4 de janeiro de 2018

Tikal, Guatemala - roteiro e todas as dicas para organizar a viagem


Esforço que vale a pena: a subida ao topo do Templo IV nos recompensa com essa vista de Tikal
2017 foi um ano generoso comigo no capítulo viagens. Visitei 25 cidades/localidades, sete países (três deles inéditos pra mim: México, Panamá e Guatemala) e estive em alguns destinos que estavam na minha lista de desejos há muito tempo. Se eu tivesse que escolher meu melhor momento viajante do ano passado, não teria dúvidas em eleger Tikal, a “capital” da civilização maia, na Guatemala.

Tikal frequentou minhas fantasias desde que eu era criança. A majestosa cidade engolida pela selva, após ser abandonada no Século 10 da nossa era, vai muito além do que a minha imaginação sugeria.

A metrópole maia e seus espetaculares templos em forma de pirâmides são um senhor motivo para que você coloque a bela Guatemala em seu radar viajante.

O coração chega a dar uma paradinha: vista da Praça Central, do alto da Acrópole Central. No cantinho esquerdo, o Templo das Máscaras, ao fundo, a Acrópole Norte e, no centro, o Templo do Grande Jaguar
Neste post eu reuni todas as dicas práticas que anotei em minha visita para ajudar a organizar a sua viagem a Tikal. Também conto um pouquinho da história do lugar e falo das principais atrações da capital dos maias. Espero que a sua jornada seja tão inesquecível quanto foi a minha.

⇨ O que ver em Tikal
O Parque Nacional Tikal, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, é imenso. São 575 km² de floresta tropical aninhando as ruínas da mais importante cidade da civilização maia, que floresceu a partir do Século 8 a.C.

O antigo núcleo urbano de Tikal está encravado na Reserva da Biosfera Maia, na região do Petén, a planície que ocupa o Norte da Guatemala.

A subida da Pirâmide Leste do chamado "Complexo Q"
Os maias começaram a construir sua capital nove séculos antes de Cristo. Em seu tempo, Tikal foi uma metrópole que concentrou o poder político, econômico e religioso de um império que se estendeu do Sul do atual México (Chiapas e Península de Yucatán) até o os territórios que hoje pertencem à Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras.

Os arqueólogos acreditam que, em seu esplendor Tikal tenha chegado a reunir uma população entre 100 mil e 150 mil habitantes.

A civilização maia foi extremamente sofisticada. Eles foram o único povo pré-colombiano a desenvolver uma escrita e eram feras em astronomia, traçando a rota dos planetas e desenvolvendo um calendário muito preciso (aquele famoso que, não, não previu o fim do mundo em 2012 ...), essencial para o planejamento de plantios. 

A Pirâmide Leste, no Complexo Q. As estruturas circulares diante das estelas são altares
Após a dispersão do império maia e o abandono da cidade, Tikal foi completamente coberta pela mata e ficou esquecida por cerca de 900 anos, embora permanecesse presente na tradição oral dos povos indígenas locais.

Foi só que no Século 19 o governo guatemalteco pode organizar uma expedição, com auxílio europeu, para comprovar a lenda sobre a monumental cidade maia. 

As escavações continuam em Tikal em curso, com muito cuidado, pois muitas das estruturas estão completamente cobertas de terra e vegetação. Cada morrinho que a gente vê à beira das trilhas do parque pode ser uma construção maia engolida pela selva, com árvores imensas em seu topo. 

Este morrinho coberto de vegetação é, na verdade, uma construção engolida pela mata
O grande desafio de escavar essas áreas é que as raízes das plantas estão tão enredadas nas velhas paredes que retirar a terra e a mata pode resultar no desmoronamento dos edifícios.

Além das ruínas, que são arrebatadoras, um passeio por Tikal é sempre a oportunidade de avistar os atuais moradores do lugar: aves de diversas espécies, macacos e até (juram os guias) jaguares.

As principais estruturas já escavadas em Tikal e restauradas são seis imensas pirâmides que abrigavam templos dedicados às divindades maias — há um incontável número de pirâmides menores ainda encobertas —, parte do chamado "Complexo Q", a Acrópole Central, a Acrópole Norte a Praça Central — está que é talvez o ponto mais emocionante das ruínas, dominada pela imponência do Templo do Grande Jaguar (Templo I) e o Templo das Máscaras (Templo II) e cercada por restos de construções residenciais e cerimoniais.

Os vestígios do Edifício Sul
O Complexo Q de Tikal
O primeiro grupo de estruturas que os visitantes encontram ao entrar no Sítio Arqueológico de Tikal, seguindo a trilha a partir da entrada principal foi nomeado pelos arqueólogos como Complexo Q.

São quatro construções, incluindo as "pirâmides gêmeas”, erguidas para celebrar um Katun (período de 20 anos no Calendário Maia) e estão entre as obras mais recentes de Tikal, quando um período de guerras já ameaçava a estabilidade política e social do império maia.

A Pirâmide Leste, já escavada e restaurada, está colocada no lado do sol nascente, para representar início do ciclo da vida, o dia, a luz. Diante do sua escadaria estão sete estelas (placas de pedras com inscrições) narrando fatos históricos e espirituais relacionados com o Katun celebrado pelas construções.

Estela gravada com a imagem de Chitam, o último governante de Tikal, no Edifício Norte
Do lado oposto, onde o sol se põe, está a Pirâmide Oeste, ainda totalmente encoberta pela terra e vegetação. Associada ao crepúsculo, representa a morte, o fim.

O Complexo Q é composto ainda pelo Edifício Norte, relacionado ao ponto cardeal onde o sol atinge seu ponto mais alto e, portanto, está associado ao céu místico, onde habitam as divindades. Em seu interior está uma estela que exibe a figura de Chitam, o último governante de Tikal de que se tem registro.

O Edifício Sul está associado ao “mundo subterrâneo”, que na maioria das culturas pré-colombianas representava o oculto, o pós-morte (embora sem a conotação de “inferno” que as grandes religiões atribuem a essa dimensão).

A natureza é um espetáculo à parte em Tikal. À esquerda, a majestosa Ceiba, considerada pelos mais como "a árvore da vida". Á direita, um Copal, de cujo tronco ainda hoje se extrai uma resina cheirosa que é base para a produção do incenso, elemento fundamental nos rituais religiosos da Cultura Maia

A selva que abriga o sítio arqueológico é morada de uma fauna riquíssima. Um dos grandes grupos de animais que moram em Tikal são os macacos-prego, como esses dois preguiçosos aí da foto, que nem quiseram posar para as câmeras da Fragata
Templo do Grande Jaguar
Essa pirâmide construída no Século 8 tem 50 metros de altura e  — assim como suas coleguinhas egípcias  — abrigou a suntuosa tumba de um governante maia chamado Ah Cacao (algo como “O Senhor do Cacau”, pra vocês terem uma ideia da importância que os maias conferiam à planta e ao seu derivado, o chocolate, bebida que era usada nas cerimônias sagradas para ajudar sacerdotes e reis a chegarem perto dos deuses).

É proibido subir o Templo do Grande Jaguar, pois sua escadaria muito íngreme já provocou acidentes graves, inclusive com vítimas fatais. 

O Templo do Grande Jaguar. No cantinho à direita, a Acrópole Norte, que foi o núcleo original da povoação de Tikal e funcionou como cemitério para os reis e figuras proeminentes da cidade maia
Templo da Lua
Para contemplar a Praça Central do Alto, é necessário escalar os muitos degraus do Templo da Lua, que fica em frente.

Essa pirâmide também é uma construção datada do Século 8 e era dedicada à esposa de Ah Cacao. As duas máscaras esculpidas em pedra que ornam sua escadaria levaram os arqueólogos a batizá-lo como “Templo das Máscaras”.

O Templo das Máscaras e a Acrópole Norte

☆ Templo IV
O grande motivo de eu não ter subido ao topo do Tempo da Lua foi guardar as energias para escalar os incontáveis (eu até tentei fazer a contabilidade, mas a falta de fôlego me atrapalhou) degraus de madeira que dão acesso ao topo do chamado Templo IV, o mais alto de Tikal.

Essa pirâmide está apenas parcialmente escavada, tem 70 metros e altura e, lá do alto, a paisagem é de fazer o coração dar uma paradinha: por cima do oceano verde formado pelas copas das árvores, é possível avistar o cume dos outros grandes templos de Tikal, com as montanhas ao fundo. 

As pirâmides vistas da plataforma superior do Templo IV. Abaixo, a escadaria que me levou até lá - cheguei mortinha, mas valeu a pena

⇨ Como chegar a Tikal
Daqui do Brasil, não é muito fácil organizar uma visita independente (sem excursão) à grande capital dos maias. Embora a Guatemala tenha o turismo como uma importante fonte de renda, as informações e venda de serviços pela internet ainda são escassos por lá.

A Acrópole Norte
Se você quiser tentar, saiba que o caminho das pedras é chegar até Flores, a 480 km da Cidade da Guatemala, e de lá seguir para o sítio arqueológico de Tikal, a 64 km (cerca de 1h30 de percurso).

⇨ Como chegar a Flores
Para ir da Cidade da Guatemala até Flores, as alternativas são o ônibus (cerca de 9 horas de viagem), carro ou avião (uma hora de voo).

A Avianca voa para Flores e dá para comprar a passagem pela internet aqui no Brasil. O bilhete de ida e volta custa em torno de US$ 240.

O jeito mais cômodo de chegar a Tikal é voando da Cidade da Guatemala a Flores
Chegando a Flores, é mais fácil contratar um traslado até Tikal. O transporte com guia até lá custa cerca de US$ 15.

Flores (a antiga cidade maia de Tayasal) tem cerca de 15 mil habitantes, é bonitinha e bem cuidada. Fica em uma ilha do Lago Petén Itzá e tem infraestrutura para o turismo, com pousadas e restaurantes, mas não espere nada luxuoso.

A Acrópole Central, , onde estavam as residências dos reis e da aristocracia de Tikal. Foi construída a partir do Século 4 a.C.
⇨ Excursões a Tikal
Agências de viagem da Cidade da Guatemala, como a Turansa, oferecem excursões rodoviárias a Tikal. Prepare-se para passar um dia viajando até o Petén, região onde está Tikal, para realizar a visita no dia seguinte.

A volta é no final da tarde do segundo dia, viajando a noite toda, para chegar à capital na manhã do terceiro dia. Esses roteiros custam a partir de US$ 220.

Aeroporto Internacional Mundo Maya, a porta de entrada para a região do Petén
⇨ Minha viagem a Tikal
Pelo Facebook, encontrei o Travel Center Guatemala, que organizou toda a infra da minha visita a Tikal. Tratei tudo por email e fiz o pagamento antecipado, com o cartão de crédito (eles mandaram uma autorização para cobrança, que assinei, escaneei e devolvi).

O processo é todo meio artesanal, a  agência sequer tem um site, é pode deixar o cliente meio inseguro, mas deu tudo certo e a empresa cumpriu direitinho o combinado.

Acrópole Central: o edifício ao fundo à esquerda, teria sido o palácio dos reis de Tikal
Fui em esquema bate e volta, saindo cedinho (meu voo de ida decolou às 6h da manhã) e retornando à noite. Às 4:45h da manhã eu já estava prontinha, depois de fazer check-out no hotel, esperando o transfer para o aeroporto.

Claro que não deu tempo de tomar café da manhã e só consegui comer alguma coisa quando desembarquei em Flores. Se você for do tipo que precisa comer algo logo que acorda, guarde uma fruta ou um sanduichinho para se prevenir.

Na chegada ao Aeroporto Mundo Maia, em Flores, embarquei em uma van com outros passageiros e um guia para a visita ao sítio arqueológico. O passeio guiado pelas ruínas de Tikal leva cerca de 4 horas e, ao final, paramos para um almoço em um dos restaurantes do sítio (preço incluído no pacote) e à tardinha retornei ao aeroporto, para pegar um voo às 21 horas (vi que tinha voos mais cedo).

No caminho entre o aeroporto e o sítio arqueológico de Tikal, uma bonita vista do Lago Petén Itzá
O preço total da visita a Tikal foi de US$ 350, incluindo o transfer do hotel ao aeroporto, passagem aérea ida e volta pela Avianca, traslado, guia, ingresso e almoço em Tikal e, na chegada ao Aeroporto de La Aurora, na capital, um transfer coletivo até Antigua.

Considerando a praticidade, o ganho de tempo (uma viagem independente teria consumido pelo menos dois dias) e a diferença de preço para os pacotes rodoviários, que sairiam US$ 100 mais baratos, mas exigiriam que eu pagasse hospedagem em Flores, acho que valeu muito a pena.

O Templo III, construído no início do Século 9, foi a primeira grande estrutura que avistei em Tikal - o coração deu alguns pulinhos
⇨ Visita ao Parque Nacional de Tikal 
Diariamente, das 6h às 17 horas. O acesso para estrangeiros custa 150 quetzales (US$ 20 ou R$ 66). Crianças menores de 12 anos não pagam entrada. Não é possível comprar ingresso online.

As visitas especiais (para ver o sol nascer do alto de uma das pirâmides maias) fora do horário normal de abertura do parque custam 250 quetzales (US$ 34 ou R$ 113).

Essa pulseirinha é o ticket de acesso a Tical - e já entrou para a lista das minhas lembranças de viagem favoritas
⇨ O que levar na bagagem para Tikal
Câmera fotográfica com a bateria bem carregada e muita memória para armazenar imagens — eu me acabei de fotografar o lugar com três dispositivos: a câmera digital, o celular e a GoPro.

Não conte com sinal de celular durante a visita, afinal, você estará no meio da selva. Ter um carregador externo para o celular é uma boa ideia, porque você só verá tomadas para carregar o aparelho no aeroporto.

A mata densa que tomou conta da cidade abandonada oferece muita sombra ao visitante, mas mesmo assim é preciso caprichar muito no protetor solar
No interior do parque há alguns quiosques próximos ás trilhas onde você poderá comprar bebidas geladas, mas leve sua garrafinha de água para se hidratar a qualquer hora. É essencial contar com um bom suprimento de água durante o passeio, pois faz muito calor (eu disse muuuuuuuito) no sítio arqueológico, apesar da vegetação. Prepare-se para o desconforto do calor úmido típico da selva tropical.

Um bom chapéu de palha ou de tecido também será um excelente companheiro de passeio, assim como calçados confortáveis e que não fiquem soltando do pé. 

Ao longo das trilhas você vai encontrar algumas lanchonetes e restaurantes, como este da foto 
Abuse do protetor solar. A maior parte do tempo você vai caminhar na sombra, em trilhas no meio da mata, mas não descuide desse item. Eu, que tenho a pele muito clara e sensível, dei uma torradinha básica durante o passeio, mesmo lambuzada de protetor fator 40.

Repelente contra insetos é item básico de sobrevivência. E lembre-se de reaplicar o produto, que tenderá a ser “lavado” pelo suor. Eu dei uma vacilada na reaplicação e acabei premiada com umas ferroadas desagradáveis — vocês já sabem que os mosquitos de todos os quadrantes do planeta são loucos por mim, a alérgica 😊

Muita gente aproveita a sombra para um piquenique na Praça Central
Leve dinheiro “em pessoa”, quetzales, de preferência, para pagar as despesas no parque e nas paradas na estrada. Os cartões de débito e crédito não têm muita serventia por lá.

Depois do calorão e da suadeira, é bom ter uma camiseta limpa e fresquinha na mochila. Lencinhos refrescantes e outros produtos que ajudam a gente a recobrar a forma humana depois de derreter no forno são bem-vindos.

Meu almoço em Tikal: uma saborosa sopa de legumes e o bifinho com molho picante e delicioso
⇨ Onde comer em Tikal
No interior funcionam restaurantes (caros) e os chamados comedores populares, mais simples e baratos. 

Almocei em um desses e gostei: comidinha com uma pegada caseira, sopa de entrada, bife com molho (que eles chamam de chimichurri, mas é muito mais picante que o argentino), salada e arroz, com tacos assados na hora para acompanhar tudo. Nada excepcional, mas bem decente.

Não paguei a refeição, pois estava incluída no meu pacote, mas espere gastar menos de US$ 20, com bebidas incluídas.

O grande luxo é ser recebida na entrada do comedor por uma bandeja com toalhinhas geladas, para refrescar. Eu amei!


A mesa posta para receber o meu grupo. À direita, os tacos sendo assados 
⇨ Hospedagem em Tikal
Há três possibilidades de hospedagem para quem quiser se alojar dentro do sítio arqueológico de Tikal, o Jungle Lodge Tikal Hostal (com nota 8,4 no Booking e diárias na casa dos US$ 50), o
Hotel Jungle Lodge Tikal (nota 8,7 e diárias na casa dos US$ 190) e o Tikal Inn (nota 7,5 e diárias na casa dos US$ 60).

A chegada à plataforma superior do Templo IV
Outras possibilidades são a vila de El Remate, a 30 km do parque, ou Flores, que é onde estão os alojamentos mais baratos — a diária de um quarto duplo decente custa a partir de US$ 40, pelo que apurei quando pesquisava para essa viagem.

As "costas" do Templo IV continuam cobertas pela mata
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