3 de junho de 2018

Rio de Janeiro: o que fazer na Cinelândia

O Theatro Municipal era a primeira imagem que eu via, ao sair do metrô para o trabalho - e é tão bonito que isso sempre tinha um encantamento de primeira vez
Eu tenho um chamego todo especial com o Centro do Rio de Janeiro, especialmente pela Cinelândia. Nos dois anos (de 2009 a 2011) em que trabalhei por ali, tive como vizinhos algumas das construções mais bonitas da cidade — o Theatro Municipal e o Palácio Capanema, só pra citar meus dois favoritos — e espaços culturais fundamentais, como a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes.

Como bons vizinhos, esses monumentos se tornaram meus companheiros do dia a dia, minha paisagem cotidiana e reconfortante. Na hora do almoço ou depois do expediente, não precisava ir longe: em torno dos menos de 800 metros de perímetro da Praça Floriano, eu encontrava um tremendo parque de diversões feito de livros, quadros, concertos e sessões de cinema (no centenário Cine Odeon).

A Praça Floriano, nome oficial da Cinelândia. Em primeiro plano, o Palácio Pedro Ernesto, de 1923, sede da Câmara Municipal. Mais ao fundo, em sua inconfundível coloração, o bar Amarelinho, fundado em 1921
Eu deixei de ser local, mas continuo achando a Cinelândia uma mina de opções de passeios no Rio de Janeiro. Central, fácil de chegar (tem uma estação de metrô e outra de VLT), bem policiada e variada em atrações. Do chope no Amarelinho à ópera no Theatro Municipal, diversão é o que não falta por lá.

Na minha visita mais recente ao Rio, no começo de maio, eu matei a saudade dos meus velhos amigos da Cinelândia e trouxe todas as dicas pra você também aproveitar os encantos da área. Dá uma olhada:

Vitral que ilumina o vão central do edifício da Biblioteca Nacional
☑️ O que ver na Cinelândia

⭐ Biblioteca Nacional
Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Os salões de leitura e pesquisa estão abertos ao público de segunda a sexta, das 9h às 19h. Aos sábados, das 10h30 às 15h.
Entrada gratuita.

Salão de leitura da Biblioteca Nacional
A Biblioteca Nacional está estalando de nova, após passar por uma obra de restauro que durou cinco anos e devolveu ao seu edifício o esplendor que ele exibia em sua inauguração, em 1910. Já passei algumas tardes agradáveis lá — ler em uma biblioteca é um prazer raro, graças ao silêncio que se impõe ao ambiente. 

Mas também recomendo um passeio pelo interior do prédio, belíssimo, adornado por vitrais francamente art-nouveau, tetos com relevos delicados e lustres de cristal.

Detalhe do interior da Biblioteca Nacional
A história da biblioteca — a maior da América Latina, com nove milhões de peças em seu acervo — começa muito antes de ser instalada no bonito prédio em estilo eclético, no local que, anos depois, viria a ser conhecido como Cinelândia.

A origem da nossa Biblioteca Nacional é a pouco comentada — mas profunda — afeição dos reis portugueses pelos livros. Ao longo dos séculos, a Coroa de Portugal reuniu obras de todas as origens, constituindo uma das mais importantes bibliotecas do mundo.

O prédio da Biblioteca, de 1910, acabou de passar por uma cuidadosa reforma
Esse acervo foi em parte destruído pelo terremoto de Lisboa, em 1755, e estava em processo de reconstituição quando a família real fugiu para o Brasil, em 1808, no rastro da invasão napoleônica.

O então príncipe regente D. João fez questão de trazer sua coleção de 60 mil obras através do Atlântico. Os lotes de livros só terminaran d e chegar em 1811 e, em 1814, foi aberta ao público.

No Brasil, a biblioteca real passou por várias sedes até ser acomodada — já bem crescida — no edifício que conhecemos hoje.

⭐ Theatro Municipal
Visitas guiadas de terça a sexta às 11h30, 12h, 14h, 14h30, 15h e 16h. Sábados e feriados, às 11h, 12h e 13h. Os grupos têm limite máximo de 50 participantes. A venda de ingressos começa 30 minutos antes de cada visita e apenas na bilheteria do teatro — não há opção de compra online.
Custam R$20 (inteira) e R$10 (meia).
Para ver a programação e preços dos espetáculos, consulte o site do Theatro Municipal.

O Theatro Municipal visto do saguão do Museu Nacional de Belas Artes (esq) e um detalhe de seu belo foyer
O Theatro Municipal é sempre a possibilidade de um programão. Desde sua reinauguração, em 2010, a casa vem mantendo uma pauta bem movimentada de concertos, balés e uma temporada de ópera — praticamente a única no Brasil. 

Em maio, minha última passagem pelo Rio, fui assistir à opera Um Baile de Máscaras, de Giuseppe Verdi, e tive o imenso prazer de rever o belo Municipal por dentro — um espetáculo que quase ofusca o qualquer coisa que esteja no palco. 

Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal é possivelmente a principal memória da Belle Époque no Brasil.

Entre mármores rosados, escadarias cascateantes, entalhes recobertos de dourado, cristais e veludos, o edifício é puro esplendor. Um passeio de encher os olhos.

Esperando a récita de Um baile de Máscaras, ópera de Giuseppe Verdi
Outra possibilidade de ver toda a beleza do Theatro Municipal é fazer uma visita guiada, com direito a percorrer os bastidores, salas de ensaio e outras dependências da casa, nem sempre acessíveis a quem vai assistir a um espetáculo.

Seja como for, o Theatro Municipal é uma atração de primeira e merece estar no topo de sua lista de visitas no Rio de Janeiro.

Saiba mais ➡️ Rio de Janeiro: uma noite no Theatro Municipal

⭐ Museu Nacional de Belas Artes (MNBA)
De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h horas.
Entrada R$ 8
(estudantes, professores e maiores de 60 pagam meia). Ingresso família (para até 4 membros de uma mesma família) R$ 8. Grátis aos domingos.
Audioguias: R$ 8

 A Primeira Missa no Brasil, tela de Victor Meirelles (Século 19), no MNBA
A Primeira Missa no Brasil, tela de Victor Meirelles (Século 19), no MNBA
Assim como a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes deve seu embrião à bagagem da família real portuguesa, que aportou no Rio de Janeiro em 1808 após a invasão de Portugal pelos franceses.

 Parte das obras de arte trazidas da corte são a origem da coleção hoje pertencente ao MNBA.

Apesar da origem mais que centenária, o MNBA é o caçula entre os grandes espaços culturais da Cinelândia — inaugurado em 1938, ele é mais jovem até que o Cine Odeon, de 1926.

 O Circo, de Djanira, no MNBA
O Circo, de Djanira, no MNBA
Seu edifício, transitando entre o visual “bolo de noiva” do estilo eclético e a sobriedade do neoclássico, abriga uma coleção importante para a compreensão da evolução das artes — da pintura, para ser mais rigorosa —  em nosso país.

Entrada da baía e da cidade do Rio a partir do terraço do convento de Santo Antônio, de Taunay, integrante da Missão Francesa que veio ao Brasil no começo do Século 19
Entrada da baía e da cidade do Rio a partir do terraço do convento de Santo Antônio, de Taunay, integrante da Missão Francesa que veio ao Brasil no começo do Século 19
O forte do acervo são as obras do Século 19, com todo aquele sotaque romântico-épico do período. La estão algumas obras de dimensões monumentais, como A Batalha do Avaí, de Pedro Américo, e A Batalha dos Guararapes e A primeira Missa no Brasil, ambas de Victor Meirelles – quadros que você seguramente conhece dos livros escolares.

O MNBA também tem uma boa seção dedicada aos modernistas, com obras de Portinari, Tarsila do Amaral, Djanira, Di Cavalcanti e Lasar Segall, entre outros.

Saiba mais: ➡️ O que ver no Museu Nacional de Belas Artes


Feira de livros usados em frente ao Amarelinho em uma tarde de sábado (esq) e um grupo de amigos aproveitando o fim do expediente no bar quase centenário
  ⭐ Amarelinho
Diariamente, das 10h até 1h da manhã.

Prestes a completar um século de funcionamento (fundado em 1921), o Bar Amarelinho é mais uma das instituições da Cinelândia — não tão emplumada quanto seus vizinhos, mas, afinal, boemia não faz cerimônias.

Criado como Café Rivera no coração da então capital do Brasil, o bar já nasceu reunindo uma seleta muvuca de artistas, jornalistas advogados, políticos e até juízes, graças à proximidade da Câmara dos Vereadores , o Senado da República (no Palácio Monroe, demolido nos anos 70 com o “patrocínio” do Jornal o Globo) e do Supremo Tribunal Federal (hoje Centro Cultural da Justiça Federal) e outras instituições que funcionavam no entorno da Cinelândia.


A mudança de "Café Riviera" para Amarelinho, naturalmente, é consequência da cor do edifício Wolfgang Amadeus Mozart, onde o bar está instalado. Pra quê decorar nome de boteco, quando se pode simplesmente dizer "vamos ali, naquele amarelinho"?

Política e boemia continuam sendo partes fundamentais do cardápio do Amarelinho, que fica até a tampa de gente antes e depois das grandes manifestações na Cinelândia. Em dias mais calmos, é um lugar muito simpático para um chope depois do expediente — experimente puxar papo com os garçons mais velhos e você vai se deleitar com as histórias que eles têm pra contar.

⭐Cine Odeon
Ingressos R$ 27. Estudantes, clientes Itau, Claro e Net pagam meia.

A sede atual do Cine Odeon é de 1926, mas o cinema já existia em 1909 – um dos primeiros do Brasil. A casa de tradição centenária ganhou uma reforma, há cerca de 20 anos, e ficou moderníssima. Tem 600 lugares e era sempre uma boa opção de diversão depois que eu saía do trabalho.

Cine Odeon, inaugurado em 1926
Foto de Denys Gahiva/ Wikimedia Commons
O cine Odeon passou um tempo fechado e trocou de administração. Foi reaberto em 2015, com uma programação mais eclética — filmes de inspiração mais no comercial já não são proscritos de sua pauta e agora a sala também recebe outros tipos de espetáculos, além da projeção cinematográfica.

É a sala oficial de eventos importantes, como o Anima Mundi, Festival de Cinema do Rio e Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro.


Preste atenção às fachadas da Cinelândia
⭐A arquitetura da Cinelândia e arredores

Pra mim, um dos grandes encantos da Cinelândia é a variadíssima gama de estilo arquitetônicos dos edifícios da praça e arredores. Desde o sisudo neoclássico do MNBA ao feérico “bolo de noiva” do Theatro Municipal, você vai ver de tudo um pouco por lá.

Detalhe da fachada do nº 45 da Praça Floriano
Atualmente meio encoberto pelos tapumes de uma reforma, o edifício do Centro Cultural da Justiça Federal (sede do Supremo Tribunal Federal quando o Rio era a capital do Brasil) é mais um bom exemplo da arquitetura eclética.

Preste atenção ao número 45 da praça, praticamente em frente à estação de metrô, com uma linda fachada art nouveau — no térreo do edifício funciona uma igreja neo-pentecostal.

Capanema: a construção mais bonita do Rio de Janeiro
⭐ Palácio Gustavo Capanema
Entrada pela Rua da Imprensa nº 11. De segunda a sexta, das 10h às 18h. Grátis.

Descendo três quadras da rua Araújo Porto Alegre (aquela que passa em frente ao Municipal e na lateral do MNBA) em direção ao mar, você vai se deparar com a minha construção favorita no Rio de Janeiro, o Palácio Gustavo Capanema, a obra inaugural da arquitetura modernista no Brasil.

Inaugurado em 1945, o Capanema foi concebido por ninguém menos que Le Corbusier e projetado por uma equipe que tinha Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy entre seus integrantes para ser a sede do Ministério da Educação na antiga Capital Federal. Atualmente abriga uma série de órgãos do Ministério da Cultura.

O vão livre do Capanema
O edifício é um verdadeiro compêndio do modernismo brasileiro: tem painéis de azulejos de Cândido Portinari do lado de fora e um gigantesco painel do artista em um salão destinado a cerimônias oficiais, jardins de Burle Marx (o jardim suspenso, no segundo andar, é um desbunde) e muitas outras obras de arte. Se o terraço, no 16º andar, estiver aberto, não perca a vista espetacular de lá do alto.

Mais sobre o Capanema e outros edifícios do Centro: ➡️ Rio – meus postais afetivos 


O VLT chega até a Cinelândia
☑️Segurança na Cinelândia
Durante a semana, de dia, a área tem muito movimento e jamais me sento ameaçada ou insegura andando por lá. Mesmo à noite, até umas 22h, acho a área bem tranquila, até porque é muito policiada.

Nesta passagem pelo Rio, estive na Cinelândia duas vezes, num sábado. À tarde, dei uma volta na praça para fazer as fotos deste post, almocei no Amarelinho e visitei o Museu Nacional de Belas Artes. Cheguei e fui embora de VLT, pois estava hospedada do lado do Aeroporto Santos Dumont.

Fui e voltei da Cinelândia de VLT
Voltei à noite para ver a ópera no Municipal e também havia muito movimento e sensação de segurança. Cheguei e sai de uber e posso dizer que havia uma verdadeira multidão na rua, na saída do teatro.

O maior cuidado que você deve ter na Cinelândia é segurar a bolsa com atenção e não andar com a Câmera fotográfica pendurada no pescoço. E  não se arrisque por lá tarde da noite.

☑️ Como chegar à Cinelândia

➡️ De metrô
A Estação Cinelândia do Metrô tem uma saída bem no meio da praça e é servida tanto pela Linha 1 (laranja) quanto pela Linha 2 (verde). A tarifa é de R$ 4,30 e você usar o RioCard, que é aceito em todos os modais da cidade, ou o cartão específico do metrô.

➡️ De VLT
O VLT Carioca também tem uma parada na Cinelândia, servida pela Linha Azul. A tarifa é de R$ 3,80.

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