4 de maio de 2018

Machu Picchu - como organizar a viagem com as novas regras de visitação

Uma beleza que não cansa: já fui quatro vezes e quero voltar 
Atualizado em janeiro de 2019

Não conheço um único viajante que não sonhe ir a Machu Picchu. A cidade sagrada dos incas exerce um imenso fascínio, tanto por sua beleza quanto pelas questões ainda não completamente respondidas sobre sua origem, utilização e abandono. Estive lá pela 4ª vez, agora em fevereiro, e não consigo jurar que esta tenha sido a última visita.

Machu Picchu não muda. O que avançou muito, desde minha primeira visita, em 2002, foi o conhecimento sobre sua história, ocupação e significado para a cultura inca. 

O Templo Las Tres Ventanas (três janelas), um dos famosos mirantes para a cidade sagrada dos incas
O manejo turístico da cidadela também sofreu alterações radicais. Felizmente, o Peru compreende o tesouro que tem em seu território e está sempre aperfeiçoando regras de visitação que assegurem a preservação do sítio arqueológico.

As regras para a visita a Machu Picchu mudam tanto que a gente mal dá conta de acompanhar. Este post foi escrito em 2018, quando havia pouco mais de um ano da adoção de novas normas e horários no sítio arqueológico. Pois, acredite, 2019 já chega com novas modificações, que eu acabo de atualizar aqui neste post.

Machu Picchu encanta pelo conjunto e pelos detalhes
Cada mudança nas regras de visitação a Machu Picchu provoca o maior alvoroço na viajosfera. Surgem mil dúvidas sobre o que pode e o que não pode na cidadela sagrada dos incas.

Para tranquilizar seu coração, já aviso que as novas regras de visitação do santuário inca não são nenhum bicho de sete cabeças.

As informações práticas práticas para a visita a Machu Picchu, coletadas em fevereiro de 2018 e atualizadas em janeiro de 2019, são minha contribuição para que você também realize o sonho de descobrir a cidade perdida dos incas, uma das sete maravilhas do mundo e atração imperdível dessa nossa apaixonante América do Sul. Veja as dicas:

Quanto custa ir a Machu Picchu
➡️ Se você for e voltar nos trens mais baratos, vai gastar US$ 120  com a passagem Cusco-Águas-Calientes-Cusco.

➡️ O ingresso de Machu Picchu para um adulto estrangeiro (não-peruano) custa US$ 70 (para quem vai visitar apenas a cidadela, sem acesso às montanhas Wayna Picchu ou Machu Picchu).

➡️ A visita a Machu Picchu vai exigir que você pernoite em Águas Calientes ou em Ollantaytambo. Contabilize mais US$ 50 para este quesito

➡️ A passagem do ônibus que faz o trajeto entre Águas Calientes e Machu Picchu custa
US$ 24.

Só aí, já temos um gasto de US$ 264. Com as refeições, reserve US$ 300 para essa aventura - será uma grana muito bem gasta.

É melhor dormir em Águas Calientes, Ollantaytambo ou fazer bate e volta de Cusco? Já testei as três opções e comento neste post: Machu Picchu - onde pernoitar

Como chegar a Machu Picchu 

 Machu Picchu: as novas regras de visitação
Em janeiro de 2019, as regras de visitação a Machu Picchu que estavam valendo desde 1º de julho de 2017 ganharam alguns adendos.

Essas regras deram um nó na cabeça de muita gente, mas o diabo é muito menos feio do que foi pintado inicialmente. Veja o que mudou — e quanto:

Limite de visitantes
Continua valendo o limite estabelecido desde 2013: só 2.500 felizardos entram em Machu Picchu por dia.

Trilha Inca
O caminho inca a Machu Picchu também tem restrição no número de viajantes, 500 pessoas por dia.


Machu Picchu e Waynapicchu (a "Montanha Velha), à direita
Organize seu roteiro na cidadela: O que ver em Machu Picchu

Horários de visita
Desde junho de 2017, já era obrigatório escolher um turno de visita. Agora, a coisa está mais rígida: são 9 horários de ingresso no sítio arqueológico, com tempo de visita limitado a quatro horas. Veja os horários e modalidades de visita:


Estive em Machu Picchu pela última vez em fevereiro de 2018, quando estava valendo a divisão em duas turnos do horário de visita (que ia das 6h da manhã ao meio-dia e do meio-dia às 17:30h).

Nós compramos ingresso para o turno da tarde e entramos em Machu Picchu por volta das 11:50h. Ninguém encrencou com nossos 10 minutinhos de antecedência. Não havia controle sobre o pessoal que entrava de manhã e permanecia até depois do meio-dia — não houve “evacuação” para a entrada da nova turma.

Agora, porém, a informação é que os horários de entrada serão rigidamente observados e não será possível entrar antes da hora marcada ou ficar no interior do arqueológico após o prazo sua sua visita.


Visita a Waynapicchu
A montanha que fica em frente à cidadela mantém dois turnos de entrada, o primeiro entre 7h e 8h e o segundo entre 10:30h 11:30h.

Isso não quer dizer que você será obrigada a escalar Waynapicchu entre 7h e 8h da manhã e descer correndo. Apenas que, se o seu ingresso estiver marcado para esse horário, é nesse intervalo que você terá que se apresentar no portão de acesso à trilha e começar a subida.

Apenas 400 ingressos por horário de subida serão vendidos para cada dia.

Independentemente do seu horário de início da trilha a Waynapicchu, o horário limite para evacuação da montanha é às 15 horas, quando o portão de acesso à trilha e fechado e os guardas do parque vão embora.

A moldura das montanhas é quase tão impressionante quanto a cidade dos incas. A direita, o Templo do Sol 
Proibição de reentrada
Pelo que está escrito no regulamento, não é possível sair e retornar ao sítio arqueológico. Essa regra não tinha “pegado” quando estive em Machu Picchu, mas agora prometem cumpri-la à risca. 

Não há banheiros no interior da cidadela e fumar é crime hediondo lá dentro, passível de expulsão sumária -- duas razões para eu pensar em dar uma saidinha e retornar ao sítio arqueológico de Machu Picchu, mas acabou não sendo necessário.

A zona residencial de Machu Picchu
Obrigatoriedade de acompanhamento por guia
Outra norma que, em fevereiro/ 2018, ainda estava “flexibilizada”, mas agora prometem cumprir. No dia da nossa visita a Machu Picchu, chegamos e entramos direto, sem guia e sem perguntas sobre o tema na portaria.

Segundo o regulamento, as visitas só podem ser feitas com acompanhamento de guias, que podem ser contratados na hora (tem muita gente oferecendo o serviço na entrada de Machu Picchu e os preços são “a combinar”).

Esses guias podem ser particulares ou para um grupo formado ali, na hora (mas com limite máximo de 16 pessoas).

Dá para distinguir o uso de cada construção pelo acabamento das paredes. Quando mais regulares e bem lavradas são as pedras, mais "chique" era o edifício
Restrições à bagagem
Faz muito tempo que é proibido entrar em Machu Picchu com bagagem pesando mais que 20 kg. As novas regras agora são explícitas também em relação às dimensões dessas mochilas: nada que exceda os 40cm x 35cm x 20cm. Há um guarda volumes disponível próximo à portaria da cidadela. 

As novas resoluções do Ministério da Cultura Peruano também ampliaram restrições ao conteúdo da bagagem. Estão banidos os paus de selfie, tripés, qualquer tipo de comida ou bebida (exceto água - mas prefira levar um squeeze), guarda-chuvas, aerosóis, instrumentos musicais, megafones, e bastões de caminhada sem proteção de borracha na ponta, entre outros.

A realidade: ninguém pediu pra revistar nossas mochilas. Vi muita gente usando bastões de caminhada sem borracha e guarda-chuvas (pegamos um toró bíblico no começo da visita).

Tamancos e sapatos de sola dura não são permitidos. Carrinhos de bebê também não (mas eu fico imaginando quem seria louco de tentar empurrar um carrinho de bebê naquele sobe e desce 😊).

O Templo do Sol (esq) e um conjunto de construções na entrada da cidade, provavelmente usado como alojamento da guarda
Condições de ingresso a Machu Picchu
Além de seu ingresso impresso, você deverá apresentar seu passaporte ou RG (se foi esse documento que você apresentou como identificação na hora da compra do bilhete pelo site ou presencialmente). Quem tiver ingresso de estudante não pode esquecer a identidade estudantil.

Por via das dúvidas, leve o cartão de crédito usado na compra do ingresso (para caso de aquisições pela internet).

Circuitos demarcados
A nova resolução do Ministério da Cultura do Peru fala em três circuitos pré-estabelecidos na visita a Machu Picchu.

São como trilhas demarcadas, em regime de “mão única”, para garantir o fluxo dos visitantes, evitando aglomeração em espaços estreitos e que grupos caminhando em sentido contrário se embolem pelo caminho.

Os terraços de cultivo permitiam o aproveitamento das encostas para o plantio de alimentos e também tinham a função de sustentação e drenagem do solo. Essa foto é de 2010. Pelas novas regras, essa moleza de sentar na grama é apenas uma memória
A "mão única" está funcionando. Constatei isso quando tentei mudar minha rota para subir até a Inthuatana (a pedra de amarrar o sol, no ponto mais alto da cidadela) e um guarda-parque me alertou que eu estava “na contramão”. No fim, como não vinha ninguém em sentido contrário, ele autorizou minha “subida irregular”.

A regra torna obrigatória a escolha de um dos três circuitos na hora da compra do ingresso, mas, na prática, não há fiscalização sobre isso — nem me perguntaram qual a minha opção quando adquiri o ingresso.

Por via das dúvidas, escolha o Circuito 1, que é o mais abrangente, contorna toda a cidade, subindo à parte mais alta e depois baixando à área agrícola e terraços de cultivo. A duração estimada dessa caminhada é de 3 horas.

O Circuito 2 explora a parte inferior das ruínas e dura cerca de 2h30. O Circuito 3 é o mais curto, sem muitas subidas e descidas e dura em torno de 2 horas.

As lhamas passeiam à vontade em Machu Picchu
Melhor época para visitar Machu Picchu
O ideal é ir durante a temporada mais seca, de maio a setembro. Mas lembre-se que Machu Picchu está na zona de transição entre a Cordilheira dos Andes e a Selva Tropical, portanto, prepare-se para encontrar muita névoa e clima úmido o ano inteiro — e não espere garantia 100% contra chuvas em nenhum período.

Entre maio e setembro também é alta temporada, o que significa mais gente disputando a paisagem com você, preços mais altos nos hotéis e a necessidade mais premente de comprar passagens de trem e ingressos com mais antecedência.

Junho, julho e agosto são os meses mais concorridos. Quanto mais perto do Inti Raymi (a Festa do Sol, em 24 de junho), mais lotadas estarão Cusco, as cidades do Vale Sagrado e, claro, Machu Picchu. A celebração, entretanto, é muito legal e, se você tiver chance de estar por lá nesse período, vai valer a pena encarar a muvuca.

Eu visitei Machu Picchu quatro vezes. A primeira, em um final de março de (2002, alguma chuva). Depois, fui no período do Inti Raymi (junho de 2003, com sol lindo), novembro (em 2010, com chuva rala) e em fevereiro de 2018 (muita chuva). Amei todas as visitas. 

Aliás, fevereiro seria o principal mês a evitar, por ser o mais chuvoso — geralmente, a Trilha Inca é fechada nesse período. Mas foi uma viagem adorável.



O ingresso a Machu Picchu
Quanto custa
O ingresso para visitar apenas Machu Picchu custa US$ 70 (adultos estrangeiros). A carteira de estudante brasileira (oficial) dá direito a um bom desconto: o ingresso sai a US$ 41 - mas lembre-se que o documento estudantil terá que ser apresentado, junto com o passaporte, tanto na hora de comprar quanto na portaria do sítio arqueológico, no dia da visita.

Para combinar a visita a Machu Picchu com a subida à montanha de Waynapicchu, o preço é de US$ 86 (estudantes pagam US$ 57).



Como comprar ingressos a Machu Picchu
O site oficial para a compra de ingressos a Machu Picchu é o http://www.machupicchu.gob.pe/. Aviso que o funcionamento é bem chato.

Para fazer o pagamento no site, é preciso certificar o seu cartão de crédito no sistema Verified by Visa e, mesmo assim, a operação pode falhar.

Cheguei a pedir socorro a Nathalie Soares, do Sundaycooks, que é expert no tema. Nem assim.

Então, perdi a paciência, depois da décima tentativa, e resolvi deixar para comprar quando chegasse ao Peru.

Sim, porque embora os organismos de turismo peruanos anunciem que "os ingressos só podem ser adquiridos pela internet", a história não é beeeeeem assim.

É perfeitamente possível  comprar ingressos para Machu Picchu no bom e velho "modo analógico", de corpo presente, nos escritórios do Ministério da Cultura do Peru e em agências do Banco de la Nación.


Lhaminhas fofas pastando em Machu Picchu e, à direita, o Rio Urubamba em Águas Calientes
Em Cusco, os três postos de venda de ingressos a Machu Picchu mais fáceis de achar são:

. Dirección Regional de Cultura de Cusco
Avenida La Cultura, nº 238, perto da Estação Ferroviária de Wanchaq e dos terminais de ônibus intermunicipais. É um pouquinho contramão para quem está hospedado no Centro Histórico. Funciona de segunda a sexta, das 7:15h às 18:30h.

. Posto da DirCetur no Kusicancha
(Não confunda com o Qorikancha). Calle Mauri s/n, Centro Histórico.

. Casa Garcilaso
Calle Garcilaso s/n, ao lado do Museu Histórico Regional de Cusco. Fica pertinho da Plaza del Regocijo. Foi lá que comprei meus ingressos, agora, em fevereiro de 2018. Peguei cerca de 30 minutos de fila. Aceitam cartão de crédito ou soles. Dólar, não. 


Minha terceira vez em Machu Picchu, com minha camiseta da sorte (capa do LP dos Sex Pistols). À direita, minha irmã, Simone
Precisa comprar o ingresso para Machu Picchu com antecedência?
Faça o que eu digo, não faça o que eu faço 😁. Deixar para comprar o ingresso a Machu Picchu em cima da hora, já em Cusco, é prerrogativa que só quem visita a região em baixíssima temporada (como é o caso do mês de fevereiro, época da nossa viagem).

Como você já sabe, o limite de visitantes em Machu Picchu é de 2.500 pessoas por dia. Para subir a Waynapicchu, o limite é de 400 pessoas por horário de subida. Fora da baixa temporada, é melhor prevenir (comprar antes) do que remediar.

Se você vai de trem para Águas Calientes (que agora é chamada de Machu Picchu Pueblo), só compre as passagens depois de comprar seu ingresso.

Dicas pra ir ao santuário dos incas? Aqui: como chegar a Machu Picchu

Para explorar e compreender Machu Picchu,
um mapa é fundamental - não estranhe a minha calça colorida. Ela é a representação da Whipala, a bandeira indígena boliviana
 😎

Onde comer em Machu Picchu
Dentro do sítio arqueológico é proibidíssimo comer ou mesmo ingressar com comida, embora eu tenha visto uma galera driblando essa proibição e fazendo um lanchinho atrás da Rocha Sagrada, em frente ao portão da trilha para Waynapicchu.

Mas convém levar algumas frutas e sanduíches, para antes ou depois da visita (deixe seu farnel no guarda volumes, se for comê-lo após o passeio).

O cachorro quente e a empanada estavam muito bons
Se não der tempo de preparar o piquenique, tenho uma boa notícia: lanchonete que fica ao lado da portaria de Machu Picchu melhorou muitíssimo.

Agora se chama Mapi Snack Bar, tem mesinhas com vista para as montanhas, a comida está muito mais gostosa e os preços não chegam a apavorar ninguém.

A lanchonete tem boa variedade de sanduíches, empanadas, pizzas, bebidas quentes e frias e até cerveja e pisco. Não anotei muitos preços, mas gastamos cerca de US$ 10 por cabeça para lanchar.

O Mapi Snack Bar funciona das 9:30h às 15:30.

A outra opção é pagar US$ 40 no bufet do Restaurante Tinkuy, no luxuoso Belmond Sanctuary Lodge, hotel integrado às ruínas.

Por fim, um pedido: trate bem de Machu Picchu
O sítio arqueológico mais famoso das Américas é também uma das dez atrações turísticas mais ameaçadas do planeta.

O risco não se deve a pressões ambientais, como na Grande Barreira de Corais da Austrália, ou a guerras ou a descasos. O que ameaça matar Machu Picchu é a presença diária e massiva de turistas.

Apesar da limitação ao número de visitantes por dia e uma série de restrições estabelecidas, a pressão ainda é enorme.

Faça sua parte, portanto. Obedeça as regras, carregue seu lixo com você e ajude a preservar Machu Picchu para a os próximos viajantes.

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