sábado, 17 de novembro de 2012

Rodes: o doce balanço
a caminho do mar

Praia de Psaropoula, na Cidade de Rodes
O relevo é diferente, a areia, também. E o recorte do litoral nem passa perto... Mesmo assim, foi impossível dar um passo no calçadão da beira mar, na Cidade de Rodes, sem pensar no Rio de Janeiro.

Talvez fosse o cheiro de maresia, ou o calor de derreter catedrais, que nem a brisa arrefecia. Podia ser pura saudade. Mas, se eu tivesse que apostar, diria que aquele ar do Rio que andou comigo em Rodes é filho dileto do jeitão desencanado desse pedaço de mundo que já viu de tudo, já exibiu colossos e abrigou um deus (diz a lenda que Poseidon foi criado aqui), sem descer da sandalinha.

O Aquário de Rodes ficava no meu caminho de todos os dias (art déco também lembra o Rio, né?). Foi construído pelos italianos, nos Anos 30. Além de muito cênico, é um importante centro de pesquisas da vida marinha no Dodecaneso
O Porto de Mandráki era guardado pelo Colosso de Rodes
A estátua gigantesca se foi, mas o porto ainda é encantador
OK, o que não falta é grandiosidade na velha praça forte dos cruzados. A Cidade Medieval de Rodes, vista da terra ou do mar, é daquelas imagens que a gente leva para a eternidade. O milenar Porto de Mandráki — tão importante que era defendido por um gigante de bronze, listado entre as sete maravilhas da terra — é de uma delicadeza que mais parece uma caixinha de música. E até o delírio kitsch-fascista da arquitetura "veneziana" da Cidade Nova, invenção de Mussolini durante a ocupação italiana da cidade, tem lá seus encantos.

Detalhe da fachada da Prefeitura de Rodes,
com sua arquitetura "veneziana" trazida por Mussolini
A sedução de Rodes, porém, é como brisa que anima o passeio preguiçoso ao cair da tarde: ela sopra do mar para a terra. É o azul indescritível que o Egeu ganha, aqui nessas bandas, que inspira aquela vontade de perambular à toa, na companhia de uma casquinha de sorvete. Em Rodes, parece sacrilégio vestir qualquer coisa além do trio canga-biquíni-havaianas. Mais Rio, impossível.

O mar de  Rodes. Não é à toa que Poseidon, 
deus dos oceanos, escolheu ser criado nesta ilha
Puro azul, sem filtro. Poseidon caprichou, né?
Com 60 mil habitantes (um pouquinho maior que Ipanema), a Cidade de Rodes lembra muito, na arquitetura e na fauna, um balneário do comecinho dos Anos 60. Embora menos reputada que outros destinos praieiros da Grécia, a capital da ilha bate um bolão nos quesitos banho de mar  e dolce far niente. O Dodecaneso é o mais meridional dos arquipélagos gregos, o que garante sol e águas mornas de abril ao final de outubro.

Praia de Elli
Praia de Elli é a mais badalada da cidade, com toda justiça. Tem águas tépidas, cristalinas e calminhas, perfeitas pra a gente se esquecer da vida.

Em todas as praias, há espreguiçadeiras e guarda sóis para alugar, cabines para trocar de roupa e serviço de bar, mas o acesso às areias e ao mar é irrestrito. Se você quiser deixar a sua mochila na areia enquanto dá um mergulho, ninguém vai cobrar nada por isso. E também não precisa ficar preocupada com a segurança de seus pertences: como em toda a Grécia, são raros os casos de roubo por aqui.

Não se engane com esse sossego: a Praia de Elli só fica assim, quietinha, na hora do por do sol
Nas praias deliciosas de Rodes só tem uma pegadinha. É difícil andar sobre o solo pedregoso (já chamei de "areia", mas foi bondade minha). Sair do mar, então, é um mico: até Ursula Andress pareceria Godzilla, se tentasse reeditar aquela saída triunfante das águas de "007 contra o Satânico Dr No". É um tal de deslizar naquelas pedrinhas... Mas não se aperte: compre uma sapatilha de praia, com solado antiderrapante (daquelas que se usa para fazer hidrobike) e seja feliz. Os mercadinhos de Rodes vendem o par por €6.


Elli é uma piscina
A Grécia na Fragata Surprise
Atenas

Dicas gerais

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9 comentários:

  1. Oi, que bom achar seu blog! Sei que nao é o melhor mês, mas vou para a Grecia no final de novembro. Terei apenas 10 dias por lá. Atenas e Santorini já estão definidas, mas queria trocar Mykonos por Rodes. Vc acha que as praias no final de novembro estarão "feias"?

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    1. Marília, realmente, o período que vc vai estar por lá não recomenda praia, mesmo no Dodecaneso (arquipélago onde está Rodes), que é bem ao Sul. Se você vai lá pensando em banho de mar, acho que vai ficar frustrada :) Mas Rodes tem tantas maravilhas que vale a pena, só acho que o banho de mar não será uma delas...

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  2. Obrigada, Cyntia! :) Troquei mesmo Mykonos por Rhodes! Em Mykonos as maiores atrações são as praias e em novembro elas não estarão bonitas. Me apaixonei por Rodes lendo seu blog, então acho que independentemente de dar praia, vai ser uma experiência incrível! Obrigada!

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  3. Oi Cynthia!
    Você chegou a visitar Lindos? Li em outros blogs que é o local com as praias mais belas da ilha. Como só teremos um diazinho em Rodes, queria ter certeza de aproveitar ao máximo. Elli é bem próximo do centro histórico, mas Lindos já fica mais longe, 1h de ônibus pra ir e mais uma pra voltar.
    Devorando seus posts gregos, estão ajudando muito!
    Valeu!

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    1. Oi, Gustavo, fui a Lindos, sim e recomendo muito. Tem post no blog, dá uma olhadinha lá. É imperdível

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Oi, Marcos,
      Essas sao quatro ilhas que não visitei, então, não tenho ideia muito precisa de como funcionam os deslocamentos. Mas, em princípio, você pode dividir o roteiro: Mikonos e Santorini ficam no Arquipélago das Cíclades, no Egeu, e Zakintos e Cefalônia do outro lado, no Mar Jônico. Creio que vc deva voar de Atenas para as Ciclades e se deslocar de ferry entre as ilhas e depois voltar a Atenas para voar para as jônicas e ir de uma a outra de ferry. Estude as melhores formas de deslocamento no site www.rome2rio.com

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  5. Oi Cintya! Teremos 14 dias livres para montar um roteiro nas ilhas e queria saber se você recomenda uma sequência logisticamente ideal, e quantos dias em cada lugar, alé de acrescentar algo. A princípio Zakynthos, Kefallonia, Santorini e Mykonos estariam no roteiro. Abração!

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