18 de setembro de 2011

Museu Nacional da Quinta da Boa Vista

Estandartes na fachada do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista celebram a inauguração da exposição do Maxacalissauro, em 2006
Em 2006, um estandarte na fachada do Museu Nacional comemorava a "estreia" do Maxacalissauro, esqueleto do maior dinossauro que habitou terras hoje brasileiras, no acervo da casa. As crianças deliram com a coleção de fósseis da Quinta da Boa Vista
Comparado com os grandes museus do mundo, o nosso Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, pode até perder pontos no quesito "esplendores do acervo". Mas não conte isso para as crianças que dão gritinhos de emoção diante das múmias e esqueletos de fósseis expostos lá. 

O Museu Nacional é um dos maiores museus de história natural do mundo e um centro de pesquisas essencial à produção de conhecimento no Brasil. 

O que falta de telas renascentistas e estátuas gregas em seu acervo, ele compensa com uma coleção que expressa muito da nossa identidade.


Esqueleto do Maxacalissauro, o maior réptil pré-histórico que habitou terras brasileiras, no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
O esqueleto do maxacalissauro foi reconstituído em resina, em tamanho natural. O bichão tinha 13 metros, pesava quase nove toneladas e viveu há cerca de 80 milhões de anos. Partes do fóssil original também fazem parte do acervo do Museu Nacional. O dinossauro foi encontrado em Prata (MG)
No acervo do Museu Nacional estão o rosto de Luzia, "a primeira brasileira" — esqueleto humano mais antigo encontrado nas Américas, com 12 mil anos de idade —, o Meteoro Bendegó, que caiu no Sertão da Bahia e foi encontrado em 1784, e o esqueleto do Maxacalissauro, maior dinossauro que habitou o território que hoje é o Brasil. 

Mas o maior encanto do Museu Nacional, pra mim, é exatamente seu público, composto principalmente por crianças moradoras dos bairros menos badalados do Rio, pessoas que que não viajam para ver o Louvre ou o British Museum e que percorrem os salões da antiga morada da família real brasileira com um brilho curioso nos olhos que emociona mais que qualquer raridade faiscante que um museu possa exibir.


Coleção de fósseis do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
Parte da coleção de fósseis do museu
Para muitos moradores das redondezas do Bairro de São Cristóvão, a principal atração do Museu Nacional é a imensa e agradável área verde da Quinta da Boa Vista, um dos poucos espaços de lazer ao ar livre disponíveis naquele pedaço da Zona Norte do Rio de Janeiro. 

As famílias chegam para fazer piquenique, curtir o gramado e a sombra generosa das árvores centenárias da Quinta da Boa Vista, e os pequenos se esbaldam com acervo do museu, demonstrando uma curiosidade rara — tão diferente daquele ar blasé que canso de ver em grandes museus, onde tanta gente vai mais para botar no currículo do que para verdadeiramente se deleitar com as belezas expostas.

Jardins da Quinta da Boa Vista
Os jardins da Quinta da Boa Vista são muito bem aproveitados como área de lazer


Jardins e lago da Quinta da Boa Vista

Já peguei uma fila de mais de 40 minutos para comprar ingresso para o Museu Nacional, num feriadão da Independência, absolutamente encantada com a ansiedade dos pequenos visitantes: “Pai, o dinossauro ainda está lá dentro?”. 

Sem pose, sem “cara de conteúdo”, o público devolve ao Museu Nacional sua exata função, que não é corroborar a suposta erudição de ninguém, mas tornar a busca do conhecimento uma coisa lúdica e prazerosa.

Eu, que sempre fui fã do Museu Nacional, encontrei um espaço completamente novo e muito mais atraente observando as peças expostas, velhas conhecidas, pelo olhar de meus sobrinhos, principalmente de minha sobrinha Carolina, na época com 10 anos e extasiada com tantas descobertas.

Detalhes do casarão da Quinta da Boa Vista, residência da Família Imperial brasileira
Além de ver o acervo, preste atenção aos detalhes do edifício. A Quinta da Boa Vista foi a residência oficial da Família Imperial brasileira desde a independência até a proclamação da República
Decoração interior do casarão da Quinta da Boa Vista
Detalhes da decoração do teto de um dos salões do Paço Imperial da Quinta da Boa Vista (nome oficial do palácio que abriga o museu). O edifício foi construído em 1803, sobre uma colina com bela vista para a Baía de Guanabara. Com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, foi cedida à família real e posteriormente comprada pelos monarcas, que se agradaram do clima agradável da região
Escadaria de serviço do solar da Quinta da Boa Vista
A escadaria da área de serviço do palácio


Detalhes das portas do Solar da Quinta da Boa Vista


No acervo do Museu Nacional, adoro o Meteorito Bendegó (que caiu no Sertão da Bahia e foi encontrado em 1784), exposto logo na entrada.

E, claro (eu sou normal!!!), amo a coleção de fósseis estrelada pelos esqueletos do trigre-dente-de-sabre, das preguiças gigantes e do espetacular maxacalissauro, a maior espécie de dinossauro que habitou terras brasileiras.

Meteorito Bendegó, Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
O meteorito Bendegó
Luzia, a primeira brasileira, Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
Minhas irmãs e meus sobrinhos aprendendo a reconhecer meteoritos em um painel do museu. À direita, a reconstituição do rosto de "Luzia, a primeira brasileira", o fóssil humano mais antigo encontrado na América. Ela viveu há cerca de 13 mil anos, na região que hoje é a periferia de Belo Horizonte
Talvez a parte mais relevante do acervo do Museu Nacional seja a Coleção Greco Romana da Imperatriz Teresa Cristina, que tem peças recuperadas nas escavações de Pompeia e Herculano

A imperatriz consorte de D. Pedro II era apaixonada por arqueologia. Ao longo da vida, reuniu uma respeitável coleção de peças gregas e romanas, hoje a base da coleção de Arqueologia Clássica do Museu Nacional, considerada a mais importante da América do Sul, com cerca de 700 objetos.

Nascida na Casa de Borbon, dinastia que então governava o Reino das Duas Sicílias e tinha sua capital em Nápoles, Teresa Cristina acompanhou a grande febre de redescoberta e valorização do passado clássico — movimento que estimulou as grandes escavações de Pompeia, Herculano e outros sítios.

Dona de grandes extensões de terra no Sul da Itália, a imperatriz autorizou pessoalmente a exploração arqueológica em suas propriedades, de onde vem parte da coleção exposta na Quinta da Boa Vista. A ênfase da coleção da Imperatriz Teresa Cristina está nos utensílios domésticos, amuletos e adornos.

Leve o farnel e entre no clima: a Quinta da Boa Vista não é chique, mas é adorável.

Museu Nacional
Quinta da Boa Vista, São Cristóvão. 


Horários: de terça a domingo, da 10h às 17h (última entrada às 16h). Às segundas, do meio dia às 17h. No verão, as visitas são esticadas até às 18 horas.

Preços: R$ 8. Crianças até cinco anos não pagam. Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 pagam meia-entrada. O Ingresso Família (2 inteiras + 2 meias‐entradas) custa R$ 15.

Coleção de múmias do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
A fachada do museu e, à direita, Carolina admirando um sarcófago da coleção pessoal de D. Pedro II
➡️Atualização
Na noite de 2 de setembro de 2018, um incêndio furioso atingiu o Museu Nacional. Quase todo o acervo da instituição foi destruído — 20 milhões de peças reunidas ao longo de 200 anos — e o casarão da Quinta da Boa Vista sofreu danos incalculáveis.

Pessoalmente, senti a devastação do Museu Nacional como se sente a perda de um grande amigo. Como cidadã brasileira, fiquei muito órfã da minha identidade.

Por um bom tempo, eu não sabia o que fazer com este post: como um blog de viagens deve tratar uma atração que só sobrevive na memória?

Finalmente, decidi que não vou mudar o post, não vou falar do Museu Nacional no passado. Não vou me despedir dele. Meu relato, agora, é um desejo de futuro.


Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário