terça-feira, 4 de outubro de 2011

Os céus que me protegem


Brasília: o céu mais bonito que eu conheço
(Memorial JK, outubro de 2006)
Música deste post: Lucy in the Sky with Diamonds, The Beatles

Meu velho/novo lar é um lugar que a maioria dos brasileiros adora desdenhar à distância: “Brasília não tem mar”, “Brasília não tem esquinas”... (Fora a mania de creditar à cidade a culpa pelos desvios éticos na política, como se isso fosse uma questão de latitude e longitude). O que essa galera não sabe é que a Capital Federal tem um dos céus mais apaixonantes que já vi.

Desde criancinha, adoro olhar para o céu. Posso atestar: o de Brasília é arrebatador a qualquer hora e com qualquer tempo. Quando está azul, é um risco de vida — convém evitar deslumbramentos ao ar livre, sob o sol inclemente. Nublado, é um escândalo. Com lua cheia (enorme), é covardia. E tem o quarto-crescente, o sorriso do Gato de Alice, pendurado no céu, bailando em frente à minha varanda.

Sei lá se é a topografia: cá em cima do Planalto a gente fica no mesmo andar do horizonte sem grandes recortes. O céu fica maior, mais perto, mais bonito. Se eu fosse fazer um ranking dos céus mais hipnóticos que já vi, dava Brasília na cabeça.

Ilha do Sol, Lago Titicaca
(novembro de 2010)
Em segundo lugar, eu colocaria o céu do Titicaca. Ver o crepúsculo, a noite e o amanhecer no topo da Ilha do Sol vale toda a dispneia da subida — 1.500 metros montanha acima, a 3.800 metros de altitude.

Mas nem precisa ir tão longe para ver estrelas pertinho do chão. Como lá, no Altiplano, as noites no Raso da Catarina (3° lugar), no Sertão da Bahia, também deixam a gente sem fôlego. 

Nunca vou esquecer uma viagem de Canudos a Euclides da Cunha, depois de uma reportagem, recostada na mochila, na traseira de uma picape. Foi em 1986. Tinha acabado de acompanhar a missa no lugar onde existiu o Arraial do Conselheiro — era celebrada todos os anos, em memória dos mortos na guerra — e peguei uma carona de volta à cidade. Na época, luz elétrica era rara naquelas bandas e o céu tinha tantas estrelas que cheguei a achar que tinha pirado de vez.

Paris: uma luz que só existe lá
(Ponte Alexandre III, abril de 2006)
E tem o céu de Paris. Não é toda hora nem todo dia. Mas, quando calha de estar nublado, o cair da tarde cobre a cidade com uma luz que só é possível lá: tem sempre um raio de sol que atravessa as nuvens, deixa tudo dourado, mais vivo, mais intenso. Concreto e irreal.

Tem gente que olha para o alto e pensa em deuses. Eu, feliz ou infelizmente, só consigo intuir vapores, gases e partículas várias. Meus céus são materiais, físicos, "desdivinizados", mas fazem um bem danado pra minha alma. Afinal, tem proteção melhor contra os maus espíritos que a felicidade? 

Para ver o céu:

Congresso Nacional, Brasília
Em Brasília- Qualquer lugar é perfeito para olhar o céu na capital da República. Num dia comum, de trabalho, é maravilhoso ver a lua nascendo sobre a Esplanada dos Ministérios. Um bom mirante é a passarela da Rodoviária. Outro é o café que funciona na Torre de TV. Meu jeito preferido de contemplar a lua cheia é passando de carro pela Ponte JK, que eu chamo de ponte alucinógena — é linda, especialmente à noite! Com a  a versão do Credence de I've heard it through the grapevine de trilha sonora, então, a vida fica perfeita...

No Titicaca- As coordenadas para chegar ao Lago e à Ilha do Sol estão aqui na Fragata, nos posts da viagem à Bolívia.

O céu do Titicaca também é lindo a qualquer hora
No Raso da Catarina- É uma das regiões mais belas e mais "difíceis" que conheço: quente, seca, árida, no Norte da Bahia, abaixo do Rio São Francisco, entre os municípios de Paulo Afonso, Jeremoabo, Canudos e Macururé. É lugar de histórias de cangaceiros, da saga de Canudos, embalada pelos humores do Rio Vaza Barris. Já contei um pouquinho sobre o Raso aqui na Fragata, no post sobre a Caravana da Cidadania.

O melhor ponto de partida para vistar a região (que hoje tem uma reserva biológica e também área indígena dos Pankararés) é partindo de Paulo Afonso, a 460 quilômetros de Salvador. Lá, algumas agências organizam trekking e passeios pelo Raso da Catarina.

O entardecer no bairro do Marais, em Paris

Em Paris: Les Vedettes du Pont Neuf (Partidas da Square du Vert Galant, acesso por Pont Neuf). Bilhetes: 13 Euros. Diversas saídas diárias, das 10:30h às 22 horas (no verão, às 22:30h) O passeio pelo Sena dura uma hora. Nas margens, desfilam alguns dos pontos mais famosos de Paris, como a Torre Eiffel e a Place de La Concorde. Mas gostoso mesmo é pegar o barco num dia frio (sem tantos turistas), ao cair da tarde, e ver a cidade passar, sob a luz dourada. Exige quilos de agasalhos, mas é inesquecível, especialmente se o céu estiver armando chuva.

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