sábado, 31 de janeiro de 2015

Hospedagem na Sicília:
Taormina, Agrigento e Palermo

Era com esse visual que eu tomava café da manhã em Taormina
Hoje em dia tem tanta informação na rede, tantas resenhas e fotos de usuários que impossível a gente se surpreender com  o hotel escolhido pela internet, certo? Errado! Minha experiência na Sicília é um excelente exemplo de que ainda é possível ter surpresas — boas e ruins  com as escolhas feitas à distância, por mais pesquisa que tenha feito.

Meu primeiro pouso na ilha, por exemplo. O Hotel Monte Tauro, em Taormina, era apenas a minha terceira opção de hospedagem na cidade e acabou se revelando um super acerto. Já o hotel que reservei em Agrigento, super bem recomendado, era tão problemático que preferi pagar a primeira diária e bater em retirada de lá, apenas uma hora após ter chegado. Em Palermo, a minha escolha encaixou direitinho nas expectativas e é geralmente isso que acontece quando se opta por um hotel de rede, no caso a NH, que eu já tinha experimentado e aprovado na passagem por Sevilha, no ano passado.

Confira as minhas experiências com hospedagem na Sicília, anote as dicas e, principalmente, a lição: não existe pesquisa infalível na internet :)
Taormina: o hotel coberto de neve, no último dia de 2014. 
À direita, as varandas dos quartos penduradas sobre o mar
Taormina
Pela telinha do computador, o Hotel Monte Tauro parecia ser um lugar bonito, com ambientes confortáveis e uma vista bacana para o mar. Pela tarifa e pela avaliação dos hóspedes (ele aparece no Booking.com apenas como "muito bom), eu não poderia imaginar quantas vezes eu diria "uau!!!" a partir da minha chegada, diante da vista espetacular que se descortina de praticamente todos os ambientes e, especialmente, da deliciosa varanda do meu quarto. Sabe quando você tem vontade de saltitar de alegria? Foi bem isso.

O hotel superou de longe as minha expectativas. Ele fica em uma escarpa sobre o mar e a construção segue o desnível do terreno, em nove andares ligados por um elevador panorâmico. A decoração das áreas comuns, sempre envidraçadas e com uma senhora vista, é elegante, mas sem rebuscamento: móveis modernos de madeira, em linhas retas, com toques de cores fortes nas almofadas e nos pequenos detalhes. A estrela do Monte Tauro é a paisagem inacreditável que a gente descortina desde a hora que chega à recepção.

Dois momentos da minha varanda: 
um belo fim de tarde e na primeira manhã, quando fui surpreendida por um mundo branquinho de neve
O atendimento é caloroso e muito eficiente. Embora seja evidente que o hotel foi pensado para o verão de Taormina, ele estava com uma lotação razoável nos dias em que estive lá (de 30/12 a 02/01) e o serviço foi impecável, sem aquela cara modorrenta que empreendimentos do tipo costumam exibir fora de temporada. A equipe foi sempre muito prestativa e o pessoal da recepção me deu inúmeras dicas sobre a cidade. O WiFi gratuito funciona muito bem em todo o hotel. A única coisa que não achei simpática é que o chá e o café disponíveis no quarto eram cobrados (€2 cada sachê).

O café da manhã estava incluído na diária e também foi aprovado com louvor. Frutas frescas, incontáveis tipos de pães e bolos (um deles, inesquecível, parecia um pão-de-ló muito leve. Trouxe alguns quilos dele na minha combalida cintura), frios, queijos, ovos, várias opções de suco... E o melhor de tudo: café com gosto e consistência de café  longa vida aos raros hotéis que não sucumbiram ao gosto dos americanos e servem aquela aguinha rala para agradar os gringos.

O quarto do Hotel Monte Tauro
O apartamento do Monte Tauro é muito espaçoso, com uma bancada de trabalho bem grande, cheia de tomadas (inclusive várias que dispensaram o adaptador). A cama e os travesseiros eram muito confortáveis, dormi como um anjinho nas três noites que passei lá. Tem armário, frigobar, cofre, TV com vários canais a cabo (poucas opções em inglês, mas eu adoro treinar minha capacidade de entender italiano) e, claro, a famosa varanda, bem grandota e irresistível, mesmo com a temperatura caindo a ponto de nevar.

O terraço do hotel
Aliás, essa foi a parte mais bacana de tudo: na minha primeira manhã em Taormina, acordei por volta das 8h e corri para abrir as cortinas, para ver o mar. Quase caí para trás quando vi tudo branquinho. Foi a primeira vez que vi neve cara a cara (ao longe, nas montanhas, não conta). Uma cena linda, que ficou ainda mais bacana vista do tremendo camarote que era a minha varanda pendurada na montanha, com 180 graus de visão para o pinheiral dos Jardins da Villa Comunale, à esquerda, e a escarpa de Taormina descendo até a cidadezinha de Giardini Naxos, à direita.

O banheiro tem uma certa carinha retrô

O banheiro do apartamento tem um arzinho meio retrô, com as paredes revestidas em azul forte. Adorei a "banheira tamanho adulto", onde dava para deitar de verdade e relaxar na água quentinha. As amenities (produtinhos de toalete) são da L'Occitane e combinavam exatamente com o meu perfume (Verveine).

Hotel Monte Tauro - Via Madonna Delle Grazie 3, Taormina. Diárias com café da manhã (no inverno) €175. Adorei, quero voltar e recomendo. Fiquei três noites lá.

Pena que o inverno não me permitiu experimentar a piscina
Agrigento
Na internet, o Doric Bed se apresenta como um hotel “a 6 km do centro de Agrigento”, com “restaurante tradicional especializado em cozinha regional e nacional", que "abre para o almoço e o jantar, mediante pedido”. Na prática, ele é uma casa branca simpatiquinha, no meio do nada, inalcançável para quem está sem carro e cujo restaurante não funciona no inverno, nem com pedido nem com reza. No Booking.com, está classificado como "fabuloso", mas pra mim, foi só um tropeço de viagem.

A Igreja de São Francisco, no Centro de Agrigento. 
O Hotel Concordia fica no edifício do canto direito da foto
Nem posso avaliar muito o conforto e a qualidade do apartamento, pelo pouquíssimo tempo que passei lá. Mas um hotel "a 6 km do centro" é bem diferente de uma pousada fora da cidade, na estrada, sem acesso a qualquer tipo de transporte público ou serviço. Nada disso está informado nas páginas sobre o Doric Bed nos sites de reservas de hospedagem. Talvez a localização e o restaurante fechado fossem problemas contornáveis (embora gastar €40 de táxi para ir e voltar a Agrigento fosse uma opção indigesta), mas o pior mesmo foi a atitude da pessoa que me recebeu, que apenas dava de ombros e demonstrava achar a situação bem divertida.

O resumo da ópera é que tratei de procurar uma alternativa de hospedagem na cidade. Pela internet, reservei o Hotel Concordia, que também tinha boas avaliações. É um hotel bem antiguinho, precisando de uma reforma, mas administrado por uma família super gracinha (especialmente a mamma, que deve ser pouco mais velha que eu, mas me adotou).  As acomodações são muito simples, o quarto tem apenas o básico e o banheiro é pequeno e velho.

A localização do Concordia é ótima, a dois passos da Via Atenea, o coração da cidade, mas ele fica devendo no quesito conforto, com um banheirinho apertado e a calefação que custava muito para esquentar o quarto.

A recepção e o quarto do Concordia

Hotel Corcordia - Via San Francesco D'Assisi nº 11. Reservei em cima da hora, pelo Booking.com, por €60 a diária, mas quando fui fechar a conta, os donos cobraram apenas €40 por noite, pela ocupação single do apartamento de casal.

O café da manhã era bem básico, com café, suco, geleias, croissants e cornetti,(pãezinhos doces típicos da Sicília) e estava incluído na diária. Valeu pela acolhida calorosa. Fiquei duas noites lá.

Palermo


O quarto e a varanda do NH Palermo
Depois das minhas desventuras com hospedagem em Agrigento, rumei para Palermo sem muita preocupação com o risco de surpresas desagradáveis, porque tinha reserva em um hotel de uma rede que eu já conhecia. Tinha gostado muito da minha estada do NH de Sevilha e isso pesou um bocado na escolha do Hotel NH Palermo.

O que mais gostei no hotel foi da localização, na região do Foro Itálico, parque à beira mar onde sempre tem gente correndo, pedalando, jogando bola ou passeando com o cachorro. O Porto Turístico é logo ao lado. O Corso Umberto I acompanha as antigas muralhas da cidade, hoje ocupadas por casarões dos Séculos 18 e 19. O hotel é praticamente a única construção moderna da área. Atravessando a Via Lincoln, chega-se ao belo Horto Botânico da cidade. E eu estava a um passo do Centro Histórico.

Foro Umberto I: 
as antigas muralhas da cidade foram ocupadas por moradias
O apartamento é bem amplo, tem uma varanda grande, de frente para o mar (a vista não é das mais espetaculares) que deve ser uma delícia no verão. Cama muito confortável, luzes de leitura à vontade, boa bancada de trabalho, armário com cabides "móveis" (isso, pra mim, está virando um diferencial, rsss), cofre, TV com ótima variedade de canais a cabo e frigobar.

O banheiro do apartamento é amplo, embora a banheira seja "tamanho M".Gostei bastante das toalhas muito espessas e do secador de cabelo hiper eficiente. Senti falta do secador de toalhas aquecido.

Amei a mesa de trabalho cheia de tomadas e os cabides "móveis"
O café da manhã é incluído na diária, com um bufê bem variado. Almocei no restaurante no dia de ir embora e achei a comida gostosinha, mas nada de mais. O atendimento do hotel é bem eficiente e a limpeza do quarto é impecável, mas reparei que a varanda ficava de fora da faxina (talvez, por ser inverno). O maço de cigarro vazio deixado pelo hóspede anterior ainda estava no chão da varanda no dia em que fui embora. No geral, gostei muito da estada e recomendo.

O banheiro do NH Palermo

Hotel NH Palermo - Foro Umberto I, 22/B, esquina com a Via Lincoln. Diárias no single, com café da manhã, por €108, em janeiro. 

Hospedagem comentada - índice com todos os hotéis citados no blog

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Emília-Romanha: Bolonha e Ravena
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