terça-feira, 23 de maio de 2017

O que comer e beber na Cidade do México

O México é uma festa para quem gosta de comida de rua
Sempre tive um certo orgulho de saber a diferença entre tortilhas, tacos e burritos e consumi quantidades industriais de chili con carne. Minha visita à Cidade do México, porém, foi uma revelação: por mais milhagem que eu tenha acumulado em “restaurantes mexicanos” mundo afora — daqueles com mariachis e tudo 😁—, eu não tinha sequer passado perto da verdadeira culinária do país.

Aliás, essa foi a primeira coisa que os locais me avisaram, quando desembarquei por lá: a comida tex-mex que faz sucesso fora das fronteiras mexicanas é uma adaptação, muito mais ao gosto gringo.

No meu choque de realidades sobre a verdadeira culinária dos descendentes dos astecas fiz algumas descobertas deliciosas e vi ruírem vários clichês. Só uma parte do mito se confirmou como verdade inescapável: a pimenta é onipresente e de fazer chorar esta baiana criada com malagueta na mamadeira 😊.

Veja algumas gostosuras mexicanas que eu provei e amei:

No dia que pedi um hambúrguer para variar do tempero mexicano, olha só o trio parada dura de pimentas que veio acompanhando 😁. Não estranhe a cor das batatinhas fritas: são camotes, um tipo de batata doce que eu amo de paixão

Tortilhas, tacos e burritos
A tortilha é a clássica “panqueca” feita de milho e que funciona como o pão. Recheadas e dobradas como um sanduíche, são chamadas de tacos. Enroladas, como panquecas, são chamadas de burritos.

A uma quadra do meu hotel, em Condesa, fica uma das “catedrais dos tacos” da Cidade do México, o permanentemente lotado El Tizonzito (Avenida Talmaulipas , 122), que você reconhece de longe pelo enorme letreiro que anuncia “los verdaderos creadores del taco al pastor”. Essa variação, popularíssima e muito gostosa, consiste em tacos com pernil de porco assado em espeto giratório (parece o giros grego) e bate um bolão.

Dois momentos mexicanos: carnitas servidas no popularíssimo Mercado de Coyoacán e a pausa para a margarita em um bar de Condesa
Carnitas 
São pedaços de carne de porco — e também das vísceras do animal —, fritos em banha, em grandes tachos de cobre. Com muito molho, acompanham tortilhas, tacos e burritos. Típico do estado de Michoacán, é um prato barato, com vocação para comida de rua. Experimentei na visita ao Mercado de Coyoacán e adorei.

Para provar de tudo um pouco, com um pezinho no gourmet, não deixe de visitar o Mercado Roma, no descolado bairro de Colonia Roma
Tamales
Massa de milho (parecida com a pamonha brasileira) recheada com carne e molhos “animadíssimos”. Eu curto, mas ainda prefiro a variação doce, típica do Equador, o quimbolito (feito de farinha de milho, leite e passas e enrolado numa folha, como um abará). 

Nos feriados da Páscoa, a cidade estava lotada de barraquinhas de rua vendendo tamales e as filas eram sempre enormes.


Café da manhã mexicano: chilaquiles (esq) e ovos mexidos com pasta de feijão
Chilaquiles
A alegria das minhas manhãs. Fiquei viciada nessas tortilhas fritas, acompanhadas por frango desfiado, molho vermelho apimentado (dizem que o molho verde é ainda mais flamejante, mas eu não tive coragem) e algo que eu suponho que fosse creme de leite, ou iogurte (que é o único antídoto contra pimenta já descoberto pela ciência).

O prato é um clássico desjejum mexicano e era uma das opções do café da manhã a la carte do Maria Condesa Boutique Hotel, onde me hospedei.

Quando a responsável pela cozinha descobriu que eu tinha curtido os sabores locais, passou a servir minhas chilaquiles (e qualquer outra coisa que eu pedisse)  acompanhadas também por uma saborosa pasta de feijões pretos e polvilhada por lascas de um queijinho muito tenro, parecido com queijo-de-minas. Eu levitava...

Paleta de tamarindo. A forminha de doce é para a freguesa não sujar a mão quando o sorvete escorrer
Paletas
O picolé mexicano virou moda no Brasil, mas prová-lo em sua terra de origem é bem mais legal (até porque os mexicanos gurmetizam menos). É bem difícil caminhar por Condesa, Polanco ou Colonia Roma e não tropeçar a cada quadra em uma paleteria. Além disso, as carrocinhas de sorvete eram onipresentes pelo Centro da cidade no Bosque de Chapultepec — o que combinava divinamente com o calor insano que fazia do meio da tarde até o anoitecer, nos dias que fiquei por lá.

Não é que não se encontre paletas mais frescas na Cidade do México, mas bom mesmo é apostar no simples: picolés de pura fruta, sem leite e sem fricote. Eu morria com os de tamarindo.

Fiquei fã desse doce de tamarindo
Doce de tamarindo com pimenta
E já que tocamos no assunto, gente, o que é o doce de tamarindo mexicano? Parece um brigadeiro (mais firme), servido em copinhos de plástico e cobertos por uma profusão de molhos apimentados, fortes e saborosos.

São a grande atração das milhares de barraquinhas de rua e dos tabuleiros dos ambulantes que se amontoam nas estações de metrô. Viciei total...

Tem pimenta, mas é refrescante
Manga em fatias com sal e... pimenta
Outra maravilha da comida de rua no México são as mangas, servidas picadinhas, em grandes copos de plástico, temperadas com sal e um monte de pozinhos coloridos (pimentas nas mais variadas e fumegantes gradações). Por incrível que pareça, é um lanchinho super refrescante. Amei! 

O tira-gosto são grilos tostadinhos
Mezcal

Depois de passar o dia pra lá e pra cá descobrindo os encantos da Cidade do México, nada mais relaxante que sentar em uma mesinha ao ar livre bebericando uma dose de mezcal. Era meu ritual diário — e recomendo vivamente. A bebida é um destilado do agave, planta prima do cacto que lembra muito o sisal.

Típico de Oaxaca (Sul do México, região do Pacífico), o mezcal é mais rústico e mais forte (!) que a tequila, com concentração alcoólica na casa dos 40%. É tradição colocar dentro da garrafa um gusano (larva) de uma espécie de borboleta que cresce grudada aos pés de agave — não precisa fazer essa cara, porque o gosto da bebida é bem agradável.

É comum acompanhar a sessão de mezcal com antojitos (tira-gostos) como os chapulines, gafanhotinhos tostados, belisco tradicional desde os tempos pré-colombianos (eu provei, não achei muita graça, mas também não morri).

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