sábado, 4 de agosto de 2012

O que fazer em Santiago do Chile:
roteiro para começar as descobertas

Um trechinho do horizonte de Santiago, visto do Cerro San Cristóbal
Como já contei no primeiro post desta série, eu não curti Santiago na primeira vez que visitei a cidade. A memória que me ficou da capital chilena era cinza, como o mormaço resultante da poluição aprisionada pelas montanhas, no calor de fevereiro. Ou talvez eu tenha dado azar com os interlocutores que encontrei — sem que eu puxasse o assunto, ouvi um monte de justificativas do “mal necessário” da ditadura Pinochet.

Passados dez anos, o céu da capital chilena não mudou, mas descobri que é ótimo dar uma segunda chance às cidades, pois acabei descobrindo que tem muita coisa legal para fazer em Santiago. Bora passear comigo?

Comecei meu passeio pelo roteiro básico “obrigatório”: Plaza de Armas, Paseo Ahumada, Palácio de La Moneda e Igreja de São Francisco. Dá para fazer todo o percurso a pé e é programa para uma manha ou tarde, no mínimo. Bora passear?


Praça de Armas
A Catedral, na Praça de Armas, surpreende pelo contraste da fachada austera com a rica decoração do interior
Como é tradição nas cidades de origem espanhola, a Praça de Armas de Santiago era o coração da cidade e ainda guarda muito dessa importância. Como também era tradicional, as representações do poder religioso, civil e militar dos colonizadores ocuparam o espaço da antiga praça cerimonial/oficial inca (a kancha).

A Catedral de Santiago, edifício mais imponente da Praça de Armas, é do Século 18. Tem uma fachada muito austera, mas seu interior não destoa das grandes igrejas coloniais das Américas, com seus entalhes, douramentos e cores. Vale a pena a visita.

O interior da catedral de Santiago



Minha maior surpresa, porém, não foi o contraste entre o exterior e o interior da Catedral, mas constatar que os outrora temidos carabineiros (força que foi um pilar da repressão, no tempo da ditadura), agora posam para fotos com criancinhas.

Os carabineiros agora tiram fotos com criancinhas
O Edifício dos Correios, do Século 19, ocupa o espaço do antigo palácio dos governadores, no tempo da colônia. Ao seu lado, a antiga sede do Cabildo (uma espécie de parlamento colonial) hoje é sede do Museu Histórico Nacional. O prédio foi erguido sobre o antigo palácio de Pedro de Valdívia, pioneiro da ocupação espanhola no Chile. 

O terceiro edifício oficial que cerca a Praça de Armas é a sede da Municipalidade de Santiago, onde o governo espanhol mantinha uma prisão. 

O Museu Histórico e os Correios, na Praça de Armas
Quiosque antigo na Praça de Armas. À direita, escultura lembra
 os povos indígenas que vivem no território chileno
Catedral Metropolitana de Santiago
Plaza de Armas, Metrô Plaza de Armas. Diariamente, das 9h às 19h, entrada gratuita. 

Museo Histórico Nacional
O acervo permanente é uma mostra dos diversos momentos da vida chilena, desde os povos pré colombianos aos dias de hoje. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17:45h. Entrada gratuita.

Paseo Ahumada
Paseo Ahuamada: abraços grátis, movimento e comércio popular
Cheguei à Praça de Armas caminhando pelo Paseo Ahumada, a antiga rua elegante de Centro de Santiago. A antiga estrada inca antes da chegada dos colonizadores já viveu momentos de glória, mas hoje já não parece tão impressionante. Convertida em área de pedestres, mistura cafés, comércio popular e lojas caras.

Na minha primeira visita a Santiago, a primeira coisa que avisavam aos turistas era para tomar cuidado com os batedores de carteira e assaltantes que atuavam na área, mas agora o Paseo Ahumada me pareceu bem mais tranquilo e cordial, com artistas de rua distribuindo abraços grátis.

Café con piernas: exótico, pra dizer o mínimo


Uma coisa que chama a atenção—e destaca um traço conservador da cidade — são os tais “cafés com piernas”, sempre lotados de senhores circunspectos que são servidos por garçonetes com vestidos justíssimos e curtíssimos (daí as pernas do nome). Resolvi tomar um expresso em uma dessas casas, geralmente frequentadas exclusivamente por homens. Fiz a desentendida, entrei e me diverti horrores com alguns olhares de espanto.

Palácio de La Moneda
Homenagem a Salvador Allende em frente ao palácio de La Moneda. Em 11 de setembro de 1973 o presidente foi morto na sede do governo chileno, resistindo ao golpe militar
O Palácio Presidencial de La Moneda foi construído no comecinho do Século 19 e resistiu de pé aos inúmeros terremotos que costumam sacudir Santiago. O maior estrago que sofreu foi o bombardeio durante o golpe que derrubou Salvador Allende, em 1973. Talvez essa memória seja a grande responsável por eu achar La Moneda uma visão meio melancólica.

Mas eu gosto do Pátio de los Naranjos, com suas fontes e laranjeiras de alma remotamente andaluza.

O Palácio de La Moneda
O bombardeio de 73 danificou seriamente o palácio e a ditadura o reformou eliminando uma série de símbolos, como o Salão da Independência, onde morreu Allende, que foi lacrado. Desde a redemocratização do Chile, esses “acréscimos” vêm sendo retirados.

Olha a folga deste elemento :)

E destes...
O que não é nada melancólico é o clima na Plaza Constutición, onde está o palácio, sempre animada por grupos de turistas, manifestantes e representantes da porção mais fofa dos moradores de Santiago, os cães de rua mais bem tratados, gordos e folgados que já vi. Os bichinhos dormem o sono dos justos no gramado em frente a La Moneda, completamente alheios aos peso histórico do cenário que os cerca.

Manifestação de professores na Plaza Constitución
Palácio de La Moneda 
laza de la Constitución, Metrô La Moneda ou Universidad de Chile. As visitas guiadas (quatro por dia, de segunda a sexta) precisam ser agendadas por email e é recomendado fazer a solicitação com uma semana de antecedência.

Igreja e Museu de São Francisco
A Igreja de São Francisco, o edifício mais antigo ainda de pé em Santiago
Apesar de contemporânea das belas cidades coloniais do continente (fundada em 1541, é oito anos mais velha que Salvador), a cara de Santiago é a Belle Époque. Muitos terremotos e muito dinheiro explicam a pequena amostra de construções mais antigas.

O Chile foi pátria de algumas das maiores fortunas do mundo, no final do Século 19 e início do Século 20. A aristocracia do cobre e do salitre queria ser europeia e moderna e não tinha tempo para preservar o pouco de arquitetura do passado que os tremores de terra deixavam de pé.

O interior da Igreja de São Francisco
Dos três edifícios coloniais mais famosos da cidade (e colonial, no Chile, vale até o comecinho do Século 19), dois, a Catedral e La Moneda, estão profundamente modificados. Mas o monumento arquitetônico mais antigo da capital, a Igreja de San Francisco resistiu à passagem do tempo mantendo muito de sua fisionomia original.

Construída no Século 17, São Francisco encanta pelo contraste de suas paredes em pedra nua e seu belo altar dourado. 

Ao lado da igreja, funciona o Museu San Francisco, de arte sacra (a visita é uma ótima oportunidade de ver o belo claustro do antigo convento). A entrada é pela Calle Londres, do famoso conjunto Paris-Londres, que recria a arquitetura dos edifícios residenciais das duas capitais europeias (Faz sucesso, mas acho meio Epcot Center...)

O claustro do antigo convento, hoje um museu
Igreja de San Francisco
Avenida Libertador Bernardo O'Higgins n° 834. De terça a sábado, das 10h às 13:30h e das 15h às 18h. Domingos e feriados das 10h às 14. Entrada gratuita. 

La Moneda
Outros passeios legais em Santiago
O Chile na Fragata Surprise

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