5 de novembro de 2010

O que fazer em Lima em uma conexão


Plaza Mayor, Lima, Peru
A Plaza Mayor é o coração da Lima colonial. Na foto, a sede da Prefeitura da cidade

Nosso roteiro pelo Peru e Bolívia, de La Paz a Machu Picchu, teve o bônus de uma parada de 12 horas na capital peruana. E tem muito o que fazer em Lima em uma conexão.

A primeira surpresa do nosso passeio foi o Centro Histórico de Lima, que está muito bacana. É sempre muito bom ver uma atração turística tão interessante mudar para melhor. 

As ruas do Centro Histórico estão muito limpas, seguras e a linda região da Plaza Mayor parece estar sendo reconquistada pelos moradores da cidade.

Parque do Amor, Miraflores, Lima, Peru
Parque do Amor, em Miraflores

Das 12 horas de duração da conexão, reservamos 8 horas para passear por Lima e conseguimos ir muito além da Plaza Mayor. Visitamos a Catedral de Lima, o Parque de la Muralla, a Casa da Literatura, a Igreja e o Convento de São Francisco (famosos pelas catacumbas, mas em pirei mesmo foi na biblioteca). 

Depois, esticamos até o Sítio Arqueológico de Pachacamac, a 30 km de Lima e encerramos o passeio em Miraflores, no Parque do Amor sobre as lindas falésias à beira-mar e almoçamos um bom ceviche, porque, afinal, ninguém é de ferro.

Igreja de São Francisco, Lima, Peru
Um dos famosos balcões coloniais do Centro Histórico de Lima (esq) e, ao fundo, o campanário da Igreja de São Francisco

Lógico que tudo isso só foi possível porque contratamos um passeio com uma agência (mas eu montei o roteiro). Por US$ 20 por cabeça (éramos três), tivemos uma van e a ótima guia Claudia à disposição por 8 horas. 

A equipe nos recebeu no aeroporto de Lima e nos devolveu com tempo de sobra para pegar o voo para La Paz. Nossas bagagens seguiram direto de Guarulhos para a Bolívia.

Casa da Literatura Peruana, Lima
A Casa da Literatura Peruana estava celebrando o Prêmio Nobel conferido a Mário Vargas Llosa em 2010

Veja as dicas para aproveitar uma conexão em Lima:


O que fazer em Lima em uma conexão

Uma coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de crianças visitando o Centro Histórico de Lima, em excursões escolares, e a multidão de trabalhadores limeños aproveitando a hora do almoço nos bancos da Plaza Mayor.

Um sintoma de saúde urbana em qualquer canto do mundo é ver os moradores da cidade desfrutando de uma determinada área. Locais desertos, ou só com gente passando, ou apenas visitados por turistas não são exatamente lugares vivos.

Plaza Mayor, Centro Histórico de Lima, Peru
Achei o Centro Histórico de Lima muito vivo. Na foto cima, o Palácio do Governo do Peru, na Plaza Mayor. Abaixo, as arcadas da Prefeitura

Plaza Mayor, Lima, Peru

Pelo que deu pra ver no nosso passeio, o Centro Histórico de Lima está muito vivo (e essa impressão foi confirmada e acentuada na minha visita de 2018. Veja aqui: O que fazer no Centro Histórico de Lima)

Esse reencontro me deixou muito feliz. Na primeira vez em que estive no Centro Histórico de Lima, (2002), meu amigo William não teve coragem de tirar a câmera fotográfica da mochila. Na segunda (2003), minha amiga Izabel teve sua carteira furtada numa lanchonete da Plaza Mayor.

Palácio Arquiepiscopal, Centro Histórico de Lima
Os balcões do Palácio Arquiepiscopal de Lima, na Plaza Mayor, devem ser os personagens mais fotografados do Centro Histórico. E bem que eles merecem
Palácio Arquiepiscopal, Lima, Peru

Desta vez,  andei sem susto pelas ruas centrais de Lima e descobri muitas novidades trazidas por investimentos na revitalização da área.

A principal referência do Centro Histórico de Lima é Plaza Mayor, onde é obrigatória a visita à bela Catedral de Lima, construída no Século 1649 sobre um templo inca dedicado ao Puma. Também estão aqui o Palácio Arquiepiscopal e o Palácio do Governo do Peru. 

Catedral de Lima, Peru

A Catedral de Lima foi erguida sobre um antigo templo Inca dedicado ao Puma. Vale a pena fazer uma visita guiada a essa igreja, dona de um belo acervo de pinturas da Escola Cusquenha


A duas quadras da Plaza Mayor (ou Plaza de Armas) está a grande novidade do Centro de Lima, a Casa de la Literatura Peruana. Inaugurada em outubro de 2009, na antiga estação de trem de Desamparados.

O prédio revitalizado ganhou uma série de salas de exposições interativas, que contam um pouco da vida e da obra dos escritores do país, além de oferecer arquivos de vídeo com adaptações teatrais e cinematográficas de livros famosos. Tem uma biblioteca com 20 mil volumes.

Casa da Literatura Peruana, Lima

Novidade no Centro Histórico de Lima, a Casa da Literatura Peruana estava animadíssima com a visita de muitos grupos de estudantes — nossa passagem por Lima ocorreu cerca de um mês depois do anúncio do Nobel de Vargas Llosa e os peruanos estavam exultantes


Casa da Literatura Peruana, Lima

Na manhã da nossa visita, a Casa da Literatura recebia grandes grupos de estudantes uniformizados. Em sua fachada, enormes cartazes celebram o orgulho peruano mais recente: o Nobel de Literatura conferido a Mário Vargas Llosa.

Mais uma quadra adiante, às margens do Rio Rimac, outra novidade: escavações arqueológicas encontraram restos da muralha erguida no Século 17 para proteger Lima dos ataques de piratas. 

Em 2005, a área ganhou um parque muito simpático, à beira do rio, e um pequeno museu, onde estão expostos achados da época no Parque La Muralla.

Parque de la Muralla, Lima, Peru
Parque de la Muralla, às margens do Rio Rimac

Também a duas quadras da Plaza Mayor fica uma das maiores preciosidades limenhas. A Biblioteca do Mosteiro de San Francisco el Grande é simplesmente fascinante. O espaço austero, forrado de livros — são 25 mil volumes, seis mil pergaminhos e muitas obras raras — parece parado no tempo.

É como se, ao transpormos as suas portas, tivéssemos chegado a um ano qualquer de um século muito antigo. Os monges copistas não estão lá (mas parece que deram só uma paradinha nas iluminuras para ir à capela ou ao refeitório). 

O fato de o prédio e a Biblioteca do Convento de São Francisco serem do Século 17 — pós-Guttemberg, portanto — não tem a menor importância.

Igreja de São Francisco, Lima, Peru

Igreja e Mosteiro de San Francisco, visita imperdível no Centro Histórico de Lima


Para uma "traça de óculos", como eu, a Biblioteca do Convento de São Francisco pareceu o paraíso.

 Linda, em sua economia de adornos, na simetria das escadas em espiral que levam às estantes mais altas, na simplicidade do mobiliário. Minha vontade de fuçar os livros foi quase incontrolável. 


A biblioteca de San Francisco: paraíso para "traças de óculos"
(É proibido fotografar no interior de San Francisco El Grande. A imagem da Biblioteca que ilustra este post é de Jorge Alvarado, de PeruInside, que escaneei de um cartão postal)

Mas só pesquisadores previamente selecionados podem ter o prazer de "compulsar os alfarrábios" da vestusta biblioteca. A mim restou, como dizia minha avó, "comer com os olhos e lamber com a testa"...

A biblioteca integra o impressionante conjunto do Mosteiro de San Francisco el Grande, que merece uma visita sem pressa. O prédio original, de meados do Século 16, desabou cem anos após a construção, dando lugar ao atual complexo de claustros, Igreja, salas e catacumbas.

Quiceañera posa para foto no Centro Histórico de Lima

É tradição limenha as meninas posarem para a foto dos 15 Anos no pátio de San Francisco, Esta quinceañera estava emocionadíssima


No Refeitório do Mosteiro de São Francisco, uma Santa Ceia, atribuída a Diego de la Puente, aclimata a cena do Novo Testamento, introduzindo "garçons" indígenas e ingredientes peruanos no cardápio, como o rocoto (típica pimenta local, terrível) e o aji (pimentão) e a batata. O prato principal é o cuy, porquinho da índia considerado uma iguaria na Cordilheira — eu, francamente, não achei muita graça...

Belas, também, são as 11 telas da Sala Museo O Profundis, executadas no Século 17 na oficina do flamengo Pieter Paul Rubens, representando a Paixão de Cristo. La Oración en el Huerto é de cair o queixo. 

Outras obras notáveis são o andor de San Francisco Solano (monge que viveu e morreu aqui no Mosteiro) e a árvore "genealógica" da Ordem, exposta na Sacristia.

 E, no entanto, quase todo mundo que visita San Francisco vem ver as Catacumbas, uma série de túneis sob as capelas da Igreja onde, até o Século 19. Foram sepultados 20 mil limenhos. As criptas de “notáveis” e valas comuns foram abertas ao público em 1950. 

As Catacumbas de São Francisco são claustrofóbicas (ainda mais pra mim, que sou asmática), mas tem gente que não resiste em posar para foto com os ossos humanos expostos ali.

Parque do Amor, Lima, Peru

O Parque do Amor, sobre a falésia de Miraflores, com sua famosa escultura O Beijo, de Victor Delfín

"O Beijo", escultura de Victor Delfín em Miraflores, Lima

Fora do Centro de Lima, os distritos de Barranco, Miraflores e Pueblo Libre também merecem ser explorados com calma. Para esse nosso passeio de apenas oito horas, optamos por Miraflores plantada sobre belíssimas falésias diante do Oceano Pacífico.

A vista linda para o mar e o Malecon de Miraflores muito bem cuidado convidam a boas caminhadas  — com uma paradinha estratégica no Shopping Larcomar, pendurado no abismo. 

E tem o Parque do Amor, onde o príncipe encantado pode despencar sobre você de paragliding 😁, pois o lugar é o point dos "voadores".

Paragliding no Parque do Amor, Lima
Cuidado pra o príncipe encantado não cair na sua cabeça no Parque do Amor 😁
Parque do Amor, Miraflores, Lima

Também em Miraflores, vale a pena visitar o Sítio Arqueológico de Huaca Pucllana, uma gigantesca pirâmide de adobe que foi um importante centro ritual da Cultura Lima. 

mais peruano que uma relíquia ancestral bem no meio da vida cotidiana: a Huaca surge sem aviso, em pleno bairro mais cosmopolita da cidade.

Saiba mais sobre os passeios pelo bairro: O que fazer em Miraflores e arredores

Huaca Pucllana, Lima, Peru
A Huaca Pucllana é um sítio arqueológico danadinho de bacana

Restaurante da Huaca Pucllana, Lima
Esta é do tempo das fotos em papel: eu e meu amigo William, almoçando no restaurante da Huaca Pucllana, na minha primeira visita a Lima, em março/abril de 2002

Depois da visita à Huaca Pucllana, aproveite para saborear um san pedro, peixe típico peruano, no bom restaurante que funciona ao lado das ruínas. 

Acompanhado por um bom vinho de Tacna, então... E arremate a refeição com o mais inenarrável dos suspiros limeños que você encontrará na vida.

Restaurante La Rosa Náutica, Lima

O restaurante La Rosa Náutica está instalado em um píer sobre o pacífico. Antes de Lima se tornar a capital gastronômica da América Latina, ele era uma referência da cidade. Hoje, vale mais pelo visual Belle Époque. Foi lá que almoçamos neste pit-stop em Lima

Restaurante La Rosa Náutica, Lima
Minha irmã Simone usando  La Rosa Náutica como cenário fotográfico, em tempos pré-Instagram

Restaurante La Rosa Náutica, Lima

Miraflores é também o distrito favorito dos turistas para hospedagem, graças a suas opções de lazer, bares, restaurantes e comércio. 

Nas três visitas mais longas que fiz a Lima, foi lá que me hospedei e super recomendo. Veja essas dicas da viagem de 2018: Hospedagem: dois hotéis em Miraflores

Distrito de Barranco, Lima, Peru
O distrito de Barranco tem uma vida boêmia muito interessante

Com um pouquinho mais de tempo em Lima, não perca a visita ao distrito de Barranco, de tradição boêmia e um dos meus grande favoritos na cidade. 

A origem de Barranco é um povoado do Século17, estabelecido sobre um penhasco, ao sul de Lima. Você não vai encontrar muitos testemunhos dessa época por lá. Hoje, a cara do bairro são os casarões afrancesados, construídos no final do Século 19 e começo do Século 20, com suas lindas fachadas, pintadas em cores vivas. 

Barranco é conhecido como “Bairro dos Artistas”, pela grande quantidade de pintores, escritores e músicos que vivem na área — entre eles, o Nobel de Literatura 2010, Mário Vargas Llosa.

Distrito de barranco, Lima, Peru
O charme de Barranco, o "Bairro dos Artistas" de Lima

Distrito de Barranco, Lima, Peru

Outra característica de Barranco são os adoráveis parques, por onde se pode caminhar tranquilo, à sombra das árvores. O Parques Municipal e o Parque Chabuca Granda (homenagem à cantora e compositora barranquina, autora de Fina Estampa e La Flor de La Canela, entre outras) são os meus preferidos.

À noite, Barranco ferve: basta chegar, conferir o público na porta dos bares e pubs e escolher o que mais combina com sua faixa etária e tribo.

Plaza Mayor, Lima, Peru
Lima merece muito, muito, muito mais do que 8 horas de passeio. Mas foi muito bom rever uma das minhas cidades favoritas

Parque do Amor, Lima, Peru

Passeios em Lima - dicas práticas

⭐Huaca Pucllana
Avenida General Borgoño quadra 8, Miraflores. Entrada: 12 soles (estudantes pagam meia). Aberta de de quarta a segunda (fecha na terça-feira) das 9h às 17. Visitas noturnas de quarta a domingo, das 19h às 22h (15 soles) O Restaurante Huaca Pucllana funciona ao lado.

 Museu e Catacumbas de San Francisco
Plazuela San Francisco (esquina Jirones, Ancash y Lampa). Diariamente, das 9h às 20:15h. Entrada 15 soles (estudantes pagam 8 soles). A Igreja pode ser visitada diariamente, das 7h às 11h e das 16h às 20h. Site > http://museocatacumbas.com/

 Catedral de Lima
Jirón Carabaya 15001, Plaza de Armas. A entrada é gratuita e a igreja está aberta de segunda a sábado, das 9h às 17h. Aos domingos, só abre para missas. 

Recomendo a visita guiada (fiz duas vezes) oferecida por profissionais credenciados. O Museu de Arte Sacra abre de segunda a sexta das 9h às 17h e aos sábados das 10h às 13 e a entrada custa 10 soles.

 Casa de la Literatura Peruana
Jirón Ancash 207, Centro Histórico. De terça a domingo, das 10h às 19h. Entrada gratuita.

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter | Instagram | Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário