quinta-feira, 11 de maio de 2017

Cidade do México:
o que fazer no Bosque de Chapultepec



Uma atração da Cidade do México que dificilmente passará batida no seu roteiro é o Bosque de Chapultepec. O maior parque público das Américas, com 650 hectares — quase o dobro do tamanho do Central Park de Nova York — é um espaço popularíssimo entre os mexicanos. Suas três subdivisões abrigam uma infinidade de equipamentos de lazer e o lugar ferve nos fins de semana.

Opções não faltam: trilhas para caminhadas, veredas, fontes, zoológico, auditório para concertos, um lago com barcos a remo e pedalinhos e nada menos que oito museus — entre eles, o fantástico Museu Nacional deAntropologia, o Museu de Arte Moderna e o Museu Nacional de História, instalado no Castelo de Chapultepec.

O Lago de Chapultepec visto do castelo. Barquinhos a remo e pedalinhos fazem a alegria dos visitantes




A área de Chapultepec tem grande importância histórica para o país. Foi nas alturas da colina onde hoje está o castelo que os mexica fundaram sua primeira povoação, após migarem da mitológica (ou, no mínimo, sem localização geográfica precisamente identificada, ainda hoje) Aztlan, mas povos mais antigos no Vale do México os expulsaram de lá. 

Voladores(voadores): grupo de artistas da região de Veracruz recriam um ritual tradicional para chamar a chuva
Nos dias de hoje, o bosque é bem mais democrático. Gente de todas as idades e classes sociais aproveita a vasta área verde para fazer piquenique, relaxar à sombra ou se exercitar. Nos feriados da Páscoa, eram verdadeiras multidões. 

Artistas populares, músicos e centenas de barracas de guloseimas tipicamente mexicanas — do grilo tostado ao tamarindo com pimenta — completavam a cena. 

Alice no País das Maravilhas, de Salvador Dali, em uma exposição ao ar livre no Paseo de la Reforma

Lady Godiva, de Dali
Exposições de arte ao ar livre também são frequentes por lá. Na minha passagem pela cidade, estava em cartaz uma mostra de esculturas de Salvador Dali muito bacana. Tem também filiais do café Starbucks e da boa Livraria Porruas, onde fiz uma pequena feirinha de títulos de escritores mexicanos.

Entre os museus do bosque, além do de Antropologia, recomendo muito o  Museu de Arte Moderna e o Castelo de Chapultepec.

Museu de Arte Moderna (MAM)
Paseo de la Reforma Y Gandhi s/n. Metrô Chapultepec
De terça a domingo, das 10:15h a 17:30h. Entrada: 60 pesos (R$10)


Amei a arquitetura modernista do MAM

O jardim interno do museu
Já contei pra vocês que fiquei absolutamente caída de paixão pelos modernistas mexicanos. Além dos pop stars Frida Kahlo e Diego Rivera (que estão bem representados no acervo desse museu), descobrir artistas como David Alfaro Siqueiros, José Clemente Orozco, Manuel Rodríguez Lozano, Maria Izquierdo, Rufino Tamayo e tantos outros enriqueceu muito a minha viagem — e a minha vida. 

Raúl Anguiano: O Espinho e O Filho Morto
Manuel Rodriguez Lozano: Duas Mulheres e Menina


A coleção do MAM reúne obras modernas e contemporâneas, percorrendo o Século 20 aos dias de hoje. A arquitetura do museu, modernista até a medula, é uma atração por si só.

Os dois pavilhões estão imersos e perfeitamente integrados ao verde do Bosque de Chapultepec e, entre eles, um gostoso jardim exibe uma série de esculturas e convida a um passeio sossegado.

Abraham Ángel, Lupe e Maria e Alberto de la Vega, Vendedora de Tortilhas

Castelo de Chapultepec
Terça a domingo, das 9h a 17 horas. Entrada: 70 pesos (R$ 12)




Uma longa ladeira fechada ao tráfego de automóveis leva ao topo da Colina de Chapultepec, onde os espanhóis construíram, no Século 18, uma “sede recreativa” do poder colonial.

O Castelo — sem fossos ou muralhas, na verdade um palácio cercado de jardins e terraços, funcionou posteriormente como escola militar, residência imperial—na breve e malfadada aventura de Maximiliano de Habsburgo —, residência presidencial e hoje é sede do Museu Nacional de História.

Arnold Belkin: A chegada dos generais Zapata e Villa ao Palácio Nacional
O episódio mais marcante na história do castelo foi a resistência dos cadetes da escola militar frente à invasão norte-americana, em 1847. Seis deles morreram em combate — os Niños Héroes, ou meninos heróis, homenageados por memorial na entrada do parque. 

Monumento aos Meninos Heróis, no Bosque de Chapultepec. Abaixo, o mural Sacrifício dos Meninos Heróis, no castelo



O Castelo de Chapultepec parece ser o grande favorito dos mexicanos e visita-lo em um final de semana ou período de feriados é um exercício de paciência para driblar as multidões.

Mas tanto o ladeirão que eu subi no calor de mais de 30 graus quanto a muvuca inacreditável que encontrei lá em cima foram perfeitamente compensados por alguns dos murais que recobrem as paredes do edifício e narram episódios da história do país.

Do Porfiriato à Revolução, de David Alfaros Siqueiros, ocupa todo o perímetro de um salão



O mais espetacular deles, sem dúvida, é Do Porfiriato à Revolução, de David Alfaros Siqueiros, que ocupa todo o perímetro de um salão, percorrendo os 34 anos da ditadura de Porfírio Diaz até a revolução de Pancho Villa e Emiliano Zapata, em 1910.

Também chamam a atenção O Sacrificio de los Niños Héroes , de Gabriel Flores García, no teto sobre a escadaria principal do castelo, e Alegoria da Revolução Mexicana, de Eduardo Solares Gutiérrez.

Alegoria da Revolução Mexicana
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