10 de março de 2018

Lima: o que fazer em Miraflores e arredores


As falésias de Miraflores são um belo mirante para o Pacífico
Miraflores é o distrito mais turístico de Lima e a área que concentra mais hotéis na capital peruana. A chande de você se hospedar no bairro é enorme, portanto, é bom ter à mão uma lista de coisas para fazer por lá e começar seus passeios naquela vizinhança.

Quatro dias em Lima formam uma conta bem justa para se aproveitar as atrações da cidade. O segredo para passeios sem estresse é organizá-los por áreas geográficas e evitar perder muito tempo no trânsito. Vamos começar nosso roteiro, portanto com as dicas do que fazer em Miraflores.

A bruma é uma presença constante — e poética — na Orla de Miraflores. Na imagem, a Ponte Villena Rey, no Malecon de la Reserva
Charmoso, agradável e cosmopolita, Miraflores tem muitos parques, tem o shopping mais famosos da cidade (o Larcomar que é uma atração turística de verdade, além de ser um centro comercial), a pirâmide pré-hispânica Huaca Pucllana e uma quantidade enorme de mercados de artesanato. 

Nos arredores de Miraflores, fica o pitoresco e autêntico Mercado de Surquillo.

Essas atrações e o os restaurantes que experimentamos no bairro estão marcados no mapa, pra ajudar na sua orientação e planejamento. Miraflores é uma cidade em si mesma, seja para motivos práticos (hotéis, comércio, casas de câmbio) ou hedonistas (restaurantes, áreas de lazer). Aposto que você vai passar bastante tempo por lá e vai adorar.



☑️O que fazer em Miraflores
Pra começar a se situar, é importante lembrar que Miraflores é um distrito à beira-mar, morada de bem nascidos, por onde circulavam os personagens de Mário Vargas Llosa em Conversa na CatedralBatismo de Fogo (La Ciudad y los Perros) e Tia Júlia e o Escrevinhador — os livros que me apresentaram à cidade.

Eu quase consigo enxergá-los, meio desfocados no meio da bruma quase permanente que encanta a Orla de Miraflores. O bairro, claro, não é mais o mesmo citado nas reminiscências do escritor — lá se vão quase 70 anos... —, mas continua sendo o centro da vida urbana/contemporânea da capital peruana, como nos anos 50 descritos nos romances.

Parque del Amor: "O Beijo" e mosaicos à la Gaudí
⭐Os parques de Miraflores
Deixe o 👉Parque Kennedy, jardim que fica no coração do bairro, para o final da tarde — o movimento por lá, nesse horário, sempre tem uma certa brejeirice de quermesse de antigamente — e siga pela Avenida Diagonal e pelo Malecon Balta até o Malecon de la Reserva, que margeia as falésias sobre o Oceano Pacífico.


O artista Fernando de Szyszlo Valdelomar, uma das grandes referências artísticas do Peru, assina a escultura "Intihuatana", uma leitura contemporânea da "pedra de amarrar o sol" — segundo ele, o céu sempre cinza de Lima exige esse altar ritual herdado da cultura quéchua
A Orla de Miraflores é muito bem cuidada e pontilhada por uma sucessão de pequenos parques pendurados sobre as escarpas. O mais famoso deles é o 👉Parque del Amor, onde estão a escultura 👉O Beijo, de Victor Delfin, e mosaicos à moda de Gaudi.

As falésias estão sendo replantadas com vegetação nativa para protegê-las da erosão. O resultado é muito bonito
É no Parque del Amor que se concentram os turistas para as fotos, mas qualquer cantinho verde desse pedaço do bairro convida a uma paradinha para brincar de “cadê o horizonte?”— a maior parte do tempo a paisagem estará encoberta pela bruma, um detalhe que, pra mim contribui, para o encanto do passeio.

No 👉Parque Intihuatana, um pouquinho mais adiante, há um café instalado em um quiosque, bom lugar para uma pausa.

O Shopping Larcomar tem lojas bacanas, ótimos restaurantes e uma bela vista
⭐Shopping Larcomar
🏠Malecon de la Reserva n° 610, Miraflores. 
🕒Aberto diariamente das 11h às 22h (lojas). Os restaurantes funcionam até a meia-noite.


Seguindo o Malecon de la Reserva na direção Sul, você vai chegar ao Shopping Larcomar, um caso interessante de centro comercial que virou atração turística. Ainda que você não esteja pensando em compras (meu eterno caso), vale a pena colocá-lo em seu roteiro. Mas, se estiver, as grifes presentes por lá não decepcionam.

Aconchegado na falésia e com suas praças ao ar livre, o Larcomar rivaliza com os parques de Miraflores como mirante para o Pacífico — com a vantagem de oferecer vários restaurantes de responsa para você começar a experimentar a gastronomia limenha. Nós experimentamos três desses restaurantes: o Tanta e a hamburgueria Papacho’s, criados pelo chef-pop-star Gaston Acúrio, e o Popular. Gostamos muito dos três.


Por menos que eu goste de shoppings, o Larcomar é daqueles lugares incontornáveis para quem está hospedada em Miraflores: um pouso agradável para um café e vista para o mar ou para beliscar um docinho antes de ir dormir, sempre bati o ponto lá em algum momento do dia, em todas as minhas passagens pela cidade.

⭐Huaca Pucllana
🏠 Calle General Borgoño s/n, cuadra 8, Miraflores 
🕒 Visitação: de quarta a segunda (fecha na terça-feira) das 9h às 17. 
💲 Entrada 12 soles (estudantes com carteirinha oficial pagam metade). 
🌜 De quarta a domingo também há visitação noturna, das 19h às 22h. Custa 15 soles (7,50 para estudantes).

Huaca Pucllana, encravada na paisagem contemporânea do bairro
Essa huaca (do quéchua waqa, ou “local sagrado”) de 1.500 anos de idade foi um centro cerimonial da Cultura Lima, que habitou o território da atual capital peruana a partir do primeiro século da nossa era. É uma imensa pirâmide feita com tijolos de adobe e foi, dizem os arqueólogos, um sítio dedicado à adoração da Lua.

O povo Huari, que conquistou a região (e construiu 👉Pachacamac, a cerca de 30 km), incorporou a Huaca Pucllana como local de culto, assim como os incas, séculos mais tarde.

A visita guiada à huaca é um programa interessantíssimo


Cercada pela “vida normal” do bairro de Miraflores, esse sítio arqueológico rende um programinha muito bacana, que encaixa direitinho em uma tarde, após um passeio pela Orla de Miraflores e um almoço no Larcomar. Só são permitidas visitas guiadas — o que é ótimo, pois a narrativa do guia é fundamental para que se compreenda o que se está vendo.

Em diversos pontos do percurso, há recriações de rituais e práticas da vida cotidiana no santuário, como a fabricação dos tijolos e celebrações religiosas. Uma iniciativa interessante é a reconstrução das plantações e criação de animais que os povos antigos mantiveram no local.

Lembre-se que vai ter sobe e desce e chão de areia. Atenção ao calçado
Só preste atenção ao que vai calçar durante a visita: a terra cinzenta que recobre o local arruinou o sapatinho arrumadinho que eu estava usando. Opte por um tênis ou botinha de trilha — como em todos os sítios arqueológicos do Peru, não há como escapar do sobe e desce.

⭐Mercados indígenas (de artesanato)
A uma quadra do Óvalo de Miraflores (na pontinha Norte do Parque Central/Parque Kennedy) começa a 👉Avenida Petit Thouars (transversal da Ricardo Palma e paralela à Avenida Arequipa). As primeiras quadras dessa via são famosas pela concentração de “mercados indígenas”, centros de artesanato.

Tem peças de todos os tipos, preços e qualidade — muita coisa é evidentemente feita em série, mas um bom garimpo pode render compras interessantes. Eu já tinha completado a minha cota de artesanato peruano nas três visitas anteriores ao país (na primeira vez, aloka voltou pra casa com cinco tapetes), mas fiz questão de dar uma volta por lá.

O Mercado de Surquillo preserva a autenticidade, apesar de frequentado por pop-stars do mundo gourmet
☑️Arredores de Miraflores

Mercado de Surquillo
🏠Paseo de la República, esquina de Ricardo Palma, Surquillo. 
🕒Diariamente, das 6h às 16h.

O Mercado de Surquillo fica tão pertinho de Miraflores que é só por preciosismo que eu não o incluí nas atrações do bairro — afinal, basta atravessar por cima da pista expressa do BRT, que divide os dois distritos (seguindo a Avenida Ricardo Palma), que você já chegou.

Maíz morado (milho roxo), base para a preparação da chicha, bebida popular de origem quéchua (inca). À direita, deliciosas chirimoias e tunas, frutos de cacto
O lugar entrou no mapa dos turistas quando Lima virou meca gastronômica e diversos chefs locais revelaram-se fregueses de suas barracas de produtos fresquinhos. Mas mesmo que você não pretenda cozinhar, aposto que vai curtir ser apresentado aos ingredientes da “movida culinária limenha” em pessoa, antes de irem para a panela.

Além disso, diversos boxes servem a tradicional comida local — não experimentei, porque estava vindo de um almoço pantagruélico. Para os mais frugais, vale experimentar os sucos de das inenarráveis lúcuma e chirimoia, duas frutas das quais virei adoradora.

A inenarrável lúcuma, meu novo xodó peruano

Da roupa ao tempero, há de tudo no Mercado de Surquillo
Tem de tudo por lá — pimentas de todos os tipos, frutas, frutos do mar, um mosaico interminável das centenas espécies de batatas cultivadas no Peru, muitas espécies de milho, queijos, frios, utensílios, roupas...

Apesar da frequência dos chefs estrelados, o Mercado de Surquillo ainda está a quilômetros da gourmetização que deu banho de loja (mas matou muito da autenticidade) de vários dos seus equivalentes pelo mundo. Eu, que sou doida por um mercado, amei o passeio.

No entorno do mercado funciona o comércio popular
Quando você for, reserve um tempinho para explorar o entorno do mercado, com suas lojas muito autênticas e barraquinhas que vendem de tudo. É a oportunidade de ver uma Lima popular e sem maquiagem que não aparece nos cartões postais.

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