18 de novembro de 2012

Rodes otomana - o legado turco na ilha dos Cruzados

Detalhe da Mesquita de Suleiman, na Cidade Medieval de Rodes
Por quase quatro séculos, a Rodes foi otomana. De 1522, quando conquistaram a até então mais poderosa praça forte da cristandade, até 1912, os turcos imprimiram sua marca na ilha, contribuindo para fazer do horizonte da Cidade de Rodes um dos mais ecumênicos e fascinantes que já vi.

Minaretes, cúpulas bizantinas, torres medievais, as colunas do Templo de Apolo e moinhos de vento recortam o céu dessa encruzilhada de idiomas, religiões, interesses comerciais e militares.

O ecumênico horizonte de Rodes: o Templo de Apolo (no cantinho esquerdo da imagem), as muralhas dos Cruzados, as cúpulas e minaretes otomanos

A Turquia é logo ali: alguns pontos da Costa Norte de Rodes estão a menos de 20 quilômetros do continente

Ainda que os Cruzados tivessem resistido ao ataque do Século 16 e Rodes não tivesse sido otomana por 400 anos, a presença física (e a rivalidade entre cristãos e muçulmanos daquela época) seria difícil de ignorar.

Em Rodes, basta um passeio à beira mar para perceber a proximidade da Costa Turca do outro lado do mar. Hoje, esses poucos quilômetros de distância fazem a alegria dos turistas, que embarcam alegremente em passeios bate e volta às vilas praieiras da Turquia.

Rodes, famosa pelo Colosso e pelos Cruzados, deve muito de sua beleza a essa herança. Veja alguns pontos altos da Rodes otomana que merecem entrar em seu roteiro na ilha:


A Mesquita de Murat Reis, na Cidade Nova
⭐ Mesquita de Murat Reis
Rua Konstantinou. Visitas apenas das 13h às 14h, diariamente

Na Cidade Nova de Rodes, quase em frente à prefeitura, fica um marco importante da herança turca na ilha. A Mesquita de Murat Reis, do Século 16, homenageia um dos principais almirantes do Império Otomano. 

O lobo do mar Murat Reis (1534-1609) nasceu em Rodes, de uma família albanesa, e começou a vida como corsário, até passar a servir aos sultões que dominavam a ilha. Está sepultado no Cemitério Otomano, perto do mar, ao lado da mesquita que leva seu nome e seu túmulo virou local de peregrinação de marinheiros turcos.

A Mesquita de Murat Reis foi erguida sobre os restos da igreja bizantina de Agios Antonios, destruída após a queda dos Cruzados de Rodes frente aos otomanos. Hoje está fechada e em precárias condições de conservação. 

O Cemitério Otomano, ao lado da Mesquita de Murat Reis
⭐Rua Socratus e o antigo bazar turco de Rodes
Dentro das muralhas da Cidade Antiga de Rodes, a antiga cidadela dos Cruzados, a presença é turca é muito forte. Quem sobe a Rua Socratous, uma das principais vias da parte medieval de Rodes, tem a sensação de estar atravessando um velho souq, pela quantidade de lojinhas e tabuleiros de lembranças para turistas espalhados pelo caminho.

A área está apenas sendo fiel a suas origens: durante o domínio turco, era lá que funcionava o bazar

Rua Socratous, o antigo bazar turco. Ao fundo, a Mesquita de Suleiman
⭐ Mesquita de Suleiman
Rua Apolloniou nº 11

A Rua Socratus leva ao topo da colina (onde está assentado o Palácio do Grão-Mestre dos Cruzados e os principais alojamentos dos cavaleiros), mas o que se vê, lá no alto, são os minaretes esguios e as paredes avermelhadas da Mesquita de Suleiman.

Essa mesquita foi a primeira a ser construída em Rodes, por ordem do sultão Suleiman II, logo após a conquista turca da ilha, em 1522, para celebrar a vitória sobre os Cruzados.

A Mesquita de Suleiman 

⭐ Biblioteca Muçulmana de Hafiz Ahmet Aga
Esquina das ruas Orpheus e Timokreontos. Aberta de segunda a sábado, das 9:30h às 15h. Entrada ‎€ 1.

Ao lado da Mesquita de Suleiman e aberta à visitação está a Biblioteca Muçulmana de Hafiz Ahmet Aga, fundada no final do Século 18.

O fundador da biblioteca, Hafiz Ahmed Agha, ocupou importantes posições na corte dos sultões otomanos e morreu em peregrinação a Meca, em 1802. Seu objetivo era oferecer aos moradores de Rodes um centro de conhecimento que abarcasse todas as ciências, além da formação religiosa e o aprendizado do Corão.

O belo salão de leitura da Biblioteca de Hafiz Ahmet Aga exibe uma pequena amostra dos cerca de 2.000 manuscritos de seus acervo. São textos em turco, árabe e persa versando sobre todos os campos do conhecimento científico do mundo islâmico da época. O documento mais famoso da coleção é a narrativa da conquista de Rodes pelos otomanos. 

A Mesquita de Suleiman emoldurada pela arcada do palácio dos Cruzados. À direita, detalhe do teto do salão de leitura da Biblioteca Muçulmana de Hafiz Ahmet Aga

A Grécia na Fragata Surprise
Atenas

Dicas gerais

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2 comentários:

  1. Olá, Cynthia. Estou planejando uma viagem pra Grécia pro ano que vem e seu blog foi um achado (não só pela Grécia, mas por todo conteúdo!).
    Não achei Santorini no seu roteiro. Algum motivo especial pra você não ter ido pra lá?
    Abraços

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    Respostas
    1. Oi, Ana, obrigada por curtir a Fragata. A decisão de não ir a Santorini doeu, mas na época da viagem ficou difícil encaixar a ilha no roteiro. Foi uma questão de prioridade, mesmo. Mas é claro que planejo ir pra lá :)
      Se você planeja ir a Santorini, evite os ferries, pois a viagem de Atenas pra lá é muito longa (9 horas, em média). De avião é bem melhor.
      Abs e aproveite a Grécia. É um país maravilhoso.

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