19 de dezembro de 2017

Guatemala: o mercado de Chichicastenango

Chichi: uma algaravia cheia de cores e tradição
Um dos grandes fascínios da Guatemala é encontrar as tradições maias muito vivas no cotidiano do país, caminhando lado a lado com a vida contemporânea e sem provocar qualquer espanto. Um bom lugar para testemunhar isso é o Mercado de Chichicastenango, realizado todas as quintas e domingos, uma algarvia multicor que anima e lota a cidade de 45 mil habitantes.

A visita ao Mercado de Chichicastenango é um programa muito popular entre os turistas e uma experiência antropológica poderosa — sem contar que essa será a melhor oportunidade que você terá para comprar artesanato de qualidade a bons preços e exercitar a famosa arte da pechincha com os vendedores locais.

Às quintas e domingos, as comunidades trazem sua produção para vender no Mercado de Chichicastenango
Quando você for à Guatemala, não perca esse passeio. Siga as dicas e divirta-se:

☑️ O que ver em Cichicastenango
Chichicastenango — Chichi, para os locais — está a quase dois mil metros de altitude, na região do Altiplano Guatemalteco e é um importante centro da Cultura Kiché, um dos ramos em que se subdividiu a Cultura Maia. A quase totalidade dos moradores da região é composta por indígenas (cerca de 98%).

O mercado é muito mais que uma oportunidade para comprar e vender mercadorias. É quando as comunidades se encontram e discutem suas necessidades, os jovens conhecem seus futuros amores e os xamãs realizam rituais ancestrais de purificação e os fieis acendem velas para os deuses antigos e os santos herdados dos espanhóis pedindo graças e prosperidade.

Flores e incenso para os rituais celebrados na escadaria de São Tomás
As ruas de Chichi, em dias de mercado, são tomadas pela sonoridade do idioma Kiché, pela fumaça dos altares e por uma infinidade de barracas e tabuleiros que vendem de tudo, d artesanato de verdade às quinquilharias industrializadas, das frutas em fatias ao feijão para cozinhar em casa, da hortaliça colhida no quintal à bebida de procedência incerta, do incenso para rituais religiosos a animais vivos.

É bom ir bem preparada para o aperto: não é fácil circular no meio da multidão que lota o mercado. Cada metro de caminhada é uma negociação que exige movimentos bem coordenados de cotovelos e quadris e uma paciência de monja. 

Visitar Chichi também é uma grande oportunidade para comprar artesanato


O assédio dos vendedores ambulantes também é nível hard, alguns deles me seguiram por vários quarteirões, numa persistência rara, baixando o preço da mercadoria oferecida a cada passo — um objeto que começa cotado a 300 quetzales despenca para 20 quetzales depois de duas ou três quadras.

É tudo muito intenso, mas antes que você se canse e resolva fugir para um bar até a hora da van tomar o caminho de volta, não deixe de fazem um breve mergulho na cultura local. O melhor jeito é contratar um dos muitos guias que abordam os turistas nas escadarias da Igreja de São Tomás. Eles geralmente não cobram um preço fixo, mas prepare-se para gastar cerca de US$ 20.

A igreja de São Tomás em dia de mercado
A Igreja de São Tomás, importante centro religioso da cidade e região. Foi construída no começo do Século 16, sobre um antigo templo maia. Se os colonizadores espanhóis imaginaram que estavam apagando as crenças ancestrais ao sobrepor seu local de culto à construção original, estavam redondamente enganados. 

São Tomás é um compêndio sobre o sincretismo religioso, com seus 18 degraus—representação dos 18 meses do calendário maia—apinhados de xamãs que queimam incenso em fogueiras e bebem o licor (um aguardente feito de cana de açúcar bem parecido com a cachaça) para melhor entrar em contato com o divino.

De repente, no meio do mercado, uma procissão. As irmandades (cofradias) são parte importante da cultura local

Incenso e ervas queimados pelos xamãs nas escadarias de São Tomás. À direita, a Capela do Calvário
No interior do templo (que não pode ser fotografado), pequenas plataformas recebem as velas acesas para todo tipo de celebração e pedidos.

Do alto da escadaria da igreja, olhando por cima das lonas e plásticos que cobrem as barracas do mercado, dá para ver, a curta distância, a Capela do Calvário, também construída sobre um templo maia. Segundo a tradição ancestral, esse templo, colocado a Oeste (o poente), representava a morte e a passagem para outro plano. Já o templo substituído pela igreja de São Tomás, construído ao Leste, representava a luz e a vida.


☑️ Como chegar a Chichicastenango
Chichi está a cerca de 130 km da Cidade da Guatemala, 90 km de Antigua e a 80 km de Panajachel (cidade que serve como porta de entrada para o Lago Atitlán). Parece bem pertinho, mas é bom lembrar que mesmo distâncias curtas como essas costumam ser vencidas devagarinho na Guatemala — resultado da química entre as estradas de montanha, cheias de curvas, subidas, descidas e precipícios, e a inenarrável quantidade de carros que circulam por elas.

Eu fui a Chichicastenango com a agência Antigua Tours by Elizabeth Bell (3ª Calle Oriente nº 22, Antigua), que cobra US$ 40 pelo transporte de ida e volta. 

O melhor jeito de ir a Chichi é com um transfer compartilhado. As vans que levam os turistas ficam em uma enorme garagem e fotografar a sua é o melhor jeito de reconhecê-la, na hora de voltar para seu destino
A viagem de ida foi feita em cerca de 2h30 (rodamos a uma velocidade média inferior ao 40 km por hora, graças ao engarrafamento monstro que, dizem, vive eternamente estacionado nos arredores da cidade de Chimaltenango). A volta foi ainda mais lenta: quase quatro horas de viagem. 

Uma visita ao mercado de Chichicastenango, portanto, é um passeio que com certeza vai tomar um dia inteiro de sua programação. Agende-se direitinho.

Às quintas e domingos, dias de mercado, é grande a frequência de ônibus partindo da capital, de Antigua e de Panajachel para Chichicastenango, mas a viagem é demorada e pode ser necessário fazer baldeações que vão esticar ainda mais o tempo de viagem.

Os coloridos chicken buses são o transporte usado pelos locais
O transporte mais “característico” à disposição são os coloridos, divertidos e lentos chicken buses. É a bordo deles que os camponeses das comunidades do altiplano seguem para o mercado de Chichi para vender sua produção e comprar o que precisam.

Se você quiser ganhar tempo e garantir algum conforto, faça como eu e pegue um transfer compartilhado. Em Antigua, Cidade da Guatemala e Panajachel é bem fácil encontrar empresas que fazem o transporte.


Procure contratar o serviço com agências de turismo bem recomendadas, para ter certeza de que vai viajar em vans seguras e minimamente vistoriadas — falando muito sério, não gosto nem de pensar no resultado de um pneu careca naquelas estradas infernalmente sinuosas.

☑️ Onde comer em Chichicastenango
A quantidade de barracas oferecendo comida de rua em Chichi é tanta que a gente engorda só de respirar 😊. Também há muitos restaurantes populares nas ruas onde se instala o mercado. Mas nem um apetite animado e curioso como o meu resiste àquela multidão.

Até a sopinha de entrada vem acompanhada de pimenta. À direita, o pollo criollo
Para fugir da muvuca, escolhi o restaurante Los Cofrades (na esquina na 6ª Calle com a 5ª Avenida), bem no meio da agitação do mercado, mas estrategicamente plantado em um  segundo andar e dono de uma varanda que funciona como bom camarote. O lugar é simples, com jeitão de caseiro e tem preços honestos.

O pollo (frango) criollo que pedi estava bem gostosinho. Veio acompanhado de banana frita, pasta de feijão, guacamole, chuchito (esse embrulhinho de palha de milho que você vê na foto e parece pamonha, mas é recheado com massa e carne) e nachos. A refeição, com bebidas, custou 70 quetzales (cerca de R$ 30).

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