quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cidade do México: roteiro de 7 dias
em uma metrópole espetacular


Exposição fotográfica no Bosque de Chapultepéc estimula os mexicanos a andar de bicicleta. A imagem de Enrique Abe mostra os ciclistas no Zócalo, a praça principal da Cidade do México - lá, a prefeitura dá a maior força para as bikes
Que surpresa maravilhosa é a Cidade do México! Passei sete lindos dias lá, aproveitando o feriadão da Páscoa, e caí de amores por essa metrópole gigantesca que consegue ser radicalmente contemporânea, ao tempo em que preserva a brejeirice que a gente espera encontrar em uma aldeia.

Oficialmente, são 8,5 milhões de habitantes, embora a teia urbana que enreda diversos municípios já abrigue mais de 20 milhões de pessoas. Um aglomerado onde o trânsito à beira do infernal, as distâncias sempre medidas em dezenas de quilômetros e as multidões do feriado prolongado caminham de braços dados com bairros silenciosos e arborizados, parques onde se ouve o som de realejos e cores despudoradas se derramam sobre fachadas, vestidos domingueiros e balões de gás.

Vendedor de cataventos no bairro de Condesa, numa tarde de sábado

Lady Godiva, uma das esculturas de Salvador Dali expostas no Paseo de la Reforma, nas imediações do Museu de Antropologia
Os quase 700 anos da Cidade do México — fundada como Tenochtitlán pelo povo mexica, ou astecas, em 1325 — são herdeiros de tradições ainda mais antigas. Olmecas, teotihuacanos, maias e toltecas deixaram seu pedacinho de contribuição nessa metrópole diversa e singular — os astecas, como os romanos, não faziam cerimônia em incorporar tradições.

Tudo isso enriquecido e temperado com os fazeres e saberes de gente que chega hoje, de todas as partes do país, para viver na metrópole.

A primavera é tempo de jacarandás em flor na Cidade do México
Uma vida é pouco pra a Cidade do México, mas meus sete dias ficaram redondinhos para essa first date.

O segredo foi concentrar os passeios e visitas em áreas específicas da cidade a cada dia, para evitar perder tempo em longos deslocamentos. Uma vez que se chega a cada um dos “enclaves” de interesse, em geral é possível transitar entre as atrações de cada região a pé, o que contribui também pra que se possa sentir a cidade.

Veja como montei meu roteiro e “assista um trailer” das coisas lindas que vi na Cidade do México. E aguarde o monte de posts detalhadinhos que vem por aí 😊

1º dia - aclimatação em Condesa

Uma típica rua do bairro de Condesa
Foram 14 horas e dois voos (conexão em Miami) para chegar ao México. Somando a noite mal dormida a bordo do avião, o melhor a fazer foi pegar leve e concentrar os passeios do primeiro dia no gostoso bairro de Condesa, onde fiquei hospedada.

Muito arborizada, segura, e cheia de bares e restaurantes badalados, minha vizinhança na Cidade do México foi uma grande escolha. Sossegado e charmoso, Condesa é um bairro elegante sem ser pretensioso, bom pra bater pernas, ver vitrines, para o people watching e para experimentar a gastronomia de várias partes do mundo.

Minha semaninha no bairro, no Maria Condesa Boutique hotel, está neste post:
Cidade do México - dicas de hospedagem



2º dia – Coyacán

A casa de Frida Kahlo é a segunda atração mais visitada do México
A antiga aldeia incorporada à metrópole mexicana entrou para o mapa dos viajantes por ter sido o lar de Frida Kahlo. A famosa Casa Azul, onde a artista morou praticamente toda a vida, é a segunda atração turística mais visitada do México, perdendo apenas para o sítio arqueológico de Teotihuacan, (prepare-se para as filas) e é absolutamente imperdível.

Depois do Museu Frida Kahlo, estiquei até Anahuacalli, um museu maravilhoso e surpreendente, obra de Diego Rivera. No edifício inspirado nas pirâmides do povo mexica, concebido pelo grande muralista, está exposto o magnífico acervo de arte pré-hispânica reunido por Rivera ao longo da vida.

Diego Rivera doou seu impressionante acervo de peças pré-hispânicas ao povo do México. Elas estão reunidas no museu Anahuacalli

Mercado de Coyoacán: pra comer comida mexicana "de raiz". À direita, o jardim de Leon Trotski

O ingresso na Casa Frida Kahlo dá direito também a visitar Anahuacalli e o trajeto entre os dois museus é feito em um ônibus especial (passagem incluída no pacote).

Outras duas atrações imperdíveis do bairro são a Casa Museu de León Trotski, onde viveu e morreu o célebre líder bolchevique, e o Mercado de Coyoacán, onde se come comida mexicana de verdade — foi um senhor cartão de visitas, para eu abandonar de vez a ideia de que aqueles pratos tex-mex que se come por aí sejam a culinária do país 😊.

Veja os detalhes e as dicas práticas desse passeio: Coyoacán - Frida Kahlo e seus vizinhos

E as dicas pra aproveitar as saborosa e apimentada culinária local: 
O que comer e e beber na Cidade do México


3º dia – Zócalo, Centro Histórico e Alameda

A Catedral, no Zócalo, a praça cerimonial dos astecas
O Zócalo é o coração da Cidade do México desde o tempo em que ela se chamava Tenochtitlán. A imensa praça onde estão a Catedral e o Palácio Nacional (sede do governo) era o centro cerimonial da capital asteca — logo ao lado estão os restos do ainda imponente Templo Mayor do povo mexica.

No entorno da praça imponente está um vasto conjunto de construções herdadas dos colonizadores espanhóis e algumas igrejas que valem a parada — o Pilar, Santa Vera Cruz, San Ildefonso e San Francisco el Grande, por exemplo.

O Palácio Nacional de Bellas Artes é simplesmente espetacular
A uma curta distância, é imperdível o passeio pela famosa Alameda Central, jardim que foi a “vitrine” da cidade nas primeiras décadas do Século 20. Belos edifícios art déco funcionam como moldura para o precioso Palácio Nacional de Bellas Artes.

O edifício abriga o teatro de ópera e um ótimo museu adornado por murais de Diego Rivera, David Alvaro Siqueiros e Rufino Tamayo, entre outros grandes dessa arte tão identificada com o México.

Alameda: uma alegoria da história do México no mural de Diego Rivera
Na outra ponta da Alameda, não deixe de visitar o Museu Mural de Diego Rivera, que abriga exclusivamente o espetacular Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central, além de sediar exposições temporárias.

Meu roteiro pelo Centro Histórico - Zócalo, Alameda e Praça da República
Palácio Nacional de Bellas Artes - a magia da arte mexicana

4º dia - Museu Nacional de Antropologia

Museu Nacional de Antropologia: um dos mais espetaculares que já visitei na vida
Um dia inteirinho pra um único museu? Sim, sim e sim. Primeiro, porque ele é gigantesco. Segundo, e mais importante, porque esse é um dos museus mais espetaculares que você verá na sua vida. O Museu Nacional de Antropologia, cercado pelo verde do Bosque de Chapultepéc, conta a história do México desde os primeiros hominídeos até os dias de hoje.

Detalhe da fachada do museu e a peça mais fotografada do acervo, o Calendário Asteca
Ao longo desse enredo, você vai conhecer as civilizações olmeca, tolteca, asteca, maia e o povo de Teotihuacán, além dos povos indígenas que vivem ainda hoje em território mexicano e continuam a contribuir para a fascinante diversidade cultural do país.

E quando eu digo o dia inteiro, não é força de expressão: eu cheguei antes das 11h e saí às 18:30h, na hora de fechar, e quase que tive que ser levada pelas orelhas pra fora do museu 😉.

Veja como foi esta visita inesquecível: Museu Nacional de Antropologia

5º dia – Bosque de Chapultepec, Museu de Arte Moderna e o Castelo

Voladores (voadores)  no Bosque de Chapultepéc. O ritual de fertilidade e para chamar a chuva remonta ao tempo dos olmecas e ainda é realizado na província de Veracruz
Hoje é dia de voltar ao Bosque de Chapultepéc, desta vez para aproveitar essa área verde que tem o dobro do tamanho do Central Park de Nova York e que é o verdadeiro jardim de casa de muitos mexicanos.

Divirta-se com o pregão dos vendedores de guloseimas — experimente os doces que são servidos, até eles, com molho de pimenta — relaxe em um banquinho à sombra ou aproveite para alugar um barco e remar um pouco no lago.

Castelo de Chapultepéc. A primeira tentativa dos astecas de se estabelecerem no território da hoje Cidade do México foi aqui nesta elevação. O edifício foi construído no Século 18 como casa de verão dos vice-reis
Só não deixe de dar uma passada no Museu de Arte Moderna para ver um pouco mais da pintura mexicana — e como é pródigo em grandes artistas esse México, viu? — e de subir ao Castelo de Chapultepéc, construção do Século 18 que oferece uma bela vista para o skyline da cidade e é testemunha de episódios importantes da história do país.

O Museu de Arte Moderna. À direita a tela Paisagem Noturna, de Diego Rivera
Do ladinho desse trecho do bosque onde estão os museus fica a Colonia Roma, o bairro da moda da Cidade do México, excelente para um final de tarde desencanado e uma farrinha gastronômica no descolado Mercado Roma.

Meu roteiro nos bosque e nos bons museus de Chapultepec


6º dia - Teotihuacan 


A Pirâmide da Lua
Tudo o que você viu até agora no México foi uma preparação (muito prazerosa, diga-se) para ficar diante da maravilha. No idioma dos mexicas, Teotihuacan significa “lugar onde humanos se tornam deuses” e foi absolutamente inevitável me sentir um pouquinho divina ao lembrar que faço parte da mesma espécie animal que construiu aquelas pirâmides.

O Templo de Quetzalcóatl e as pirâmides vistos do topo da Cidadela
Por 500 anos, entre os séculos 3 e 8 da nossa era, a cidade de Teotihuacan foi a sede de um poderoso império e chegou a ter 200 mil habitantes, a maior metrópole de sua época em todo o planeta. Depois de ser destruída — segundo a maioria dos historiadores, por uma guerra civil, já que não havia qualquer outra civilização próxima capaz de reunir um exército que pudesse ameaçar aquela potência— o lugar foi abandonado.

A Cidadela, o Templo de Quetzalcóatl (a Serpente Emplumada, maior divindade de Teotihuacn e cultuada também por outros povos, como os astecas) e as pirâmides do Sol e da Lua são as construções mais impressionantes do lugar. Uma visita absolutamente essencial, emocionante, daquelas pra se guardar para o resto da vida.

Veja todas as dicas pra sua visita: Teotihuacán

7º dia - Polanco e Museu Soumaya 

A arquitetura inusitada do Museu Soumaya, que fica numa das regiões mais chiques da Cidade do México e tem um bom acervo de pintura, escultura e artes decorativas 
O México contemporâneo também bate um bolão e é uma boa pedida de passeio para o dia de despedida da Cidade do México—em véspera de voo longo, é sempre bom pegar leve.

Bairros como a Colonia Roma, Condesa e o chiquérrimo Polanco rendem passeios bem agradáveis por ruas arborizadas e margeadas por cafés e restaurantes muito charmosos.

Polanco também concentra o comércio mais exclusivo. Eu, que tenho uma certa alergia a fazer compras, aproveitei a caminhada por lá para um pouquinho de “observação antropológica” (risos), mas se você curte grifes, vai se esbaldar, nem que seja olhando as vitrines.

A Valsa, de Camille Claudel, no Museu Soumaya. À direita, o Parque Lincoln, em Polanco
Ao Norte de Polanco, na Ampliación Granada, fica a Praça Carso, nova área de lazer concorridíssima e cercada por espigões de arquitetura muito ousada. Lá estão o Museu Jumex, dedicado à arte contemporânea e o Aquário Inbursa (com filas quilométricas durante os feriados da Semana Santa), que exibe mais de 300 espécies de vida aquática.

Também na praça, o Museu Soumaya, com sua arquitetura atrevida em placas de aço, abriga uma coleção muito interessante de pintura clássica europeia e de artistas mexicanos da época da colônia, arte moderna e artes decorativas — a coleção de peças em marfim trazidas da Ásia é linda. Não perca o grande acervo de obras de Rodin e alguns de seus contemporâneos, como Camille Claudel.

As dicas desse passeio: Museu Soumaya

Meu mapa na Cidade do México 
Clique nos ícones para ler os posts relacionados a cada local



Mais sobre esta viagem
Miami: como aproveitar uma conexão


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3 comentários:

  1. Parabéns Fragata, adoro seus posts, para mim são dos mais completos que existem! E tudo isso aumentou ainda mais minha vontade de conhecer a Cidade do México, para poder compará-la com Buenos Aires e Santiago, que já conheço, vejamos se ela supera minha admiração por Buenos Aires!

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    Respostas
    1. Obrigada, Ricardo, fico super feliz :)

      México, Buenos Aires e Santiago, são cidades diferentes, todas maravilhosas, mas cada uma a seu modo (Santiago demorou um pouquinho mais pra conquistar meu coração).

      A Cidade do México superou todas as minhas expectativas.

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  2. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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