sábado, 31 de agosto de 2013

Bate e volta a Stonehenge

Stonehenge, um sonho de criança realizado
Atualizado em janeiro de 2016

Stonehenge, o sítio arqueológico mais visitado da Grã-Bretanha, é daqueles lugares absolutamente irresistíveis. Quem é que não morre de vontade de ver de perto o famoso círculo de pedras plantado pela devoção ou curiosidade científica de um povo da Idade do Bronze, na Planície de Salisbury, no Sul da Inglaterra?

Passei boa parte da minha vida fascinada pelas muitas hipóteses a respeito da função e da origem desse espaço ritual. Poder finalmente contemplar Stonehenge foi mais um imenso presente que essa viagem ao lindíssimo Sul inglês me deu. 

Fui até lá a partir de Bath, mas também é fácil visitar o local a partir de Londres ou de Salisbury. Uma visita imperdível, que recomendo a todos vocês. Organizei todas as informações para ajudar a organizar sua viagem. Bora?


Quando montei meu roteiro pela Inglaterra, um dos motivos de colocar Winchester na lista foi exatamente para facilitar minha ida a Stonehenge, a 50 km de distância (além da Casa de Jane Austen e do Estaleiro Histórico de Portsmouth). Só que Winchester foi uma tremenda surpresa, lindíssima, e decidi dedicar mais tempo à cidade. Stonehenge dançou.

Mas quem disse que as divindades do círculo de pedra desistiram de mim? Dias depois do tresloucado gesto, numa linda manhã de verão, eu estava namorando as simetrias perfeitas da cidade de Bath quando passou por mim uma van lilás com letreiro amarelo: “Stonehege Tours”. Quis o destino que o ponto de partida dessas excursões fosse exatamente o larguinho em frente ao meu hotel. E lá fui eu ver o meu sonho de criança.

Como é o tour
Na Idade Média, Stonehenge  era chamado de "A Dança dos Gigantes". Hoje são os visitantes que parecem dançar em torno do círculo, contornando-o lentamente, numa brincadeira de roda encantada
A viagem de Bath a Stonehenge leva cerca de uma hora. No caminho, é possível ver ao longe um dos famosos cavalos brancos de Whiltshire, petroglifos gigantescos esculpidos nas encostas dos morros de calcário, desde a Idade do Ferro, para demarcar os territórios das tribos que habitavam a região.


A bordo do micro-ônibus, dá uma vontade louca de estar com carro próprio para visitar os sítios arqueológicos que o guia/motorista vai apontando. São velhos fortes e sepulturas celtas que um dia vou explorar com toda a atenção. O trajeto também atravessa as chamadas thatched villages, povoados de casinhas com telhados de palha — muitas delas ainda com a fachada em traves de madeira, típicas da Idade Média.

O primeiro cículo era de peças de madeira, cercado por esse fosso que aparece na imagem. Por volta de 3.100 a.C., as pedras começaram a ser trazidas e colocadas no local
A vantagem de ir a Stonehenge com um tour é que não é preciso mofar na longa fila da bilheteria (atualização: agora é preciso comprar ingresso com antecedência, com data e hora marcada). A entrada é imediata e a gente recebe um audioguia (incluído no preço do ingresso para todos os visitantes) que ajuda a compreender a história e as diversas teorias sobre a utilidade do círculo ritual e sua construção. 

Diante do colosso daquelas pedras, o impacto de imaginar o esforço de um povo tão antigo para transportar cada uma delas para seu lugar é imenso. Mais do que misticismo, o que paira sobre o lugar são o engenho humano e o apuro estético. Magia mesmo quem produz é o sol caindo sobre as pedras.


A visita dura uma hora, tempo suficiente para fazer o giro completo em torno do círculo com muita calma, ouvindo o audioguia e contemplando cada detalhe. Na planície em torno do monumento ainda é possível reconhecer os traços da longa avenida processional que ligava a aldeia onde viveu o povo construtor de Stonehenge a seu espaço ritual. 

Um pouquinho de história
A história de Stonehenge (ou as teorias a cerca dela) é bem conhecida. O lugar teria sido um espaço ritual, onde a observação astronômica era parte de celebrações religiosas.

Calcula-se que em 3.100 a.C. tenha sido construído o primeiro círculo, com peças de madeira. Cerca de mil anos depois, as pedras azuis começaram a ser trazidas de lugares distantes, como o País de Gales. Cada uma delas pesa cerca de quatro toneladas. 

As pedras maiores, a parte externa do círculo, foram acrescentadas cerca de 500 anos depois das outras. Pesam 25 toneladas, em média. 


Pouco depois de concluída a obra, Stonehenge foi abandonado por seus construtores. As teorias mais aceitas é que fosse um espaço ritual, onde a observação astronômica era parte de celebrações religiosas.

Faz parte da viagem, também, ouvir algumas historinhas de terror. No Século 19, os visitantes podiam alugar picaretas para levar lascas das pedras como lembrança. Os blocos que faltam ao círculo foram levados dali para a construção de casas, celeiros e igrejas. 

A obra monumental que um povo sem maiores sofisticações tecnológicas e ferramentas iniciou 30 séculos antes de Cristo começou a ser devastada assim que seus descendentes tiveram a técnica e as ferramentas para isso...

Como é a visita

Hoje, os visitantes não têm mais acesso ao círculo, isolado por discretos cordões. A distância, porém, é bem razoável e não atrapalha a contemplação. A única alternativa para chegar perto das pedras é o tour do National Heritage, disputadíssimo, com vagas ultra limitadas, e que é feito fora dos horários normais de visitação. As reservas precisam ser feitas com muita antecedência e essa visita não está disponível todos os dias. Informe-se no site da instituição.

Cada trecho em torno do círculo tem uma marcação, como essa que aparece na foto, indicando um trecho do audioguia que explica sobre a construção e a história de Stonehenge

Veja mais imagens de Stonehenge na página da Fragata Surprise no Facebook

Três maneiras de ir a Stonehenge

A Planície de Salisbury, onde está Stonehenge. A Rodovia A303 passa bem perto do círculo e há um projeto para desviar a estrada
De Bath 
O microônibus da Scarper Tours parte do largo que fica na esquina do Terrace Walk com North Parade, em Bath, quase em frente aos Parade Gardens. 

As saídas são diárias (menos 1º de janeiro, 21 de junho, 24, 25 e 26 de dezembro) e a frequência varia de acordo com a estação: apenas uma no inverno, duas, de abril a setembro, e três, na altíssima temporada, entre junho e agosto. (atualização: durante o inverno, uma saída diária, às 13 horas e duas saídas diárias no resto do ano, às 9:30h e às 14 horas). Para checar horários, ver disponibilidade de vagas e reservas, acesse o site

O pacote custa £23 — £15 do transporte, mais £8 do ingresso em Stonehenge. (Atualização em janeiro de 2016: o preço total agora é de £32). Dá para fazer reservas pela internet, mas se você comprar na hora, terá que pagar em dinheiro vivo. 

Entre a saída e o retorno a Bath são quatro horas de passeio. O tempo é suficiente para ver bem o círculo de pedras, mas não há qualquer outra parada no caminho. A capacidade do microônibus é de 24 passageiros.

A "Pedra do Sol" ou "Pedra Inclinada" tem 4,9 metros de altura. Um observador que se coloque no centro do círculo de pedras ao amanhecer do Solstício de Verão verá o sol nascer sobre esse monolito
De Salisbury 
Meu projeto original era pegar o Stonehenge Tour, ônibus que parte diariamente, de hora em hora, da estação de trem e da rodoviária de Salisbury, e leva ao círculo de pedras e também ao Old Sarum, uma fortificação celta que foi utilizada por romanos, saxões e normandos. 

A vantagem dessa opção é que o bilhete para o ônibus vale o dia inteiro (um esquema hop on-hop off) e é possível ficar o tempo que a gente quiser em cada um dos sítios arqueológicos. 

O Stonehenge Tour custa £14 (só o ônibus) £27 (ônibus/Stonehenge/Old Sarum) ou £33 (ônibus/Stonehenge/Old Sarum/Catedral de Salisbury). É o programa mais completo e que parece oferecer mais autonomia. Continua na minha lista, para uma próxima visita.

Salisbury fica a cerca de uma hora de trem de Bath (bilhetes a partir de £9, cada trecho), a uma hora e meia de Londres (Estação Waterloo, bilhetes a partir de £36, só ida) e a uma hora de Winchester (a partir de £15 cada trecho).


De Londres
Essa é uma das excursões bate e volta mais populares para turistas em visita à capital inglesa, oferecida por uma infinidade de agências. Só no site GetYourGuide, que eu uso bastante para pesquisar passeios guiados (tem opções para praticamente todos os cantos do mundo) há cerca de 25 roteiros partindo de Londres, vários deles combinados com visitas a Bath, Oxford, Stratford-Upon-Avon e Windsor. 

Geralmente, são excursões de oito horas e os preços variam de acordo com o número de locais visitados e o que está incluso no bilhete. As opções são muito variadas. Pesquisando a internet para atualizar este post encontrei excursões de Londres a Stonehenge a partir de £34.


Visita independente
(atualizado em janeiro de 2016)

Stonehenge está aberto diariamente. Consulte os horários no site, pois eles variam de acordo com a estação. O aceso é encerrado duas horas antes do horário de fechamento do sítio.

Desde a inauguração do novo centro de visitantes (em dezembro de 2013), as regras de visitação de Stonehenge mudaram. Agora, é necessário fazer reservas, apontando o dia e o horário em que você pretende entrar no sítio arqueológico. 

Os ingressos custam £14.50 (adultos) e £8.70 (crianças). No site do English Heritage, que administra Stonehenge, você escolhe o dia e o horário, faz a compra e imprime seu ingresso. Também é possível comprar, junto com o ingresso, o guia de Stonehenge, um livro de 48 páginas, com mapas, informações e fotos que você receberá na chegada ao sítio arqueológico. Está disponível em oito idiomas e você escolhe a versão que deseja. 


Novo Centro de Visitantes
A novidade, desde que estive em Stonehenge (em Agosto/2013), foi a abertura do novo centro de visitantes, em substituição à caótica e decadente recepção anterior. Foi inaugurado em dezembro de 2013 e descrito pelo jornal britânico The Guardian como “o mais aguardado centro de visitantes da história do turismo”.


Com uma arquitetura arrojada e meio escondido pelo relevo, o novo Centro de Visitantes fica a 2,5 km do círculo de pedras e o público é transportado até a atração em uma espécie de jardineira que tem partidas a cada quarto minutos. Há uma parada no caminho, para quem quiser ter o prazer de andar até Stonehenge.

O Centro de Visitantes exibe achados arqueológicos (joias, cerâmicas e até um esqueleto humano). Tem também uma lojinha e uma cafeteria. Funciona das 9h às 20 horas (verão), das 9:30h às 19h (setembro e outubro e das 9:30h às 17h (de 16 de outubro a 15 de março).


A Inglaterra na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com A Fragata Surprise

Twitter     Instagram    Facebook    Google+

5 comentários:

  1. A outra vantagem de ir em tour nesse caso é não ter que dirigir "do lado contrário" da rua! hahahaha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nem me fale, Fernanda. Acho até que tiraria de letra "dirigir na contramão", mas jamais conseguiria fazer uma rotatória pelo lado errado da pista. Exige um conhecimento muito avançado de geometria, rsss

      Excluir
    2. Nem me fale, Fernanda. Acho até que tiraria de letra "dirigir na contramão", mas jamais conseguiria fazer uma rotatória pelo lado errado da pista. Exige um conhecimento muito avançado de geometria, rsss

      Excluir
  2. Muito legal esse post! Eu e o marido temos muita vontade de visitar Stonehenge. Embora eu nunca tenha pensado seriamente na Inglaterra, certamente é um destino que está na lista.
    Estou lendo toda a sua série de lá. Tá ótima! :)
    []'s

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que vc está curtindo, Camila. Eu tb curto muito o seu blog, embora não seja uma trilheira.
      bjs

      Excluir