19 de janeiro de 2018

Rio de Janeiro: a cozinha portuguesa e o Alfaia

 Uma parte (bem) pequena da meia-porção do Bacalhau Alfaia
Por Bruno Santana
Adoro morar num país em que cada lugar que você vá é possível sentir, na culinária local, uma clara influência de outras terras. Falo das referências africanas na comida baiana, dos pratos indígenas de Manaus ou Belém ou da reprodução de técnicas argentinas e uruguaias no churrasco gaúcho. Já o Rio de Janeiro (sem desmerecer o Filé a Oswaldo Aranha) sempre me traz a memória da culinária de Portugal.

A presença portuguesa na cidade, desde os tempos da colônia,certamente haveria de deixar uma gorda influência da comida da terrinha na mesa do carioca — e aí estão os celestiais bolinhos de bacalhau encontrados em qualquer boteco para provar o óbvio.

E o que não falta no Rio são restaurantes com inspiração na terrina. Lembro com particular carinho do , já recomendado (e descrito em detalhes) pela dona deste santo blog (siga o link pra ver o post). Hoje, entretanto, falarei de outra casa com uma comida de primeira e que descobri pelo mais absoluto acaso: o Alfaia.

Se você é carioca, provavelmente já ouviu falar do restaurante, um dos portugueses mais tradicionais de Copacabana. Não era o meu caso. Fui no escuro: estava hospedado bem ao lado, resolvi testar e tive uma grata surpresa.

Após aguardar cerca de quinze minutos pela minha mesa, fui chamado ao pequeno, porém aconchegante salão pelo maître, que parecia estar se divertindo em atender a um jovem rapaz sozinho num borbulhante domingo à noite. Comecei, como não poderia deixar de ser, com uma unidade do ubíquo bolinho de bacalhau, perfeitamente redondinho, crocante e com o equilíbrio certo do peixe com as batatas. Certamente meu exemplar favorito da iguaria na cidade, empatado apenas com aqueles servidos no bar da mureta da Urca.

De prato principal, escolhi a meia-porção (por padrão, todos os pratos servem duas pessoas) do Bacalhau Alfaia, uma bela e suculenta posta do peixe gratinada com molho branco, natas e vinho, acompanhada de batatas portuguesas crocantes e ovos cozidos.

Que prato: eu, que tenho o hábito de — salvas raras exceções — pedir a opção do cardápio que leva o nome do restaurante em questão (afinal, geralmente trata-se da mais célebre e/ou estimada pelo chef), não poderia cumprimentar mais o Alfaia por batizar essa belíssima criação com seu nome. Um bacalhau que seguramente poderia competir com alguns dos melhores que comi em terras portuguesas.

Restaurante Alfaia: os cariocas conhecem, mas, pra mim, foi uma grata surpresa 
A parte não tão boa é que mesmo a meia-porção do prato foi uma monstruosidade para mim (ela pode, inclusive, alimentar duas pessoas com o apetite mais moderado), então não houve qualquer chance de provar as sobremesas deveras atraentes do cardápio — o toucinho do céu, em particular, quase fez meu coração contrariar os impulsos de empanturramen... digo, saciedade enviados ao cérebro, mas resisti bravamente. Fica para a próxima.

O Alfaia não é exatamente um camarada no lado direito do cardápio, mas fica na (admitidamente exorbitante) média de preços dos restaurantes de padrão mais alto do Rio de Janeiro. A unidade do bolinho de bacalhau sai por R$8, enquanto a meia-porção do Bacalhau Alfaia custa R$100 (a versão para dois, se bem me lembro, sai por R$195). Com uma taça de vinho, uma garrafa d'água e o serviço, a conta ficou na faixa dos R$160, para mim apenas. Para uma viagem mental de volta a Lisboa sem precisar pagar passagem ou encarar oito horas de avião, me parece um valor bastante razoável.

Alfaia Restaurante
Rua Inhangá, 30, loja B — Copacabana, Rio de Janeiro
De segunda a sábado do meio-dia à meia-noite; domingo do meio-dia às 23h

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