domingo, 14 de setembro de 2014

Paris – minhas dicas práticas

A Place des Vosges é séria candidata 
ao título de meu cantinho preferido em Paris
Se você leu o post anterior, já sabe que acabei de voltar de uma viagem de 25 dias pela Europa, que começou e terminou em Paris. Somados, foram sete lindos dias na cidade, que — clichê ou não —jamais é citada sem ao menos a sugestão de um suspiro acompanhando seu nome. Eu sou absolutamente louca por ela, mas fiquei oito anos sem aparecer por lá. Estava, portanto, ansiosa para rever cada lugar que fui reunindo, nas passagens anteriores, como “meus cantinhos” na capital francesa.

Mas essa visita não poderia ser como a minha última temporada parisiense. Em abril de 2006, fiquei três semanas na cidade numa batida que só posso descrever como “vagabundagem elegante”: tirando a visita a alguns museus, não fiz absolutamente nada que pudesse constar em uma lista de atividades turísticas.

Paris à noite: quem resiste?
Li um bocado, cada dia em um café ou parque diferente, fui muito ao cinema, ouvi muita música e acho que só via a Torre Eiffel quando pegava a linha 6 do Metrô e o trem atravessava o Sena rumo à Estação de Bir-Hakeim — seguramente o momento mais espetacular do transporte público mundial, mas que está fora de operação atualmente, em função de reformas.

Culpa de Paris, que me inspira uma vontade louca de andar sem rumo (eles não inventaram o verbo flâner só por boniteza...)

Um dos meus ângulos favoritos da cidade: 
a Pont de Notre Dame e as torres pontudas da Conciergerie
Desta vez, porém, eu não estava viajando sozinha. Meus 25 dias europeus contaram com a divertida companhia de meu sobrinho Bruno, de 19 anos, estudante de Arquitetura e calouro no continente — que me fez descobrir que tão bom quanto ver Paris pela primeira vez é poder mostrá-la em primeira mão a alguém legal.

Foi graças a ele que fiz quase todos os programas que fiquei devendo nas minhas vagabundagens anteriores. Turistei pra valer e trouxe uma porção de informações aqui para o blog. Prometo muitos posts e muitas fotos. Por enquanto, fique com algumas dicas práticas pra já começar a preparar a sua viagem pra lá.

A cidade vista do alto do Arco do Triunfo
Como viajei

Desde março, a Air France tem três frequências semanais (às segundas, quartas e sextas) entre Brasília e Paris. São 10 horas de voo e o conforto incomparável de não ter que mofar durante as conexões (pra vocês terem uma ideia: pelo meu plano original, que era ir só para a Irlanda, eu levaria quase 40 horas entre Brasília e Dublin, com trocas de aeronave no Galeão e em Heathrow).

Outra vantagem de um voo direto costuma ser a redução considerável do risco de extravio de bagagem, já que a mala entra no avião no ponto de partida e vai direitinho para o destino, sem remanejamentos.

Dessa parte, porém, eu não consegui usufruir, nem na ida, nem na volta. Na chegada ao Aeroporto Charles de Gaulle, minha mala não apareceu na esteira, pois havia sido reunida a um lote de bagagens de uma excursão que estava em conexão (felizmente, a teimosa aqui conseguiu encontrar a bichinha). No retorno a Brasília, foi a mala de Bruno que tinha ficado em Paris e só foi entregue pela Air France uma semana depois...

Do Aeroporto ao Centro: melhor de táxi


A Ópera Garnier, ponto de parada 
do RoissyBus, uma das alternativas baratas 
para quem vem do aeroporto
O Aeroporto Charles de Gaulle recebe a maioria dos voos internacionais e fica a 25 km do centro (considerando a Catedral de Notre Dame como "centro", já que ela é o marco zero da cidade). Em viagens anteriores, quando estava sozinha, sempre fiz o trajeto do aeroporto para o hotel com o trem RER B (passagem a € 9,10), que faz o percurso em cerca de 30 minutos.

O aeroporto é bem sinalizado e não é difícil achar a estação. Difícil é sair do trem lotado com a mala, quando a viagem é feita em horário de pico — na minha primeira vez em Paris, eu quase não consigo.

Outro jeito econômico, pra quem está sozinha, é o RoissyBus (€10), que tem parada ao lado da Ópera Garnier.

Mas se você está viajando com mais alguém,  o táxi (na casa dos €50)  já começa a ser uma opção muito melhor, se você considerar que nem o RER, nem o ônibus da Air France (€17), nem o RoissyBus vão lhe deixar na porta do hotel, o que vai lhe obrigar a pegar um táxi no centro, até o hotel, ou fazer o resto do deslocamento de metrô — que é ótimo, mas nem sempre as estações têm escadas rolantes, o que torna o subir e descer com as malas uma agonia.

Na chegada de Brasília, nosso táxi do Charles de Gaulle até o 11º Arrondissement custou €54.

A Catedral de Notre Dame é o marco zero de Paris
Experimentando um transfer - Na chegada de Dublin (sim, essa foi uma viagem com duas chegadas a Paris!!), experimentamos o transfer da empresa Minha Paris, que nos foi oferecido como cortesia.  Achei muito confortável já encontrar o motorista nos esperando no portão de desembarque e não ter que pegar a fila do táxi, ainda mais que chegamos à noite (cerca de 21:30h). 

O serviço custa €95 para uma ou duas pessoas (€120, para três ou quatro passageiros e €145 para grupos entre cinco e oito pessoas). Pela praticidade e pela educação do motorista que nos atendeu, pode ser uma ótima pedida de você estiver viajando com um pouquinho mais de folga no orçamento.

Centro ou bairro: onde é melhor ficar?

Fachadas na vizinhança do meu hotel, no 11º Arrondissement e uma das "nossas" estações de metrô, a Richard Lenoir (abaixo)

Nesta viagem, pude testar as duas opções. Na primeira parada em Paris (cinco noites), escolhi o Gardette Park Hotel, no 11º Arrondissement, em uma área residencial.

Estava pertinho do Marais e da Praça da Bastilha e, ao mesmo tempo, imersa em uma atmosfera mais de vida normal, onde rapidamente a gente fica íntima do café da esquina (os frequentadores conversam entre si e lhe incluem na conversa), da boulangerie/patisserie que serve delícias a preços decentes (nossos cafés da manhã pantagruélicos jamais custaram mais que €4 por cabeça) e do bistrô do quarteirão, onde a dona cumprimenta com beijinhos e senta de mesa em mesa para dois dedos de prosa.
"Nossa" confeitaria, Le Saint Georges, na esquina da Rue de Chemin Vert com o Boulevard Voltaire, a uma quadra do hotel
Na volta de Dublin, passamos mais três noites (dois dias) em Paris e, por comodidade, escolhi ficar perto da Ópera, já que pretendia fazer uma comprinhas (sim, nem eu resisto!). Escolhi o Hotel Les Plumes, outro moderninho, instalado em um edifício antigo e também muito bem restaurado, quase na esquina da estação Cadet do metrô. A área é muito mais movimentada, mas menos calorosa.

Cartazes convocando para uma manifestação 
contra a extrema direita no Boulevard Beaumarchais
Conclusão
Parque infantil no Boulevard Richard Lenoir 
Ficar em uma área mais residencial tem algumas (poucas) desvantagens: os restaurantes das redondezas fecham muito mais cedo (depois das 21h, 21:30h, já era bem difícil conseguir jantar) e gasta-se um pouco mais de tempo para chegar às grandes atrações parisienses. Quem faz um gênero mais medroso talvez não se sinta bem voltando tarde para o hotel, pois as ruas ficam mais vazias (embora tendam a ser mais seguras que as do centro).

Nas três noites que ficamos alojados perto da Ópera, já sentimos a diferença na chegada: passava das 23 horas e os restaurantes da vizinhança nem davam sinal de querer fechar. Além disso, com um pouquinho mais de disposição (e sem pacotes), dava até para dispensar o transporte público para chegar aonde queríamos. Enfim, perdemos em aconchego e ganhamos em agilidade nos deslocamentos.

Portanto, para quem tem só dois os três dias para ver a cidade pode ser melhor ficar em uma área central. Quem tem mais tempo ou já conhece a cidade, porém, precisa experimentar o climinha mais acolhedor de um bairro. É claro que ninguém vira local em uma semana, mas é muito gostoso ser ao menos espectador próximo desse astral mais cotidiano.

Onde fiquei

Gardette Park Hotel
1 Rue Du Général Blaise, 11º Arrondissement
Meu quarto no Gardette, já devidamente bagunçado :)
O hotel fica em frente a um jardim com velhas árvores frondosas, a Square Maurice Gardette — uma daquelas clássicas pracinhas cercadas por grades — e pertinho de um monte de estações de metrô (as mais próximas: Voltaire e Saint-Ambroise, na linha 9, e Rue Saint-Maur, na linha 3), em uma área bem servida de restaurantes e cafés. Instalado em um casarão antigo e muito bonito, tem um interior moderninho e bem cuidado e astral descolado.

O quarto não é grande, mas dá pra duas pessoas se movimentarem sem trombadas. A cama é confortável e os apartamentos têm TV de tela plana, cofre, guarda-roupa, uma bancadinha de trabalho (tomadas à vontade \o/), base para iPod, janelas a prova de som e ar condicionado.

Adorei a janela até o chão, com um balcãozinho (o meu debruçava para a rua lateral, mas alguns têm vista para a praça).

A vista do balcão e o chuveiro do Gardette
O banheiro, novíssimo, é pequeno, mas bem resolvido, com uma boa prateleira para organizar toda a tralha das nescessaires. O WiFi é gratuito e bem rápido.

Gostei demais do hotel, do atendimento simpático, da vizinhança e do preço da diária (€ 96, em apartamento duplo, sem café da manhã).

Só é importante você saber que há uma ala do hotel (a que eu fiquei) que está desnivelada em relação aos elevadores, portanto, ao descer do elevador, sempre haverá meio lance de escadas para subir ou descer para chegar ao corredor dos apartamentos. Para quem tem dificuldade de locomoção, isso pode ser um problema.


Rue La Fayette, nossa vizinhança na segunda passagem por Paris
Hotel Les Plumes 
10 Rue Lamartine
A fachada do Les Plumes
Escolhi este hotel pela localização (a menos de uma quadra da Rue La Fayette e da Estação Cadet do metrô) e acho que acertei. Assim como o Gardette, é um hotel que atrai um público mais descolado e a equipe de funcionários combina perfeitamente com esse astral: são informais, simpáticos e atenciosos.

Como já disse, ele fica em um edifício antigo, em uma rua com pouco movimento de carros, mas vários cafés e restaurantes (a janela do quarto, a prova de som, abafava todo o vozerio) e tem decoração temática, inspirada em grandes escritores franceses (as plumas do nome não têm nada a ver com o Folies Bergère, mas com as penas usadas por quem vivia de escrever antigamente).

O salão onde é servido o café da manhã no Les Plumes
O papel de parede dos corredores faz a gente acreditar que vai dar de cara com Guilherme de Baskerville a qualquer momento :)
Talvez o conjunto da decoração resulte um pouco forte  ao olhar (o papel de parede reproduzindo estantes de livros que decora todos os corredores me deixava com a sensação de estar na biblioteca do mosteiro de O Nome da Rosa), mas interessante — instigante, com certeza.

Os quartos do Les Plumes também não são grandes (aliás, onde são, nos hotéis acessíveis aos mortais em Paris?), mas são confortáveis, com caminha gostosa, dois janelões com balcão de ferro, mesinha de trabalho e armário com cofre, ar condicionado e TV de tela plana com uma boa diversidade de canais. O Wifi também é gratuito e rápido.

O quarto do Les Plumes: compacto, mas confortável
O banheiro é significativamente maior do que o do Gardette e era bem interessante: tinha uma iluminação que mudava de cor, como nas discotecas da minha adolescência (dizem que relaxa tomar banho assim, mas virou nossa piada particular cantar Dancing Queen no chuveiro: sai Guilherme de Baskerville, de O Nome da Rosa, entra o Abba, rss).

Diárias de €150, no duplo, sem café da manhã. A área de banho é separada da área do vaso sanitário.

O resumo da ópera é que aprovei os dois hotéis, que, aliás, eram bastante similares. Imagino que a diferença de preço do Les Plumes para o Gardette se deva à localização. Mais um ponto para a opção de ficar mais afastada do centro, portanto.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

Como circular

Detalhes de estações de metrô: pode chamar de  heresia,
mas eu curto demais andar por baixo da terra em Paris
Um monte de gente que diz que é pecado se enfiar em buraco de metrô para se deslocar por Paris. Eu até poderia concordar (adoro andar a pé e faço isso com enorme frequência).

Acontece que o metrô de Paris é tão fácil de usar, com uma malha tão extensa e com estações tão interessantes que eu sempre achei que andar de metrô por lá era um programa, uma experiência estética mais rica que muito museu ou galeria — com a vantagem de poder observar os parisienses e chegar exatamente aonde eu quero por €1,70 (€ 1,30, se comprar o pacotinho com 10 bilhetes).


E cada vez mais eu me convenço de que, fora caminhar, não há jeito mais legal de me locomover em Paris do que brincando de tatu. Tenho até estações queridinhas, como Arts et Métiers (linhas 3 e 11), onde eu sempre dou um jeitinho de parar para fotografar.

Estação Arts et Métiers: fala se 
eu não tenho razão em brincar de tatu?
Paris também tem o passe Navigo, que vale para a semana (sempre de segunda a domingo) e substituiu a antiga Carte Orange. Eu não usei, mas se você for ficar mais tempo na cidade, vale se informar sobre ele. Já aviso que você precisará ter uma foto 3x4 para colar no passe, caso contrário, poderá ser multado pelos fiscais que dão umas incertas para pegar os espertinhos que viajam sem pagar.

Por falar nisso, só jogue fora o bilhete do metrô depois que sair da estação. Em algumas delas, você precisará dele para acionar a catraca, na saída. E sempre pode ser solicitada a mostrá-lo a um fiscal.
"Renasça a cada manhã", propõe a propaganda de colchão. Usar o transporte público também serve para nos lembrar que há sempre um lado menos luminoso em todas as cidades
Para organizar nossas rotas na cidade, usamos muito o GoogleMaps e um aplicativo para smartphones da RATP (a companhia de transportes de Paris, chamado Visit Paris by Metro, que você baixa clicando no link. 

O aplicativo é útil, mas não está em dia com as diversas estações fechadas para reforma (por exemplo o  trecho entre o Trocadéro e Bir-Hakeim, na linha 6, a estação de Oberkampf e a ligação de Châtelet com a linha 1). Fique ligada, portanto, nos avisos que estão em todos os trens sobre essas obras.

Para ficar conectada
Estou falando de usar GoogleMaps e aplicativos e, claro, é possível baixar mapas ara usar off line. Mas cheguei a uma fase da vida em que estou dependente química de conexão com a internet e não suporto frustrações tipo sentar em um café que anuncia WiFi, mas o bicho não funciona.

Por tudo isso, achei muito bem pagos os €20 que gastei na Orange por um chip com créditos de celular válidos para 15 dias (inclusive ligações internacionais) e mais 1 giga no pacote de dados. As lojas da empresa estão por toda parte. Eu fui à loja do Boulevard Saint Germain, quase em frente à estátua de Danton, e fui muito bem atendida. Tem que apresentar o passaporte para comprar o chip, tá?

Paris é legal em agosto?
Pra você ter uma ideia de como é Paris em agosto
Deixei para o fim, mas foi a pergunta que mais me fizeram quando anunciei que ia passar uns dias na capital francesa, a caminho da Irlanda. O que posso dizer é que, na perspectiva de turista, não deu pra sentir aquela tal fuga dos parisienses e fechamento de montes de cafés e restaurantes que foi consagrada na mitologia da cidade.

E choveu uma barbaridade...

Sim, a Bethillón estava fechada (mas tinha sorvete da Berthillon em todos os cantos) e vi algumas padarias e cafés do bairro fechadas. Mas fora isso, nada. A cidade me pareceu inteirinha.

Para mim, questão de agosto não foi a fuga de parisienses, mas a invasão de hordas de visitantes, o que se expressava em filas literalmente quilométricas nas principais atrações da cidade. Algumas eu encarei. As mais exageradas (da Torre Eiffel, do Louvre e de Notre Dame) eu pulei, porque eram coisa pra umas três horas de sofrimento (no calorão ou, pior, debaixo de chuva forte).

Mas você conhece alguma cidade
 com uma luz mais bonita depois da chuva?
Sim, porque uma das vantagens de agosto, que é o verão, foi surrupiada da gente nesta temporada, em todas as cidades que passamos: choveu muito e com vontade (acho que o GPS de São Pedro está descalibrado e ele estava só atendendo as preces pra chover na Cantareira...). Se atrapalha? Um pouco sempre atrapalha, mas uma coisa eu preciso dizer sobre Paris: nenhum lugar do mundo tem uma luz tão linda quanto essa cidade, depois da chuva.

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6 comentários:

  1. Ai...que saudade me deu!!!!
    Cláudia Maas

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    1. Até eu, que acabei de chegar, já estou com saudades, Claudia :)

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  2. Delícia, delícia! Adorei as dicas! Entrarão na minha lista para uma próxima aventura em Paris!

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    1. Valeu, Neblina. E vem muito mais por aí. Bjo

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  3. Adorei, Cyntia!!
    É a cidade que mais amo e estou conseguindo manter um ritmo de visitá-la de 5 em 5 anos rsss Mas juro que gostaria de passar por lá todos os anos e em estações diferentes. Enquando não dá, continuo com minha visita quinquenal de inverno!
    Lindas as fotos ;)
    bjs

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    1. Com esse voo direto, agora, vai compensar fazer umas paradinhas por lá, sempre que for à Europa, Gabi. A cidade é lindona demais. Paixão...

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