quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Óbidos: paixão instantânea

Um cantinho da Praça de Santa Maria, o coração da vila
Pense numa coisa linda. É Óbidos, avistada ainda da estrada, com uma luz de inverno caindo no ângulo exato sobre suas muralhas, casinhas brancas, torres e campanários. Essa paixão instantânea fica a 80 quilômetros de Lisboa pela ótima Rodovia A8. Uma perolazinha medieval, antiga praça forte moura (seu nome deriva de oppidum, “cidadela” em latim), tão bela que, desde o Século 12, era o dote oferecido às rainhas de Portugal.
Do alto das muralhas, dá para ver a paisagem e ainda bisbilhotar um pouquinho da vida cotidiana
Pouco mais de três mil felizardos vivem dentro das muralhas, mas quando chegamos à vila, no comecinho de uma linda tarde de inverno, quase caímos de costas: o lugar estava até a tampa de gente. Foi um sufoco conseguir uma vaguinha no estacionamento limitado pelo Aqueduto das Águas Livres, do Século 16. Atravessamos a muralha pela Porta da Vila, com o interior recoberto de azulejos, e caímos na muvuca na Rua Direita, a principal.

A Porta da Vila, um senhor cartão de visitas
Foi preciso paciência para seguir o corso humano, que se deslocava lentamente pelo calçamento irregular. Quando o engarrafamento de gente deu um nó é que entendi o motivo de tanta afluência: estava todo mundo na interminável fila para visitar a Vila de Natal, um parque temático montado nas dependências do Castelo, com Planetário, encenações teatrais e um mercado.

O jeito foi fugir para o alto das muralhas. O cinturão, com cerca de 1,5 quilômetro de perímetro, é um senhor camarote para se admirar a beleza de Óbidos. É um passeio por séculos distantes, pela memória da Reconquista e da luta contra os mouros. As fachadas caiadas, ornamentadas por vasos de flores, permanecem quase que as mesmas, desde o Século 14.

Mesmo no inverno, as fachadas de Óbidos
 têm sempre vasinhos de flores

O Castelo, a Porta da Vila e a Igreja de Santa Maria, com um belo interior decorado por azulejos, são os monumentos mais famosos de Óbidos. A principal atração, porém, é  namorar as fachadas, se perder pelas ruas estreitas, longe da multidão, ou aproveitar o ponto de vista privilegiado das muralhas para descobrir um pouco de vida cotidiana nos quintais,  por cima dos muros.

A Igreja de São Pedro (à esquerda), reconstruída após o terremoto de 1755, e a Matriz de Santa Maria
A Virgem com o Menino, imagem em cerâmica vitrificada do Século 17, adorna o portal da Igreja da Misericórdia
 Óbidos é uma grande pedida para um bate e volta, para quem está baseado em Lisboa, e é parada obrigatória para quem segue para o Norte, a partir da capital. Confesso, porém,  que fiquei sentindo aquele gostinho de quero mais depois das nossas poucas horinhas na vila.

Muito bem estruturada para o turismo, Óbidos merece uma estadia um pouquinho mais longa, com tempo para explorar os arredores, como o famoso Mosteiro de Alcobaça, a 40 quilômetros de distância, onde estão os túmulos de Inês de Castro e de D. Pedro I de Portugal.

Se precisar de um incentivo a mais para esticar a estadia, o preço das diárias do hotel que funciona no Castelo de Óbidos, da rede Pousadas de Portugal, está na casa dos €130, nos apartamentos duplos. A oferta de hospedagem, porém, é bem mais ampla e cabe em orçamentos mais apertados.

É possível dar a volta em todo o núcleo medieval da cidade, caminhando cerca de 1,5 km sobre a antiga muralha, que tem vários pontos de acesso
A Praça de Santa Maria (esquerda) e algumas das muitas lojinhas da cidade. Dá para passar dias vendo o artesanato, provando os doces, tomando uma ginginha...
Dicas práticas
Dá vontade de atravessar cada uma dessas passagens em arco
Como chegar 
De carro -  de Lisboa, pela Rodovia A8, são 80 quilômetros. Quando avistar a cidade, ainda na estrada, resista à tentação de parar no acostamento para fotografar a vila (pra mim, foi bem difícil, mas a segurança vem em primeiro lugar). Os automóveis não têm acesso à cidade medieval. Há um grande estacionamento do lado de fora das muralhas, aos pés do aqueduto.

De ônibus -  a Rodotejo tem várias frequências diárias, partindo da Estação de Campo Grande, em Lisboa. Confira os horários no site da empresa (é meio confuso. Na caixinha que pede para você indicar a opção de serviços (linhas), escolha “rápidas”). A passagem custa €8 (cada perna) e a viagem dura pouco menos de uma hora.

De trem - são quase duas horas de viagem, nas linhas regionais, partindo de Entrecampos. O bilhete custa os mesmos €8 do ônibus, mas a estação ferroviária fica muito longe da vila. Se quiser arriscar, consulte o site da CP para ver os horários.



Para planejar sua ida, confira o site de turismo da vila de Óbidos.

Visitas
O acesso à muralha é livre e há vários pontos da cidade para chegar ao alto dessa fortificação, que tem cerca de 1,5 km e dá a volta no núcleo medieval da cidade. O Castelo hoje abriga um hotel e só pode ser visto por fora, a não ser, é claro, que você esteja hospedado lá.



Igreja de Santa Maria
 É a Matriz de Óbidos, fundada pelos visigodos e transformada em mesquita durante a ocupação moura e reconstruída após a Reconquista. As feições atuais da igreja são barrocas, a partir de uma reforma do Século 17. Visitas diárias, de 9:30h às 12:30h e das 14:30h às 17h (outubro a março). De abril a setembro, fecha às 19 horas.

Igreja e Hospital da Misericórdia
Fundados no Século 15. O templo tem o interior revestido de azulejos e a decoração barroca do hospital é uma das grandes atrações de Óbidos. Visitas de terça a domingo, das 9:30h às 12:30h e das 14:30h às 17 (de (outubro a março). De abril a setembro, fecham às 19 horas.

Igreja de S. Pedro
Construção medieval que sofreu diversas alterações, conservando hoje as feições que ganhou em uma reforma do Século 16. Visitas diárias, de 9:30h às 12:30h e das 14:30h às 17h (outubro a março). De abril a setembro, fecha às 19 horas.




Dicas gerais
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2 comentários:

  1. Óbidos é lindo mesmo, pelo que vejo não visitou o castelo mesmo pois é nesse recintoq ue fazem a vila Natal, tem de voltar e conhecer mais profundamente esta beleza. `edos meus locais favoritos no país. Adorei as fotos muito boas

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  2. Vou voltar, com certeza, Luffi. Numa primavera, de preferência, para ver as flores das fachadas no auge da beleza.

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