2 de março de 2020

Roteiro em Malta - 7 dias


Malta: Valeta vista do mar, o porto de Marsaxlokk e a orla de Sliema
Valeta, a capital construída pelos Cruzados, os barquinhos no porto de Marsaxlokk e a orla de Sliema, onde me hospedei. É impressionante como cabe beleza em um país tão pequeno como Malta 

Nas minhas últimas férias, passei uma deliciosa semana em Malta, país/arquipélago banhado pelas águas do Sul do Mediterrâneo.

O país até pode ser pequenininho — apenas 316 km², somadas as ilhas de Malta, Gozo e Comino, que são habitadas, e mais cerca de 18 ilhotas do arquipélago maltês. Mas um roteiro em Malta será sempre muito movimentado, pela diversidade de atrações.

Centro Histórico de Valeta, capital de Malta
Reserve um tempo para se perder pelas ruas de Valeta. A cidade é linda

Situada a 93 km da Costa da África e a pouco mais de 100 km ao Sul da Sicília, Malta é um privilegiado destino de praia: em pleno outubro, quando a maior parte da Europa já estava tirando os casacos do armário, eu me esbaldei no banho de mar em suas águas deliciosas, como as da famosíssima Lagoa Azul.

A tentação de limitar meu roteiro em Malta à preguiça a beira-mar foi grande, mas teria sido um sacrilégio ignorar os outros encantos do país, que tem muita história, paisagens deslumbrantes e uma gastronomia tremendamente sedutora.

Lagoa Azul, Malta (Ilha de Comino)
Em pleno outubro, quando a maior parte da Europa já estava tirando os casacos do armário, eu estava mergulhando na Lagoa Azul de Malta

Veja como ficou o meu roteiro de sete dias em Malta:


Roteiro em Malta

O que ver em Malta
Malta tem vestígios arqueológicos mais antigos do que as pirâmides do Egito, como os templos de Hagar Qim e Mnajdra, obra dos primeiros habitantes das ilhas, ainda no Período Neolítico.

Sua riquíssima história também registra a presença de fenícios, gregos e cartagineses como primeiros exploradores da paisagem rochosa e cor de mel das ilhas maltesas.

Malta: Templo de Hagar Quim e Santuário de Mellieha
O Templo de Hagar Quim (esq) é mais antigo que as pirâmides do Egito. À direita, o Santuário de Mellieha clicado do ônibus, no caminho para a Lagoa Azul

Romanos, bizantinos e árabes incorporaram o arquipélago a seus impérios. Os reinos da Sicília e de Aragão tiveram Malta como parte de seus domínios.

Entre todos os ocupantes de Malta, porém, a presença mais visível hoje é a dos Cavaleiros Cruzados, que governaram o arquipélago entre 1518 e 1798.

Heranças dos Cruzados em Malta: a Colegiata da Imaculada Conceição, em Bormla (Cospicua) e uma rua da Cittadella, em Gozo
Heranças dos Cruzados: a Colegiata da Imaculada Conceição, em Bormla (Cospicua) e uma rua da Cittadella, em Gozo

Após serem expulsos da Ilha de Rodes (Grécia), foi em Malta que os Cavaleiros Hospitalários da Ordem de São João (este é o nome oficial da organização) estabeleceram seu quartel general no Mediterrâneo, dotando suas ilhas de impressionantes fortificações e construções espetaculares, como a Catedral de São Paulo, na cidade de Mdina, a Cittadella, na Ilha de Gozo, e a Co-Catedral de São João, em Valeta.

Ao fim de uma semana muito relaxante e cheia de belezas, dá pra dizer que meu roteiro em Malta ficou muito redondinho.

Tigné Point, Sliema, Malta
Uma caminhada por Tigné Point, em Sliema (do ladíssimo do meu hotel) deixa a gente de cara para essas cenas. De um lado, Valeta (esq). Do outro, o Forte Manoel

Roteiro em Malta dia a dia
 
1º dia (sábado) – Chegada a Malta
A porta de entrada de Malta para quem chega de avião é o Aeroporto de Luqqa. Eu cheguei ao país procedente de Barcelona em um voo da Vueling, que tem tarifas bem atraentes para esta rota: paguei € 60 por um bilhete ida e volta.

São apenas duas horas de voo de Barcelona a Malta. Meu voo decolou às seis da manhã e às 8h em ponto estava pousando em Luqqa. Segui (de ônibus regular) para Sliema, onde fiquei hospedada no The Seafront Tower Suites, na área de Tigné.


A Enseada de Sliema (Marsamxett Harbour) vista doo 19º andar do Seafront Tower Suites, em Malta
A Enseada de Sliema (Marsamxett Harbour) vista do meu apartamento, no 19º andar do Seafront Tower Suites
Praia em Sliema, Malta
Minha praia em Sliema. Bastava atravessar a rua e tchibum

Uma coisa que você logo vai perceber em Malta é que as cidades parecem bairros. São bem pequenas e ficam tão próximas umas das outras que só olhando as placas de rua pra a gente perceber que saiu de uma cidade e entrou em outra.

Sliema, que eu super recomendo como local para hospedagem em Malta, fica bem em frente a Valeta, a capital do país, as duas separadas por um braço de mar. É uma cidade praiana muito agradável.

No meu primeiro dia, explorei a beira-mar de Sliema e comecei a entrar no clima do balneário maltês.

As Três Cidades de Malta vista dos Upper Barrakka Gardens, em Valeta
As Três Cidades de Malta vista dos Upper Barrakka Gardens, em Valeta

2º dia (domingo) – Valeta
Logo cedo, atravessei de ferry a curta distância entre Sliema e Valeta. Estava ansiosa para explorar a cidade dos Cavaleiros de Malta, a sucessora de Rodes como sede da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João.

Bati muita perna pelas ladeiras e ruas medievais de Valeta, adornadas pelos lindos balcões típicos de Malta.

Balcões coloridos em madeira, típicos da arquitetura de Malta
Os balcões de madeira, sempre em cores fortes, são uma característica encantadora da arquitetura maltesa
Altar-mor da Co-Catedral de São João e uma Vênus neolítica, no Museu Nacional de Arqueologia de Malta
Altar-mor da Co-Catedral de São João e uma Vênus neolítica, no Museu Nacional de Arqueologia de Malta

Visitei o Museu Nacional de Arqueologia de Malta e os Upper Barrakka Gardens, antigos bastiões militares que oferecem uma vista espetacular para Three Cities, as cidades de La Vittoriosa (Birgù), Senglea e Cospicua, cercadas por fortificações dos Cruzados.

Lagoa Azul, Malta
Não tem muvuca que diminua o prazer de mergulhar na Lagoa Azul

3º dia (segunda-feira) – Lagoa Azul, na Ilha de Comino, e a Citadella, na Ilha de Gozo
Desde a minha chegada a Malta, todo dia era dia de banho de mar. Mas esta foi um dia de praia muito especial, na famosíssima Lagoa Azul, na Ilha de Gozo.

Escolhi a segunda-feira pra escapar das hordas que lotam as águas absolutamente cristalinas e muito calminhas dessa enorme piscina natural. Mas não tem muito jeito: perto do meio-dia, o lugar ferve de gente.

Nada que diminua o prazer de mergulhar naquele espetáculo.

A travessia de ferry entre as ilhas de Malta e Gozo, a caminho da Cittadella

Tem muita oferta de excursão partindo de Sliema e Valeta para a Lagoa Azul, mas eu fiz meu passeio por conta própria, com transporte público, e achei a opção bem tranquila. 

O ônibus sai da orla de e Sliema e leva cerca de 60 minutos para chegar a Cirkewwa, na ponta Norte da Ilha de Malta, de onde partem as lanchas para a Lagoa Azul. Depois disso, é só tchibum naquelas águas mágicas.

Decoração interna da belíssima Catedral da Assunção, na Cittadella

Quando voltei da Lagoa Azul, aproveitei que já estava no Porto de Cirkewwa e peguei o ferryboat para a Ilha de Gozo, onde visitei a belíssima Cittadella, cidade fortificada que foi a primeira capital de Malta, antes da chegada dos Cruzados.

4º dia (terça-feira) – Three Cities e a Co-Catedral de São João, em Valeta
Protegidas pelo impressionante conjunto de fortificações conhecido como Linha Cottonera, as Três Cidades de Malta — Birgù (ou La Vittoriosa), Bormla (ou Cospicua) e Senglea — ocupam a margem Sul do Grand Harbour, em frente a Valeta, e rendem ótimos passeios, especialmente para quem curte História.

Fui de ônibus até Birgù e, depois, caminhei um bocados pelas Três Cidades.

Marina La Vittoriosa, Birgù, Malta
A lotadíssima marina no canal que separa Birgù (esq) de Senglea vista do alto do Bastião de São João, em Birgù

Birgù tem origem em uma povoação fenícia, mas foram os cruzados que desenharam seus traços mais marcantes e fizeram da cidade sua primeira capital em Malta. As duas irmãs, Senglea e Cospicua, foram construídas pelos cavaleiros.

Aninhadas entre os bastiões, fortes, muralhas e portas fortificada, as Três Cidades têm como principais atrações exatamente as estruturas defensivas legadas pelos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de São João — geralmente debruçadas sobre o mar muito azul.

O modelo de uma carraca no  Museu Marítimo de Malta
O modelo de uma carraca no delicioso Museu Marítimo de Malta. Esse tipo de embarcação, criado pelos portugueses, tinha grande capacidade de carga e foi muito utilizado nos séculos 15 e 16

Malta: elevador panorâmico que liga o cais de Valeta aos Upper Barrakka Gardens e a travessia de ferry entre Senglea e Valeta
Um elevador panorâmico (esq) liga o cais de Valeta aos Upper Barrakka Gardens . À direita, um clique feito a bordo do ferry que me levou de Senglea a Valeta

No passeio pelas Três Cidades, passei mais tempo em Birgù, onde recomendo especialmente a visita ao Forte de Sant’Angelo e ao Museu Marítimo de Malta.

Depois do passeio, fiz a travessia das Três Cidades para Valeta, saindo do Cais de Senglea até o atracadouro que fica abaixo do Upper Barrakka Gardens. Lá, um elevador panorâmico leva os visitantes escarpa acima, até o coração do Centro Histórico de Valeta, onde fui ver a espetacular Co-Catedral de São João.

Capela dos Franceses, na Co-Catedral de São João, a igreja dos Cruzados em Valeta
Capela dos Franceses, na Co-Catedral de São João, a igreja dos Cruzados em Valeta

5º dia (quarta-feira) – Mdina e Rabat
Dizem historiadores que o país deve a Mdina até seu nome: Malta seria uma derivação de Melitta, o nome fenício dessa linda cidade amuralhada, a 15 km de Valeta.

Mdina, hoje uma cidade-museu, foi a capital de Malta desde o tempo dos fenícios até a chegada dos Cruzados. Hoje, suas ruas sossegadas, sombreadas por robustas muralhas, são um encanto imperdível, que merece um dia inteiro de exploração.

Muralhas de Mdina, em Malta
As muralhas de Mdina (dir), primeira capital de Malta. À esquerda, o parque público de Rabat onde chega os ônibus que vêm de Valeta

É bem fácil chegar lá com transporte público. O que confunde um pouquinho é que a rota aponta como destino a cidade de Rabat, e não Mdina. Não se assuste. Rabat é a cidade nova que se formou ao lado da velha capital.

Uma rua medieval de Mdina, Malta
Uma rua de Mdina. Abaixo, a decoração do teto da Catedral de São Paulo
decoração do teto da Catedral de São Paulo, em Mdina, Malta


O ponto final do ônibus que vem de Valeta é logo ao lado do principal portão de acesso nas muralhas de Mdina, em frente a um agradável parque público de Rabat.

Entre as principais atrações, não perca a Catedral de São Paulo, construída pelos Cruzados.

6º dia (quinta-feira) - Templos Megalíticos, Golden Bay e Marsaxlokk
Uma visita que estava no topo da minha lista de prioridades em Malta eram os Templos Megalíticos de Hagar Qim e Mnajdra, a cerca de 20 km de Valeta, na Costa Sul da Ilha de Malta.

Templo de Hagar Qim, Malta
Hagar Qim: que emoção é estar diante de 7 mil anos de História...

Imagina se eu, que morro de paixão por qualquer montinho de pedras com mais de 100 anos, ia resistir a construções com mais de 7 mil anos de idade... Pois até a minha elevadíssima expectativa foi surpreendida: esse parque arqueológico é espetacular demais!!!

Para me poupar de baldeações e aperreios com o transporte público pinga-pinga que vai até Hagar Qim e Mnajdra (os dois templos estão em uma escarpa sobre o mar a 500 metros de distância um do outro), resolvi pegar o ônibus hop-on hop-off que faz o Circuito Sul da Ilha de Malta.

Um  luzzu (barco típico de Malta), com os olhos de Hórus pintados na proa pra espantar os maus espíritos do mar
Um típico luzzu, com os olhos de Hórus pintados na proa pra espantar os maus espíritos do mar

O bilhete do ônibus hop-on hop-off custa € 20 e o Circuito Sul faz várias paradas, como na fofíssima vila portuária de Marsaxlokk, famosa por seus barquinhos coloridos, os luzzu, e na Golden Bay. 

Pena é que no dia que fiz o passeio, o mar estava muito mal-humorado e os tráfego dos barquinhos que levam turistas para ver as grutas de Gilden Bay estava suspenso.

Golden Bay, uma das atrações da Costa Sul de Malta
Golden Bay, uma das atrações da Costa Sul de Malta

7° dia (sexta-feira) – Valeta, Sliema e Saint Julian
No meu dia de despedida de Malta, comecei as atividades em Valeta, onde fui ver a bela Casa Rocca Piccola, mansão de uma família da nobreza maltesa aberta ao público em visitas guiadas. Taí um programa muito interessante.

Sala de Jantar da Casa Rocca Piccola, em Valeta, Malta
Sala de Jantar da Casa Rocca Piccola

A Casa Rocca Piccola é muito bonita, mas o que mais curti (como sempre) foi a mistura de história e vida cotidiana que esse tipo de passeio oferece.

Depois disso, voltei à minha margem do braço de mar que separa Valeta de Sliema para aproveitar o charme praiano desse pedaço mais contemporâneo e muito agradável de Malta, meu lar por uma semana. 

Malta: Orla de Sliema, no bairro de Torri
A Orla de Sliema, no bairro de Torri

Malta: Orla de Sliema, no bairro de Torri

Estiquei o passeio até a vizinha Saint Julian, que tem vibe parecida e tive uma tarde deliciosa à beira mar, até a hora de pegar o busão para o aeroporto e embarcar de volta para Barcelona.

Nos próximos posts, vou contar tintim por tintim dessa viagem muito especial. À medida que for publicando, vou acrescentando os links de cada etapa, pra facilitar sua consulta.

Enquanto isso, comece a se inspirar para uma visita a Malta. Garanto que você vai amar.

Mais sobre esta viagem:
Roteiro por Barcelona, Valência e Malta: um triângulo redondinho


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2 comentários:

  1. Parabéns, suas viagens e fotos são sempre um incentivo para que seja nosso próximo roteiro. Como fotógrafa um elogio muito especial para suas fotos maravilhosas.

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    1. Obrigada, Sandra. É tão legal receber esse tipo de retorno. São os presentes que esta Fragatinha me proporciona :)

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