domingo, 18 de setembro de 2011

Rio de Janeiro: meus postais afetivos

Detalhe do saguão do Auditório da ABI
Frequento o Rio de Janeiro desde recém-nascida e já morei na cidade em cinco temporadas, ao longo da vida. Essa proximidade jamais conseguiu tirar de mim o "olhar de turista", mesmerizado pela beleza da cidade. Isso não me impede, porém, de ter uma "listinha insider" de lugares favoritos e quase secretos, absolutamente pessoais. 

Como não sou egoísta 😉, compartilho com vocês os meus "postais afetivos" do Rio. Aposto que você também vai amar.

Fragatas no Céu do Rio


Basta olhar para cima, nos finais de tarde. A revoada percorre toda a área do Porto, Castelo, Lapa e Aterro, até o Pão de Açúcar, onde as aves gostam de passar a noite.

Palmeiras imperiais 
Por causa delas, Rua Paissandu (minha casa no Rio) é a mais bonita da cidade. A rua era o velho caminho da casa da Princesa Isabel, o Palácio Guanabara (hoje sede do governo do estado), até a Praia do Flamengo. As palmeiras demarcavam a alameda percorrida pela herdeira do trono até o banho de mar.

Palmeiras imperiais no Jardim Botânico
Quando for ver as palmeiras da Paissandu, faça o passeio completo: veja a arquitetura da sede do Fluminense, de 1902 (Rua Álvaro Chaves nº 41), atravesse a Avenida Pinheiro Machado e percorra toda a Paissandu, até a Praia do Flamengo, onde, de frente para o Aterro, tem um chopinho gelado no Belmonte. (Metrô Flamengo).

Outro lugar bacana para ver palmeiras imperiais é, claro, o Jardim Botânico

Jardim Botânico
Chafariz das Musas e Casa dos Pilões


A entrada principal fica na Rua Jardim Botânico, n° 1008. Eu, porém, gosto mais de chegar pela Rua Pacheco Leão, n° 100, para percorrer a Aléia Barbosa Rodrigues, ladeada pelas famosas palmeiras imperiais, que passa pelo Portal da Real Academia de Belas Artes e leva ao chafariz, instalado em 1895.

Outro cantinho que eu adoro é a Casa dos Pilões, sede da antiga Real Fábrica de Pólvora da Lagoa Rodrigo de Freitas, hoje um Museu-Sítio Arqueológico.

O Jardim Botânico pode ser visitado diariamente. Às segundas-feiras, das 12h às 17h. No resto da semana, das 8h às 17h. A entrada custa R$ 10 e só pode ser paga em dinheiro. 

E leve repelente, pois a natureza, mesmo no meio de uma metrópole, é uma festa de mosquitos.

Terraço do Botafogo Praia Shopping
Praia de Botafogo n° 400 

Olha só essa vista...
Até eu, que odeio shopping, deliro com a vista maravilhosa do topo do prédio que, na minha infância, era a sede da legendária loja de departamento Sears.

Além do terraço, refúgio dos fumantes, dois restaurantes do 7° andar são excelentes camarotes para o Pão de Açúcar e a Enseada de Botafogo, o Emporium Pax e o Kotobuki, que, além de tudo, serve um sukiyaki bem bacaninha. Difícil é decidir se a vista é mais bonita de dia ou à noite... (Metrô Botafogo).

Jardins suspensos
Um jardim nas alturas, a cara do Centro do Rio
O truque é o mesmo das fragatas: basta olhar para cima, caminhando pelas ruas da região do Castelo e do Aterro (cuidado com os bueiros!). Adoro as árvores que ficam no topo do Palácio Capanema que, aliás, tem um jardim bem bacana (de Burle Marx) no segundo andar. Mas a oferta de jardins nos terraços do Centro do Rio é imensa. Descubra o seu.

Palácio da Fazenda
Avenida Antônio Carlos, entre a Rua Araújo Porto Alegre e a Avenida Almirante Barroso

A escadaria do Ministério da Fazenda
O edifício desperta pouco interesse, com suas linhas arquitetônicas que são a cara do Estado Novo e soam tão sisudas, comparadas à beleza apaixonante do Palácio Capanema, do outro lado da Araújo Porto Alegre.

Mas eu adoro o diálogo de estilos entre a leveza das linhas de Niemeyer, Lúcio Costa e companhia (concepção de Le Corbusier), no Capanema, e  o caixotão cheio de surpresas do velho prédio do Ministério da Fazenda.

Além da escadaria, deliro com os lustres, colunas e o piso xadrez. A fachada, com colunas gregas e imponentes leões, andou estrelando um comercial de automóvel.

Não está aberto à visitação — lá funcionam a Receita Federal e outros órgãos. Eu ia muito lá a trabalho, fazer entrevistas e reportagens. Agora, tenho até vontade de cair na malha do IR, só para  visitar o prédio 😀 (Metrô Cinelândia)

Edifício sede da ABI
Rua Araújo Porto Alegre n° 71

 Outro caixotão de cimento que eu adoro. Perdi a conta das fotos que fiz da parede de tijolos de vidro e da escada que ficam no saguão de acesso ao auditório. (Metrô Cinelândia)

Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, n° 16


É o prédio mais lindo do Rio, inaugurado em 1943 e considerado o marco inaugural da arquitetura modernista no Brasil. Hoje, abriga órgãos do Ministério da Cultura, mas permite a visitação em algumas dependências.

Eu batia ponto lá quase todo dia, na hora do almoço, nem que fosse para curtir o vento que corre pelo vão livre do edifício, mesmo nos dias mais quentes. Adoro tudo no Cpanema, especialmente o painel do Salão Portinari e os jardins. (Metrô Cinelândia).

Painel de Cândido Portinari no Palácio Capanema
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