7 de maio de 2018

Como chegar a Machu Picchu


As nuvens se dissipando aos pouquinhos para revelar Machu Picchu - eu continuo achando esse espetáculo maravilhoso
Para os viajantes “normais”, só existem dois modos de chegar a Machu Picchu. Um deles é caminhando. O segundo é pegar o trem até a vila de Águas Calientes, aos pés da montanha sagrada dos incas, e de lá subir a encosta de ônibus ou por uma trilha/escadaria de cerca de 6 km. (Tem o helicóptero, para muitos ricos, e dizem, o disco voador, para ETs. Mas esses não são nossos departamentos 😉).

O trem para Machu Picchu é a forma mais comum de ir até lá. A modalidade a pé — pela legendária Trilha Inca que atravessa florestas pelas montanhas — atrai aventureiros, místicos e mochileiros de todo o mundo e requer condicionamento físico e muita disposição para enfrentar quatro ou cinco dias de subidas e descidas na altitude.

Além disso, a Trilha Inca é uma atividade que só pode ser feita com acompanhamento de guia e hoje está restrita a 500 caminhantes por dia. As agências credenciadas estão cobrando US$ 700 por pessoa pelo trekking.

Eu e meus sobrinhos, Bruno e Carolina, a bordo do trem Vistadome
Nas quatro vezes que fui a Machu Picchu — a última delas em fevereiro/2018 — não me animei a tamanha aventura e preferi o modo mais “sedentário”, que é a viagem de trem. Nos 16 anos que separam a primeira viagem da mais recente, o serviço melhorou muito em termos de conforto, ampliação de frequências e facilidades, como a compra de passagens pela internet. Os preços, porém, decuplicaram.

A Estação de Ollantaytambo
Agora, surgiu uma terceira alternativa para quem quer ir a Machu Picchu sem gastar muito: o transporte em uma van pela estradinha que margeia a linha do trem, até a represa da Hidrelétrica da Egemsa, que está a 3,5 km de um acesso à cidadela (lembre-se que esta fica láááá no alto da montanha) e a 12 km de Águas Calientes.

A trilha da hidrelétrica e a linha do trem margeiam o Urubamba, rio sagrado para os incas
É um programa de dois dias. São cerca de quatro horas na van, entre Cusco e a hidrelétrica, e mais três horas de caminhada até Águas Calientes, onde o viajante pernoita para subir a Machu Picchu no dia seguinte. As agências de Cusco cobram US$ 100 pelo transporte ida e volta, mais alojamento e duas refeições.

Neste post, detalhei bem esmiuçadinho o jeito que eu conheço e recomendo para se chegar a Machu Picchu, que é de trem. Veja as dicas:

Leia também: Machu Picchu - como organizar a viagem com as novas regras de visitação

Organize sua visita: O que ver em Machu Picchu

☑️Como ir de trem de Cusco a Águas Calientes 
➡️ O embarque em Cusco
Para quem está em Cusco, a partida é da Estação Ferroviária de Poroy (a Estação de Wanchaq foi "aposentada" desse serviço há cerca de uma década), que fica a cerca de 12 km do centro da cidade. O melhor jeito de chegar lá é contratar um táxi. Quem for embarcar cedinho deve acertar esse transfer com antecedência. Os hotéis geralmente indicam táxis de confiança. 

A Estação de Poroy, em foto de 2010
O trajeto Cusco-Poroy leva cerca de 30 minutos por uma estrada de montanha (cuuuuuurvas). Se você é do tipo que enjoa, lembre-se de não viajar com o estômago totalmente vazio, mesmo saindo de madrugada. Leve uma maçã ou um sanduichinho. 

Meus bilhetes de trem pra Machu Picchu, em fevereiro de 2018
É melhor dormir em Águas Calientes, Ollantaytambo ou fazer bate e volta de Cusco? Já testei as três opções e comento neste post: Machu Picchu - onde pernoitar

Leia também: Ollantaytambo – mais que uma escala para Machu Picchu

➡️ O embarque em Ollantaytambo
Uma opção que está cada vez mais popular é dormir em Ollantaytambo para pegar o trem para Machu Picchu um pouquinho menos de madrugada. A vila é pequenininha, interessante, tem um belíssimo sítio arqueológico (uma tambo, espécie de castelo inca, mistura de fortaleza e sede de governo local) e já está bem equipada para receber turistas.

Eu e os sobrinhos dormimos lá, voltando de Mchu Picchu, e aprovamos a estrutura. A Estação Ferroviária fica a 1 km do centrinho, descendo a Avenida Ferrocarril. Tem cafeteria, lanchonete e uma pequena sala de espera.

Águas Calientes
➡️ A chegada a Machu Picchu
O que chamam agora de "Machu Picchu Pueblo" é a velha Águas Calientes de guerra, manjadíssima pelos mochileiros de quiçá toda a galáxia.

A estação ferroviária fica no coração da povoação, sitiada por um gigantesco mercado de artesanato. Tem uma lanchonete, uma sala de espera com cadeiras de plástico poco confortáveis e uma área externa, com mesinhas, bem mais agradável.

Euzinha na Estação de Poroy, embarcando no trem Vistadome, em novembro de 2010
☑️ De Águas Calientes a Machu Picchu
Ao desembarcar na Estação Ferroviária de Águas Calientes, basta uma caminhada de pouco mais de 100 metros para chegar à estação dos ônibus que sobem para Machu Picchu.

O bilhete de ida e volta custa US$ 24. Não tem como comprar pela internet, só no guichezinho da Consettur, na Calle Hermano Aydar, na beira dos trilhos do trem.

O serviço começa às 5:30h da manhã e funciona até as 16 horas (a última viagem de subida é às 15:30h). As partidas são às pencas por minuto, portanto, não se assuste se a fila estiver grande. Anda rapidinho.

A estação do ônibus para Machu Picchu, em Águas Calientes

O bilhete do ônibus que sobe de Águas Calientes a Machu Picchu leva o nome e o número do passaporte do passageiro 
Para comprar a passagem do ônibus, você terá que mostrar seu ingresso para Machu Picchu e o passaporte.

Outra possibilidade é subir a pé, por uma escadaria. São seis quilômetros de caminhada, montanha acima. Muita gente sobe de ônibus e desce a pé. Invejo-lhes os joelhos...

Se você for do tipo impressionável, tente não prestar muita atenção ao trajeto do ônibus, na subida e na descida. A estradinha, literalmente em ziguezague, vai lhe colocar de cara para o precipício a cada cotovelo, ao ponto de você "sentir a respiração" da pirambeira 😨😨. Os motoristas, porém, são experientes. Confie.

De Poroy a Cusco: três horinhas confortáveis, curtindo a paisagem
☑️ Como comprar as passagens de trem para Machu Picchu
O melhor é comprar pela internet. Na alta temporada (maio a agosto), faça isso antes de sair do Brasil. Duas empresas operam a rota Cusco-Águas Calientes, a Peru Rail e a Inca Rail

Desta vez, como nossa viagem foi em fevereiro, baixa temporada, deixei para comprar as passagens de trem quando cheguei a Cusco, depois de comprar as entradas para Machu Picchu, que também adquiri lá.

A Peru Rail tem quatro escritórios em Cusco:
➡️ Plaza del Regocijo nº 202
➡️ Portal de Carnes nº 214, na Plaza de Armas
➡️ Avenida Pachacutec s/n, entre as ruas Hipolito Unanue e Confraternidad
➡️ Avenida El Sol nº 409

Mas, se você for viajar em épocas mais concorridas e tiver algum tipo de alergia a emoções fortes, prefira comprar suas passagens de trem para Machu Picchu pela internet, com boa antecedência 😊.


O interior do Vistadome
☑️Os trens que fazem a rota para Machu Picchu

➡️ Inca Rail 
Tem três categorias de trens, a First Class (a partir de US$ 199 cada trecho), a 360º (a partir de US$ 65 cada trecho) e o Voyager (também a partir de US$ 65 cada trecho), que é o mais simples.

Voyager - só opera a partir de Ollantaytambo, com cinco frequências diárias na alta estação (abril a outubro).

Sala de espera da Estação de Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo)
Tem opções para quem quer sair de manhã cedinho, passar o dia em Machu Picchu e voltar. Também trem trem saindo à noite (19h), que permite aproveitar o dia em Ollantaytambo e chegar a Águas Calientes para jantar e ir a Machu Picchu no dia seguinte — eu acho mais legal do que passar o dia zanzando em Águas Calientes, que é um lugar muito sem graça.

360º - tem uma frequência diária entre Poroy e Macchu Picchu (ida e volta) e duas entre Machu Picchu e Ollantaytambo (também nos dois sentidos)

First Class - tem apenas uma frequência diária em cada sentido. O mesmo trem que parte de Poroy para também em Ollantaytambo. Além de ser caro de doer, acho o horário de chegada a Águas Calientes bem contramão: às 12:45h. 

O trem Vistadome, da Peru Rail
➡️ Peru Rail 
Tem quatro categorias de trens.

Belmond Hiram Bingham - , uma espécie de versão andina do Orient Express, tem refeições e bebidas incluídas, show a bordo, ônibus exclusive de àguas Calientes a Machu Picchu, chá da tarde no Belmond Sanctuary Lodge Hotel (hotel de luxo ao lado das ruínas) e sala vip na estação de Águas Calientes. 

Custa os olhos da cara, lógico: a viagem de ida e volta, em junho deste ano, o está sendo cobrada a US$ 475. Ele faz uma viagem diária em cada sentido.

Sacred Valley - serve à linha entre Águas Calientes e Urubamba, cidade do Vale Sagrado onde a rede Belmond tem um hotel de luxo. Também é chique, mas oferece menos serviços. Faz uma viagem (ida e volta) por dia. Cada trecho custa a partir de US$ 160

O Vistadome tem janelinhas no teto, também
Vistadome - foi neste trem panorâmico em que viajei nas duas últimas visitas a Machu Picchu. Ele é bem confortável, as poltronas estão dispostas em esquema "sala de estar"(um par de frente para outro par), com mesinha. Tem janelas panorâmicas e teto envidraçado, para permitir a contemplação da paisagem. Serve um lanchinho básico, incluído no preço da passagem: fruta, croissant e bebida quente (em 2010 era bem melhor). 

Faz viagens partindo de Cusco (Poroy), Ollantaytambo e Urubamba, até Águas Calientes.

O Vistadome chega a ter sete frequências diárias, dependendo do dia da viagem. O bilhete para cada trecho custa a partir de US$ 85 (em junho, altíssima estação, por causa do Inti Raymi), o preço será entre US$ 105 e US$ 115 por pessoa, por trecho, dependendo do horário.

Nosso retorno de Macchu Picchu foi no trem Expedition
Expedition - é o trem mais barato (embora "barato", aqui, seja bem relativo). Tem poltronas decentemente confortáveis, espaço para as pernas e até janelinhas no teto. Na alta estação, chega a fazer oito viagens em cada sentido. Os bilhetes custam a partir de US$ 65, cada trecho.

O café da manhã do Vistadome já foi mais bacana: na foto, minha irmã, Simone, e eu, a caminho de Machu Picchu, em 2010
☑️ Serviço bimodal
Entre janeiro e abril, estação mais chuvosa, o serviço da Peru Rail entre Poroy e Machu Picchu é bimodal. O trecho entre Cusco e Ollantaytambo é feito com um ônibus que sai da Estação de Wachaq, a cinco minutos do centro da cidade. 

Café da manhã do Vistadome
Foi desse jeito que viajamos, agora em fevereiro. O ônibus da Peru Rail saiu de Wanchaq às 6h da manhã e cerca de uma 1h30 depois já estávamos em Ollantaytambo. Nosso trem Vistadome partiu às 9:15 para Águas Calientes, onde chegamos por volta das 11h. 


Na volta, pegamos o trem Expedition das 20:50h para Ollantaytambo, onde pernoitamos. Acho que foi bobagem escolher um trem tão tarde, mas como fizemos a visita a Machu Picchu no turno da tarde, a partir do meio-dia (que vai até as 17h), eu não quis arriscar a correria e possíveis imprevistos na hora de descer da cidadela.

Nossos bilhetes custaram US$ 85 (ida, no Vistadome) + US$ 60 (volta, no Expedition).

☑️ Meu conselho 
Na hora de comprar as passagens de trem, escolha o Vistadome para o trecho que for fazer de dia e o Expedition no trecho que for fazer à noite. 

A diferença de conforto não é grande e, no escuro, você não vai precisar de janelas panorâmicas — a não ser, claro, que seja noite de lua cheia, na estação seca, quando não tem muitas nuvens no céu...

O Peru na Fragata Surprise
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Peru: roteiro de 10 dias com Lima, Cusco e Machu Picchu
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