terça-feira, 18 de abril de 2017

Miami: como aproveitar uma conexão

Areia branquinha, mar caribenho
e esses postinhos de salva vidas
que dão vontade de trazer pra casa: Miami Beach
Minha viagem ao México, nos feriados da Páscoa, foi muito especial. Antes de começar a falar sobre ela, porém, deixe eu contar como foi meu reencontro com Miami e Miami Beach, uma paradinha de 12 horas entre voos. Essa conexão no Aeroporto de Wilcox me proporcionou um passeio bem bacaninha para rever as primeiras cidades estrangeiras onde coloquei meus pezinhos, no longínquo ano de 1972.

A última vez que eu tinha estado em Miami e Miami Beach foi em 1990. Neste breve retorno, deu pra ver muitas mudanças (pra melhor) por lá — afinal, 27 anos são uma vida. O que mais curti foi o passeio por South Beach, em Miami Beach, para ver o adorável conjunto Art Déco do bairro, que está resplandecente desde o projeto de revitalização da área, iniciado nos anos 90.

Três ícones da Art Déco em South Beach, os hotéis Delano, National e Sagamore, em Collins Avenue
Aqui neste post eu organizei as dicas práticas pra você curtir uma conexão mais longa em Miami e conto os passeios que eu fiz por lá.

Os calçadões entre o paredão de hotéis e a faixa de areia democratizaram a beira-mar em South Beach

Começando pelo começo: as dicas práticas


Coral Gables e seu famoso Biltmore Hotel estão a apenas 9 km do aeroporto de Miami
O Aeroporto Internacional de Miami fica a uma distância bem confortável das atrações da cidade e região. São 6,5 km até os restaurantes de Little Havana, 9 km até a elegância do balneário de Coral Gables e a 11 km do astral desencanado de Coconut Grove. Para chegar ao charme e agito de South Beach, em Miami Beach, são 18 km.

Cheguei do México por volta das 10h. Entre o desembarque e o os procedimentos na imigração, levei cerca de uma hora. É importante lembrar que a minha mala foi despachada do México direto para Brasília. Se não for esse o seu caso e houver necessidade de receber a bagagem e fazer novo despacho, coloque mais uma hora, pelo menos, no seu cálculo de tempo gasto no aeroporto, antes de começar o passeio.


Palm Island, ilha artificial na Baía de Biscayne celebrizada por um de seus moradores: Al Capone
Como sair do Aeroporto

Depois de passar pela imigração, siga as placas que indicam o ponto de partida do MiaMover, o trem elevado que conecta o terceiro andar do aeroporto ao centro de aluguel de automóveis e ao sistema de transporte público.

Não tem como errar. Há elevadores no Terminal D (onde eu cheguei, que é exclusivo da American Airlines) e também entre os terminais F (onde operam a AirEuropa e a British Airways) e o G (usado pela TAP e United).

O cartão do transporte público de Miami: basta carregar com o valor das viagens que você pretende fazer por lá
Embarque no MiaMover, que é gratuito, e desça na Central Station (é a única parada). Você logo verá as maquininhas automáticas para a venda de bilhetes do transporte público. Se você vai direto para Miami Beach, como eu fiz, a melhor opção é o MetroBus, um expresso que segue direto até lá. A linha para a praia é a 150 Airport Flyer, que parte da baia 10, a cada 20 minutos.

A passagem do MetroBus custa US$ 2.25. Para usá-lo, é preciso fazer o cartão EasyMiami (grátis) e carrega-lo na máquina automática com o valor correspondente às viagens que você pretende fazer. Só para ir e voltar de Miami Beach, basta carregar o cartão com US$ 4.50.

Miami vista do MacArthur Causeway, uma das ligações da cidade com sua vizinha, Miami Beach
Se você preferir ir para Miami (ou Downtown, que é como eles chamam, para diferenciar de Miami Beach), a melhor alternativa é o MetroRail, que também parte do aeroporto, na mesma estação do MetroBus. Ele chega até Brickell, antigo distrito financeiro que hoje está lotado de hotéis, em 15 minutos. A tarifa é a mesma do ônibus: US$ 2.25.

(Uma curiosidade: o metrô de Miami é todo elevado, já que a cidade está perigosamente no nível do mar — a "altitude" média é de 1,8 metro — e sempre ameaçada por furacões e tempestades tropicais que causam inundações).

A encantadora arquitetura art déco de South Beach, na Ocean Drive
Para circular por Downtown, experimente o Metromover, monotrilho suspenso e gratuito. Na minha última passagem por Miami, em 1990, eu curtia ver a cidade do alto, a bordo desse bondinho.

Como eu fiz
Peguei o MetroBus e cerca de 40 minutos depois estava em Miami Beach. Desci na Lincoln Road só pelo prazer de caminhar um pouquinho mais, porque meu destino era South Beach (veja o itinerário do ônibus aqui). Na volta ao aeroporto, peguei um táxi em Little Havana, na famosa Rua 8 (8th Street) e paguei US$ 27.

Little Havana, o bairro dos exilados cubanos em Miami. Não discuta política, apenas se esbalde nos moros y cristianos (feijão com arroz)
Onde deixar a bagagem de mão

Nada como aquela sacolinha pra estorvar um passeio, né? Eu despachei tudo o que podia e viajei só com a bolsa. Mas se você não tiver essa alternativa, pode guardar sua bagagem de mão no Aeroporto de Miami.

Há um depósito de volumes no segundo piso (embarques), no Terminal E (procure pela placa Baggage Storage). Funciona das 5h às 21 horas e cobra a partir de US$ 6 por peça guardada, dependendo do tamanho. Guardar uma mala entre 45 cm e 60 de altura vai custar US$ 9.

Jardim à beira-mar em Ocean Drive

Meus passeios

Safari arquitetônico em Miami Beach
Em 1990, a maravilhosa arquitetura Art Déco de Miami Beach caía aos pedaços e South Beach era uma área onde não era nada recomendável se aventurar. De lá para cá, houve um grande investimento na restauração e revitalização da área e essa pontinha Sul de Miami Beach virou um dos balneários mais badalados do planeta — e merece.

O centro de visitantes do Distrito Art Déco é um bom lugar para pegar mapas e informações que enriquecem o passeio
A beira da praia ganhou calçadões entre os hotéis e a areia, democratizando o uso do espaço e tornando o acesso mais povoado e seguro. Aliás, a faixa de areia de South Beach, muito larga, em tudo lembra Copacabana, pelo burburinho, pela diversidade de frequentadores e pela quantidade de serviços à beira d’água. E o mar continua azulão, lindo, caribenho.

Eu sou fã da Art Déco, que promove um namoro singular entre curvas e retas, rigorosamente geométrico e muito divertido em seus elementos ornamentais, que brincam com as cores em tom pastel. Imagine como eu fico saltitante ao passear por um bairro quase inteirinho neste estilo e que faz dele um de seus emblemas, como South Beach.

O que eu amo na art déco? A capacidade de reunir um monte de elementos decorativos e ainda parecer sóbria minimalista


Ocean Drive, a avenida costeira que virou sinônimo de glamour à beira-mar, é uma grande vitrine dessa arquitetura. O melhor jeito de ver as maiores estrelas arquitetônicas de South Beach é passar pelo Art Deco Welcome Center, em Ocean Drive (na altura da 10th Street) e alugar um audioguia (US$ 20) que permite fazer um passeio guiado no seu ritmo.


Alguns dos edifícios icônicos de Ocean Drive. Abaixo, a sede do Corpo de Bombeiros de Miami Beach e o Teatro Jackie Gleason (hoje Filmore Theater)


Um mapa detalhado também acompanha o pacote e você vai descobrindo não só as peculiaridades dos famosos edifícios, como muito da história da ocupação de Miami Beach, que já nasceu como balneário de ricos e famosos, nos anos 20 do Século passado.





Visita à Villa Vizcaya
Vizcaya Museum and Gardens - 3251 S Miami Ave, Miami (Coconut Grove). Ingresso: US$ 18

Os jardins da villa são lindos 
Na minha primeira visita a Miami, o lugar que mais me impressionou foi essa villa renascentista fake construída pelo milionário James Deering como um refúgio de inverno, em 1916. 

O lugar é a típica extravagância à la Florida e antecipa com precisão os parques temáticos que se tornariam a marca da região, onde se recriam ambientes de outras paragens — a literalidade da cenografia preponderando sobre a essência. 

The Barge (a barcaça) foi construída em frente ao ancoradouro da propriedade, para funcionar como um quebra-mar  mas claro que não poderia ser apenas uma estrutura funcional😊. Conta a lenda que grandes festas foram realizadas aí


Villa Vizcaya é fora de contexto e flerta escancaradamente com a cafonice. Um palácio à beira-mar cercado de jardins magníficos e recheado com todo o luxo que o dinheiro pode pagar: lustres e candelabros de cristal, mobília preciosa comprada de nobres falidos europeus, mármores em profusão e obras de arte de todas as épocas. 

O resultado, surpreendentemente, é agradável ao olhar — um sucedâneo competente de uma viagem à Europa 😊.

Não se impressione com minha rabugice 😀. Villa Vizcaya rende um belo passeio ao cair da tarde. 

O pátio central da casa e o over décor de um dos salões

Uma fonte na entrada da propriedade e um sala voltada para os jardins

Ônibus hop-on hop-off

Eu tinha dormido muito pouquinho na noite anterior à minha passagem por Miami — cheguei ao aeroporto da Cidade do México às 3 da manhã para pegar o voo. Depois de dar uma volta por South Beach, resolvi poupar energia, embarcando em um tour de ônibus do tipo hop-on hop-off. Assim, foi Miami que desfilou pra mim, enquanto eu revia a paisagem sentadinha a mais de três metros do chão.

É legal ver a cidade sentadinha a três metros acima do chão
A empresa Big Bus faz três roteiros: South Beach, City Loop (Miami costeira, passando por Coconut Grove, Coral Gables e Little Havana) e Uptown Loop (incluindo o agora famoso distrito de Wynwood, meca da street art, e o Design Dstrict). Só deu tempo de fazer o City Loop, que certamente é o que oferece as melhores paisagens.

Comprei o bilhete do City Bus no Art Deco Welcome Center. Custa US$ 45 e vale por 48 horas.

Little Havana

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2 comentários:

  1. Cynthia
    Você é mesmo uma danada! Depois de se esbaldar no México ainda curte umas horinhas em Miami. Quando é a próxima? Aceita uma acompanhante (será que acompanho seu pique)? Adorando os posts!

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    Respostas
    1. Tem aquele ditado que recomenda: "Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. 12 horas de conexão seriam um limão muito azedo, se eu ficasse no aeroporto (mesmo tendo dormido menos de quatro horas, antes de viajar). O passeio em Miami foi a limonada mais docinha e refrescante que eu consegui me proporcionar :)

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