domingo, 8 de março de 2015

Diversões cariocas:
4 programas que são a cara do (meu) Rio

Bom dia, Ipanema!!
(Vista do terraço do Hotel Plaza Ipanema, na Farme de Amoedo)
Vocês não imaginam — aliás, nem eu imaginava — o tamanho da saudade que eu estava sentindo do Rio de Janeiro. Desde pequenininha, sou uma carioca eventual. Já morei na cidade cinco vezes, a última delas entre 2009 e 2011, mas tenho falhado na minha decisão de aparecer por lá com frequência. O show de Ringo Starr, no dia 27 de fevereiro, foi a desculpa que eu estava precisando para encerrar 15 meses de ausência. Em três dias na cidade, com a ótima companhia da minha irmã, Simone, e da minha amiga Monica, tratei de revisitar alguns programas que acho a cara da vida no Rio. Se não dei conta de matar a saudade toda, pelo menos me senti em casa.

Aproveite para se inspirar. Neste 2015 cheio de feriadões, nada melhor que uma passadinha pelo Rio :)

Ipanema de manhã cedinho
Praia em Ipanema/Arpoador
Quando eu morava no Rio, minha praia era o Arpoador. Adorava o horário de verão, quando eu podia sempre contar com um mergulho depois do trabalho. Era só pegar o metrô na Cinelândia, descer na Estação General Osório (cerca de 20 minutos de viagem) e lá estava eu, espantando o calor naquelas águas geladinhas.

Desta vez, fiquei hospedada na Farme de Amoedo, a 50 metros do famoso Posto 9, em Ipanema, e foi lá que matei minha saudade da água salgada. Ir à praia no Rio é uma experiência que vai muito além de tomar sol e banho de mar. É programa para o dia inteiro, para ver gente, socializar e até relaxar com um livrinho. E você só precisa aparecer por lá. O resto, as barracas fornecem: cadeira, guarda sol, cerveja gelada, petiscos, protetor solar (tem até ambulante vendendo biquíni)...

Tem de tudo nas barracas do Posto 9. 
Dá até para postar as fotos em tempo real...
As pedras do Arpoador estão a um pulinho do metrô
E nem precisa ficar hospedada na cara da praia para aproveitar as delícias de Ipanema, Arpoador ou Copacabana. É muito fácil chegar a essas praias de metrô. Para Copacabana, desça nas estações Arcoverde, Siqueira Campos ou Cantagalo (esta a mais próxima do Posto 6). A estação General Osório deixa você de cara para o gol do Arpoador e do Posto 9, em Ipanema.

Também não precisa voltar pra casa vestindo o biquíni molhado. A maioria dos quiosques mais modernos têm banheiros e vestiários subterrâneos, assim como os postos salva-vidas. Alguns têm até armários com chave, para você guardar a bolsa. Já falei dos vestiários das praias cariocas aqui neste post

Paella do Bar do Beto, na Farme de Amoedo
Jantarzinho sem compromisso
Uma das coisas que eu mais curto no Rio de Janeiro é que o jantar de sábado não precisa ser uma super produção. Dá pra ir de rasteirinha, geralmente jogando um vestidinho por cima do biquíni. Um prolongamento da praia, mesmo que a praia tenha acabado às dez da noite. A maioria dos restaurantes próximos à praia já está "treinada" para isso. Sim, é verdade que há muitas casas pega-turista em Copacabana e Ipanema, com preços black tie e qualidade abaixo da crítica. Mas tem a santa internet pra lhe salvar e basta uma pesquisa básica para encontrar lugares legais.

O bom de estar hospedada na Farme de Amoedo (uma das ruas mais fervidas de Ipanema) é que você encontra restaurantes com esse astral a dois passos do hotel. Na volta do nosso passeio de escuna a Angra dos Reis (que não recomendo e conto por que aqui no blog), nosso jantarzinho relaxado foi no Bar do Beto, com cerveja gelada, dry martini bem decente e uma paella surpreendente.

Bar do Beto - Rua Farme de Amoedo nº 51, Ipanema (o Metrô General Osório está a 300 metros). A casa é famosa pela feijoada, que já foi eleita a melhor do Rio, há alguns anos. Quando eu morava no Rio, o bar era mais simples, mas passou por uma repaginada em 2011. Os preços também ganharam um upgrade, mas a comida continua saborosa e honesta. A paella, que eles dizem que é para duas pessoas (mas nós três, com fome, não conseguimos dar conta dela toda) custa R$ 115. Atendimento simpático e relaxado, como convém.


Farrinha na mureta da Urca

Monica e Simone na Mureta da Urca
Taí um bairro que todo mundo merece descobrir e curtir. A Urca é o berço do Rio de Janeiro, local da primeira povoação estabelecida por Estácio de Sá, no Século 16. Essa ponta de terra com vista privilegiada para as belezas da cidade ainda conserva um climinha de cidade pequena (como não é passagem para lugar nenhum, está livre de trânsito).

A Urca tem encantos imperdíveis, como a Trilha Claudio Coutinho, na base do Morro do Pão de Açúcar, a Praia Vermelha (enseada que tem um dos melhores banhos de mar do Rio, apesar dos copos e garrafas plásticas que chegam boiando, na maré cheia) e, claro, dois cartões postais famosos, os morros da Urca e do Pão de Açúcar (experimente subir o com o bondinho no final da tarde, para ver a cidade acender as luzes aos poucos, a seus pés...).

Casquinha de siri, pastel de camarão
e esse visual. 
Dá pra pedir mais?
Mas ainda acho que o jeito mais carioca de curtir a Urca é simplesmente encostar na mureta próxima à Fortaleza de São João (sede da Escola Superior de Guerra), à sombra das amendoeiras, e suspirar diante da vista da Enseada de Botafogo e do Aterro. Como esse é um culto eclético, a parte profana fica por conta da cerveja gelada e dos petiscos do Bar Urca, uma venerável instituição do Rio de Janeiro. Experimente e depois me diga se não tenho razão J


Bar Urca - Rua Cândido Gaffrée, 205, Urca. (O ônibus de integração com o Metrô Botafogo faz ponto final bem em frente). 

Esse bar/restaurante tradicional é o grande responsável pela popularidade da Mureta da Urca. Tem um salão climatizado, no primeiro andar, mas a coisa ferve mesmo é no balcão do térreo, com cara de botecão de garagem, onde são servidas as cervejas bem geladas (Original a R$ 10, preço que tá virando raridade), as famosas casquinhas de siri (R$ 17) e pasteizinhos de responsa (R$ 3, o de camarão). Para uma experiência realmente sublime, peça a porção de camarão à milanesa (R$ 45), generosa o suficiente para servir três gulosas.



Barquinhos, barulhinho do mar... À direita, o salão do restaurante

Exposições no CCBB


CCBB: só a arquitetura já valeria o passeio
Se São Paulo tem o MASP, o Rio tem o CCBB. O primeiro Centro Cultural Banco do Brasil (hoje, a instituição também tem unidades em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte) é um programaço, super acessível a cariocas e visitantes. Primeiro, pela localização, bem no Centro da cidade, muito fácil de chegar com transporte público. Segundo, porque as maravilhosas exposições que abriga costumam ter entrada gratuita e os espetáculos, quando pagos, têm preços populares (na casa do R$10).

O cinema do CCBB tem uma programação interessante, geralmente gratuita. E sempre dá pra garimpar um livrinho legal
Quando eu morava no Rio, passava no CCBB quase toda semana, nem que fosse para namorar a bela arquitetura neoclássica do edifício, inaugurado em 1880. Adoro tudo lá: os pisos em mármore, as colunas monumentais, o átrio central, com sua cúpula envidraçada, as escadarias...

Quando você for ao Rio, não deixe de dar uma passada por lá (e, de quebra, visite a Casa França Brasil, que fica ao lado). Até 30 de março, você pode ver a excelente exposição Kandinsky: tudo começa num ponto, uma aula sobre o russo Wassily Kandinsky, artista, pioneiro da arte abstrata.

Uuma das Improvisações de Kandinsky

No Branco, a obra mais famosa da exposição
Kandinsky: tudo começa num ponto
CCBB-RJ, diariamente, das 9h às 21h. Entrada gratuita.

Adoro exposições que, além de me deixarem extasiada com a beleza das obras, me ensinam alguma coisa. Essa mostra de Kandinsky me apresentou a uma série de contemporâneos dele e referências do artista, mas, principalmente, traduziu pra mim aquelas linhas abstratas que eu sempre admirei, como quem curte uma bela canção sem entender a letra.

A arte popular russa, a estética e o imaginário do xamanismo das tribos mongóis e os experimentalismos da virada do século, de repente, começaram a falar comigo, nos traços do mestre. Amei e recomendo. Não perca a experiência em 3D que faz o visitante “entrar” no quadro No Branco. Corra pra ver, porque só fica até 30 de março!!  A exposição está seguindo para São Paulo, onde fica em cartaz, também no CCBB, entre 8 de julho e 28 de setembro. Se tiver a chance, vá ver, que você vai amar!


A arte popular russa é uma referência forte na obra de Kandinsky e está representada na exposição

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro - Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (o Metrô Uruguaiana está a 600 metros). O belo edifício neoclássico do final do Século 19 já foi sede da Bolsa de Fundos Públicos. Transformado em centro cultural, em 1989, é apontado como um dos mais visitados do mundo (17º no ranking de público). Com programação sempre variada de cinema, teatro, palestras e espetáculos musicais, tem se notabilizado pelas incríveis exposições de artes plásticas (Mestres do Renascimento, Impressionismo, Índia) e retrospectivas de cinema (Tarantino, Samuel Fuller, Hitchcock). Os catálogos dessas mostras estão disponíveis para download  no site da instituição.

Estranhei ver o bistrô do mezanino fechado, no dia em que estive lá. Eu adorava almoçar por lá, quando trabalhava na Rua Debret, no Centro do Rio. 

A vizinhança do CCBB: a Igreja da Candelária
 e a Casa França Brasil, centro cultural 
instalado na antiga sede da Alfândega
Confira o índice com todos os posts sobre 
museus e sítios arqueológicos publicados aqui na Fragata

Mapa-índice com todas as dicas do Rio

Dicas gerais
Hospedagem no Regente Copacabana
Hospedagem no Golden Tulip Ipanema Plaza
Onde comer bem no Rio de Janeiro
Onde comer bem e barato em Copacabana
Receita de feriadão
Como aproveitar o Horário de Verão

Atrações
Mirantes do Rio: a Urca e o Forte de Copacabana
MAR - Museu de Arte do Rio, meu novo xodó na cidade
Uma noite no Theatro Municipal
Celebração entre amigos: como foi o show de Ringo no Vivo Rio
A Quinta da Boa Vista
Postais afetivos do Rio
O Rio que me faz falta
A Bahia em Ipanema
A Lapa sem boemia

Roteiros
No Rio, como os locais
Roteiros em Copa e Ipanema para turistar como uma local
A florada da Corypha no Aterro do Flamengo



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