quarta-feira, 19 de julho de 2017

Um roteiro pela Roma Antiga

O Coliseu visto da subida para o Monte Palatino
Um dos grandes fascínios de Roma é a superposição de camadas históricas que desfilam para nós, à flor da terra, por onde quer que a gente ande. Basta caminhar uma quadra para topar com a Antiguidade animadamente dialogando com o Século 21, o Barroco de braços dados com o Renascimento, virando a esquina e dando tchauzinho para a Idade Média do outro lado da rua.

São quase três mil anos de história, mas é inegável que meu primeiro impulso para ver a capital italiana foi seu passado de glórias como centro de um dos maiores impérios do Ocidente, a capital de metade do mundo por mais de meio milênio. O Coliseu, o Fórum, o Palatino, o Mercado de Trajano, o Fórum Boário e o antigo Campo Marzio contam uma história fascinante e rendem ótimos passeios.

Quando andar pelas ruas de Roma, não esqueça de olhar para o alto. À esquerda, a Coluna de Marco Aurélio, erguida pelo imperador Cômodo para homenagear as vitórias do pai (que, dizem, ele envenenou). À direita, o Obelisco Montecitorio, do Século 6 a.C., pilhado por Augusto na guerra contra Cleópatra e Marco Antônio, no Egito
Para não me distrair com a superposição de eras que me fazem viajar pra frente para trás no encantador túnel do tempo que são as ruas romanas, montei um roteirinho bem disciplinado por alguns dos sítios mais importantes da Roma Antiga — da República e do Império para seguir na minha passagem mais recente por lá. Siga o mapa e vamos dar um pulinho no tempo dos césares:

Mapa de atrações da Roma Antiga
Veja no mapa que as atrações não são muito distantes umas das outras. O Coliseu, o Fórum, o Palatino e o Mercado de Trajano, marcados em laranja, são os lugares onde é preciso pagar ingresso e que vão demandar mais tempo de visita. As demais atrações são gratuitas e podem ser vistas em um passeio a pé.

Clique nos ícones para ver imagens de cada atração.





Coliseu
Piazza del Colosseo, 1 (Metrô Colosseo). Aberto diariamente (exceto 25/12, 1º/1 e 1º/5) a partir das 8:30h. O encerramento varia de acordo com a época do ano (às 16:30h no auge do inverno e às 19:30h no alto do verão. Veja os detalhes aqui). Entrada € 12, combinada com Fórum e Palatino e válida por dois dias.


Sempre haverá uma fila, mas ver o Coliseu por dentro é emocionante
Tem muita gente que vai a Roma e não vê o papa, mas acho bem difícil alguém passar pela capital italiana e não ver o Coliseu. O legendário anfiteatro, construído no primeiro século de nossa era, é o ícone maior do poder da civilização romana e a segunda atração mais concorrida de toda a Itália (só perde para o Pantheon, que não cobra ingresso), atraindo 6,4 milhões de visitantes todos os anos — pra você ter uma ideia, isso é quase o mesmo número de turistas estrangeiros que o Brasil recebeu em 2016 (6,6 milhões).

Dito isso, você já sabe o que esperar: vai ter sempre muita gente, além de você, querendo ver o colosso por dentro. A solução é comprar o ingresso com antecedência, pela internet, com hora marcada, pra não chorar na fila quilométrica e permanente. Essa modalidade custa € 16, € 4 a mais do que você pagaria na bilheteria, mas compensa.


Dois mil anos e muita agitação podem ter castigado o Coliseu, mas não diminuem o espetáculo de vê-lo cara a cara — a saída da Estação Colosseo do Metrô, de cara para o gol, é uma emoção que não arrefece, mesmo depois de algumas reprises. O fascínio não é só estético. A mística desse anfiteatro — alimentada não só de história, mas de literatura, cinema, fantasia e religião — é realmente poderosa.

Calcula-se que pelo menos meio milhão de pessoas tenham morrido na arena do Coliseu. Gladiadores, prisioneiros de guerra, inimigos de Roma e subversivos em geral deixaram seu sangue naquele palco em combates até a morte, lutas com feras, batalhas navais, representações mitológicas e qualquer outro enredo que rendesse entretenimento às massas ululantes que lotavam as arquibancadas — e conviessem aos poderosos das tribunas.

O Arco de Constantino, as colunas da Via Sacra (ao fundo) e o Coliseu
O Coliseu é um legado da Dinastia Flávia (os césares Vespasiano, Tito e Domiciano), que reinou em Roma e devolveu a estabilidade à metrópole e ao império depois do período especialmente conturbado que se seguiu à queda de Nero — portanto, aquelas cenas de Nero e Calígula mandando gente para a morte no Coliseu que você vê no cinema são um anacronismo, já que o anfiteatro é posterior aos reinados de ambos. Os historiadores colocam em dúvida se o local algum dia foi usado para martírios de cristãos.


Mesmo após a queda do Império, o Coliseu continuou em uso como espaço recreativo até o Século 6 (no século anterior, já haviam sido proibidos os jogos que resultassem em mortes humanas). Depois disso, foi dilapidado, com muitos de seus blocos de pedra e adornos de mármore retirados para servir a outras construções. Também serviu como cortiço, instalação militar e como local de culto cristão.

 
Fórum Romano
Largo della Salara Vecchia 5/6. Diariamente, a partir das 8:30h. O horário de encerramento depende da época do ano, confira aqui. O ingresso, combinado com o Coliseu e o Palatino custa € 12 e tem validade de dois dias. Metrô Colosseo
A Via Sacra, principal avenida do Fórum, era ladeada por colunas e pelos principais edifícios. Na foto, o Templo de Saturno (cantinho esquerdo), o Palácio do Campidólio (no alto), o Arco de Constantino (com o Altar da Pátria ao fundo)
Meu primeiro alerta: o Fórum é um mundo. Cada vez que vou a Roma, acabo descobrindo alguma coisa que ainda não tinha visto por lá. Se é sua primeira visita, reserve o dia para ele, combinando com a subida ao Monte Palatino.

Além de ter muita coisa para ver — prepare-se para caminhar bastante — você precisará de algumas pausas. Se for na época de calor, não esqueça o chapéu e o suprimento de água.

Pronto, agora que já cuidamos da parte prática, bora mergulhar nesse fascinante testemunho do esplendor da civilização romana. Vou falar apenas dos pontos que visitei nesta última passagem pelo Fórum, mas quando você for, leve um bom mapa e estude um pouquinho sobre o lugar, para compreender melhor o que vai ver.

O Arco de Constantino, na entrada do Fórum. À direita, o Coliseu

Um pouquinho de história
Os fóruns são as versões romanas da ágora grega, o coração da vida política, social e comercial das cidades. Já que Roma foi por mais de meio milênio a metrópole do Ocidente, é bem razoável dizer que o Fórum era o centro disso tudo — não vou chamar “isso tudo” de império pra não confundir: as conquistas romanas começaram ainda durante a República. 

A Via Sacra
Quer dizer, o Império Romano (no sentido de um poder que se estende por uma vasta porção territorial e se impões sobre diversos povos), já existia antes de Roma retornar à monarquia como forma de governo, em 27 a.C.

O Templo de Saturno
O Fórum Romano reúne, portanto, edifícios das duas épocas, República e Império, além de alguns exemplares do tempo dos reis, bastante modificados nesses períodos posteriores.

Da República, um dos destaques é o Templo de Saturno, em uma das pontas da Via Sacra, a principal avenida desse complexo, onde eram realizados os festivais religiosos e os triunfos, desfiles de celebração das grandes vitórias militares — a grande consagração dos generais romanos.

O Templo de Saturno, construção do período Republicano e uma das mais importantes do Fórum
Na verdade, o Templo de Saturno é ainda mais antigo que a República. Segundo os arqueólogos, o início de sua construção seria datado no período do reinado de Tarquínio Soberbo, o último rei de Roma. Dedicado ao deus do Tempo (equivalente ao Cronos, dos gregos), ganhou importância no período republicano como depósito do tesouro romano, dos arquivos estatais e do padrão oficial de pesos e medidas.

O Templo de Saturno fotografado da balaustrada do Campidoglio
Durante a República e o Império, o Templo de Saturno passou por pelo menos duas reconstruções, a última delas decorrente de um incêndio — esse é o motivo da inscrição que ainda se lê em seu frontão: Senatus Populusque Romanus incendio consumptum restituit ("O Senado e o Povo de Roma restauraram o que o fogo consumiu").


Afrescos na Basílica de Santa Maria Antiqua
Santa Maria Antiqua
Nesta passagem mais recente pelo Fórum Romano, finalmente tive oportunidade de visitar a Basílica de Santa Maria Antiqua, que ficou fechada ao público até 2012.

A história desse edifício é fascinante. Acredita-se que sua origem tenha sido alguma espécie de “portaria”, um acesso monumental ao Monte Palatino, onde vivia a nata da elite romana, ou talvez um alojamento de guardas. O túnel em rampa íngreme que levava ao Palatino ainda está lá.

O túnel de acesso ao Palatino

No Século 5 de nossa era, o lugar foi reformado e transformado em uma igreja cristã — o mais antigo e importante monumento dessa religião nas dependências do Fórum.

Diversas camadas de afrescos revestem as paredes do edifício e narram a trajetória estética ditada pelas diversas culturas que predominaram na cidade até o Século 9, quando um terremoto soterrou a igreja. Há desde vestígios de pinturas pagãs a diversos estilos de arte sacra cristã.

O edifício passou cerca de mil anos soterrado, depois de um terremoto

Após o terremoto, Santa Maria Antica permaneceu lacrada pelos destroços até o Século 20, quando foi escavada para revelar uma das maiores e mais importantes coleções de arte romana e bizantina da Itália.

Sem a interferência da luz, essas pinturas apresentam um estado de conservação impressionante. Na década de 80, o lugar foi fechado ao público para evitar danos aos afrescos e só foi reaberto há cinco anos.

Santa Maria Antiqua é um espetáculo e merece ir para o topo de sua lista de atrações no Fórum.





Arco de Constantino
Inaugurado no ano 315 da nossa era, esse arco triunfal é uma celebração das vitórias do imperador, o primeiro a professar o Cristianismo entre os governantes de Roma — daí as cruzes que se vê entalhadas no mármore.


Senhor da Britânia, Gália, Germânia e Hispânia, Constantino era um dos governantes do já fracionado Império Romano, que ele tinha a ambição de reunificar. Depois de mudar a sede de sua corte da cidade de Augusta dos Tréveros (atual Trier, na Alemanha, cidade natal de Karl Marx) para Bizâncio (rebatizada como Constantinopla, em sua homenagem), ele partiu para a conquista de Roma.

Em 312, Constantino venceu Magêncio, que reinava em Roma, pondo fim a 18 anos de batalhas para se tornar o monarca supremo do Império Romano. Na batalha decisiva, travada nas imediações da Ponte Mílvia (sobre o Tibre, 7 km ao Norte do Centro de roma), ele teria visto uma cruz em chamas e a inscrição In hoc signo vinces ("sob este símbolo, vencerás"), o que, reza a lenda, teria levado o imperador à conversão ao Cristianismo.


Estátuas das vestais 
Casa das Vestais 
Resta pouco desse palácio que deve ter sido imponente em sua época (os arqueólogos afirmam que o edifício tinha três andares e mais de 50 cômodos). O que se vê, atualmente, são vestígios da construção e algumas estátuas de vestais que, originalmente, adornavam o pórtico do edifício.

A Casa das Vestais era a morada das sacerdotisas de Vesta, a deusa do lar, um culto primordial na sociedade romana desde a República. 

Apenas mulheres podiam exercer o sacerdócio como vestais. Eram sempre seis, escolhidas ainda na infância para a função de guardiãs do fogo sagrado (a representação do lar, a intimidade e a segurança da lareira doméstica).

As vestais deviam permanecer virgens durante os 30 anos que passariam a serviço da divindade e eram intocáveis—atentar contra a pureza das vestais era uma agressão aos deuses.

As três colunas que restam do Templo de Castor e Pólux, do Século 5 a.C., e o pórtico do Templo de Antonino Pio e Faustina, dentro do qual foi construída uma igreja dedicada a São Lourenço, na Idade Média  

Monte Palatino
Via di San Gregorio 30. Aberto diariamente, a partir das 8:30h. O encerramento varia de acordo com a estação do ano (veja aqui). Entrada € 12, combinada com o Fórum e o Coliseu, com dois dias de validade.


Uma das sete colinas de Roma, o Palatino é a origem mitológica da cidade, o lugar onde os Rômulo e Remo teriam nascido e encontrados pela loba que os criou e alimentou. Os gêmeos podem pertencer à lenda, mas a vida real comprova que a povoação de Roma pode mesmo ter começado nesse morro coberto por ciprestes e hoje tomado por um agradável silêncio e suave cheiro de pinho.

O Palácio de Augusto, no Palatino

Os "palácios dos imperadores", conjunto de construções do Monte Palatino vistas do Circo Massimo (em primeiro plano), o antigo palco de competições esportivas até hoje usado para grandes celebrações em Roma
Com o Fórum a seus pés, o Palatino foi o berço e a morada dos patrícios romanos mais proeminentes. O imperador Augusto nasceu e viveu lá — as ruínas de seu palácio estão entre as mais impressionantes e bem preservadas do conjunto arqueológico — e seus sucessores Tibério, Calígula e Domiciano também escolheram a colina como moradia.

O Palatino, pra mim, é um dos passeios mais encantadores de Roma. Gosto de caminhar pelas trilhas entre as ruínas, imaginar o que seria um tranquilo bairro residencial no apogeu da civilização romana, fazer longas pausas sentadinha à sombra, curtindo o sossego do lugar, que contrasta fortemente com a eterna muvuca do Fórum.


Audioguia do Fórum e Palatino
A sinalização e as informações no Palatino e no Fórum não são das melhores. Recomendo que você leve um bom mapa quando fizer sua visita. Uma boa ideia é alugar um audioguia que cobre também os dois sítios. Infelizmente, as explicações não estão disponíveis em português. Os idiomas oferecidos são italiano, inglês, francês, espanhol, alemão, japonês, russo, chinês e árabe. Custa € 5 e a narrativa completa dura duas horas.

O site oficial dos sítios arqueológicos fala de um vídeo-guia com opção de narração em português, mas não informa o preço. Quando procurei para alugar, agora em janeiro, o serviço não estava disponível, mas não custa você se informar na bilheteria.


Ínsula de Aracoeli
Piazza D'Aracoeli. O edifício pode ser visto da rua. No interior da ínsula são permitidas apenas visitas guiadas, com agendamento obrigatório. Faça contato pelo e-mail info@060608.it ou pelo telefone 060608 (diariamente, das 9h às 19h).


Um "conjunto habitacional" do Império Romano
Depois de ver o extraordinário no Coliseu, Fórum e Palatino, que tal uma dose de cotidiano? A ideia de vida doméstica, trivial e rotineira em pleno Império Romano é o que mais me encanta cada vez que faço uma parada diante da Insula de Aracoeli, um exemplo das habitações populares do período.

Insula” (literalmente, “ilha”, uma analogia a “quarteirão”) designava um tipo de moradia barato, entre a casa de cômodos e o conjunto habitacional, que se tornou comum para resolver o déficit habitacional romano decorrente do crescimento da cidade — domus, a palavra latina usada para “casa”, refere-se à moradia particular — a partir do final da República e das grandes conquistas territoriais. A Ínsula de Aracoeli pode ter abrigado até 380 moradores, segundo os arqueólogos.

O afresco medieval representa o enterro de Cristo. À direita: o térreo e o primeiro andar da Ínsula de Aracoeli estão 9 metros abaixo da rua atual
Foi o imperador Augusto quem baixou as normas construtivas desse tipo de prédio, que não podiam ultrapassar os 21 metros de altura (o que faz da Roma Imperial uma cidade com gabarito similar ao do Plano Piloto, em Brasília, e seus edifícios de seis andares).

A Ínsula de Aracoeli foi descoberta na demolição de um bairro medieval que se esparramava aos pés do Monte Campidoglio (Capitólio), varrido da paisagem urbana nas reformas empreendidas por Mussolini para ressaltar a grandeza da “Máquina de Escrever”, seu megalomaníaco “Altar da Pátria”— a construção de Roma que, como vocês já sabem, jamais conseguiu conquistar minha afeição. A ínsula fica quase colada à encosta de onde se ergue esse monumento.

A fachada da ínsula. Ao fundo, o Altar da Pátria e a Igreja de Santa Maria em Aracoeli
Do conjunto da ínsula, restam quatro pavimentos de um prédio e mais dois de outro. O campanário românico e o afresco sacro que se vê em um nicho na fachada são acréscimos medievais herdados da Igreja de San Biaggio de Mercato, construída por cima da edificação imperial — em Roma, nada se perdia e as antigas construções iam sendo incorporadas às mais recentes, sem a menor cerimônia. Não é raro ouvir falar de casas que usam a antiga muralha como uma de suas paredes.


Mercado de Trajano
Via IV Novembre nº 94 (Metrô Colosseo). Diariamente, das 9:30h às 19:30h. Entrada: € 11,50.


Construído no Século 2 d.C e contemporâneo do Fórum de Trajano, o “mercado” ganhou este nome pela subdivisão de seu interior em pequenos compartimentos, semelhantes a lojas — o que deu origem à lenda de que este teria sido um “shopping center” da antiguidade. O mais provável, porém, é que o local fosse usado como um conjunto de escritórios.

Com a queda do Império Romano, o Mercado de Trajano acabou usado como instalação militar, como se vê em algumas torres construídas na Idade Média e na estrutura identificada como Castelo dos Cavaleiros de Malta. Ao longo do tempo, foi sendo ocupado como moradia, um apinhado conjunto habitacional que perdurou até o Século 19. 

Circo Máximo
Metrô Circo Massimo


O Circo Máximo e, à direita, os Palácios dos Imperadores, no Palatino
Arena destinada às competições esportivas e corridas de carros de guerra (bigas e quadrigas) o Circo Máximo já estava em uso desde o tempo dos reis etruscos. Foi Júlio César quem determinou uma grande reforma no local, ampliando sua capacidade para 250 mil  espectadores e consagrando-o como a grande área de entretenimento da Roma Antiga.

Não resta muito das edificações, hoje um descampado coberto de grama no vale entre os montes Palatino e Aventino, mas os romanos continuam a realizar suas grandes celebrações no Circo Máximo—como as festas de Ano Novo e as comemorações das vitórias da Azzura, a seleção italiana de futebol.


Campo Marzio

Os gatos de Torre Argentina
No tempo da República Romana, essa região em frente ao Tibre e fora das muralhas era dedicada ao culto de Marte, deus da guerra, e era lá que os soldados se reuniam na primavera, antes de marcharem para as batalhas, e aonde retornavam para comemorar as vitórias em celebrações religiosas. Aos poucos, a área foi ganhando uma série de templos construídos por generais vitoriosos em suas conquistas.

O Pantheon é simplesmente espetacular
Entre os edifícios mais notáveis, lá estavam o Teatro de Pompeu (Século 1 a.C, no atual Largo de Torre Argentina), que abrigou as reuniões do Senado Romano — e em cujas escadarias Júlio César caiu morto a punhaladas — a Septa (onde se realizavam as eleições), o Pórtico de Otávia e o Ara Pacis (Altar da Paz). Termas, mausoléus e outros edifícios completavam o conjunto, entre eles o Pantheon, o impressionante templo que ainda hoje comove visitantes do mundo inteiro.

Na Idade Média, devido ao colapso do abastecimento de água resultante da destruição dos aquedutos, o Campo de Marte se tornou a área mais populosa de Roma, devido á sua proximidade com o rio.

As principais atrações do Campo Marzio

Pantheon
Piazza della Rotonda. Diariamente, das 9h às 19:30h. Entrada gratuita



O monumento mais visitado (e um dos mais espetaculares) da Itália atrai mais de 7 milhões de turistas por ano. Era o grande "templo de todos os deuses", fundado em 27 a.C (oficialmente, o primeiro ano do Império) para reunir os cultos a todas as divindades, não só locais, mas de todos os povos submetidos a Roma. Desde o Século 7 foi convertido em igreja católica.

Leia mais sobre o Pantheon aqui: Roma, cada igreja é um museu

Teatro di Marcello e Pórtico de Otávia
O teatro dedicado a Marcello, filho de Otávia e sobrinho de Augusto. Ele havia sido indicado como herdeiro do Imperador , mas  morreu antes do tio
Essas duas obras encomendadas pelo imperador Augusto homenageiam sua irmã, Otávia, e seu sobrinho, Marcelo. Do pórtico resta apenas a estrutura central, com a entrada monumental. Era um edifício destinado a diversas atividades, abrigando obras de arte, uma biblioteca, templos e até uma escola.

O Pórtico de Otávia fica bem na entrada do Ghetto, área destinada aos judeus na Idade Média. Na época do Império, a imponente construção  abrigava templos, biblioteca e até uma escola
O Teatro di Marcello, bem conservado, ocupa o local do antigo Circo Flamínio, onde se realizavam corridas de bigas.

Mais sobre o Pórtico de Otávia e o Teatro di Marcello neste post: 
5 passeios em Roma: receita de paixão

Largo de Torre Argentina

Um conjunto de quatro templos da época da República – e uma população incontável de gatos de rua, gordos e muito fleumáticos — são a principal atração desse sítio arqueológico à margem do trânsito nervoso do Corso Vittorio Emanuelle II. O mais antigo desses edifícios data provavelmente do Século 4 a.C. e era dedicado a Ferônia, deusa da fertilidade. Próximos a eles estão os vestígios do Teatro de Pompeu.

Largo de Torre Argentina: foi aqui que Brutos assassinou Júlio César
Fórum Boário
Se você já esteve em Roma, é bem provável que já tenha andado por aqui, ainda que não associe “o nome à pessoa”. O Fórum Boário é aquele pedacinho da cidade mais conhecido pelas filas insanas de gente que quer colocar a mão na Boca da Verdade, no adro da Igreja de Santa Maria in Cosmedin. 

É lá que estão dois dos monumentos mais conservados do tempo da República Romana, os templos de Portuno e de Hércules Vencedor, ambos na atual Piazza della Bocca della Verità

O Fórum Boário hoje é mais famoso pela Boca da Verdade, na Igreja de Santa Maria in Cosmedin (campanário à esquerda), mas guarda duas preciosidades do tempo da República, os templos de Hércules (à direita) e de Portuno
Muitos séculos atrás, era no Foro Boário que funcionava o mercado de gado e de carne em Roma, aproveitando a proximidade de um velho porto do Tibre. Os antigos romanos tinham uma lenda para o lugar, envolvendo Hércules em pessoa.

Teria sido lá que o herói teria realizado seu 10º trabalho, matado o gigante Gerião, de seis braços e seis asas e tomado seus bois (os restos de um altar celebrando esse feito ainda podem ser vistos na Igreja de Santa Maria in Cosmedin).

Templo de Hercules Vítor (Vencedor)
Só pode ser visto por dentro no 1º e 3º domingo de cada mês, mediante agendamento. Para reservar, ligue para 0039 06 39967700. O ingresso custa € 5,50 + € 2,00 pela reserva.



De planta circular e sustentado por 20 colunas, o templo de Hércules é obra de artistas gregos e foi erguido no Século 2 a.C. (o templo de mármore mais antigo ainda de pé em Roma). Hércules Vencedor era o padroeiro dos comerciantes do Fórum Boário.

Na Idade Média, chegou a ser transformado em igreja católica e herdou dessa destinação alguns afrescos pré-renascentistas que adornam seu interior.

O templo dedicado a Portuno data do Século 4 a.C.
Templo de Portuno
Portuno era o deus das navegações fluviais — uma espécie de Netuno de água doce, para os romanos — e padroeiro dos barqueiros e portuários que trabalhavam no transporte e na descarga das mercadorias que chegavam pelo Rio Tibre para abastecer o Fórum Boário.

É ainda mais antigo que o Templo de Hércules (datado do Século 3 ou 4 a.C.), o que torna ainda mais impressionante seu estado de conservação, devida em parte a seu uso como igreja católica desde o Século 9 de nossa era. Seu interior também está decorado com afrescos, esses do período bizantino. O interior do templo atualmente está fechado à visitação.

Mais sobre Roma
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