quarta-feira, 20 de maio de 2015

Onde comer bem no Rio de Janeiro

O Forte de Copacabana tem essa vista
 e docinhos da Confeitaria Colombo
Vou contar um segredo pra vocês: minha dieta favorita, no Rio de Janeiro, é à base de Biscoitos Globo e limonada. Essa dupla é uma espécie de refeição ritual das praias cariocas, a cara daqueles verões escaldantes e irresistíveis, feitos sob encomenda para o mergulho nas águas frias do Arpoador. Mas nem eu me contento apenas com a degustação de biscoitos de polvilho à beira mar e fazia tempo que estava devendo um post exclusivo sobre dicas gastronômicas na cidade.

A oportunidade pintou neste último fim de semana, quando fui ao Rio ver o show dos velhinhos remanescentes do Buena Vista Social Club, com minha mãe e meu sobrinho Bruno, ótimo parceiro de aventuras gastronômicas. Aproveitei para experimentar alguns lugares novos e revisitar velhos favoritos, com o cuidado de anotar tudo bem direitinho e contar aqui pra vocês. Confira o que eu provei e aprovei:
Sá Restaurante 
Bacalhau e robalo crocante, no Sá
As cavaquinhas
Jantamos muito bem nessa casa elegante, que funciona no térreo do Hotel Miramar, na Avenida Atlântica. Gostei do salão com decoração discreta e iluminação comedida, com a curva da paisagem de Copacabana entrando pelos janelões envidraçados. O atendimento é cortês e eficiente e a comida estava ótima.

Eu pedi cavaquinha (um lagostin ou pitu, muito típico do Rio) grelhada com legumes, acompanhada por risoto de lulas. Bruno pediu o robalo crocante, acompanhado de purê de batatas com limão siciliano e palmito assado.

Minha mãe escolheu o bacalhau com batatas ao murro e cebolas confitadas. Provei todos os pratos (essa desculpa de ser blogueira é massa, rsss) e recomendo.

As sobremesas estavam perfeitas. Escolhi o mil folhas de laranja com coulis de frutas vermelhas, levíssimo, impecável. Bruno foi de canoli (deu saudade da Sicília...) de iogurte e mel com figos flambados, também deliciosos.

Nossas fantásticas sobremesas
Sá Restaurante - Avenida Atlântica nº 3668, esquina com a Sá Ferreira, Posto 5, Copacabana (no Miramar Hotel by Windsor). Encontramos o restaurante pelo Tripadvisor e como estávamos hospedados a quase ao lado, resolvemos conferir. Chegamos sem reservas e não havia fila (era uma quinta-feira). Não é um lugar barato, prepare-se para gastar cerca de R$ 100 por cabeça, sem vinho. Funciona diariamente, das 12h às 24 horas.

Feyzi - Culinária da Turquia
Cordeirinho turco, hummm
Também encontramos esse restaurante pela internet, bem reputado no Tripadvisor e no Yelp. Como fiquei fã da cozinha da Turquia, na minha passagem por lá, fiquei super empolgada com a possibilidade de matar a saudade daqueles sabores. E o Feyzi não decepciona. Tremendamente simples, funciona numa loja apertada, com algumas mesas na calçada. Da cozinha, bem à vista do freguês, emanam aromas tentadores de azeite e condimentos. O atendimento é simpaticíssimo, rápido e eficiente (eles têm a atenção de deixar um carregador de celular à disposição da clientela).

Moussaka: gregos e turcos têm
toda razão em disputar a autoria dessa delícia
A comida estava de responsa. Eu e minha mãe atacamos a moussaka, prato que amo. Popularmente conhecida como "lasanha grega" — e gregos e turcos jamais chegarão a um consenso sobre quem a inventou — a moussaka é o casamento perfeito de lâminas de berinjela e camadas de carne moída, geralmente de carneiro, muito bem temperada e gratinada. A do Feyzi é ótima, como também estava ótimo o cordeiro com arroz de açafrão pedido por Bruno.

O Feyzi é o lugar perfeito para uma refeição sem frescura,direto ao ponto. Não deixe de pedir um café turco para arrematar.  Sem bebida alcoólica, a conta do almoço foi de R$ 30 por pessoa. 

Feyzi: muito simples, preços camaradas e boa cozinha
Feyzi Culinária da Turquia - Rua Domingos Ferreira, nº 2, Copacabana, esquina com a Siqueira Campos. São só 20 lugares, no espaço apertadinho. Funciona no almoço e jantar. Confira os horários pelo telefone (21) 3624-6040. .


Restaurante Mauá
O Mauá, no terraço do Museu de Arte do Rio - MAR
Já tinha planejado várias vezes ir ao Museu de Arte do Rio - MAR, mas minhas passagens pelo Rio têm sido tão corridas que só agora deu tempo de ir conhecer esse belo espaço na zona portuária. Do museu eu vou falar em outro post, mas, já que estávamos lá, resolvemos experimentar o Restaurante Mauá, do grupo Pax (do Emporium Pax, meu velho conhecido do Botafogo Praia Shopping, e do Pax Delícia), que funciona no terraço do edifício moderno do MAR.

O ambiente é pequeno, um salão envidraçado, com decoração despojada e um ar refrigerado siberiano (as mesas do lado de fora estariam mais agradáveis e com uma vista bem mais panorâmica, mas o barulho das obras na Praça Mauá não recomendava essa escolha). O atendimento é eficiente e o cardápio pareceu bem inventivo. Mas eu errei feio na minha escolha. Pedi ravioli de galinha d'angola, com quiabo e lâminas de abóbora. O prato veio salgadíssimo, afogado em um molho que não consegui desvendar.

Os pratos aprovados: o filé e o mignon de sol
Bruno e minha mãe tiveram muito mais sorte do que eu. Ela fugiu dos malabarismos e escolheu o velho e bom filé grelhado, com molhinho de pimentões, acompanhado de feijão e arroz. Bruno foi de Mignon do Sol com com queijo manteiga, cebolinhas ao forno, banana grelhada e farofa crocante. Ambos aprovaram seus pratos, o que me deixou verde de inveja.

A sobremesa quase conseguiu redimir a minha frustração. Meu pudim de leite com calda de laranja kincam estava muitíssimo bom, assim como o pudim de tapioca com calda de milho verde (quase uma baba de moça) pedido por minha mãe.

O Centrão do Rio precisa muito de mais refúgios agradáveis como o terraço do MAR e um restaurante naquele lugar é uma ótima notícia. Como meus parceiros de refeição aprovaram seus pratos, a vista é linda e o lugar é gostos, o Mauá entrou neste post. Vá, aproveite o astral, mas passe longe dos ravioli.

As sobremesas estavam ótimas
Restaurante Mauá - Praça Mauá nº 5, 6º andar (terraço do Museu de Arte do Rio), Centro. De terça a quinta, das 12h às 17h. De sexta a domingo, das 12h às 20h. Tem 84 lugares e no dia que fomos (uma sexta-feira), não encontramos fila. Prepare-se para gastar em torno de R$ 60 por cabeça. 

Boulangerie Guerin
As tentações da Guerin
Já falei da Guerin aqui no blog, um pequeno palácio das tentações no meio do burburinho da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Fui uma das muitas viúvas chorosas quando a casa anunciou que ia fechar as portas, em fevereiro. Felizmente, a hecatombe durou só uma semana.

Gosto tanto da Guerin que só não esperneei na hora de mudar do Rio para Brasília porque lembrei que a Capital Federal tem o Café Daniel Briand, outro lugar perfeito para a gente fingir que está em Paris — com a vantagem que no Briand você senta em uma mesinha ao ar livre e esquece da vida, saboreando delicadezas.

A Guerin é uma Paris bem mais despachada: entre na fila, faça seu pedido (decida antes, porque sempre vai ter um monte de gente atrás de você, aguardando a vez), pague no caixa e receba seu pacotinho de gostosuras. Se quiser comer lá mesmo, acomode-se em frente aos balcões estreitos que acompanham as paredes. Com sorte, você encontrará um tamborete para sentar. Pensando bem, em Paris até a exiguidade dos balcões laterais é raridade nas padarias...

Se não convida às horas preguiçosas de um café parisiense, a Guerin bate um bolão no que interessa, o sabor de seus doces, pães e tortas e bolos. Bater o ponto lá é obrigatório :)

Já era fã da tartelette de framboesa.
Com tampinha de macarron, lacrou...
Boulangerie Guerin - Avenida Nossa Senhora de Copacabana nº 920, Copacabana (Metrô Cantagalo a 600 metros). O difícil é tomar a gravíssima decisão sobre o que se vai comer. Tem rabanada de brioche feita no forno (R$ 5,50), madeleines (R$ 6,80 o par), as famosas bombas (eclair) de chocolate, pistache ou baunilha (R$ 9,90), Baba au Rhum que me mata (10,90), macarrons (o de maracujá é de gritar!), a R$ 3,50 a unidade, as tartelettes, feitas de massa de amêndoas (R$ 10,90), são uma perdição. As de amoras e de framboesas são as minhas preferidas. Sem falar no croissant, pain au chocolat, palmier... Só indo lá.

Confeitaria Colombo - Forte de Copacabana
A Colombo do Forte não tem
a decoração Belle Époque da matriz, mas...
Acho que ver o entardecer no Forte de Copacabana é o programa mais recomendado neste blog. Se você já foi, não preciso explicar o motivo. Se ainda não foi, só vou lhe dizer que vá correndo, porque é lindo além das palavras. E o encanto produzido por aquela curva famosa à beira mar acendendo suas luzinhas ao cair da noite fica ainda melhor acompanhado de uma xícara de chocolate e docinhos celestiais como pastéis de nata, Pingo de Tocha (de gemas) e pastel de avelã. Recomendo vivamente!!

Colombo do Forte de Copacabana, Praça Coronel Eugênio Franco nº 1, Posto 6, Copacabana. De terça a domingo, das 10h às 20h. O ingresso no forte custa R$ 6. O lugar lota nos fins de semana, com filas intermináveis para o café da manhã. Eu, porém, acho o entardecer no forte imbatível, de camarote para as luzes de Copacabana, que vão se acendendo aos poucos.

  Brownie do Luiz
Falei que meu sobrinho Bruno é um parceiríssimo para aventuras gastronômicas. Pois não é que o menino me voltou de uma expedição de caça às guloseimas carregado de latinhas desse brownie notável, horas antes de pegarmos o táxi para o aeroporto?

Bastou a primeira mordida pra eu lamentar não ter tempo de ir atrás desse bolinho literalmente da lata (como eu já disse no Instagram, perdão pela gíria vintage, mas não tive como escapar do trocadilho...). Casquinha crocante, recheio macio, gosto de chocolate de verdade. O que mais a gente quer de um brownie? O sorvete, é claro. Mas esse você providencia à parte, porque não cabe na lata.

Brownie do Luiz - Rua das Laranjeiras nº 103-A, Laranjeiras (Metrô Largo do Machado a 350 metros), de segunda a sexta, das 9h às 20h. Aos sábados, das 10h às18h. A loja do Leblon, onde compramos nosso suprimento, fica na Rua Cupertino Durão nº 79-B e funciona das 10h às 21h, de segunda a sexta, e aos sábados e domingos, das 12h às 20 horas. Consulte o site para ver outros pontos de venda. Também dá pra comprar pela internet. O brownie original (60 gramas) custa R$ 3,50. A latinha, com 300 gramas de brownies, custa R$ 20. Os brownies recheados com Nutella ou chocolate branco, também com 60 g, custam R$ 5.

PJ Clarke's  
Atualização: esta hamburgueria fechou em maio de 2017
A decoração do PJ Clarke's Leblon lembra alguns ícones da cultura americana que frequentaram a matriz novaiorquina da casa
Se alguém me dissesse que eu iria fazer fila num sábado à noite para jantar hambúrguer eu provavelmente responderia que ainda não inventaram a máquina do tempo e eu não tenho como voltar aos meus sweet little sixteen. 

Mas o fato é que eu fiz exatamente isso, no último fim de semana. Eram 21:30h e eu estava sentadinha em um banquinho de calçada do Leblon esperando a minha vez de experimentar a versão carioca do legendário sanduba do PJ Clarke's, casa novaiorquina que visitei lá se vão as décadas.

A verdade é que nem posso reclamar da espera, pois ninguém menos que Chico Buarque estava jantando na mesa da janela do restaurante ao lado — e ver Chico é a coisa mais parecida com uma epifania, nesse meu ateísmo renitente.

Cheesecake notável e um ótimo hambúrguer com pedigree

Tin tin
Depois desse momento meus sais!, lá fomos eu e Bruno conferir o mitológico hambúrguer (a casa tem muitas outras opções no cardápio, mas, a julgar pelas mesas em volta, nem nós nem ninguém estávamos ligando para isso). Confesso que esperava trombetas celestiais, mas a verdade é que já provei hambúrgueres mais espetaculares — por exemplo, o do Red Lion Pub, em Londres, e o do
Real Gourmet Burger, em Dun Laoghaire, Irlanda. Mas não me entenda mal: o sanduba do PJ é ótimo. É o excesso de pedigree que atrapalha, pois cria uma expectativa talvez inalcançável.

Sem estardalhaço, o cheesecake com molho de frutas vermelhas conquistou meu coração, assim como o pink lady, drinque de framboesas com espumante.

PJ Clarke's - Av. General San Martin nº 1227, Leblon. Os hambúrgueres, carro chefe da casa, custam R$ 43. Pedi o Patrick Joseph Clarke (com cheddar, cebola com guinness, alface, tomate). Bruno foi no The Cadilac (cheddar, bacon, alface, tomate).

O cardápio tem outras opções de sandubas, saladas e pratos, principalmente de carne. Apesar da casa cheia, o atendimento foi efeiciente e o ambiente é bem agradável, apesar do cheiro de hambúrguer na chapa que escapa da cozinha para as mesas do primeiro andar.

Outros lugares para comer bem no Rio, já citados aqui no blog
(siga os links para mais informações)
Adega Pérola, para uma experiência deliciosamente carioca
Adega Pérola - Rua Siqueira Campos n° 138, Copacabana. Tradicionalíssima casa portuguesa, meio empório, meio botequim, para provar o supra sumo das comidinhas: das batatas bravas às sardinhas fritas, dos tremoços ao vinagrete de polvo. Um clássico carioca que não sai de moda.

Bar do Beto - Rua Farme de Amoedo nº 51. Em um pedacinho sempre fervido de Ipanema, um restaurante para bebericar ou um bar para comer bem. Perfeito para o pós praia. A paella é ótima.

Bar Urca - Rua Cândido Gaffrée, 205, Urca. Outro clássico carioca imortal. No salão climatizado ou, melhor ainda, na mureta da praia, à sombra das amendoeiras e com uma vista matadora, experimente as casquinhas de siri, pastéis de caranguejo e camarões empanados, acompanhados da cerveja sempre bem gelada.
A mureta em frente ao Bar Urca:
a vista é linda e os petiscos são celestiais
Belmonte- Praia do Flamengo n° 300. Mais um clássico, com vista para o aterro, mesas (na verdade, barris) na calcada e um dos melhores chopes do Rio. Experimente as empadinhas quentinhas da hora. A empada aberta de camarão com catupiri merece a fama — até eu, que não gosto de “queijo de criança”, me amarro.

O Caranguejo - Rua Barata Ribeiro n º 771, Copacabana. O pastel de caranguejo da casa é um monumento carioca. Para uma refeição de responsa, peça o arroz de mariscos

Cervantes - Rua Prado Júnior nº 335 (Metrô Arcoverde). Anote o vaticínio: ao menos uma vez na vida, todo mundo que passa pelo Rio irá encerrar uma farra no balcão desse bar tradicionalíssimo, rebatendo a noitada com o célebre sanduíche de pernil com abacaxi da casa. Com você não será diferente :)

Oke Ka Baiana Tem (Quiosque de Keka) - Avenida Epitácio Pessoa, quiosque 14 - Parque do Cantagalo, Lagoa. Excelentes moquecas feitas por uma baiana da gema (e aprovadas por essa baiana da gema aqui). O acarajé é bárbaro e o bolinho de estudante é de flutuar. E tudo isso na beira da Lagoa...
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4 comentários:

  1. To pretendendo ir prai de novo neste ano e vou anotar essas dicas! Alias, como ficar na praia e nao se matar de tomar mate com suco de limao? :)

    Encontramos sem querer um mexicano muuuito gostoso em Copa, o Blue Agave. Pensando em preços de RJ, a conta ficou relativamente baixa, comemos muuuito bem, nos esbaldamos nas micheladas (enquanto aqui no interior de SP pagamos em uma 15, la nao era nem 7!) e pra conquistar o namorado, eles transmitem muito futebol americano. Totalmente recomendado! :)

    bjs

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  2. A-do-rei as dicas e já anotei para minha próxima viagem ao Rio de Janeiro!!!

    Obrigada!

    Ana Grassi

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    Respostas
    1. Massa, Ana! E depois me conte o que achou :)
      Beijo

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