quinta-feira, 3 de março de 2016

Um mergulho em Copacabana

Sábio é o carioca, que adia a chegada do outono até o verão chegar outra vez 
O clima do nosso país é tão bom que os brasileiros acabaram virando uns perdulários: basta acabar o Carnaval e a gente troca de estação para sintonizar em planos de viagem e atividades pouco praieiras. Pra mim, exilada a 1.100 km (em linha reta) da beira do mar, isso é um desperdício. Honra, portanto, aos cariocas, que adiam o 20 de março, início oficial do outono, até dezembro trazer de volta o verão.

Perpetuar uma estação do ano é arte, ciência e filosofia. E se a gente tiver que eleger uma sede para a academia que formula e aperfeiçoa esse conhecimento, vai ter que concordar que é a Praia de Copacabana que mais merece a deferência. Ir à praia no Rio é quase uma religião, mas é Copa que sintetiza melhor esse saber, tecnologia e doutrina.



Copacabana, sede da "Academia das Ciências Praieiras"
O Rio tem muita coisa bacana pra ver, mas, francamente, se você nunca deu um mergulho em Copacabana, está devendo a você mesma e à cidade. Fácil de chegar (o bairro tem três estações de metrô), pródiga na oferta de comodidades e com índices de balneabilidade geralmente verdes (próprios), o banho de mar em Copacabana é uma experiência antropológica e uma celebração hedonista inenarrável. Bora se jogar?

Copa é território de muitas tribos, idades e formas físicas
E também é o ganha-pão de muita gente
Copacabana é tradicional (já se tomava banho de mar por aquelas bandas no final do Século 19) e contemporânea. É diversa, mutante e eterna. Dizem também que é democrática — e até é, no que diz respeito a tribos, gostos, idades e formas físicas, mas é inegável que o lazer de uns é o ganha-pão pra muita gente que rala naquelas areias vendendo de tudo, mas que é olhada de banda quando quer frequentá-la à paisana.

O famoso calçadão e seus quiosques. À direita, euzinha no Posto 4, altura da Bolívar/Xavier da Silveira, em 1966 — agora vocês já podem dizer que me viram de biquíni na Fragata :)
Para o banhista local ou turista, os diversos trechos de Copa são uma mão na roda: basta chegar. Tecnicamente, nem precisa levar roupa de banho, pois sempre vai passar um ambulante vendendo biquínis, cangas, chapéus, óculos escuros, protetor solar e o que mais se precise para aproveitar a praia.

No fim de semana do show dos Rolling Stones, eu fiz quase isso. Cheguei ao Rio de manhã e meu quarto de hotel só estaria disponível a partir das 14 horas. Catei o biquíni na mala e segui para o Posto 5, onde há vestiários e armários. Foi só trocar de roupa, trancar a bolsa e tchibum.

Posto 5: os armários e chuveiros quebram um galhão

Dicas práticas
Como chegar
Descomplique: se estiver hospedada no bairro, vá a pé. Se não, vá de metrô. O bairro tem três estações (Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Cantagalo), todas a poucas quadras do calçadão da praia.

Copacabana tem 4 km de orla pra você escolher seu pedaço de areia. O Posto 6, trecho mais próximo ao Arpoador, é o mais concorrido, já que a formação rochosa que avança para o mar, onde está assentado o Forte de Copacabana, funciona como um quebra mar e oferece grandes momentos de mar piscininha. Eu, porém, não sou muito luxenta: costumo ir no trecho em frente à rua em que estiver hospedada.

Quando morava no Rio, frequentava mais o pedacinho em frente à Xavier da Silveira/Bolívar, pela proximidade com o Metrô Cantagalo (além do mais, era o meu trecho de praia na infância, quando morava na Xavier da Silveira).

Praticidades da praia
Os lockers, em geral, você só vai encontrar nos postos de salva-vidas, mas a maioria dos quiosques do calçadão da Avenida Atlântica dispõem de banheiros — e de caixas eletrônicos, se você precisar fazer um saque para pagar a água de coco.

Se precisar de cadeirinha e guarda-sol, é só alugar. As barracas que prestam esse serviço aceitam cartões de crédito e débito, muitas oferecem WiFi gratuito e quase todas servem bebidas. Vez por outra, o responsável passa com um regador, molhando a areia em torno do banhista, para refrescar.

Para usar os serviços dos postos salva-vidas é preciso pagar adiantado 
Os vestiários dos postos salva-vida também oferecem chuveiros, alugam toalhas e fornecem sabonete, boa pedida para encarar o transporte público depois do banho de mar. Se quiser só tirar o sal, use o chuveiro da praia, mesmo, com uso gratuito.

E é impossível não louvar a inventividade das mangueiras furadas que gotejam água, do calçadão até quase a beira d'água, fazendo uma passarela molhada para a gente não queimar o pé na areia escaldante.
Quanto custa
Aluguel de armário (Posto 5) – R$ 10 (não perca a chave, se não quiser morrer em mais R$ 20)
Ducha externa (Posto 5) - R$ 1,10
Toalha e sabonete  – R$ 3,50
Sanitário (Posto 5) – R$ 1,70
Sanitários (quiosques) – R$ 3
Chuveiros na areia – grátis
Aluguel de cadeira (até às 20 horas)– R$ 5
Aluguel de guarda-sol (até às 20 horas) – R$ 5

Não vai ser por falta de comodidades que você vai deixar de experimentar o prazer de um mergulho em Copacabana
Segurança
Frequento a Praia de Copacabana desde o tempo que usava fraldas e jamais presenciei qualquer incidente mais grave. Aquelas cenas que aparecem no noticiário (arrastões, correria e desespero) acontecem, mas só são notícia porque são exceção. Vá sem medo, portanto. Basta um pouco de atenção e dá tudo certo.

Não leve objetos de valor para a praia (nenhuma praia, em qualquer lugar). Se precisar, use os lockers dos postos salva-vidas para trancar a bolsa e leve para a areia apenas o necessário. Eu costumo usar uma bolsa tipo "saco", que dá para amarrar na cadeirinha de praia, com o básico dentro.

Como viajo muito sozinha e nem sempre dá para pedir a desconhecidos que tomem conta das minhas coisas na hora do banho de mar, uso uma bolsinha de mergulhador, à prova d'água, que posso levar comigo para a água. O celular também tem capinha à prova d'água.

O Rio de Janeiro na Fragata Surprise
Dicas gerais
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