5 de novembro de 2010

O que fazer em Lima

Sede da Prefeitura de Lima, na Plaza Mayor
Como o Centro Histórico de Lima está diferente! É sempre muito bom ver uma atração turística tão interessante mudar para melhor. As ruas estão muito limpas, seguras e a linda região da Plaza Mayor parece estar sendo reconquistada pelos moradores da cidade. Chama a atenção a quantidade de crianças visitando a área, em excursões escolares, e a multidão de trabalhadores limeños aproveitando a hora do almoço nos bancos da praça.

Na primeira vez em que estive no Centro Histórico de Lima, (2002), meu amigo William não teve coragem de tirar a câmera fotográfica da mochila. Na segunda (2003), minha amiga Izabel teve sua carteira roubada numa lanchonete da Plaza Mayor. Desta vez,  andei sem susto pelas ruas centrais e descobri muitas novidades trazidas por investimentos na revitalização da área.

O Palácio do Governo, na Plaza Mayor
Detalhe da fachada do Palácio do Arcebispo,
na Plaza Mayor de Lima
A principal referência da região a Plaza Mayor, onde é obrigatória a visita à bela Catedral de Lima, construída no Século 16I sobre um templo inca dedicado ao Puma. Também estão aqui o Palácio Arquiepiscopal e a sede do governo peruano.

A Catedral de Lima foi erguida sobre um antigo templo Inca dedicado ao Puma. Vale a pena fazer uma visita guiada a essa igreja, dona de um belo acervo de pinturas da Escola Cusqueña
A duas quadras da praça está a grande novidade do Centro de Lima, a Casa de la Literatura Peruana. Inaugurada em outubro de 2009, na antiga estação de trem de Desamparados.

O prédio revitalizado ganhou uma série de salas de exposições interativas, que contam um pouco da vida e da obra dos escritores do país, além de oferecer arquivos de vídeo com adaptações teatrais e cinematográficas de livros famosos. Tem uma biblioteca com 20 mil volumes.

Novidade no Centro, a Casa de la Literatura está celebrando o Nobel de Vargas Llosa e recebe muitos grupos de estudantes
Na manhã desta sexta-feira, a Casa de la Literatura recebia grandes grupos de estudantes uniformizados. Em sua fachada, enormes cartazes celebram o orgulho peruano mais recente: o Nobel de Literatura conferido a Mário Vargas Llosa.

Mais uma quadra adiante, às margens do Rio Rimac, outra novidade: escavações arqueológicas encontraram restos da muralha erguida no Século 17 para proteger a cidade dos ataques de piratas. Em 2005, a área ganhou um parque muito simpático, à beira do rio, e um pequeno museu, onde estão expostos achados da época no Parque La Muralla.

Parque de la Muralla
A duas quadras da Plaza Mayor fica uma das maiores preciosidades limeñas. A Biblioteca do Mosteiro de San Francisco el Grande é simplesmente fascinante. O espaço austero, forrado de livros — são 25 mil volumes, seis mil pergaminhos e muitas obras raras — parece parado no tempo.

É como se, ao transpormos as suas portas, tivéssemos chegado a um ano qualquer de um século muito antigo. Os monges copistas não estão lá (mas parece que deram só uma paradinha nas iluminuras para ir à capela ou ao refeitório). O fato de o prédio e a biblioteca serem do Século 17 — pós-Guttemberg, portanto — não tem a menor importância.

A Igreja e o Mosteiro de San Francisco, visita imperdível

A biblioteca de San Francisco: paraíso para "traças de óculos"
(É proibido fotografar no interior de San Francisco El Grande. A imagem da Biblioteca que ilustra este post é de Jorge Alvarado, de PeruInside, que escaneei de um cartão postal.)
Para uma "traça de óculos", como eu, a Biblioteca pareceu o paraíso. Linda, em sua economia de adornos, na simetria das escadas em espiral que levam às estantes mais altas, na simplicidade do mobiliário. Minha vontade de fuçar os livros foi quase incontrolável. Mas só pesquisadores previamente selecionados podem ter o prazer de "compulsar os alfarrábios" da vestusta biblioteca. A mim restou, como dizia minha avó, "comer com os olhos e lamber com a testa"...

A biblioteca integram o impressionante conjunto do Mosteiro de San Francisco el Grande, que merece uma visita sem pressa. O prédio original, de meados do Século 16, desabou cem anos após a construção, dando lugar ao atual complexo de claustros, Igreja, salas e catacumbas.

Pose para a foto de 15 Anos no pátio de San Francisco:
tradição limenha
No Refeitório, uma Santa Ceia, atribuída a Diego de la Puente, aclimata a cena do Novo Testamento, introduzindo "garçons" indígenas e ingredientes peruanos no cardápio, como o rocoto (típica pimenta local, terrível) e o aji (pimentão) e a batata. O prato principal é o cuy, porquinho da índia considerado uma iguaria na Cordilheira — eu, francamente, não achei muita graça...

Belas, também, são as 11 telas da Sala Museo O Profundis, executadas no Século 17 na oficina do flamengo Pieter Paul Rubens, representando a Paixão de Cristo. La Oración en el Huerto é de cair o queixo. Outras obras notáveis são o andor de San Francisco Solano (monge que viveu e morreu aqui no Mosteiro) e a árvore "genealógica" da Ordem, exposta na Sacristia.

 E, no entanto, quase todo mundo que visita San Francisco vem ver as Catacumbas, uma série de túneis sob as capelas da Igreja onde, até o Século XIX. Foram sepultados 20 mil limenhos. As criptas de “notáveis” e valas comuns foram abertas ao público em 1950. O lugar é claustrofóbico, mas tem gente que não resiste em posar para foto com os ossos humanos expostos ali.

O Parque do Amor, sobre a falésia de Miraflores, com sua famosa escultura O Beijo. Lá longe, meio perdido na bruma, o bairro de Barranco

Fora do Centro, Barranco, Miraflores e Pueblo Libre são bairros que merecem ser explorados com calma. O melhor de Miraflores é sua localização, num penhasco sobre o Pacífico.

A vista linda e o Malecon bem cuidado convidam a boas caminhadas  — com uma paradinha estratégica no Shopping Larcomar, pendurado no abismo. E tem o Parque do Amor, onde o príncipe encantado pode despencar sobre você de paragliding (rsss...), pois o lugar é o point dos "voadores".

O príncipe encantado pode chegar de paragliding
A decoração em mosaico de ladrilhos dá um ar meio Gaudí ao Parque do Amor

Também em Miraflores, vale a pena visitar o Sítio Arqueológico de Huaca Pucllana, uma gigantesca pirâmide de adobe que foi um importante centro ritual da Cultura Lima. Nada mais peruano que uma relíquia ancestral bem no meio da vida cotidiana: a Huaca surge sem aviso, em pleno bairro mais cosmopolita da cidade.

A Huaca Pucllana
Depois da visita, aproveite para saborear um san pedro, peixe típico peruano, no bom restaurante que funciona ao lado das ruínas. Acompanhado por um bom vinho de Tacna, então... E arremate a refeição com o mais inenarrável dos suspiros limeños que você encontrará na vida.

O bairro de Miraflores fica em um penhasco
 debruçado sobre o Pacífico. À direita, o restaurante La Rosa Náutica, um clássico turístico
Desta vez, passei apenas 12 horas em Lima, tempo para uma volta rápida na cidade e para uma visita ao sítio arqueológico de Pachacamac, 30 quilômetros ao sul. Das outras vezes, fiquei hospedada em Miraflores, onde há boa oferta de restaurantes e opções de lazer.

Instalado em um píer sobre o Pacífico, o restaurante La Rosa Náutica 
Outro dos meus lugares favoritos na cidade é o distrito de Barranco. Quase nada resta do povoado do Século17, estabelecido sobre um penhasco, ao sul de Lima. A cara do bairro são os casarões afrancesados, construídos no final do Século 19 e começo do Século 20, com suas lindas fachadas, pintadas em cores vivas. Barranco é conhecido como “Bairro dos Artistas”, pela grande quantidade de pintores, escritores e músicos que vivem na área — entre eles, o Nobel de Literatura 2010, Mário Vargas Llosa.

Outra característica de Barranco são os adoráveis parques, por onde se pode caminhar tranqüilo, à sombra das árvores. Os parques Municipal e Chabuca Granda (homenagem à cantora e compositora barranquina, autora de Fina Estampa e La Flor de La Canela, entre outras) são os meus preferidos.

À noite, o lugar ferve: basta chegar, conferir o público na porta dos bares e pubs e escolher o que mais combina com sua faixa etária e tribo.


Dicas práticas

Huaca Pucllana
Avenida General Borgoño quadra 8, Miraflores. Entrada: 12 soles (estudantes pagam meia). Aberta de de quarta a segunda (fecha na terça-feira) das 9h às 17. Visitas noturnas de quarta a domingo, das 19h às 22h (15 soles) O Restaurante Huaca Pucllana funciona ao lado.

Museu e Catacumbas de San Francisco
Plazuela San Francisco (esquina Jirones, Ancash y Lampa). Diariamente, das 9h às 20:15h. Entrada 15 soles (estudantes pagam 8 soles). A Igreja pode ser visitada diariamente, das 7h às 11h e das 16h às 20h. Site > http://museocatacumbas.com/

Catedral de Lima
Jirón Carabaya 15001, Plaza de Armas. A entrada é gratuita e a igreja está aberta de segunda a sábado, das 9h às 17h. Aos domingos, só abre para missas. Recomendo a visita guiada (fiz duas vezes) oferecida por profissionais credenciados. O Museu de Arte Sacra abre de segunda a sexta das 9h às 17h e aos sábados das 10h às 13 e a entrada custa 10 soles.

Casa de la Literatura Peruana
Jirón Ancash 207, Centro Histórico. De terça a domingo, das 10h às 19h. Entrada gratuita.

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