30 de junho de 2015

8 sítios arqueológicos que merecem entrar na sua lista

A loba romana no Fórum de Tarragona, na Catalunha
Eles são muito menos famosos que a Acrópole de Atenas, Stonehenge ou Machu Picchu, mas têm beleza, história e fascínio de sobra pra justificar a visita. São sítios arqueológicos belíssimos, que rendem visitas divertidas e interessantes — e tem até um brasileiro, de frente para o mar.

Você tem ótimas razões para incluir a Casa da Torre (Praia do Forte, Bahia) Tiwanaku (Bolívia), Orongo (Ilha de Páscoa), Pachacamac (Lima), Troia (Turquia), La Casa del Obispo (Cádiz, Andaluzia), a Acrópole de Lindos (Ilha de Rodes, Grécia) e os vestígios de Tarraco (Tarragona, Catalunha) nos seus próximos planos de viagem.

Alguns desses sítios arqueológicos são testemunhas de fatos bem conhecidos, como Troia, Tarraco e a Acópole de Lindos. Outros revelam facetas do passado que encantam e surpreendem. O que eu posso garantir é que cada um deles é um narrador eloquente que encanta e transporta o visitante a inesquecíveis.

Com a exceção de Troia, que dá um pouquinho mais de trabalho pra chegar — mas como resistir ao apelo do cenário das aventuras narradas por Homero? — todos esses sítios arqueológicos têm acesso muito fácil, pois estão dentro de centros urbanos ou a distâncias confortáveis de cidades que você, com certeza, já tem na sua lista de desejos.

Anote essas dicas e prepare as escapadas bate e volta das suas próximas viagens. Vamos dar um mergulho no passado?
A única construção genuinamente medieval das
 Américas fica na Praia do Forte, a 100 km de Salvador
⭐ Casa da Torre - Praia do Forte (BA)
Mais conhecida como "Castelo da Praia do Forte", a Casa da Torre fica no topo de uma elevação de onde se descortina o mar e um coqueiral que parecem infinitos. A beleza do lugar já justificaria a visita, mas você vai se surpreender com a história da Casa da Torre.

Erguida no Século 16, é considerada a única construção com características medievais de todo o continente americano. Não só na arquitetura, mas por seu papel de casa senhorial de um poderoso "feudo" que estendia seus domínios até o que hoje são o Maranhão e o Piauí e onde se assentava a o poder de Garcia D'Ávila, genro de Caramuru. Sua dinastia ocupou a Torre por mais de 300 anos. 

A figueira centenária, o interior da capela
e uma passarela no interior do castelo
Depois de anos de abandono, as ruínas da Casa da Torre passaram por um processo de adequação às visitas turísticas, ganharam escoras e passarelas e hoje permitem um passeio encantador pelos vestígios de seus corredores e salões.

A parte mais preservada da Casa da Torre é a capela, que muitos séculos depois da decadência da dinastia que ocupou o castelo continuou a ser usada e cuidada pelos moradores da área.

Não deixe de render sua homenagem à gameleira centenária que fica em frente à entrada do castelo. Além de impressionante pelas suas dimensões, a árvore é considerada sagrada pelo Candomblé, uma das expressões da divindade do Tempo.

➡️ A Casa da Torre fica a 5 km do centrinho da Praia do Forte. Uma ótima opção para depois do banho de mar. Experimente ir no final da tarde, para aproveitar o pôr do sol.


➡️O bônus de visitar a Casa da Torre
A Praia do Forte é um dos destinos mais bacanas do Litoral Norte a Bahia. Bonita, bem cuidada, fácil de chegar (100 km de Salvador por estrada boa), com excelentes opções de hospedagem e gastronomia.

➡️ Dicas do Litoral Norte da Bahia 

Portal do Templo de Kalasasaya, em Tiawanaku
⭐ Tiwanaku - Altiplano Boliviano
Muito antes dos incas estabelecerem um império colossal na América do Sul, a civilização Tihuanacota estendeu seus domínios do Altiplano Boliviano por vastos territórios – foram encontrados vestígios de sua presença até no que hoje é o Rio Grande do Sul — a partir de 1.500 antes de Cristo.

As causas do declínio de Tiwanaku são desconhecidas, mas a maioria dos estudiosos aponta que ela poderia ter sido um longo período de estiagem. O desabastecimento e a fome teriam levado ao esfacelamento do império e à dispersão dos 50 mil habitantes da capital.

Após o declínio e abandono, Tiwanaku permaneceu esquecida por muitos séculos e somente nas décadas mais recentes os historiadores descobriram sua importância. Mesmo assim, apenas 10% de suas estruturas foram escavadas.

Imagens sacras e a Porta do Sol, em Kalasasaya
As principais atrações de Tiawanaku são o Templo de Kalasasaya, a Pirâmide de Akapana e os impressionantes ídolos esculpidos em pedra. Um deles, o Monolito Bennett, é reconhecido pelo povo Aymara como a representação de Pachamama, sua divindade maior.

➡️ Tiwanaku fica a 65 km de La Paz. É possível chegar por conta própria, pois há ônibus ligando a capital à cidadezinha que floresceu ao lado do sítio arqueológico. Eu recomendo, porém, que você vá com um guia, para aproveitar melhor a visita.

Saiba mais ➡️ Tiwanaku, a casa de Pachamama
➡️ Altiplano Boliviano: cenário perfeito para uma road trip

➡️ O bônus de visitar Tiwanaku
Tiwanaku é uma combinação lógica com a visita a La Paz e ao Lago Titicaca. A capital boliviana não costuma encabeçar listas de desejo de viagem, mas eu garanto que poucas vezes na vida você vai encontrar uma cidade tão surpreendente tão pertinho de casa.

La Paz é um lugar onde o passado e o presente parecem caminhar juntinhos pelas ruas, sempre à sombra das gigantescas montanhas que formam o mais belo horizonte urbano que já vi. E o Lago Titicaca, sinceramente, é uma das paisagens que todo mundo merece ver, ao menos uma vez na vida.

➡️ Dicas de La Paz e do Lago Titicaca

Os alojamentos dos guerreiros participantes do Festival do Homem Pássaro tinham entradas minúsculas — esses buraquinhos que você vê na imagem — para evitar ataques surpresa
⭐ Orongo -  Ilha de Páscoa
Você já ouviu falar do Festival do Homem-Pássaro? Depois da decadência da "era dos moai", quando o esgotamento ambiental da Ilha de Páscoa provocou grandes surtos de fome e guerras tribais, sociedade Rapa Nui adotou um ritual curioso escolher seus governantes, uma competição esportiva com toque místicos.

Todos os anos, os chefes dos sete clãs se reuniam no topo do vulcão Rano Kau, em um dos vértices do triângulo isósceles formado pela ilha, acompanhados por seus mais bravos guerreiros.

A esses guerreiros cabia a missão de descer a íngreme escarpa até o mar, nadar até uma das três ilhotas aos pés do vulcão (os motu) e colher um ovo de manutara, uma espécie de andorinha, considerada sagrada pelo povo do lugar. O primeiro a retornar com a prenda garantia ao chefe de seu clã o governo Rapa Nui até o ano seguinte.

A cratera do Rano Kau e os motu
Esse local de reunião, próximo à cratera do vulcão, era a vila cerimonial de Orongo, usada apenas para o ritual. Lá ainda estão conservadas as casinhas de pedra que serviam de acomodação aos guerreiros. Elas eram construídas com lascas de pedra, semienterradas e com entradas muito estreitas, por onde só passa uma pessoa de cada vez, necessariamente rastejando — medida de segurança que garantia o sono dos ocupantes, tranquilos de que integrantes de um clã rival jamais conseguiriam realizar um ataque surpresa durante a noite.

Orongo também oferece uma vista arrebatadora para o pacífico e para vastas porções da Ilha de Páscoa. Um cenário inesquecível.

O sítio arqueológico de Orongo tem um centro de visitantes com museu simples, mas muito interessante e didático, que explica muito bem a história do lugar.

➡️ Orongo fica a 8 km da vila de Hanga Roa, a "capital" da Ilha de Páscoa. Dá para ir caminhando, por uma trilha bem sinalizada. Os carros também chegam até o centro de visitantes. Prefira ir com um guia local, em tour privado ou em grupo.

Saiba mais ➡️ Orongo, a cidadela do Homem Pássaro
➡️ Os rugidos do Pacífico: um passeio de barco aos motu

➡️ O bônus de visitar Orongo
Quem não sonha conhecer a Ilha de Páscoa? O apelo daquela pequena porção de terra plantada no "lado mais distante do mundo" magnetiza viajantes de todos os cantos e tipos. E o lugar é realmente de uma beleza arrebatadora.

Não bastasse o fascínio dos gigantescos moai, as estátuas de pedra que são a logomarca local, a paisagem é daquelas de deixar a gente boba, com íngremes penhascos sempre fustigados por um Oceano Pacífico em fúria contrastando com campos muito verdes, onde os cavalos selvagens galopam despreocupados. Some a tudo isso um povo cordial e altivo, que luta para manter suas tradições. Tá esperando o quê pra ir correndo? 😉

➡️ Dicas da Ilha de Páscoa

Pachacamac, a 30 km de Lima, lembra que não só de herança inca se faz o imenso patrimônio histórico peruano 
⭐ Pachacamac - Lima
O Peru é um país cheio de maravilhas e muitas delas não são heranças do poderoso Império Inca. Essa talvez seja a maior lição e o principal atrativo do Santuário de Pachacamac, imenso complexo ritual que foi o principal centro religioso daquele pedaço de mundo por mais de mil anos, a partir do Século 2 da nossa era.

Pachacamac era uma espécie de Delfos das Américas, sede de um oráculo e centro espiritual que fez muita gente descer os Andes para perscrutar o futuro naquele dente de terra assentado bem em frente ao Pacífico.

Visitei Pachacamac com uma guia fantástica, Claudia, historiadora peruana apaixonada pelas culturas Lima e Wari, grandes senhoras de Pachacamac, antes da chegada dos Incas. Recomendo que você também vá com guia, para compreender melhor o contexto e significado do lugar.

A área arqueológica de Pachacamac é enorme (500 hectares) e apenas uma parte dos templos e outras edificações estão escavados. As construções já reveladas são de pedra e adobito, os clássicos tijolos peruanos secados ao sol, sem cozimento, no tom cinza da terra da região.

➡️ Pachacamac fica a 30 km de Lima, já meio sitiado por um aglomerado urbano que seguramente se desenvolveu sobre partes do santuário que jamais serão escavadas.

A rampa para o Templo do Sol. À direita, a povoação moderna que avança sobre o sítio arqueológico
➡️ Não deixe de visitar o Museu Pachacamac, no interior do sítio arqueológico. O acervo tem peças das culturas Lima, Wari e Inca (Quéchua), especialmente tecidos e objetos rituais em cerâmica, metal e madeira.

O que mais me fascinou foi a coleção de exemplares de Quipo. Os incas não tinham escrita e os quipo funcionavam como uma espécie de escrita rudimentar, através de um intrincado código de nós, aplicados a conjuntos de cordões trançados. Eram usados na correspondência do imperador (o Inca) com seus administradores regionais e chefes militares. Quando a ciência decifrar esse código, os quipo poderão ser lidos como cartas, ajudando a desvendar um pouquinho mais de história.

➡️ O bônus de visitar Pachacamac
Será que eu preciso usar muitas palavras pra convencer você a ir a Lima? A cidade é a nova queridinha da América do Sul, meca de roteiros gastronômicos onde as opções, nesse quesito, não param de crescer em qualidade e quantidade. Sem falar, é claro, no motivo clássico, que é a seguir viagem para a Cordilheira, onde estão Cusco, Machu Picchu e uma monte de outras atrações andinas.

➡️ Todas as dicas do Peru

Troia, um lugar para contemplar o mito
⭐ Troia - Turquia
Até agora, só tinha citado sítios arqueológicos facinhos de chegar. O acesso a Troia exige um pouco mais de tempo e trabalho, mas esse não é um lugar qualquer.

Poucas narrativas têm a força e o apelo dos fatos legendários que teriam se desenrolado naquele pedaço de terra plana e meio nua, à margens do Estreito de Dardanelos. Não há quem não conheça a Ilíada, ao menos de passagem, 2.800 anos depois de Homero ter composto os versos de seu poema sobre a Guerra de Troia.

O sítio arqueológico não tem grandes templos ou edifícios impressionantes. As escavações são lentas, pois há pelo menos nove camadas de povoações superpostas e o trabalho tem que ser muito cuidadoso para evitar danos aos vestígios.

Você verá restos de muros, colunas e paredes, mas, principalmente, vai ficar cara a cara com o mito. Olhando para o mar azul do Estreito de Dardanelos, é quase possível ver a frota grega chegando para sitiar a cidade...

Uma réplica do Cavalo de Troia, na entrada do sitio arqueológico. No centro, a paisagem plana, diante das águas de Dardanelos. À direita, vestígios deixados pelos romanos, responsáveis pela nona povoação de Troia
➡️ Troia fica a cinco horas de viagem de Istambul, de ônibus.

➡️As cidades mais próximas do sítio arqueológico de Troia são Eceabat e Çanakkale.

➡️ Você pode combinar esse passeio com uma visita a Gallipoli, onde foi travada uma célebre batalha na I Guerra Mundial.

Saiba mais ➡️ Troia, o poder da palavra

➡️ O bônus de visitar Troia
Ir aTroia foi uma das melhores coisas que eu fiz por mim, nesse meio século de vida. Não espere grandes construções e panos de fundo grandiloquentes para enquadrar suas fotos, mas pense na emoção de estar no cenário do maior relato épico do Ocidente.



⭐ La Casa del Obispo - Cádiz
A pequena Cádiz, na pontinha Sul da Andaluzia, tem um orgulho danado de ser uma das povoações mais antigas do Ocidente, com mais de três mil anos de história. Segundo a lenda, teria sido fundada por Hércules, o herói grego em pessoa.

Para ver os três mil anos de Cádiz desfilando diante de seus olhos, nada melhor do que uma visita ao sítio arqueológico La Casa del Obispo ("a Casa do Bispo", porque fica no subsolo da antiga residência arquiepiscopal), escondidinho atrás da Catedral Nova da cidade.

Na antiga residência episcopal, arqueólogos encontraram vestígios fenícios, cartagineses, romanos e medievais. É muito legal saltar de uma era a outra, caminhando sobre plataformas de vidro que deixam à mostra os vestígios, muitas vezes superpostos, dos povos que contribuíram para fazer de Cádiz uma cidade fascinante.

Saiba mais ➡️ Passeios em Cádiz, a herança de Hércules

➡️ O bônus de visitar Cádiz e a Casa del Obispo
Considere-se a mais afortunada das criaturas só por estar na Andaluzia. Uma viagem de trem entre Sevilha e Cádiz leva cerca de 1h40 e você vai descobrir que essa pequenina cidade que mais parece um barquinho desafiando o Atlântico tem tanta coisa para ver que justifica muito mais que um mero bate e volta.

Depois de caminhar sobre as muralhas de Cádiz (patrimônio da Humanidade pela Unesco), explorar a herança deixada por fenícios, cartagineses, romanos e mouros e descobrir as belas construções erguidas pela riqueza do comércio com o Novo Mundo, escolha uma mesinha em uma friteria e faça um banquete com os frutos do mar fresquinhos que caracterizam a culinária local.


⭐ Acrópole de Lindos - Ilha de Rodes
Quando a gente fecha os olhos e pensa na Grécia, a imagem é feita de mar muito azul, casinhas brancas escalando uma encosta íngreme e alguma construção antiga e espetacular bem lá no alto. Pois essa é a descrição exata da adorável vila de Lindos, na Ilha de Rodes, Arquipélago do Dodecaneso.

A Acrópole de Lindos foi construída entre os séculos 6 e 3 a.C. pelos dóricos, que começaram a povoar a área cerca de mil anos antes da nossa era.

A Acrópole fica no topo de uma montanha, bem diante do mar. A subida até lá é feita por trilhas cheias de recantos agradáveis (cada vista incrível). Lá no alto, além dos templos gregos bem preservados você vai encontrar muralhas, bastiões e outras construções militares deixadas pelos Cruzados

A escadaria que dá acesso à Acrópole de Lindos e o Propileu, entrada monumental, debruçado sobre o Egeu
Saiba mais ➡️ Lindos, uma paixão na Ilha de Rodes
➡️ Lindos - dicas práticas

➡️ O bônus de visitar Lindos
As praias de Lindos são uma delícia, a vila é muito fofa, com ruazinhas tortuosas sempre sombreadas por trepadeiras, casinhas brancas, pátios com pisos em mosaico cheirando a manjericão e muitas, muitas flores de todas as cores. Vale programar uns dois diazinhos por lá.

Sarcófago exposto no Circo Romano de Tarragona
⭐ Tarraco, a Tarragona romana
A uma hora de trem de Barcelona, a pequena Tarragona é um tesouro à beira mar. Herança dos romanos, que no Século 3 a. C. estabeleceram uma base militar na região para enfrentar Cartago, durante a segunda Guerra Púnica.

Depois da derrota dos cartagineses, Tarraco floresceu e acabou se tornar uma das principais cidades romanas na Península Ibérica, chegando a ser a capital da Hispania, no Século 1 a.C. e residência temporária do imperador Augusto.

O Fórum e o Circo Romano
Os vestígios romanos estão por toda parte em Tarragona, no Centro Histórico da cidade. A antiga muralha, o anfiteatro, o circo, o fórum colonial e o fórum provincial são os principais monumentos ainda de pé e podem ser percorridos com calma em um bate e volta a partir de Barcelona.

Saiba mais ➡️ Um bate e volta a Tarragona

A Espanha na Fragata Surprise - post-índice


➡️ O bônus de visitar Tarragona
Tarragona é uma cidade adorável e seu patrimônio histórico vai além das construções romanas. Não deixe de visitar a belíssima Catedral, do Século 12. Se for verão, aproveite que o Mediterrâneo está bem na porta e dê um mergulho.

Post índice - os museus e sítios arqueológicos citados na Fragata 

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