quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Comer bem em Paris:
15 lugares testados e aprovados

Paris é uma festa para os 5 sentidos - mas vamos combinar
 que a visão e o paladar se esbaldam
Uma semana em Paris faz muito bem para a alma e para os cinco sentidos, embora eu desconfie que o paladar saia ganhando nessa festa. Desde que Catarina de Médici trouxe a sofisticação florentina para a corte francesa, comer em Paris é programa cinco estrelas, mesmo que a refeição seja feita em uma barraquinha de crepes, no meio da rua — desde que a gente evite as arapucas pega-turistas.

Neste post, listei 15 lugares legais para comer em Paris. Tem restaurantes mais elegantes, casas de bairro e até comidinhas de rua. Essa “agenda” só foi possível com a ajuda do meu companheiro de viagem, super parceiro para assuntos gastronômicos, meu sobrinho Bruno, que pesquisou restaurantes antes do embarque baixou vários aplicativos úteis.

Em um bistrô de bairro, em um salão Belle Époque ou em uma mesinha de calcada, comer em Paris é uma festa
Entre os lugares que experimentamos, alguns (poucos) eu já conhecia e quis repetir, muitos foram definidos a partir de consultas na internet e outros foram encontrados ao acaso. Entre os aplicativos que usamos, recomendo o Yelp, uma mão na roda. Funciona de modo similar ao mais conhecido Foursquare, mas tem mais resenhas, com bastante informação.

Os preços citados aqui são sempre para a conta total (para duas pessoas), com os pratos e as bebidas. As estações de metrô indicadas são as mais próximas de cada restaurante, mas antes de ir pesquise o itinerário, pois, dependendo de onde você estiver, pode ser mais rápido chegar por outra estação das imediações. Veja o mapa no final do post.

Confira as nossas dicas:

La Rose de France 
Place Dauphine nº 24 (Metrô Pont Neuf). Aberto diariamente para almoço e jantar. Fecha às 23 horas
Nossos pratos no La Rose de France,
com vista para a Place Dauphine
Só o fato de este restaurante ter mesas na calçada em uma das minhas praças preferidas em Paris (a fofa Place Dauphine, atrás do Palácio da Justiça e ao lado da Pont Neuf) já conta muitos pontos. Eu já tinha experimentado o La Rose de France em uma passagem anterior pela cidade e tinha gostado bastante. Neste repeteco, na nossa primeira noite parisiense, ele não decepcionou.

A mousse de foie gras servida como amuse-bouche estava notável. Bruno pediu de Carré d'Agneau (cordeiro) com arroz e nozes e eu escolhi o filé com mil folhas de batata. Os dois pratos estavam ótimos. Dispensei a sobremesa, mas Bruno amou a tartelette ao chocolat. Com vinho e refrigerante, pagamos €70.

Fauchon Café 
Place de la Madeleine nº 30 (Metrô Madeleine). De segunda a quinta, das 8h às 22 horas. Sextas e sábados, das 8h às 22:30h
A decoração meio disco do Café Fauchon,
 o ravióli e a tortinha de framboesa
Nossa ideia era só beliscar alguma coisinha em uma das mesas ao ar livre no restaurante da famosa casa de gostosuras, mas como eles já estavam fechando (eram quase 19 horas),  resolvemos experimentar o restaurante-café que funciona no primeiro andar da épicerie.

Com uma parede de espelhos e cortinas rosa choque, o Café Fauchon tem uma certa cara disco, atendimento impecável e a comida estava de suspirar. Pedi o ravióli de lagosta e Bruno o tempura de camarão.

De sobremesa, fui de Biscuit Breton (tortinha de framboesa com pistache) e Bruno de Eclair Paris Brest, uma variação requintada da bomba, com casquinha finíssima de biscoito e recheio de creme de avelãs.

Para quem queria só beliscar, foi uma senhora extravagância, mas valeu cada um dos €86 (com vinho e refrigerante).

Koh Samet
Rue Saint-Gilles nº 15 (Metrô Chemin Vert). Almoço (das 12h às 15 horas) e jantar (das 18:30h às 23h). Fecha às segundas, no horário do almoço
Marais: de tanto tentar reencontrar um restaurante vietnamita que experimentei e amei, acabo achando vários outros. À direita, meu prato de Kaeng Nua
Faz muitos anos que eu tento reencontrar um restaurante vietnamita no Marais onde comi a melhor sobremesa da minha vida, feita com tapioca, leite de coco e gergelim.

Enquanto eu não encontro, vou descobrindo outros vietnamitas do bairro, como o Koh Samet. A rigor, a casa é só metade vietnamita, servindo também pratos tailandeses. O ambiente é simples e simpático, tocado por uma família que se revesa no atendimento, no caixa e na cozinha.

Bruno pediu o robalo com capim limão e eu acabei pedindo Kaeng Nua, ensopado tailandês de carne com curry e leite de coco, super saboroso. Com bebidas, pagamos € 42.

Chez Caldé Brasserie 
Rue St-André des Arts, nº 54, esquina com a Rue des Grands Augustins (Metrô Odéon ou Saint-Michel). Almoço e jantar. Fechado aos domingos 
Tajine de carneiro e entrecôte, no Chez Caldé
Esse restaurante foi uma ótima surpresa, escolhido ao acaso enquanto passeávamos pela Rue St-André des Arts, que pra mim é o melhor caminho entre o Quartier Latin e Saint-Germain-de-Pres. A casa é informal, simpática e tem uma trilha sonora bem gostosinha.

A cozinha tem um pezinho no Magreb e eu amei o tajine de carneiro (agneau tajine), prato que adoro. Bruno foi mais "clássico" e escolheu o entrecôte com saladinha e batatas fritas. Com refrigerantes, pagamos € 53.

Le Tambour d'Arcole
Rue d' Arcole nº 5 (Metrô Cité), Diariamente, das 8h às 2 da manhã
Sopa de cebola, conft de canard e sobremesas,
 no Tambour d'Arcole
Sim, todo mundo sabe que não se deve comer nos restaurantes na área da Catedral de Notre Dame, mas o aplicativo Yelp trazia resenhas muito elogiosas deste restaurante, que fica em uma ladeirinha, em uma quebrada meio escondida da área. Como estávamos saindo de um concerto na Sainte Chapelle e com bastante fome, resolvemos experimentar. E como foi bom!

O restaurante é informal e tem cara de ser frequentado pelos moradores das redondezas, a julgar pelo jeito carinhosos dos garçons (todos muito jovens) com um grupo de crianças que jantavam com as famílias. Escolhemos uma mesa do lado de fora para aproveitar o fresquinho da noite e a atmosfera gostosa de uma região tão tranquila, apesar de ficar a poucos passos de uma das áreas mais fervilhantes de turistas da cidade.

Nossas sopas de cebola gratinadas estavam de aplaudir de pé. Apesar da promessa de sempre pedir pratos diferentes, quebramos a regra também no prato principal e fomos ambos de confit de canard, também delicioso. Na sobremesa, Bruno foi classiquíssimo, pediu crème brûlée e amou. Eu suspirei um bocado com o meu tiramisú. Com vinho e refrigerante, nossa conta foi de €80.

Bistrot du Centre
Rue St Martin nº 131 (Metrô Rambuteau), em frente ao Centre Georges Pompidou
Nossa mesa no Bistrot du Centre
Mais um lugar escolhido pelo Yelp e que agradou muito. O Bistrot du Centre fica bem em frente ao Beaubourg e resolvemos experimentá-lo depois de ver o museu.

Matei meu desejo, pedindo escargots ao molho de ervas, de entrada, e steak tartare, um dos meus pratos preferidos sobre a face da terra. Bruno pediu croque monsieur com batatas fritas. Com vinho e refrigerante, pagamos €34.

Crepe no Trocadéro
Jardins do Trocadéro: bom para relaxar, 
olhar a Torre Eiffel e comer um crepe
Restaurante é ótimo, mas comida de rua ocupa um lugar especial em meu coração e meu estômago. Provamos muitos beliscos em Paris, mas um dos melhores foram os crepes de queijo que comemos em uma barraquinha ao lado do carrossel, na parte mais baixa dos Jardins do Trocadéro. Não sei se foi a fome (que cresceu ainda mais com a espera na longa fila), mas aqueles crepes entraram para a lista das nossas refeições notáveis na primeira mordida :). Crepes a partir de € 3. Experimente também o de limão com açúcar, divino.

Queijos, frios, frutos do mar... Parise tem opções pra todos os gostos 
Moriarty
Rue Lamartine nº26 (Metrô Cadet)
Esta pizzaria entrou nas nossas vidas como o último refúgio de dois famintos exaustos, chegando de Dublin e já sem esperanças de encontrar algum lugar para jantar, por volta das 23:30h, que não nos obrigasse a um deslocamento longo.

A casa fica a dois passos do Hotel Les Plumes, onde nos hospedamos, é bem descoladinha e decorada com inúmeros retratos de barbudos, em homenagem a Moriarty, o arquiinimigo de Sherlock Holmes.

Mas a boa notícia é que a pizza que eles servem é muito gostosa. As redondinhas são individuais (mas um pouco maiores que um prato convencional), com a massa fininha e bordas um pouco mais gorduchas e cobertura na medida exata — você consegue sentir o sabor da massa. A salvação da nossa noite custou € 26.

Le Comptoir Parmentier 
Avenue Parmentier nº 6 (Metrô Voltaire)
Peixinho e linguine com camarão, no "bistrô da vizinhança"
Outro salva vidas na vizinhança do hotel, desta vez, quando nos hospedamos no 11º Arrondissement. Todas as noites, voltando para o Hotel Gardette, eu observava a cara simpaticíssima deste bistrô, sempre cheio de gente conversando animadamente, de uma mesa para a outra. Uma noite, resolvemos experimentar e adoramos o astral bem caseiro, a dona do lugar parando em cada mesa para um alô e a sensação de termos sido adotados pelo bairro. 

Meu prato de linguine Black Tiger (massa com camarão e rúcula) estava muito gostoso, a rúcula inacreditável, de tão tenra. Bruno também elogiou muito o filet de dorade (perca), servido sobre talharim e legumes. O tiramisù da sobremesa também estava bem bom. Com vinho e refrigerante, a conta foi de €46.

Les Artistes Gourmandes
Rue de la Roquette nº 83 (Metrô Voltaire) 

Outra aventura bem sucedida na nossa vizinhança, no 11º Arrondissement. Descobrimos este restaurante com decoração simples e clássica e astral descolado (no atendimento e na trilha sonora) pelo Yelp. Chegamos quase na horinha de fechar (perto das 22 horas), mas ainda assim fomos muito bem tratados (só não pudemos escolher entrada ou sobremesa).

O cardápio é italiano, o espaguete é muito bem feito e os molhos estavam perfeitos (o meu foi à carbonara, suspirante. O de Bruno foi à bolonhesa, delicioso). Com refrigerante, uma continha de €30.

La Galette des Moulins
Rue Norvins nº 1, Montmartre (Metrô Abbesses)
Na subida de Montmartre, pausa para olhar a vitrine. O nome da casa é uma brincadeira com o célebre moinho que inspirou Renoir,Van Gogh e outras feras
Dispense o funicular e suba até a Basílica de Sacre Coeur serpenteando pelas ladeiras de Montmartre. É um jeito muito mais gostoso, com a vantagem que você se livra dos achacadores de turistas que fazem ponto nas escadarias que dão acesso à igreja.

No caminho, você ainda corre o risco de topar com essa creperia cujo nome brinca com o famoso Moulin de la Galette, que fica nas imediações e serviu de cenário para a tela de Renoir, considerada o marco inaugural do impressionismo.

Na hora do almoço, o lugar fica lotado de engravatados e de turistas e as poucas mesas não dão conta da muvuca. O jeito é pedir um croque monsieur (€4) no balcão e comê-lo bem devagar, caminhando ladeira acima. Delícia...

La Coupole
Boulevard du Montparnasse nº 102 (Metrô Vavin)
Ninguém vai ao La Coupole pela comida. Mas essas vieiras 
aí da foto estavam de gritar...
Reza a lenda que ninguém vai ao histórico e folclórico La Coupole pela comida. Nem eu, que vou lá todas as vezes que passo por Paris. Sou louca pelo castiço Art Deco que impera neste ambiente, inaugurado em 1927, onde desfilaram muitos heróis da Geração Perdida (Hemingway puxando a fila) e ídolos de várias eras, como Piaf e Jim Morrison. Adoro aquelas colunas, os lustres retangulares, a cúpula pintada...

As famosas colunas do La Coupole, pintadas por artistas de renome. O restaurante é tombado como Monumento Nacional da França
E, apesar de nunca ter ido lá pela comida, jamais comi mal no la Coupole. As ostras, por exemplo, sempre batem um bolão. E o steak tartare está entre os melhores da minha vida. Desta vez, atacamos as vieiras grelhadas com risoto de arroz vermelho e, francamente, quase fui às lágrimas (vieiras me deixam sempre muito sensível, ainda mais acompanhadas de chablis, rsss). Na sobremesa, fomos muito clássicos: Bruno de crème brûlée e eu de crepe suzette. A farra não foi barata (€100), mas valeu cada centavo. 

Au Pied de Cochon 
Rue Coquilliere nº 6, Les Halles (Metrô Les Halles). Aberto 24 horas, todos os dias da semana
Um clássico popular parisiense
Eis outro clássico parisiense, inaugurado logo após a II Guerra, onde comer é uma parte (importante) do programa, mas onde o ambiente e a história do lugar são um tempero inimitável. O nome não engana ninguém: a especialidade da casa é mesmo o pé de porco cuidadosamente assado (casquinha crocante) e bem temperado.

Kitsch no úrtimo: a decoração do Au Pied de Cochon é parte da diversão
O famoso pé de porco
Na noite em que estivemos lá, pantagruela estava de folga e eu fiquei só na sopa de cebola (de uivar para a lua), mas Bruno fez questão de provar o carro chefe da casa — ficou meio decepcionado com a exiguidade de carnes, mas alguém já viu algum pé carnudo? Enquanto isso, eu bebia o meu bordeaux e morria de rir do esforço dele para destrinchar a comida. Uma farrinha módica : € 48.

Les Ambassades
Rue du Bac nº 75 (Metrô  Rue du Bac)
Esse tartare de salmão estava delicioso...
Mais um restaurante escolhido ao acaso, em mais um passeio pela região de Saint-Germain. Na hora do almoço, fica bem cheio e parece ser disputado pelo pessoal que trabalha nas imediações. Bruno gostou muito do entrecôte e eu adorei o tartare de salmão. Boa surpresa. Com aperitivos e refrigerantes, a conta foi de €47.

Confira os endereços no mapa

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6 comentários:

  1. Cyntia,

    Os preços é individual ou dos dois?

    Bj
    Claudia Maas

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  2. Cyntia!

    Morei por quatro anos em Paris, e conheço alguns desses restaurantes citados, vc me deixou nostálgica agora! Paris é sempre uma festa para o paladar!
    beijos!

    www.nomundodapaula.com

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  3. Na próxima vc precisa conhecer o La Regalade que fica no Hotel Nell. é simplesmente, bárbaro e o menu sai por 37 euros. E tudo ali é demais. beijos

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    Respostas
    1. Anotadíssimo, Jorge. E eu fiquei hospedada pertinho...

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