segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que fazer na Ilha de Páscoa


O que fazer na Ilha de Páscoa
Tongariki é o local favorito dos visitantes 
para ver o amanhecer, com o sol nascendo no mar,
 por trás dos moai.
O verão está chegando e, novamente, começa a alta estação na Ilha de Páscoa, quando além de ver todas as maravilhas, dá para aproveitar o banho de mar. São só 163 km², mas não se engane: há muito o que fazer em Rapa Nui. Tente ficar no mínimo cinco dias inteiros por lá, não só para bater o ponto nas principais atrações, mas para se deleitar com aquela paisagem que em tudo lembra o começo do mundo e para descobrir e se encantar com as tradições do povo local.

Neste post, organizei as principais atrações de Rapa Nui, mas sugiro que você leia toda a série aqui do blog para organizar sua viagem, especialmente sobre o passeio de barco aos Motu, a visita à vila cerimonial de Orongo e o ótimo (embora meio friozinho) banho de mar em Anakena. Uma coisa eu garanto: você vai amar a Ilha de Páscoa.
Vulcão Rano Raraku, a "fábrica de moai"
Nas encostas do Rano Raraku, os rapa nui esculpiam
 os moai na cinza vulcânica endurecida
Uma das visitas mais recomendadas (e ansiosamente aguardadas), é ao vulcão Rano Raraku, chamado de “a fábrica de moai. Era lá que eram produzidas as imensas estátuas cerimoniais, arrancadas a golpes de primitivos cinzéis de basalto (uma rocha mais dura) da "pedra" mais porosa das encostas deste vulcão, na verdade cinza vulcânica compactada.

Ainda é possível ver moai apenas esboçados, cuja produção foi abandonada pela eclosão das guerras que levaram ao abandono da tradição de homenagear reis e poderosos com as imensas imagens.

Mais da metade dos moai existentes na ilha
 estão na encosta do Rano Raraku

Com o fim da "era dos moai", 
muitas estátuas foram abandonadas nas encostas do vulcão



Tudo é impressionante em Rano Raraku, a começar pela paisagem extasiante que se pode contemplar lá de cima — o azul profundo do Pacífico, o verde dos campos e os penhascos abruptos erguidos sobre o mar.

Lá do alto, tem-se uma visão impressionante do Ahu Tongariki, daquelas que deixam até um coração de pedra paralisado. Quase metade dos moai contabilizados na ilha estão ainda aqui na “fábrica”, encomendas que não chegaram a ser entregues, muitos deles semi enterrados pelo tempo e, por isso mesmo, protegidos da erosão.



É obrigatório seguir o traçado da trilha,
mas ele passa bem pertinho dos moai
O “parque dos moai” pode ser percorrido desde a base do vulcão por uma trilha bem demarcada (e que precisa ser seguida à risca), que serpenteia pela encosta até chegar ao topo, onde a cratera inundada do vulcão, com 50 metros de profundidade, tornou-se uma simpática lagoa que faz a gente pensar mais em piquenique que em turbulências nas entranhas da terra.

Muitos moai estão parcialmente enterrados e permanecerão assim, protegidos do vento e da erosão
A trilha chega até a cratera alagada do Rano Raraku
Ahu Tongariki
A majestade do Tongariki é um dos grandes espetáculos da ilha
Depois de contemplar o Ahu Tongariki do alto do Ranu Raraku, é emocionante vê-lo de perto — se puder, vá antes do amanhecer, para ver o sol nascer por traz dos moai, ou à tardinha, quando a luz estará perfeita para as fotos.

Uma coisa é certa: não importa a hora, ou o ângulo do sol. É absolutamente impossível não ficar muda diante desses 15 gigantescos cavalheiros, expostos na maior das plataformas rituais de Rapa Nui, estrategicamente colocada à sombra de dois vulcões (além do Rano Raraku, o Poike). O cenário também ajuda: o mar furioso que se atira contra as rochas da costa, a imponência dos vulcões...

Impossível não emudecer diante desse colosso


O Ahu Tongariki foi restaurado no final dos Anos 80. Durante as guerras tribais que levaram ao fim da “era dos moai”, os gigantes de pedra foram derrubados e, já no Século 20, um tsunami havia arrastado as estátuas terra a dentro. Hoje, de volta a sua plataforma, eles retomaram sua posição original, de costas para o mar e mirando exatamente o ponto onde o sol se põe, no Solstício de Verão.

Ahu Tahai
Se o melhor nascer do sol de Rapa Nui é em Tongariki, definitivamente não dá para perder os crepúsculos de Tahai. Esse ahu à beira mar fica bem pertinho do centro de Hanga Roa, num vasto gramado sobre o mar.

Todas as tardes, à medida que o sol vai caindo, visitantes e locais vão chegando de mansinho e escolhendo seu camarote particular. Muitos trazem mantas para deitar na grama, outros trazem o farnel do piquenique, às vezes só uma garrafa de vinho. Alguns até trazem instrumentos musicais.

Assistir ao pôr do sol em Tahai é um ritual que pode e deve ser repetido todos os dias, especialmente no verão, quando anoitece bem tarde e dá tempo de sobra para fazer as visitas do dia, relaxar numa prainha e chegar a tempo de ver um espetáculo absolutamente arrebatador. O sol cai à esquerda dos moai, enquanto o mar furioso ruge e se atira contra a escarpa de pedras onde está o ahu. Lindo...

O que fazer na Ilha de Páscoa
Tahai: pode um fim de tarde mais perfeito?

O que fazer na Ilha de Páscoa
A fúria do mar é uma senhora coadjuvante no espetáculo de Tahai
. Entre tantas visões magníficas oferecidas por Rapa Nui, talvez a mais tocante seja a dos sete moai quase idênticos do Ahu Akivi, os únicos que olham na direção do Pacífico — e, ironicamente, estão numa das raras plataformas erguidas no interior da ilha, distante do mar, o que, pra mim, confere uma certa nota nostálgica às imagens. Los Siete, como são chamados, não são tão grandiosos quanto as estátuas de Tongariki, nem ficam numa localização tão fantástica quanto os ahus Tahai ou Nau-Nau (na Praia de Anakena), mas há algo de poderoso na sua unidade de dimensões e de forma e no singelo campo que os cerca (aproveite para provar os deliciosos ananases produzidos ao lado do ahu. São abacaxis menores e muito doces, vendidos já descascados e fresquíssimos).

Supõe-se que o Ahu  Akivi tenha funcionado como observatório astronômico, já que o sol aponta diretamente para os rostos das estátuas no Equinócio da Primavera.

O que fazer na Ilha de Páscoa
Los Siete olham na direção do mar...

O que fazer na Ilha de Páscoa
Pra mim, o Akivi é o ahu mais comovente de Rapa Nui
O mesmo roteiro que leva os visitantes ao Ahu Akivi passa pela “pedreira de Puna Pau, a cratera vulcânica de onde era extraído o material para esculpir os pukao, “chapeuzinho vermelho” dos moai — com todo o respeito J. Como no caso da matéria prima das estátuas, essa “pedra” vermelha, muito porosa, é na verdade cinza vulcânica compactada. Também como em Rano Rarako, por toda a área de Puna Pao estão espalhadas “encomendas” que não chegaram a ser entregues, chapeuzinhos que chegam a 1,50m de diâmetro semi enterrados no terreno gramado.

A um primeiro olhar, o lugar parece bem sem graça, mas é um dos sítios da ilha que está em franca exploração arqueológica, com uma equipe de arqueólogos trabalhando em escavações.

Ah, e o pukao não é um “chapeuzinho”. O adorno seria a representação do penteado usado pelos chefes tribais — e ainda hoje popular entre os jovens Rapa Nui —, que usavam os longos cabelos presos em um coque.

O que fazer na Ilha de Páscoa
Os pukao espalhados em torno da cratera de Puna Pao
O que fazer na Ilha de Páscoa
"Clareira" no sistema de cavernas de Ana Te Pahu
O que fazer na Ilha de Páscoa
Essa é a "saída radical"
das cavernas de
Ana Te Pahu
Ao lado de Puna Pao estão as cavernas de Ana Te Pahu, um complexo de túneis formados pelas erupções vulcãnicas que serviu de abrigo e morada a grandes contingentes rapa nui durante o período de guerras tribais que encerrou abruptamente a "era dos moai" — a pacificação posterior instauraria um novo pacto na ilha, no qual a alternância de poder entre os sete clãs passaria a ser definida no Ritual do Homem Pássaro, disputado em Orongo.

Neste complexo de cavernas, os refugiados das guerras viviam e até plantavam: em alguns trechos em que a cobertura de lava endurecida desabou — e que, por falta de palavra melhor, chamarei de "clareira" — ainda vicejam bananeiras e outras plantas, abrigadas do vento, mas com acesso à luz do sol.

A caminhada pela caverna é interessante, mas não espere pinturas rupestres ou outros vestígios sofisticados de ocupação humana. longe das "clareiras", o lugar é escuro, o piso irregular exige cuidado e um bom solado no calçado, que, inevitavelmente, ficará molhado, pois há trechos de lama lá em baixo.

Na hora de ir embora é que vem a parte mais radical do programa: você pode escolher a saída à moda Rapa Nui, por um buraco estreito, que vai exigir uma certa perícia, já que é preciso escalar o pequeno túnel que leva ao exterior.

O que fazer na Ilha de Páscoa
Os pássaros de Ana Kai Tangata
O que fazer na Ilha de Páscoa
. Para ver pinturas rupestres, o lugar é a caverna de Ana Kai Tangata, perto de Orongo, à beira mar, onde o povo Rapa Nui gravou, em tons que vão do dourado ao vermelho, uma profusão de pássaros em pleno voo — seriam manutaras, as aves marinhas cujo ovo os guerreiros buscavam nos motus, no ritual do Homem Pássaro?

O acesso a Kai Tangata é por uma escada que desce o paredão de pedra e o terreno irregular exige bastante cuidado. Além de contemplar a beleza das pinturas, preste atenção na fúria do mar que pequenos dentes de lava endurecida impedem de invadir a caverna.
Os incas com certeza discordariam (eles elegeram Cusco), mas para o povo Rapa Nui, sua ilha é o “o umbigo do mundo”. Essa tradição está representada no Ahu Te Pito Kura, no Nordeste da Ilha, a 26 km de Hanga Roa. Aqui, as bússolas simplesmente enlouquecem em contato com uma pedra sagrada,— na verdade, resultado da alta concentração de minério de ferro na rocha — e alguns visitantes perdem a compostura, sentando na pedra para tirar fotografias e deixando os locais absolutamente constrangidos (não faça isso, por favor!!!). Os Rapa Nui atribuem a essa pedra, chamada de Te Pito o Te Henua, propriedades curativas.

Preste atenção ao moai caído próximo às pedras. Ele é considerado o maior da ilha, com 11 metros de altura. 

Ahu Te Pito Kura, O que fazer na Ilha de Páscoa
O umbigo do mundo

Informações práticas
O Rano Raraku é a única atração com entrada paga, das citadas neste post. Está a 18 km de Hanga Roa, na direção Nordeste. Para ir por conta própria, só com carro alugado ou táxi (nunca é demais repetir que a ilha não tem transporte público). A estrada é asfaltada e basta um mapinha básico para chegar lá. Para a visita é preciso pagar o ingresso aos parques nacionais de Rapa Nui (US$ 60, se comprados na bilheteria daqui ou de Orongo, ou US$ 50, se comprado no Aeroporto de Mataveri). O bilhete também dá acesso à vila cerimonial de Orongo.

As demais atrações são gratuitas e, se você fizer a lição de casa, lendo um pouquinho sobre a história e as tradições da ilha, poderá visitá-las sem guia. Só não recomendo fazer isso no complexo de cavernas de Ana Te Pahu, porque se aventurar sozinho por baixo da terra não é uma boa ideia, exceto para espeleólogos experientes. Com um carro alugado ou de táxi (bem carinhos), dá para passear bastante por Rapa Nui. Mas meu conselho é que você faça os roteiros com as agências, para compreender melhor o significado de cada sítio, e depois retorne por conta própria aos lugares que achou mais bacanas.

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O Chile na Fragata Surprise:

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2 comentários:

  1. Parabéns e Cyntia!

    Vamos pra Pascoa daqui a 10 dias e estou lendo vários blogs.
    Você conseguiu citar todos os pontos relevantes que tenho lido por ai. E o melhor, demonstrou muito respeito às tradições e aos nativos.

    Obrigado pela sua ajuda!

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    Respostas
    1. Obrigada a você, Cirilo. E aproveite muito a beleza e as tradições de Rapa Nui. É um lugar inesquecível. Boa viagem!

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