22 de abril de 2017

Cidade do México - dicas de transporte

O trânsito na Cidade do México é pesado, mas a boa notícia é que dá pra circular sem envelhecer nos engarrafamentos
Basta eu dizer que a Cidade do México tem mais de 20 milhões de habitantes pra você intuir que transporte é um item essencial no planejamento de uma viagem pra lá.

Confesso que pesquisei muito sobre transporte na Cidade do México e embarquei preocupada com os legendários congestionamentos da metrópole caótica que me diziam que ia encontrar e o tempo que ia perder nos deslocamentos.

Mas eu tenho uma ótima notícia: é muito mais fácil circular pela Cidade do México do que a gente imagina.

Claro, a reputação estrepitosa do trânsito da Cidade do México não é gratuita. Mas achei a mobilidade muito mais resolvida do que a de São Paulo, que é uma metrópole de tamanho similar.

O que ouvi de muitos mexicanos é que desde a implantação do Metrobus (ônibus que circulam em corredores exclusivos, em seis linhas), a coisa melhorou muito na capital.

Neste post eu reuni algumas informações sobre o transporte na Cidade do México para você circular com mais tranquilidade.

O Sistema Ecobici faz parte do  projeto da prefeitura de diversificar as possibilidades de transporte na Cidade do México, melhorando a mobilidade. É um serviço de empréstimo de bicicletas como a gente tem no Brasil - você pega em um ponto, devolve em outro. Basta fazer um cadastro
➡️ Dicas de transporte na Cidade do México
Por tudo que vi na semaninha que passei lá, há três providências essenciais para facilitar sua mobilidade na Cidade do México:

➡️ Ficar hospedada perto de uma estação do metrô é um item de sobrevivência pra quem não quer perder precioso tempo de férias presa nos engarrafamentos da Cidade do México.

Eu fiquei em La Condesa, a 750 metros da Estação Patriotismo, e isso me quebrou muitos galhos.

➡️ Organizar as atividades de cada dia por região, para não fazer grandes deslocamentos à toa. Antes de embarcar, é legal ter uma ideia de tudo o que você quer ver na cidade e consultar o mapa, para agrupar as atrações próximas.

Assim, você pega o transporte até o bairro da vez e circula entre os lugares a pé. Para ter uma ideia, siga o link e veja como organizei meu roteiro na Cidade do México.

➡️ Prefira se hospedar em um bairro seguro e bem servido de restaurantes e vida noturna. Assim, você tem a opção de sair a pé para jantar e para beber, após passar no hotel para um merecido banho depois de um dia inteiro de passeios. La Condesa, por exemplo, é ótimo neste quesito, assim como Polanco.

À esquerda, o símbolo do Metrô da Cidade do México. Procure essa plaquinha para achar as estações. E tenha sempre um mapa da rede (dir) com você, para planejar suas rotas
➡️ Como circular na Cidade do México: vá de metrô
Um conselho que recebi no hotel, logo que cheguei, foi o de não usar o metrô no final da tarde, porque a lotação é verdadeiramente demencial — mas no único dia que segui essa instrução eu paguei os meus pecados em um engarrafamento monstro, a bordo de um táxi.

Se o metrô fica apinhado nas horas de rush, as ruas ficam muito mais. Prefiro ser espremida por alguns minutos do que perder duas horas de vida em um congestionamento 😊.

A passagem do metrô é muito barata. Custa 5 pesos mexicanos (R$ 0,84 ao câmbio de hoje) e vale para uma viagem, com quantas baldeações você precisar fazer. 

A sinalização das estações de metrô na Cidade do México não chega a ser um primor, mas no segundo dia eu já tinha pegado a manha e comecei a "tocar de ouvido".

Também não espere estações impecáveis. Elas são básicas, raramente têm escadas rolantes e podem estar precisando de uma mãozinha de tinta e um capricho na faxina, mas funcionam perfeitamente.

As estações de metrô da Cidade do México são básicas e funcionais, mas a que fica em frente ao Palácio  Nacional de Bellas Artes, o teatro de ópera e museu, é especial: em 1968, o governo francês doou uma autêntica entrada Guimard para a Estação Bellas Artes, igualzinha às que se vê em Paris e que são um marco da Art-Nouveau
➡️ Como comprar o bilhete de metrô na Cidade do México
Nas estações de metrô, há máquinas automáticas para a venda de bilhetes e bilheterias convencionais, que parecem ser as preferidas dos locais, porque as filas em frente aos guichês são sempre grandes. As máquinas não são difíceis de usar e dão troco. Opte por elas.

➡️ Segurança no metrô da Cidade do México
O policiamento nas estações de metrô é frequente e ostensivo e há câmeras de segurança na maioria delas. 

Apesar da proibição é enorme a quantidade de vendedores ambulantes que circulam nas plataformas e nos trens. Eles berram feito uns possessos mercando seus produtos, mas não fazem mal a ninguém. Também aparece muita gente pedindo dinheiro, mas na paz.

Depois de sete dias andando pra cima e pra baixo na cidade, o metrô é a opção que eu recomendo, mas é preciso prestar atenção em algumas dicas de segurança.

Cada estação é identificada por um ícone próprio, como mostra esse painel com as paradas da Linha 2 (azul). Repare que a Estação Zócalo é representada pela águia e a serpente, símbolo que está no brasão do México e remete à lenda asteca de fundação da cidade. As cores diferentes indicam as conexões com outras linhas. Em Chabacano, por exemplo, é possível trocar para a linha 9 (marrom) e para a linha 8 (verde escuro)
➡️ A primeira dica de segurança para quem vai usar o metrô na Cidade do México, é aquela óbvia: cuidado com batedores de carteira.

Em qualquer lugar do mundo, um metrô lotado é o habitat ideal para descuidistas, então, não dê vacilo. Não viaje com a mochila nas costas e fique de olho nos seus pertences.

➡️ A outra dica de segurança é sobre os casos muito comuns de assédio sexual (as famigeradas encoxadas) nos vagões lotados do metrô da Cidade do México.

Para contornar o problema, há vagões exclusivos para mulheres (meninos até 12 anos podem usá-los) nos horários de pico e a polícia fiscaliza mesmo, para impedir o embarque de homens.

Como a mulherada parecia preferir (e muito) esses vagões segregados, eu não pensei duas vezes em acompanhar o costume local.

O Metrô do México tem um programa de distribuição de apitos para as passageiras denunciarem as encoxadas
Além disso, a companhia que opera o serviço de metrô, em parceria com ONGs, mantém quiosques nas estações para distribuir apitos que as usuárias usam para sinalizar alguma coisa errada durante as viagens.

Apesar dessa realidade — um horror comum às mulheres latino-americanas que usam transporte público —, usei o metrô com muita tranquilidade em toda a minha estadia no México. 

Procure as capotas rosa-choque
➡️ Táxis na Cidade do México
No hotel, fui orientada a só pegar os táxis comuns e regulares (há um tipo de “táxi especial” que é uma verdadeira arapuca e os condutores cobram o que querem). Os "legítimos" são os carros brancos, com capota rosa-choque

➡️ Mesmo nesses táxis regulares, é fundamental combinar antes para que o motorista ligue o taxímetro, pois alguns vão querer dar o migué e cobrar o que der na telha.

Tive uma experiência bem ruim com um taxista que, mesmo com o taxímetro ligado, tentou me extorquir, ao final de uma corrida do Bosque de Chapultepéc até o hotel, cobrando quase o dobro do que estava marcado (a desculpa era que “o trânsito estava pesado”).

Ele só deu azar porque não sabia a quantidade de impropérios por segundo eu sou capaz de disparar, mesmo em castelhano, quando pisam no meu calo 😈.

Bairros como Colonia Roma (foto), Condesa e Polanco são ótimos pra se explorar a pé
➡️ Uber na Cidade do México
Uma boa alternativa aos táxis e ao metrô é o Uber, que funciona direitinho e é muito barato.

Entre La Condesa e Chapultepéc (3 km), por exemplo, a viagem com o Uber custou cerca de 42 pesos mexicanos (R$ 7), valor similar ao que paguei entre meu hotel e a Colonia Roma (outro bairro descolado e bacana da Cidade do México).

➡️ Do aeroporto ao centro da Cidade do México em transporte público
O Aeroporto Internacional da Cidade do México não está distante do Centro ou dos bairros mais procurados para hospedagem. Fica a apenas 8 km do Zócalo, o coração da cidade, e a 12 km de La Condesa, por exemplo. 

Em frente ao Terminal 1 do aeroporto, a estação Terminal Aérea do metrô (linha 5, amarela), pode ser uma opção para quem desembarcar na cidade durante o dia e com pouca bagagem. 

A Linha 5 do Metrô da Cidade do México e suas conexões
(Imagem: Metrô México)
Para quem vai se hospedar na Zona Rosa ou nas imediações de Chapultepéc, é só pegar o trem na direção Sul, para Pantitlán, e trocar para a Linha 1 (cor-de-rosa), que serve a essas duas áreas (estações Sevilla e Chapultepéc, respectivamente). A Estação Sevilla também está próxima de Colonia Roma.

Quem vai ficar em Condesa deve pegar a Linha 9 (marrom), também em Pantitlán, e descer na Estação Patriotismo. 

➡️ Só tem uma pegadinha: é bem raro encontrar escadas rolantes nas estações de metrô da Cidade do México. Se sua mala for grande, vai ser uma agonia. E eu já falei que o metrô fica absurdamente lotado nos horários de pico, né? 😀

➡️ Além do metrô, a Linha 4 (laranja) do Metrobus (ônibus que circulam em faixas exclusivas) também passa pelo aeroporto e tem estações nos terminais 1 e 2. Pelo que vi no mapa, porém, só seria interessante para quem estivesse hospedada no Centro, nas imediações da Alameda e da Plaza Garibaldi.

➡️ Do aeroporto a Condesa, de táxi
Cheguei ao México em um sábado (menos muvuca), por volta das 13 horas, mas depois de passar a noite num avião e mais seis horas mofando no aeroporto de Miami, eu não queria nem pensar em pegar metrô —  minha mala pesava apenas 9 kg, mas nem assim...

Minha opção foi o táxi e recomendo. Mas não pode ser qualquer táxi. O mais seguro é pegar um carro da frota oficial que serve ao aeroporto. Os balcões das empresas que prestam o serviço ficam na área de desembarque. 

O esquema é igual ao que se vê nos aeroportos brasileiros: há uma tabela indicando o preço do trajeto para cada bairro da cidade, você paga adiantado e recebe um boleto que deverá ser entregue ao taxista.

Entre o aeroporto e meu hotel, em Condesa, o preço ficou em 230 pesos mexicanos (R$ 38). Na volta pra casa, saí para o aeroporto às 3 da manhã com um táxi especial providenciado pelo hotel e paguei 250 pesos mexicanos (R$ 42).

Mais sobre esta viagem
Miami: como aproveitar uma conexão

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