25 de setembro de 2014

4 passeios em Paris - lindos, baratos e ao ar livre

Deitar nessa graminha da Place des Vosges é uma delícia...
O jeito mais gostoso de curtir a capital francesa é aproveitar seus espaços ao ar livre. Minha seleção de passeios em Paris tem sempre muitas caminhadas, contemplação e piqueniques em seus parques e praças — tão bonitos que mais parecem desenhados para ambientar cenas de cinema e da literatura.

A lista de opções de passeios em Paris ao ar livre é imensa, mas é claro que eu tenho a minha seleção de favoritas. 

Adoro fazer piquenique em seus jardins — meu lugar preferido é a Place des Vosges, no Marais — e aproveitar toda a beleza romântica dos Jardins de Luxemburgo. Não resisto a passear pelas margens do Sena escarafunchando as bancas de livros usados (os famosos bouquinistes) e, já que estamos na beira do rio, deslizar por suas águas a bordo de um bateau mouche.

Bastam dois passos pelas ruas de Paris para a gente se sentir em uma cena de cinema. E o melhor é que o enredo é você quem escolhe. E o melhor é que a mágica não fica na tela: ela é real.

Vamos passear?


... sem contar que a praça é um sonho

⭐ Piquenique na Place des Vosges
É impossível não ficar embasbacada na primeira vez que a gente vê a Place des Vosges. Construída no comecinho do Século 17 seguindo o conceito de “praça fechada”, então em voga (um conjunto de edifícios iguais ou harmônicos entre si, em torno de um espaço aberto), ela é um primor de simetria, com suas fachadas de tijolos vermelhos formando um quadrado perfeito ao redor de um lindo jardim.

Depois de muita admiração e suspiros, é uma alegria descobrir que a Place des Vosges também é perfeita para um piquenique - é é um dos espaços públicos parisienses onde está liberado deitar e rolar na grama 😊.

Basta uma canga, uma provisão de guloseimas e o sossego da praça, enquanto a estátua do rei Luís XIII (aquele dos Três Mosqueteiros) "governa" tudo, do alto de seu cavalo.

As fachadas da Place des Vosges: harmonia e simetria
Para comprar as provisões do piquenique, a região do Marais, onde fica a praça, tem uma oferta enorme de padarias (boulangeries), confeitarias (pâtisseries) e mercadinhos.

➡️ Quanto custa fazer um piquenique na Place des Vosges
Vai depender de você, é claro (champanhe e caviar são bem mais caros do que frios e pães), mas dá para se abastecer de pão, queijo e frutas gastando cerca de €10.

➡️Como chegar à Place des VosgesAs estações de metrô mais próximas da Place des Vosges são Chemin Vert (linha 8) e Saint Paul (linha 8).

➡️ Marché des Enfants Rouges
Rue des Oiseaux, esquina com Rue de Bretagne, perto da Square du Temple. A melhor estação de Metrô é Filles de Calvaire (linha 8).

Se quiser fazer compras com estilo, experimente o Marché des Enfants Rouges, tão antigo quanto a Place des Vosges, distante uns 15 minutos de caminhada. Lá você encontra queijos, frutas e frios em um espaço que ficou muito charmoso, nos últimos anos, com a chegada de novos restaurantes e um público descolado.

Quai de la Tournelle: as banquinhas de livros usados se espalham daqui até o "narizinho" da Île de la Cité
⭐ Garimpagem de livros nas margens do Sena
As margens do Sena são um tradicional ponto dos bouquinistes, vendedores de livros usados, gravuras antigas, e outras pecinhas charmosas.

Eu e não resisto a um livrinho e adoro garimpar essas bancas, desde o Quai de la Tournelle (aquele em que Woody Allen dança com Goldie Hawn em Todos dizem eu te amo) até as imediações de Notre Dame.

É a desculpa perfeita para caminhar na beira do rio bem devagar e com muitas paradinhas para me encantar com a paisagem. E já fiz comprinhas ótimas nos bouquinistes. Além dos livros, preste atenção em cartazes de propaganda antigos, cartões postais da Belle Époque e revistas de cinema dos anos 50 e 60.

Nas estantes e tabuleiros da área externa da Shakespeare and Company sempre tem uma pechincha
➡️ Livraria Shakespeare and Company
37 Rue de la Bûcherie, todos os dias, das 10h às 22h. A estação de metrô mais próxima é Saint-Michel.

Meu roteiro de garimpagem de livros em Paris sempre tem uma parada na Shakespeare and Company — caso raro de uma cópia de mito que também virou mito.

A livraria, especializada em títulos em inglês e com vista para a Catedral de Notre Dame, foi aberta na década de 50 por um americano, George Whitman. Em 1964, ele decidiu adotar o nome da legendária casa mantida pela editora Sylvia Beach, dos anos 20 aos 40, um dos principais pontos de encontro dos escritores de língua inglesa identificados com a chamada Geração Perdida.

A livraria de Whitman ficou famosa por sua hospedaria para escritores, garantia de um teto para os que vinham buscar inspiração em Paris para produzir suas obras.

A Shakespeare and Company de hoje não repete a aura da livraria de Sylvia, mas chega perto — hoje é mais conhecida como o cenário do reencontro de Ethan Hawke e Julie Delpy, no filme Before the Sunset, de 2004 (meu favorito da trilogia, by the way).

Bônus da garimpagem de livros: 
a visão de Notre Dame por todos os ângulos :)
➡️ Quanto custa garimpar livros em Paris
O céu é o limite, mas com meia dúzia de eurinhos você já faz um bom negócio. Depende da sua voracidade pelos livros e da sua paciência para procurar ofertas.

Do lado de fora da Shakespeare and Company, estantes e tabuleiros exibem livros em oferta e sempre encontro alguma pechincha irrestível — meu venerado exemplar de Persuasion, de Jane Austen, foi comprado lá, faz uma década, quando a obra estava fora de catálogo no Brasil. Custou €2.

➡️ Como encontrar os bouquinistes em Paris
As bancas dos bouquinistes são armadas nas duas margens do Sena, da altura da Île Saint  Louis até o "narizinho" da Île de la Cité. 
 


⭐ Passeio de barco pelo Sena para ver Paris desfilar
Podem chamar de "programa de turista" à vontade. Eu adoro deslizar pelo Sena, vendo alguns dos principais ícones de Paris passando por mim. Especialmente no final da tarde, quando a cidade tem uma luz mais dourada.

Além da beleza, o passeio de barco é a melhor maneira que conheço para desvendar o mapa de Paris. Vendo a cidade passar lá nas margens, a gente aprende bem mais rápido a se localizar, a escolher pontos de referência que vão tornar os deslocamentos bem mais fáceis (até por isso, sempre recomendo esse passeio logo na chegada à cidade).

Ponte Alexandre III
As empresas que fazem o passeio são várias e cada uma tem seu atracadouro. Eu gosto de navegar com as Vedettes de Pont Neuf, cujos barcos partem da Square du Vert Galant (um jardinzinho sempre muito sossegado e agradável) bem na "proa" da Île de la Cité, aos pés de Pont Neuf.

Square du Vert Galant, bem na "proa" da Île de la Cité
Atracadouro das Vedettes e a estátua de Henrique IV, em Pont Neuf
Os passeios duram cerca de uma hora e o barco desce o Sena passando pelo Louvre, Museu D'Orsay, Grand Palais e pela Esplanada de Invalides, até perto da Pont de L'Alma (e nos coloca em um ângulo maravilhoso para ver a Torre Eiffel). Na volta, o barco contorna a Île de la Cité (visão privilegiada de Notre Dame) e atraca no mesmo ponto de partida.

Acho tão legal que fiz o passeio todas as vezes que estive na cidade.

Tem que navegar para ver a torre por esses ângulos

➡️ Quanto custa um passeio de barco pelo Rio Sena
As Vedettes de Pont Neuf cobram €14 pelo passeio.

Se você quiser fazer um trajeto semelhante em um esquema hop on-hop of (descendo nas estações para explorar os arredores e voltando a embarcar), experimente o Batobus, que tem oito escalas na beira do Sena e cobra €16 pelo passe para um dia e €18 pelo de dois dias. Eu acho meio chato ficar parando em cada atracadouro, mas é uma alternativa.

O Museu D'Orsay é um dos ícones de Paris que "desfila" às margens do rio 
➡️Como chegar aos atracadouros
A estação de metrô mais próxima é Pont Neuf. Para ver as escalas do Batobus, acesse o site a empresa.

Luxemburgo: minha "sala de leitura" preferida

⭐ Sessão de leitura nos Jardins de LuxemburgoO Jardim de Luxembrurgo, entre o Quartier Latin e Saint-Germain-de-Prés, é mais uma herança do Século 17. Originalmente, era o jardim do palácio residência da rainha Maria de Médici e foi transformado em área pública após a Revolução Francesa — para felicidade de todos nós.

O parque é bem grande e adornado obras de arte e charmosos gazebos. A Fonte Médici é um de seus recantos mais famosos, assim como as estátuas das rainhas francesas que decoram algumas alamedas.


Meu jeito preferido de aproveitar o Luxemburgo é passar algumas horas recostada em uma das muitas espreguiçadeiras espalhadas por toda a área, na companhia de um livro e meus pensamentos. É tão relaxante e aconchegante que eu quase me sinto "dona" do parque.

Se quiser um pouco de ação, alugue um veleiro em miniatura e brinque de navegar no laguinho que fica em frente ao palácio de Maria de Médici (hoje a sede do Senado francês).


➡️ Quanto custa um passeio pelos Jardins de Luxemburgo
Nadinha. E o uso das cadeiras e espreguiçadeiras também é gratuito.

➡️ Como chegar aos Jardins de Luxemburgo
A melhor estação é a Luxembourg, do RER-B, no Boulevard Saint-Michel. A estação Port Royal (também do RER-B) fica bem próxima á parte Sul do parque.

Gazebo  no Jardim de Luxembrurgo
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3 comentários:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Boia – Natalie

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  2. Acabei de chegar de Paris e a Place des Vosges era o meu quintal, pertinho do Studio que alugo. òtimo este post. Beijos

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    Respostas
    1. Da próxima vez que eu for, vou querer o endereço desse estúdio, Jorge :)

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