quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Porto Alegre: 3 churrascarias maravilhosas - nas faixas de preço que cabem no seu bolso

Churrasco: minha gratidão aos hominídeos que começaram a dominar o fogo, há 1 milhão de anos
Que tal uma coluna gastronômica na Fragata? Pois agora tem: é com muito orgulho que apresento o novo colaborador do blog, Bruno Santana, comilão refinado, ótimo cozinheiro e eternamente curioso sobre as maravilhas gustativas deste mundo. E ele estreia com ótimas dicas: três churrascarias excelentes em Porto Alegre — a NB Steak, a Parrilla del Sur e a Giovanaz —, cada uma em uma faixa de preço, pra você escolher o que cabe no seu bolso e se esbaldar na aventura carnívora que a capital gaúcha oferece.

Bruno, meu sobrinho e parceiro de descobertas gastronômicas em muitas viagens, vai escrever regularmente na Fragata, trazendo dicas de restaurantes, pratos e receitas. Bem vindo, Bru, e conte pra nós sobre essas churrascarias que você amou em Porto Alegre.

Todo amor pelo churrasco
por Bruno Santana

Com a possível exceção das moquecas (a baiana e a capixaba), não há outro prato neste país tão intrinsecamente ligado a um pedaço terra como o churrasco. Assim como a moqueca — amálgama das tradições culinárias portuguesas, africanas e indígenas — o assado gaúcho é resultado de um balaio de influências, compartilhadas com nossos vizinhos do Uruguai e a Argentina, e com um pezinho na pré-história, quando nossa singela espécie adquiriu o domínio sobre o fogo — processo, aliás, ao qual eu serei eternamente grato.

O churrasco gaúcho, patrimônio nacional é, neste momento, a razão número um — entre muitas — para que eu despreze as cômicas campanhas separatistas do Sul. Afinal, seria deveras desagradável ter que passar por uma fila de imigração só para saborear novamente um suculento vazio (o corte do boi conhecido no resto do Brasil como fraldinha) malpassado em terras sul-rio-grandenses. Não, senhores: podem ficar aí onde estão 😁.

Parque Farroupilha: ótimo passeio em Porto Alegre - antes ou depois do churras
Estive em Porto Alegre para cobrir uma palestra de Steve Wozniak, oportunidade perfeita para mergulhar no mundo dos churrasqueiros e na belíssima arte de assar lentamente um corte na brasa, extraindo todo o seu sabor da forma mais apurada possível. E me esbaldei em três churrascarias —a cara e elegante NB Steak, a tradicional Parrilla del Sur, com preços pagáveis, e a excelente e barata Giovanaz.

Ainda que muito diferentes entre si, as três convergiram em uma epifania: um homem em frente a um churrasco bem preparado não quer guerra com ninguém. Ou, neste caso, separar-se de ninguém.

Veja como foram as minhas experiências:

NB Steak
Rua Ramiro Barcelos, 389, Floresta (tem outro endereço: Avenida Dr. Nilo Peçanha, 2131, Boa Vista). De segunda a sexta das 11:30h às 15:30h e das 18:30h às 23:30h. Aos sábados e domingos, abre direto, das 11:30h às 23:30h. Rodízio a R$ 99 por pessoa.



A primeira das minhas aventuras carnívoras em Porto Alegre (cidade que eu ainda não conhecia) foi na NB Steak, casa pioneira em puxar a experiência das churrascarias de rodízio para o Centro da cidade, no início da década de 90, quando ainda chamava-se NaBrasa (até então, os restaurantes de espeto corrido ficavam restritos às beiras de estrada).

Com o tempo, a marca virou rede — tem algumas unidades espalhadas por Porto Alegre e sucursais em São Paulo e Florianópolis — e assumiu o posicionamento de "churrascaria de luxo", conceito que inicialmente julguei paradoxal, mas abracei do fundo do meu coração tão logo a primeira fatia de um maravilhoso bife de chorizo aterrissou no meu prato.

A experiência do NB Steak é, para citar uma das palavras preferidas do marketing moderno, diferenciada: não há, como na maioria dos rodízios, um buffet de saladas e complementos; em vez disso, um pequeno menu informa ao comensal todos os cortes e guarnições disponíveis no dia. Os acompanhamentos e saladas devem ser pedidos ao garçom e, dentre os que eu provei, nenhum conquistou uma avaliação inferior a "saborosíssimo" — os destaques, entretanto, ficam para a polenta frita sequinha e crocante e para a salada caprese, feita com mozzarella fresca de alta qualidade.

Em churrascaria chique, rodízio vira "menu degustação"
Como não poderia deixar de ser, porém, foi nas carnes que a NBSteak arrancou meus suspiros. Servidas no tradicional esquema do espeto corrido (ou grelha corrida, já que a maioria dos cortes é preparada no instrumento), as estrelas do show formam um time que ganharia qualquer copa do mundo de churrasco: dentre as opções disponíveis, que chegam à mesa num ritmo que nem o mais voraz dos seres humanos poderia aguentar — e, acreditem, eu tentei —, quis chorar de alegria com o bife ancho, a costela bovina, o vazio e a paleta de cordeiro. E olhem que eu citei menos da metade dos cortes oferecidos...

A brincadeira, como se poderia prever, não saiu barata: o rodízio na unidade da Ramiro Barcelos, onde estive, custa R$99 por pessoa e, com uma taça de vinho, uma garrafa de água e a taxa de serviço (por razões óbvias não houve espaço para a sobremesa), a conta ficou em R$142 só para mim. Com as minhas forças totalmente dizimadas e uma quase paralisante incapacidade de me movimentar após uma noite de degustações memoráveis, concluí: valeu a pena.

Parrilla del Sur
Avenida Nilópolis, 111, Petrópolis. Diariamente, das 11:30h à meia-noite. Não tem rodízio, o serviço é à la carte.

A picanha da Parrilla del Sur: corte macio, no ponto, extremamente saboroso e suculento
Meu segundo mergulho nos prazeres da carne (literalmente falando) foi na Parrilla del Sur, um dos restaurantes mais tradicionais de Porto Alegre. Aqui, as coisas são bem diferentes: sai o ambiente sóbrio, silencioso e minimalista do NB Steak e entra um espaço vibrante, enorme, que funciona durante todo o dia e está (quase) sempre cheio de famílias com crianças, executivos em reunião ou grupos de amigos que passam a tarde degustando as opções do cardápio.

Aliás, outra diferença fundamental: como o próprio nome já sugere, o restaurante é dedicado à parrilla uruguaia e, como manda o figurino, não oferece serviço de rodízio — os comensais escolhem os cortes individuais e seus acompanhamentos.

Minha escolha foi a tapa de cuadril — ou, em bom português, picanha — com um acompanhamento discreto de batata assada na brasa (seria um crime, afinal, mascarar o sabor da carne com uma guarnição de maior personalidade).

O veredito: corte macio, no ponto, extremamente saboroso e suculento. O método de preparo uruguaio, que posiciona as carnes na brasa de forma que o calor as asse muito lentamente, é extremamente eficaz em produzir um prato absolutamente memorável.

Em seguida, ainda tive espaço para a sobremesa, e não há como não falar da torta alfajor: uma sequência de camadas de um biscoito finíssimo e crocante, intercalado com altas doses de doce de leite uruguaio, rodeado de chantilly. Ainda bem que vocês não podem me ver neste momento.

Contabilizando o prato principal, o acompanhamento, a sobremesa e um café, minha conta individual na Parrilla del Sur ficou em R$88, valor que considero justíssimo para a experiência.

Duas boas dicas: a casa oferece certos cortes a preços especiais em alguns dias da semana, então é bom ficar de olho nas promoções divulgadas no site oficial da Parrilla del Sur para dar uma economizada. Além disso, como o restaurante fica aberto durante todo o dia, é possível (e recomendável) evitar os horários de pico — notadamente o meio-dia e as 21h, quando o salão fica lotado e certamente haverá uma fila de espera de ávidos carnívoros na porta.

Giovanaz
Av. Venâncio Aires, 10, Cidade Baixa. De terça a sexta das 11h às 14h30 e das 19h30 às 23h30. Aos sábados e domingos das 11h às 15h e das 19h30 às 23h30. Às segundas, abre apenas durante o dia, das 11h às 14h30. Rodízio a R$32,90 por pessoa nos dias de semana.


Giovanaz: simples barata e fantástica
A terceira e última farra carnívora em Porto Alegre só foi possível graças à indicação de um leitor (Gustavo, se você estiver lendo, muito obrigado). Também, pudera: a Giovanaz é exatamente o oposto do que qualquer guia de viagem ou lista de melhores restaurantes gosta de destacar, com seu ambiente extremamente simples e a frequência composta basicamente de trabalhadores do bairro da Cidade Baixa.

A fama do lugar é um segredo restrito aos gaúchos, o que me faz pensar se nossos amigos do sul não estariam propositalmente escondendo a churrascaria para protegê-la das mãos temerárias do reconhecimento nacional e das inevitáveis expansões.

O fato é: a Giovanaz é simples, barata e absolutamente fantástica. O ambiente é acolhedor, os garçons são daqueles que parecem dominar o ofício desde o início dos tempos e, o principal, a comida não deve em nada aos restaurantes mais caros desta relação. Obviamente, não se encontrará por lá cortes estrelados e carnes de gado nobre, mas o que a casa não tem em glamour, mais do que compensa em sabor.

Após a disposição dos acompanhamentos — alface, vinagrete, arroz, polenta frita e uma deliciosa salada de batata — à mesa, as carnes, assadas em enormes espetos fincados na brasa, chegam à mesa numa frequência vertiginosa. Algumas criações que eu, inicialmente, julguei como verdadeiros sacrilégios, como a maminha com alho, provaram-se as estrelas do dia. O vazio também estava fenomenal — muito embora eu seja suspeito para falar, porque este é o meu corte favorito no mundo inteiro.

O rodízio na Giovanaz me custou R$32,90 e, com uma Coca-Cola e a taxa de serviço, a conta ficou em cerca de R$39. Importante: a casa só aceita dinheiro, então é salutar que se passe num um caixa eletrônico antes de ir. Outra dica é chegar cedo (a casa abre às 11h), já que as filas formam-se rapidamente e a espera, na calçada, pode ser um tanto quanto desagradável — especialmente com a fome que você certamente estará.

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2 comentários:

  1. Gostei do novo colaborador. As dicas já estão guardadas.
    Kenneth

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    Respostas
    1. Vem muito mais por aí, Kenneth. Aguarde os próximos capítulo :)

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