terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Onde comer - e o que comer - em Bolonha

Uma taça de vinho, pão e mortadela. Ser feliz em Bolonha não custa muito
Já tinham me avisado que é quase impossível comer mal em Bolonha. A cidade que, entre seus títulos, ostenta com orgulho a designação de La Grassa (“A Gorda”) trata os assuntos da mesa com muito cuidado. Segundo ouvi de mais de um local “não existem restaurantes turísticos em Bolonha. Temos apenas restaurantes”.

O fato é que após copiosas porções de mortadela, tortellini, lasanha e gramigna com molhos ragù, burro e salvia ou burro e oro — sempre acompanhados de uma taça de vinho — eu posso dizer que é tudo verdade: come-se divinamente em Bolonha, e a preços muito mais atraentes que nas regiões mais turísticas da Itália.

Programão em Bolonha: "visitar" os produtos fresquinhos que logo mais você encontrará à mesa, na região do antigo Mercato del Mezzo 
Neste post, reuni algumas dicas de comidinhas e restaurantes em Bolonha - não leia perto das refeições, pois vai dar vontade de ir correndo pra lá 😋.



A Emília-Romanha é famosa por seus sabores, como o queijo parmesão (na foto) e o presunto cru de Parma, o azeite balsâmico de Módena e a piadina romanhole. Capital e centro da região, Bolonha oferece tudo isso e muito mais


Onde comer em Bolonha 


Trattoria Oberdan da Mario
Via Oberdan 43/A


Tortellini in brodo, spezzatino (ensopado) di vitello: a -6º C de temperatura, uma refeição perfeita
Esta tratoria muito bem recomendada fica na rua do hotel onde me hospedei (aliás, a Via Oberdan é pródiga em restaurantes interessantes) e foi lá o meu primeiro jantar bolonhês.

A casa tem decoração sóbria, serviço muito profissional e costuma lotar. Mas, como cheguei muito cedo (fui a primeira cliente), não tive problemas por não ter feito reserva.

Panna cotta de sobremesa e o salão do restaurante ainda vazio:
 fui a primeira a chegar
Numa noite especialmente fria, ao menos para os meus padrões (seis graus abaixo de zero) 😊, nada melhor que começar com tortellini in brodo (delicioso) e prosseguir com ensopado de vitela (spezzatino di vitello), de sabor rico, intenso, mas com uma pegada de comida de casa da avó.

A panna cotta com calda de caramelo que pedi como sobremesa estava bem interessante. Com vinho, a refeição custou € 40.

Café Masini 1952
Via Caprarie 5/A


Piadina: que invenção brilhante!
A dois passos das famosíssimas duas torres de Bolonha, esse café despretensioso serve piadinas simplesmente sublimes. A meio caminho entre o pão e a pizza, a piadina é típica da tradição culinária da Romanha. Geralmente é comparada ao pão pita, embora seja mais espessa. O que importa é que a bichinha é uma delícia.

A piadina que almocei (sim, ela vale por um bifinho!) no Café Masini estava acompanhada de presunto de parma, rúcula e um molhinho discreto, mas perfeito.

Refeição memorável por € 7,5, com uma latinha de coca cola que custou quase o mesmo que o prato.


Ristoranti Franco Rossi
Via Goito 3

Torteloni burro e oro e o mair tiramisù da minha vida
O Franco Rossi é um restaurante tradicional de Bolonha que já foi até citado em um thriller de John Grisham ambientado na cidade. Como não ligo a mínima para esse autor (risos), fui lá pelas recomendações de um bolonhês.

A casa faz o gênero clássico, sem luxo, mas bastante confortável. O serviço é muito solícito e, mesmo com um evento grande em um dos salões, fui muito bem atendida.

Café com docinhos, pra encerrar bem a refeição


Pedi torteloni burro e oro (molho à base de manteiga e tomate típico de Bolonha), que estava ótimo. Como tinha passado a tarde beliscando, não tive "forças" para encarar o secondo piatto. Saltei direto para a sobremesa, a mais generosa porção de tiramisú que já aterrissou na minha frente — e que, diga-se, estava boa demais!

Na hora do cafezinho, o pratinho de petit fours doces me matou de culpa, mas não escapou impune 😉

Jantar sossegado (fiquei em uma sala diferente da do evento) e gostoso por € 34.


Eataly
Via Orefici 19. A loja abre das 9h às 23:15h (sexta e sábado, até meia-noite). A tattoria funciona do meio-dia às 22:30h.


Mesa comunitária e atendimento informal
O Eataly de Bolonha fica a apenas 200 metros do hotel onde me hospedei. Como cheguei à cidade no meio da tarde — e verde de fome — é claro que essa era a melhor opção para a minha primeira refeição bolonhesa. Tem coisa melhor que uma cantina que funcione direto, do almoço até as 22:30h? Quando a comida é boa, então, é o céu.

Se você já esteve no Eataly de São Paulo, vai estranhar a loja de Bolonha. Primeiro, porque é bem menor. Segundo, porque ninguém parece ter feito escova no cabelo especialmente para ir até lá (risos convulsos).


Gramigna al ragù e zuppa inglese. Comecei bem a farra bolonhesa
Terceiro, porque, logo na entrada, a gente tem a impressão de que errou o endereço e foi parar em uma livraria – e ,sim, eu amo livros, inclusive os de culinária, que dominam o térreo do Eataly Bolonha, mas vocês não imaginam a fome que eu trouxe comigo de Florença. Pena, porque perdi a oportunidade de fuçar as prateleiras e garimpar alguns exemplares sobre história da culinária (tema que anda me interessando um bocado, ultimamente).

Toquei direto para o segundo andar, onde fica um dos restaurantes (há outro, maior e mais formal, na terceira planta), com astralzão de cantina, cozinha à vista do freguês e mesa comunitária. É neste pavimento, também, que está exposta a maioria dos produtos à venda — aquela tentação que a gente conhece: utensílios que esta fetichista ama, mas nunca usa (ando com preguiça de fogão) e a orgia de produtos italianos da gema.

Passando das quatro da tarde, não foi problema encontrar um lugarzinho na mesa comunitária e logo apareceu o garçom para anotar o pedido e trazer uma porção de pão (italiano, ovviamente) em um saco de papel. Pedi gramigna al ragù e uma taça de sirah para acompanhar.

A cozinha à vista do freguês
A gramigna é um tipo de pasta curta que me pareceu bem popular em Bolonha (estava em todas as vitrines das mercearias). Reparando bem, até que a bichinha parece mesmo com grama. O que importa é que é pasta e combina maravilhosamente com o magnífico ragu bolonhês (aquele molho que a gente se acostumou a chamar de “à bolonhesa”). 

A sobremesa foi outra alegria: uma belíssima zuppa inglese, que não tem nada de sopa nem de inglesa. É um doce à base de pan di Spagna (uma espécie de pão de ló) embebido em licor e recheado com creme. Pertence à “família” dos dolce al cucchiaio, destinados a serem comidos de colher. Um escândalo que pesquisei a fundo nesses dias italianos — e o exemplar servido no Eataly foi aprovado com louvor.

Ah, a conta dessa primeira refeição bolonhesa ficou em € 21,5

La Prosciutteria
Via Oberdan 19/A. Diariamente, das 10:30h às 23h.

À noite, encontrar lugar na Prosciutteria é bem difícil
Pense em um lugar divertido. A decoração povão-hipster recria a venda de Seu Joaquim (no caso, de Babbo Gioachino). Faz parte de uma cadeia iniciada em Florença e com filiais e franquias em Roma e outras cidades.

Mas faz de conta que você está em uma mercearia de aldeia onde pode parar e saborear porções de queijos, frios e embutidos bebericando uma taça de bom vinho.

No caso de apetites mais animados, tipo o meu, é O lugar para devorar um alentado panino (sanduíche) — embora eu considere que usar o sufixo ino, indicador de diminutivo, um descarado understatement, quando se trata do sanduba da Prosciutteria.

A decoração da "Venda de Babbo Gioachino". À direita, meu sanduba de porchetta
A casa da Via Oberdan (novamente, a rua do meu hotel — quem mandou eu me hospedar numa área tão legal?) vive lotada, especialmente a partir da happy hour. Tem trilha sonora bacana e um aviso bem visível: “A gente finge que é restaurante, mas nem sonhe em ser servido à mesa”.

Sem dramas. Os pedidos são feitos e pagos no caixa e você se vira pra dar uma geral na sua mesa, que invariavelmente estará coberta dos farelos deixados pelo freguês anterior — política da casa. Quando gritarem seu nome para entregar o pedido, você vai comer bem pra caramba.

Pedi o panino (imenso) de porchetta (carne de porco enrolada em recheio e assada na brasa) e uma taça de Brunello di Montalcino. Grande farra que custou € 14.

Prosciutteria: você pode colocar isso tudo no seu panino

Mercato di Mezzo
Via Clavature 12. Diariamente, da 9h às 24h

Mercado moderninho, localização tradicional
Este empório moderninho está instalado no coração da área que, desde a Idade Média, os bolonheses se acostumaram a frequentar para abastecer suas despensas.

Cercado por mercearias e casas de hortifruti convencionais, o Mercato di Mezzo é herdeiro do primeiro mercado coberto da Itália e segue a linha da moda: ambiente com decoração industrial, mesas comunitárias e oferta de comidinhas gourmet.


O tentador balcão da confeitaria e o típico fiordilatte

No coração do  centro histórico, o Mercato di Mezzo rende ótima pausas para uma taça de vinho ou um belisco
Passei pelo Mercato di Mezzo várias vezes durante minha estada em Bolonha. É ótimo lugar para um um café, um docinho ou um sorvete (a temperatura mais elevada que peguei em Bolonha foi de 5 graus, mas eu sou viciada).

Recomendo especialmente um doce tipicamente bolonhês, o fiordilatte, que é um pudim de leite e ovos simplesmente genial.  


Zanarini by Antoniazzi
Piazza Galvani nº 1. Diariamente, das 7h às 21h.


Por falar em docinho, não deixe de dar uma passada pelo Caffè Zanarini, instalado no Palazzo dell'Archiginnasio. O edifício, antiga sede da Universidade, é do Século 16. Já os doces são fresquinhos, com cara de quem acabou de chegar da cozinha — e bons de chorar.

Lugar para uma pausa elegante à moda bolonhesa: muita qualidade a preços que não assustam ninguém. Os doces parecem pequenas joias, quase fiquei com pena de mordê-los — quase. 

Experimente a crostatina (tortinha com creme e frutas como morango ou framboesa) e os minúsculos babà com morangos.

Da Nello
Via Montegrappa 2


Este restaurante bem tradicional e acolhedor foi indicação da recepcionista do hotel. O lugar é  agradável, tem ótimo serviço e preços muito honestos. Cheguei com reserva para o jantar e ainda bem, porque a casa estava cheia.

Pedi a polenta com funghi, excelente, acompanhada de uma taça de vinho. De sobremesa, sorbet de limão. A conta foi de € 29. Uma ótima opção.


Um passeio por Veneza em um dia de sol

Mais sobre Bolonha
Um hotel muito gostoso no melhor pedacinho do Centro Histórico

A Itália na Fragata Surprise
Campânia: HerculanoNápoles e Pompeia
Costa Amalfitana: AmalfiRavello e Sorrento
Emília-Romanha: Bolonha e Ravena
Sicília: AgrigentoCastelmolaPalermo e Taormina
Toscana: FiésoleFlorençaLucaSan Gimignano e Siena
Vêneto: Burano e Veneza

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5 comentários:

  1. Bato ponto na Zanarini há muitos anos! Adoro! Vendo essas fotos lindas de comidas, até me animei a compartilhar meus ponits gastronômicos em Bolonha. Nham!

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  2. Vou dia 15 de Março... Dicas valiosas obrigada

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  3. Confesso que sou uma grande "foodie" quando estou em viagem e um dos meus sonhos é percorrer a Itália, principalmente para experimentar o seu lado gastronómico! adorei ler este artigo!

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    Respostas
    1. Se você curte comer bem, não deixe Bolonha fora do seu roteiro de jeito nenhum, Ester :)

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