pedaço da Zona Norte do Rio. As famílias chegam para fazer piquenique, curtir o gramado e a sombra generosa das árvores centenárias, e os pequenos se esbaldam com acervo do museu, demonstrando uma curiosidade rara — tão diferente daquele ar blasê que canso de ver em grandes museus, onde tanta gente vai mais para botar no currículo do que para verdadeiramente se deleitar com as belezas expostas.

Os jardins da Quinta da Boa Vista são muito bem aproveitados como área de lazer



Já peguei uma fila de mais de 40 minutos para comprar ingresso, num feriadão da Independência, absolutamente encantada com a ansiedade dos pequenos visitantes: “Pai, o dinossauro ainda está lá dentro?”. 

Sem pose, sem “cara de conteúdo”, o público devolve ao museu sua exata função, que não é corroborar a suposta erudição de ninguém, mas tornar a busca do conhecimento uma coisa lúdica e prazerosa. Eu, que sempre fui fã do Museu Nacional, encontrei um espaço completamente novo e muito mais atraente observando as peças expostas, velhas conhecidas, pelo olhar de meus sobrinhos, principalmente de minha sobrinha Carolina, na época com 10 anos e extasiada com tantas descobertas.

Além de ver o acervo, preste atenção aos detalhes do edifício. A Quinta da Boa Vista foi a residência oficial da Família Imperial brasileira desde a independência até a proclamação da República
Detalhes da decoração do teto de um dos salões do Paço Imperial da Quinta da Boa Vista (nome oficial do palácio que abriga o museu). O edifício foi construído em 1803, sobre uma colina com bela vista para a Baía de Guanabara. Com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, foi cedida à família real e posteriormente comprada pelos monarcas, que se agradaram do clima agradável da região
A escadaria da área de serviço do palácio




No acervo, adoro o Meteorito Bendegó (que caiu no Sertão da Bahia e foi encontrado em 1784), exposto logo na entrada e, claro (eu sou normal!!!) a coleção de fósseis estrelada pelos esqueletos do trigre-dente-de-sabre,das preguiças gigantes e do espetacular maxacalissauro, a maior espécie de dinossauro que habitou terras brasileiras.

O meteorito Bendegó
Minhas irmãs e meus sobrinhos aprendendo a reconhecer meteoritos em um painel do museu. À direita, a reconstituição do rosto de "Luzia, a primeira brasileira", o fóssil humano mais antigo encontrado na América. Ela viveu há cerca de 13 mil anos, na região que hoje é a periferia de Belo Horizonte
Talvez a parte mais relevante do acervo seja a Coleção Greco Romana da Imperatriz Teresa Cristina, que tem peças recuperadas nas escavações de Pompeia e HerculanoA imperatriz, consorte de D. Pedro II, era apaixonada por arqueologia e, ao longo da vida, reuniu uma respeitável coleção de peças gregas e romanas, hoje a base da coleção de Arqueologia Clássica do Museu Nacional, considerada a mais importante da América do Sul, com cerca de 700 objetos.

Nascida na Casa de Borbon, dinastia que então governava o Reino das Duas Sicílias e tinha sua capital em Nápoles, Teresa Cristina acompanhou a grande febre de redescoberta e valorização do passado clássico — movimento que estimulou as grandes escavações de Pompeia, Herculano e outros sítios. Dona de grandes extensões de terra no Sul da Itália, a imperatriz autorizou pessoalmente a exploração arqueológica em suas propriedades, de onde vem parte da coleção exposta na Quinta da Boa Vista. A ênfase da coleção da imperatriz está nos utensílios domésticos, amuletos e adornos.

Leve o farnel e entre no clima: a Quinta da Boa Vista não é chique, mas é adorável.

Museu Nacional 
Quinta da Boa Vista, São Cristóvão. 

Horários: de terça a domingo, da 9h às 17h (última entrada às 16h). Às segundas, do meio dia às 17h. No verão, as visitas são esticadas até às 18 horas.

Preços: R$ 6. Crianças até cinco anos não pagam. Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 pagam meia-entrada. O Ingresso Família (2 inteiras + 2 meias‐entradas) custa R$ 15.

A fachada do museu e, à direita, Carolina admirando um sarcófago da coleção pessoal de D. Pedro II
Rio de Janeiro - todas as dicas (post índice)




Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário