quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Amarante, Portugal:
O charme da hospedagem rural

Casa São Faustino de Fridão: quem disse que hospedagem charmosa precisa custar caro?
Nesta viagem a Portugal, agora em junho, pude experimentar o charme e o conforto das hospedagens rurais, que há muito tempo faziam parte da minha lista de desejos de viagem. Aproveitei que estava com carro alugado e em grupo (nosso time variou entre três e cinco pessoas, ao longo do roteiro) e lá fui eu, finalmente, desvendar os encantos, o sossego e o aconchego de pousadas campestres, administradas diretamente pelos donos.

Ficamos hospedados em três quintas históricas. Do lindo Solar Cerca do Mosteiro, em Alcobaça e da rústica Quinta dos Bastos, em Évora, já falei em posts anteriores. Mas preciso contar pra vocês como foi bacana a nossa experiência na fofíssima Casa São Faustino de Fridão, em Amarante, nosso lar por quatro noites.

Sobre a cidade de Amarante, leia este post: Um lugar para encontrar o coração de Portugal

Nosso "lar" em Amarante era pródigo em detalhes fofos
A paisagem da janela - aproveitei pra fotografar Kika de longe: a cadelinha labradora é muito fofa, mas meio tímida com as câmeras 
Hospedagem rural: por que é legal

Sabe aquela sensação de estar mais perto da realidade local? Sou super urbana e curto hotelão, mas vamos ser francas: estar em um hotel convencional é o antônimo de cotidiano—e quanto melhor o hotel, mais isso é verdade. O paparico, a correção do serviço e o tratamento mais formal são deliciosos, mas acabam construindo uma “bolha” que nos aparta da vida real.

Na hospedagem rural, também tem paparico, conforto e bom serviço, mas a sensação é de estar passando férias na casa da avó. Tem aconchego e conversa com os anfitriões e o staff. Tem dicas de passeios que você não encontra nos guias de viagem. Tem laranja colhida no pé, geleia caseira e caminhada matinal cercada da verde.

A esquerda, a escadinha que dá acesso ao terreiro da casa, a partir do estacionamento. À direita, a piscina

A janela do meu quarto e o acesso à casa
Nas experiências que tive em Portugal, a hospedagem rural também me proporcionou a possibilidade de habitar, ainda que provisoriamente, belos casarões com pelo menos dois séculos de história, lugares onde viveram pessoas de verdade, plenos de memórias.

Por fim, se essas razões mais líricas não forem suficientes, é importante lembrar que a diária em uma acomodação de ótimo padrão em propriedades rurais geralmente custa muito menos do que a hospedagem de padrão similar em um hotel convencional.

A estrada que leva a Amarante passa na porta da pousada
Pra quem (e quando) é legal

Como falei lá no começo, só decidi experimentar pousadas fora dos centros urbanos porque estava com carro alugado. Na minha viagem à Sicília, por falta de informações mais sinceras do estabelecimento, fui parar em um hotelzinho rural até simpático, nos arredores de Taormina, mas não topei ficar nem a primeira noite, pois seria um transtorno ficar me deslocando de táxi para a cidade, já que não dava pra contar com transporte público.

Meu quarto
Ainda que a pousada rural fique em uma área servida por transporte público, é sempre bom levar em conta o tempo que será gasto com os deslocamentos. Eu, por exemplo, gosto de dar uma passadinha no hotel e descansar um pouco depois dos passeios, antes de sair para jantar, por exemplo, e isso fica mais complicado se a hospedagem é em um bairro distante do centro ou, pior ainda, fora da cidade.

A piscina cercada de vinhas muito antigas
O gazebo do jardim
Além disso, convém lembrar que nem toda pousada rural conta com restaurante (as três que experimentei nesta viagem, por exemplo, servem apenas o café da manhã), o que vai interromper aquele dia de preguiça com piscina/lareira e livro que a gente sonha nessas situações na hora das refeições.

Para contornar esse inconveniente, muitas pousadas que não têm restaurantes permitem aos hóspedes que usem a cozinha, como era o caso do Solar Cerca do Mosteiro e da Casa São Faustino de Fridão. Informe-se antes e faça umas comprinhas, caso queira passar um dia despreocupado no hotel.

Detalhes do interior do casarão
Por fim, é bom lembrar que nem todo mundo curte o isolamento, especialmente quando está viajando sozinha. Mesmo contando com a simpatia e boa acolhida dos anfitriões, eles não estarão disponíveis para bater papo o tempo todo. Eu curto ficar quietinha só comigo e acho que teria gostado da experiência, mesmo se estivesse viajando sozinha. Se não é o seu caso, deixe essa alternativa para uma viagem a dois, ou em grupo.

O quarto ocupado por meu sobrinho e a namorada, com direito a balcão e vista para as montanhas
A Casa São Faustino de Fridrão 
A pousada está instalada em um casarão do Século 18 “pelo menos”, como contam José Lino e Dona Madalena, os simpaticíssimo donos da casa. A cara atual da propriedade é do Século 19, um solar de três pavimentos cercado por jardins e vinhedos.

A estradinha que liga o distrito (freguesia, em Portugal) de Fridão a Amarante passa na porta. De lá até a cidade são 24 quilômetros de curvas sinuosas e uma paisagem muito bonita.

A casa foi impecavelmente restaurada para a instalação da pousada. Móveis de época, ambientes agradáveis e quartos aconchegantes me cativaram logo na chegada. Mas os jardins são tão gostosos que, no verão, é um pecado ficar dentro de casa.

A cozinha da pousada pode ser usada pelos hóspedes
A recepção
O uso da cozinha é liberado para os hóspedes que queiram preparar refeições e nós não nos fizemos de rogados, preparando um espaguete, com a ajuda de Dona Madalena e de Maria José, a faz tudo da pousada que é eficientíssima e muito bacana — ela nos contou muitas histórias sobre a cidade e deu todas as dicas para aproveitarmos a festa de São Gonçalo do Amarante, nosso grande motivo para a temporada na cidade.

Além da piscina, a pousada tem um salão de jogos com bilhar, uma sala de estar (a única área da casa onde a gente lembra que existe TV) e um gazebo charmosíssimo onde eu gostava de ler um pouquinho todas as manhãs. A sensação era de estar em casa de amigos.


A sala de refeições debruçada sobre o jardim
Um café da manhã...
A pousada tem uma ampla área de estacionamento e os hóspedes recebem o controle remoto do portão de entrada, assim como as chaves da casa e dos quartos.

O café da manhã é servido até às 11 horas, em horário previamente combinado. Dona Madalena gosta de atender a cada grupo de hóspedes separadamente, o que só aumenta a sensação de estar em casa.

A grande mesa do belo salão de refeições não dá conta de acomodar todas as guloseimas servidas nessa refeição: queijos variados, frios, frutas fresquinhas, muitas delas colhidas na propriedade, bolos feitos em casa, geleias caseiras e doces típicos da região, comprados de produtores vizinhos, como o biscoito do amor, de gemas, uma tentação.

O hall de acesso aos nossos quartos
O quarto ocupado por minha mãe e minha sobrinha Carolina
Adorei a Casa São Faustino e recomendo muito. A hospedagem em Amarante pode ser uma boa ideia para quem quer explorar o Vale do Douro. Peso da Régua, por exemplo, está a 50 km de distância, ligada a Amarante por uma das famosas estradinhas cênicas (e cheias de curvas diabólicas) da região.

Detalhes do meu quarto
O banheiro do quarto de minha mãe
A pousada tem seis quartos, quatro deles com banheiro privativo. Em junho, em plena Festa de São Gonçalo do Amarantes, altíssima temporada na cidade e entorno, pagamos diárias de € 50 no meu apartamento single e de € 60 nos apartamentos duplos, todos com banheiro.


Como chegar à Casa São Faustino de Fridão


A paisagem de todas as manhãs
É muito fácil chegar à pousada, quando você já sabe como chegar. No nosso caso, o GoogleMaps nos apontou um caminho completamente maluco, de mais de 50 km, que ia ficando cada vez mais "rústico" — no fim, a estrada era pouco mais que uma trilha para cabritos no alto de uma montanha, no meio da floresta e sempre à beira do abismo.

Não siga o Google, portanto. O melhor jeito de ir até à pousada é entrar na cidade de Amarante. Na praça principal, de frente para o Posto de Informações Turísticas, tome a estrada que sai para a direita (Avenida Alexandre Herculano/ Rodovia N312) e siga sempre em frente, margeando o Rio Tâmega pela maior parte do caminho. Depois de 20 quilômetros, você estará em casa.

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2 comentários:

  1. Nossa viagem começa com a Fragata Surprise, é uma delícia o jeito como você escreve Cyntia Campos.

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