sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Viagens gastronômicas: 4 delícias que valem a jornada

Em sentido horário: Dun Laoghaire (Irlanda), a Torre de Belém, o Pão de Açúcar e a Torre Eiffel: por trás das paisagens, festas para o paladar
Por Bruno Santana
Eu viajo para comer. Esse é um aviso que repito à exaustão para quem quer ouvir meus relatos de viagens ou se interessam em me fazer companhia em uma próxima aventura longe de casa. Basicamente, conheço os lugares pela boca e minhas principais memórias afetivas das jornadas por aí estão nas comidas que experimento — como reflexo disso, basta olhar qualquer álbum de viagem meu e quase tudo o que irás encontrar são fotos de pratos, doces e restaurantes.

São vários os grandes acontecimentos gastronômicos que marcaram minha memória. Quatro deles, porém, pagaram a viagem sozinhos. A sopa de cebola de Paris, um hambúrguer sublime em Dun Laoghaire (Irlanda), o filé à Oswaldo Aranha do Rio de Janeiro e os pastéis de Belém são motivo suficiente para você colocar esses destinos em seu roteiro.

Fica aqui o meu tributo a estes momentos fugazes, porém decisivos. Quer provar também? Vamos!

Sopa de cebola: a essência de Paris

Sopa de Cebola em Paris
Há quem diga que não gosta de sopa de cebola. Eu digo que não há como emitir esta opinião com total conhecimento de causa antes de provar a sopa de cebola francesa, que é uma entidade totalmente diferente daquilo que conhecemos como sopa de cebola no resto do mundo. 

Não sei se são os ares da França ou se eles põem algum ingrediente secreto naquela mistura, mas a simples combinação de toneladas de cebola caramelizada com caldo de carne, duas fatias de pão e uma cobertura de queijo Gruyére gratinado é, na visão deste que vos escreve, a Marselhesa transposta num sabor — sim, ainda mais que um croissant ou um macaron.

É praticamente impossível provar uma sopa de cebola ruim em Paris, mas a melhor com a qual já me deparei estava no La Jacobine, bistrô próximo à Abadia de Saint-Germain-des-Prés, com seu leve toque de estragão. Estou suspirando só de lembrar.

La Jacobine
59-61 Rue Saint-André des Arts, Paris. De terça a domingo das 12h às 23h, segundas das 18h30 às 23h.

Outras dicas de restaurantes na capital francesa:

O melhor hambúrguer da minha vida
Hambúrguer em Dun Laoghaire
Não, você não leu errado. E sim, mesmo já tendo estado em países com uma tradição muito maior de bons hambúrgueres, como os Estados Unidos e a Inglaterra, o melhor exemplar desta preciosa combinação de pão, carne e adicionais estava na Irlanda — mais precisamente, em Dun Laoghaire, uma cidade litorânea colada com Dublin.

O Real Gourmet Burger, muito bem-localizado na avenida costeira da pequena cidade, serve sanduíches inexplicavelmente fantásticos. Eu pedi o The New Yorker, com queijo cheddar irlandês, cebolas salteadas, picles e maionese de alho, e não me lembro de ter comido um hambúrguer melhor na vida. 

Tudo, absolutamente tudo, desde o pão macio coberto com sementes de papoula até a carne perfeitamente temperada, me faz querer voltar ao frio e à chuva da Irlanda para saborear aquela iguaria novamente. Não que seja a única coisa que faz do país um local fascinante — mas que contribui, contribui.

Real Gourmet Burger
9 Marine Rd, Dún Laoghaire Aberto 24h nos dias de semana e das 12h às 22h aos sábados e domingos. Há também uma filial no centro de Dublin, para os que não quiserem fazer a curta viagem: 101 Terenure Rd E, Dublin, aberto 24h nos dias de semana e das 12h às 22h aos sábados e domingos.

Mais dicas de pratos e restaurantes na Irlanda:
Comer na Irlanda: Lugares que experimentei e curti



Mais gostoso que o Pão de Açúcar

Filé à Osvaldo Aranha no Rio de Janeiro
Não existe possibilidade de chegar ao Rio de Janeiro sem comer um filé à Osvaldo Aranha: assim como a sopa de cebola está para Paris, esta criação divina está para a segunda capital brasileira em termos de representar o sabor de um lugar com perfeição. 

O prato de filé mignon perfeitamente grelhado ao ponto, com uma quantidade cavalar de alho frito por cima, acompanhado de arroz, batata frita em rodelas e farofa de ovo, foi criado especialmente para o político e diplomata brasileiro que presidiu a primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU.

Seu sabor por si só já garantiria um lugar especial nessa lista, mas o filé à Osvaldo Aranha ainda tem um adicional: ele está intrinsecamente ligado a uma experiência gastronômica que me é muito cara e extremamente característica ao Rio de Janeiro, com seus restaurantes antigões e acolhedores e garçons que parecem exercer aquele ofício há duzentos anos, como se aquilo já estivesse gravado em seus DNAs. É a forma que a cidade tem de me receber e que eu tenho de dizer “Rio, estou aqui”.

Três exemplares fantásticos do célebre filé estão em verdadeiras instituições do Rio: o do Boteco Belmonte, com várias unidades espalhadas pela Zona Sul, o Cervantes, em Copacabana, e o Café Lamas, no Flamengo. Qualquer um deles será uma incursão fabulosa na arte de ser carioca — ainda que só por alguns dias.

Boteco Belmonte
Rua Teixeira de Melo, 53 B - Ipanema. Todos os dias, do meio-dia à meia-noite (outras unidades em Copacabana, no Leblon e no Flamengo).


Cervantes
Rua Prado Júnior, 335 - Loja B - Copacabana, Rio de Janeiro. Todos os dias, exceto segunda, do meio-dia até o final da madrugada.

Café Lamas

Rua Marquês de Abrantes, 18 - Flamengo, Rio de Janeiro. Todos os dias das 09h30 às 02h30

Mais sobre o Cervantes e o Lamas:

Rio de Janeiro: Onde comer bem em Botafogo e vizinhança
Outras dicas gastronômicas do Rio:
Onde comer bem e barato em Copacabana
Onde comer bem no Rio de Janeiro



O inimitável

Pastel de Belém em Lisboa
Este é um caso de amor que, de certa forma, não terminou bem. Explico: durante a viagem a Portugal, enamorei-me pelos pasteis de nata de tal forma que ficou muito difícil viver sem eles na volta. Desde então, vago os quatro cantos de Salvador, onde moro, em busca de algo que possa abrandar minha crise de abstinência — em alguns casos com um certo sucesso, mas nunca de forma totalmente satisfatória.

O fato é que o pastel de nata — e mais especificamente o pastel de Belém, que nada mais é que o pastel de nata original — é a expressão máxima de um dos países que mais sabe fazer doces no mundo. 

É quase impossível encontrar uma cópia do pastel de natas com o grau de perfeição daqueles produzidos em território português. A massa folhada perfeitamente crocante e estaladiça e o recheio de creme e gemas com um leve toque de canela e queimadinho sem exageros por cima são, eu descobri, muito mais difíceis de se reproduzir do que parece.

O pastel de Belém, da famosíssima fábrica próxima à Torre de Belém e ao Mosteiro dos Jerónimos, é inegavelmente o melhor exemplar da iguaria que pode ser provado no mundo. Entretanto, se as longas filas te desanimarem, algumas alternativas estão disponíveis. 

A Fábrica da Nata, por exemplo, fica numa área muito mais central — a Praça dos Restauradores, perto do Rossio e da Avenida da Liberdade — e oferece pasteis praticamente do mesmo nível da localidade mundialmente conhecida.

Pastéis de Belém
Rua Belém, 84-92 - Lisboa. Todos os dias das 8h à meia-noite

Fábrica da Nata

Praça dos Restauradores 62-68 - Lisboa. Todos os dias das 8h às 23h.

Mais sobre pastéis de nata:
Dicas gastronômicas de Portugal:
A mesa portuguesa ou Pantagruela rides again

Comes&Bebes - o índice de todas as dicas gastronômicas da Fragata

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2 comentários:

  1. Caro Bruno.
    Mais pertinho que Paris, coloque em teu radar a Cantina Baviera , em Curitiba. Tem uma sopa de cebolas deliciosa e famosa. O carro chefe do restaurante, que já tem 45 anos de vida é justamente a dita cuja, e também os calzones, deliciosos.
    A possível má notícia é que o proprietário, um senhorzinho com 80 anos colocou o restaurante à venda. Se não aparecer comprador, vai fecha-lo.
    Portanto, aos que passarem por Curitiba, aproveitem.
    Kenneth Fleming

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    Respostas
    1. Oi, Kenneth! Essa é uma dica e tanto, muito obrigado. Curitiba é uma cidade que eu já estou deveras atrasado para conhecer, então acontecerá em breve e certamente colocarei a cantina no meu roteiro. Esperamos que ainda esteja por lá!

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