16 de maio de 2022

O que fazer em Valência, Espanha

Cidade das Artes e da Ciência, Valência, Espanha
O Século 21 na Cidade das Artes e da Ciência e (abaixo) Século 15 na Lonja de la Seda: Valência caminha entre os tempos com uma graça e uma beleza muito raras

Lonja de la Seda, Valência, Espanha

Fazia muito, muito tempo que eu não ficava tão caída de amores por uma cidade como fiquei por Valência. Visitei a cidade nas últimas férias antes da pandemia — ela foi um dos vértices do meu triângulo mediterrâneo, que incluiu também Malta e Barcelona — e foi amor à primeiríssima vista.

A capital da Comunidade Valenciana, a 360 km de Madri e 350 km ao Sul de Barcelona, era um destino que eu vinha me devendo há décadas. E como é que eu pude demorar tanto para me dar o prazer de estar naquela cidade?

Como eu pude demorar tanto para ver a Valência de El Cid, o legendário campeador, que governou a cidade no Século 11? A corajosa capital da República Espanhola durante a Guerra Civil? O berço da paella

Mercado de Colón, Valência, Espanha
A Art Nouveau Valenciana resplandece na fachada do Mercado de Colón, ótimo lugar para bebericar e tapear

Valência, Espanha
O animado vai e vem no Centro Histórico de Valência em um final de tarde de outono. Ao fundo, a espetacular Catedral

Tem muito o que fazer em Valência, cidade de beleza escancarada, cheia de gente animada nas ruas e alguma coisa no ar que convida à felicidade.

As atrações de Valência passeiam do Gótico aos traços contemporâneos e quase afoitos da arquitetura de Santiago Calatrava — e eu ia dizer passando pela Art Nouveau Valenciana (prima do Modernismo Catalão), que está em toda parte. Mas quem é que apenas passa pela Art Nouveau? Porque eu paro, me amarro e arreio os quatro pneus.

Estação del Nord, Valência, Espanha
Valência não está para brincadeiras e já quer arrebatar seu coração desde o primeiro instante. Desembarcar do trem na Estação del Nord é mergulhar na Art Nouveau Valenciana

Jardins do Túria, Valência Espanha
Eu fiquei fã dos passeios pelos Jardins do Túria, um parque linear com mais de 10 km sobre o antigo leito de um rio

Viajar tem muitos prazeres. Namorar paisagens novas, tentar ficar íntima do ritmo de um idioma diferente, inebriar-se em temperos menos familiares — acredite, uma orxata de xufa, bebida típica de Valência, é o sabor exótico mais fácil de se amar que eu já provei.

Valência me deu tudo isso e mais o enorme prazer de ser sacudida por uma inesquecível surpresa: eu já sabia que seria legal, mas ela superou todas as minhas expectativas.

Torres de Quart, Valência, Espanha

As Torres de Quart, do Século 15, são uma porta fortificada que restou da muralha medieval de Valência e uma das imagens mais reconhecíveis da cidade


Se você ainda não foi à linda Valência, vá correndo. Se já foi, volte, como eu pretendo fazer loguinho. Veja minhas dicas de encantos valencianos (e já aviso que este post é enooooorme 😊):

O que fazer em Valência

Catedral de Valência, Espanha
A Catedral de Valência é apaixonante

⭐Catedral de Valência
(La Seu de Valencia) Plaza de l'Almoina s/n

🕑 Horários: de março a outubro, as visitas à Catedral e ao Museu são de segunda a sábado, das 10h às 18:30h, e aos domingos e feriados das 14h às 18:30h. De novembro a março, visitas de segunda a sábado, das 10h às 17:30h. 

As subidas à Torre Miguelete/Micalet (campanário) são realizadas das 10h às 19h.

Catedral de Valência, Espanha, e Torre do Miguelete
A Torre Micalet (Miguelete, em espanhol) é o famoso campanário da Catedral de Valência

💲 Ingressos: € 8 para ver a Catedral e o Museu, € 2 para subir ao Miguelete. Saiba mais no site oficial da Catedral de Valência

A Catedral, uma maravilha do Século 13, é considerada a grande obra em estilo Gótico Valenciano, sem prejuízo das pitadas de Românico, Renascentista, Barroco e Neoclássico que ela recebeu ao longo do tempo.

A Catedral ou La Seu (a Sé) de Valência é tão deslumbrante que vai ganhar um post só pra ela, mas aviso desde já que ela é a atração mais imperdível da cidade.
 
Altar-mor da Catedral de Valência, Espanha
O acachapante altar-mor da Catedral de Valência e, abaixo, à direita, a Capela do Santo Graal

Catedral de Valência e Capela do Santo Graal

Entre os muitos tesouros da Catedral de Valência, o mais famoso é o “Santo Graal”, um cálice do Século 1º de nossa era, doado à igreja pelo rei Alfonso, o Magnânimo, no Século 15.

Se a peça é mesmo o cálice sagrado usado por Cristo e procurado por Indiana Jones, não consegui comprovar. Mas só a capela onde ele está guardado já vale a viagem.

Sala de Contratação da Lonja de la Seda, Valência, Espanha
A luz rodopia junto com as colunas da Sala da Contratação, na Lonja de la Seda
Lonja de la Seda
Plaza del Mercado nº 1

🕑 Horários: De terça a sábado, das 10h às 19h. Domingos e feriados, das 10h às 14h
💲 Ingresso: € 2

Plantada bem no coração da cidade, a sede da bolsa de comércio da Seda em Valência (Llotja de la Seda, em valenciano) expressa, com sua imponência e esplendor, o papel que o comércio da seda desempenhou na prosperidade da cidade ao longo dos séculos 14 e 15.

A produção de seda foi iniciada pela comunidade judaica, no Século 14 e, 100 anos mais tarde, alcançou o posto de mais pujante atividade econômica de Valência.

Gárgula na fachada da Lonja de la Seda, Valência, Espanha
A decoração da fachada da Lonja de la Seda é super rebuscada, tem gárgulas muito fotogênicas, motivos florais e animais 
 
Decoração da fachada da Lonja de la Seda, Valência, Espanha

No final do Século 15, Valência reunia 293 mestres de seda e o Bairro de Velluters (“produtores de veludo) chegou a ter 5 mil teares do produto. No Século 17, nada menos do que 25 mil valencianos trabalhavam nessa indústria.

Velluters é o bairro do Centro Histórico de Valência localizado entre as Torres de Quart e a Igreja do Pilar, a Oeste da Plaza del Mercado. Um bom motivo para esticar a visita à Lonja de la Seda por essa área (do ladinho) é ver o Museu da Seda, instalado no antigo Colegio del Arte Mayor de la Seda, do Século 17.

A construção a Lonja de la Seda teve a função prática de oferecer uma sede à atividade econômica, mas, principalmente, a missão simbólica de demonstrar e reverenciar esse comércio.

Sala da Contratação e Patio de los Naranjos da Lonja de la Seda, Valência, Espanha
A Sala da Contratação se abre para o belo Patio de los Naranjos

Patio de los Naranjos, Lonja de la Seda, Valência, Espanha

As obras consumiram meio século (entre 1482 e 1533) e o resultado é um deslumbramento em estilo Gótico Tardio, considerado um dos grandes marcos do chamado Século de Ouro Valenciano (Século 15), quando o dinheiro da seda bancou a efervescência cultural e artística de Valência.

O ambiente mais espetacular da Lonja de la Seda é a Sala de Contratação, onde os comerciantes se reuniam para apresentar seus estoques, dar lances pelas mercadorias e contratar carregamentos de seda para diversas partes do Mediterrâneo.

A Sala de Contratação é realmente de cair o queixo: ela tem mais de 700 metros quadrados, 17 metros de altura e seu teto em abóbadas é sustentado pelas colunas mais esguias e elegantes que eu já vi — se inspiram em palmeiras, como as colunas da igreja do Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa. 

Sala da Contratação da Lonja de la Seda, Valência, Espanha
A beleza vai do piso ao teto sem escalas

Lonja de la Seda, Valência, Espanha

Em toda a amplidão da Sala de Contratação, as pedras volteiam em entalhes riquíssimos e a luz entra, farta, pelas vidraças generosas. Um escândalo de beleza.

A sala de Contratação fica logo no térreo, quase de cara para a entrada do edifício — mas faça-me o favor de não deixar de ver o resto da construção, porque é muito difícil apontar algo menos do que lindo lá dentro.

Salá Principal, Lonja de la Seda, Valência, Espanha
O Salão Principal, contíguo à Sala da Contratação, tem um forro que é um escândalo de lindo

Garanto que você também vai ficar deslumbrada com as dependências do Consulado do Mar (os tetos são de rasgar a roupa), que funcionava nas dependências da Lonja, e com o chamado Salão Principal.

Guarde um tempinho pra relaxar no Patio de los Naranjos (Pátio das Laranjeiras) — ainda que ele não seja tão magnífico quanto o da Catedral de Sevilha ou o da Mesquita de Córdoba, é um espaço muito bonito e agradável.

Salão Principal da Lonja de la Seda, Valência, Espanha
O Salão Principal também se abre para o Patio de los Naranjos

Consulado do Mar, Lonja de la Seda, Valência, Espanha
Os salões do Consulado do Mar exibem forros preciosos, cheio de entalhes e douramentos

Uma pena é que a Torre da Lonja de la Seda não esteja aberta aos visitantes (adoro torres medievais). Lá funcionaram uma capela e uma prisão.

O Consulado do Mar é uma instituição bem mais antiga que a Lonja de la Seda. Foi criado na primeira metade do Século 13 para reunir os grandes armadores de Valência. Os líderes de cada ramo de comerciantes marítimos eram chamados de “cônsules”. Era como uma "federação do comércio" medieval.

No Século 16, o Consulado do Mar ganhou uma sede nas dependências da Lonja de la Seda, um pavilhão de três andares, em frente à Sala de Contratação, do outro lado do Patio de los Naranjos.

Igreja dos Santos Juanes, Valência, Espanha

Diante do Mercado Central e da Lonja de la Seda, a Igreja dos Santos Juanes (Sant Joan del Mercat) completa o belíssimo conjunto da Praça do Mercado. A construção original era do Século 13, mas, após um incêndio, o edifício ganhou uma completa remodelação em estilo barroco e é apontada como um dos grandes exemplares desse etilo em Valência 


Igreja dos Santos Juanes, Valência, Espanha

Mercado Central de Valencia
Plaza del Mercado
🕒 Horários:
de segunda a sábado, das 7:30h às 15 horas.

Em frente à beleza medieval da Lonja de la Seda está o Mercado Central, esse tremendo exemplar da Art Nouveau Valenciana — e, ainda por cima, vem com um recheio comestível muito tentador.

Mercado Central de Valência, Espanha
O Mercado Central de Valência é uma das preciosidades da Art Nouveau na cidade. E o "recheio" é delicioso

Mercado Central de Valência, Espanha

O Mercado Central de Valência foi inaugurado em 1928 e seu projeto arquitetônico original foi assinado por Alexandre Soler March e Francesc Guàrdia Vidal, discípulos do expoente do Modernismo Catalão Lluís Domènech i Montaner — aquele do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau de Barcelona, que me deixou com o coração aos pulos.

A construção do mercado se arrastou por 14 anos (desde 1914) e foi acabou sendo assumida pelo arquiteto Enrique Viedma Vidal, que tinha uma quedinha pela Art déco.

Mercado Central de Valência, Espanha
As cúpulas do Mercado Central quase fazem a gente esquecer de olhar para as gostosuras à venda
 
Mercado Central de Valência, Espanha

Minhas visitas ao Mercado Central de Valência — sim, pelo menos uma por dia, enquanto estive na cidade — tinham um roteiro riquíssimo. Primeiro, eu xeretava os balcões dos restaurantes populares que funcionam do lado de fora do mercado, onde sempre surge inspiração para uma refeiçãozinha (diria Obelix) muito gostosa e a preços convidativos.

Depois, eu caminhava entre as bancas de peixes e hortaliças com a reverência de quem percorre os corredores de um museu e aproveitava para escolher umas frutinhas.

Mercado Central de Valência, Espanha
A estrutura em ferro é bem característica da Belle Époque

Mercado Central de Valência, Espanha
Do lado de fora do Mercado Central, restaurantes populares servem ótimas comidinhas a bons preços

Mercado Central de Valência, Espanha
Quer comprar apetrechos para fazer paella? No Mercado Central tem. Mas só escolher as frutinhas do café da manhã nesse lugar bonito já vale 

Depois, zanzava hipnotizada pelas cúpulas recobertas de cerâmica, pelos volteios do ferro, pela luminosidade dos vitrais e outras belezas do Mercado Central, enquanto os valencianos faziam suas compras na maior naturalidade, arrastando seus carrinhos de feira no meio daquela maravilha.

O Mercado Central de Valência é um programão.

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha
Estonteante é um adjetivo até comedido pra a beleza da Igreja de San Nicolás

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha

Igreja de San Nicolás
Calle Caballeros nº 35

🕒 Horários: de outubro a junho, as visitas são realizadas de terça a sexta, das 10h às 19h. Aos sábados, das 10h às 18:30h e aos domingos, das 13h às 19.

Entre julho e setembro, San Nicolás recebe visitas das 10:30h às 20:30h, de segunda a sexta. Aos sábados, das 10h às 19:30. Domingos, das 13h às 20:30h.

Visitas guiadas aos sábados, ao meio-dia, e domingos, às 13h. Antes de ir, confirme os horários na agenda de San Nicolás.

💲 Ingresso: 8€, com audioguia incluído (explicações em espanhol, valenciano, inglês, italiano e francês). Há uma modalidade de bilhete combinado para ver A Igreja de San Nicolás, o Museu da Seda e a Igreja de los Santos Juanes. Informe-se sobre isso na bilheteria.

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha
Os afrescos barrocos de San Nicolás renderam à igreja o apelido de "Sistina Valenciana"

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha

Acreditem que eu quase passei batida por essa igreja linda, apelidada de “Sistina Valenciana” por conta dos estonteantes afrescos barrocos que recobrem todo seu interior.

É que a Carrer dels Cavallers/Calle de los Caballeros, onde se encontra San Nicolás, é só um pouquinho mais larga do que o corredor do meu apartamento e, pra completar, a entrada da igreja fica bem escondidinha.

Quando você for, fique ligada em um cavalete com fotos convidando à visita para não passar direto.

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha
Visita a San Nicolás: prepare-se para ficar completamente tonta e imensamente feliz

Igreja de San Nicolás, Valência, Espanha

Sua atenção vai valer a pena: a Igreja San Nicolás de Bari y San Pedro Mártir (o nome completo da lindona) foi uma das coisas mais deslumbrantes que vi em Valência. E olha que a concorrência não brinca em serviço naquela cidade.

A Igreja de San Nicolás é do Século 13 (antes, houve uma mesquita no mesmo local), mas o que a faz famosa é a decoração barroca, do Século 17. Prepare-se para ficar completamente tonta e imensamente feliz.

Estação del Nord, Valência, Espanha
O banquete visual em Valência já começa na chegada, no desembarque na Estação del Nord

Estação del Nord, Valência, Espanha

Estação del Nord
Carrer de Xátiva s/n

Esta fã descabelada da Art Nouveau já desembarcou em Valência com o coração aos pulos: é impossível não ser arrebatada de paixão pela beleza do principal terminal ferroviário da cidade, a Estació del Nord (bora chamá-la aqui pelo seu nome valenciano).

Linda de fazer o coração dar uma paradinha, a Estació del Nord é uma peça fundamental na rede de transportes da cidade e da Comunidade Valenciana. Nada menos do que 14 milhões de passageiros passam por ela todos os anos, seja para usar os trens de longa distância como os trens de cercanias. Ela também está integrada ao metrô e a um terminal de ônibus urbanos.

Estação del Nord, Valência, Espanha

Estação del Nord, Valência, Espanha
A Estação del Nord é tão linda que eu quase esqueci que ela tem um propósito funcional

Estação del Nord, Valência, Espanha

 Mas acho que a pessoa tem que ter um coração de pedra pra chegar num lugar como aquele e se limitar a cumprir os trâmites funcionais aos quais ela está primordialmente dedicada.

Eu, mesmo depois de uma viagem de quatro horas e meia, desde Barcelona, seca pra fumar um cigarro, não tive capacidade de apenas desembarcar do trem e sair arrastando minha malinha em direção ao hotel, como se nada houvesse.

Aproveitei que estava em uma das três maiores preciosidades do Modernismo/Art Nouveau de Valência — as outras duas são o Mercado Central e o Mercado de Colón — e já fiz a minha primeira visita turística na cidade.

Estação del Nord, Valência, Espanha
Acho que com este cartão de visitas, Valência quer dizer ao visitante que a cidade não fica devendo nada a Barcelona, no quesito Modernismo

 Comecei babando com a decoração interna da estação, com muita cerâmica vitrificada, mosaicos e os famosos trencadís tão queridos por Gaudí — aquela canjiquinha linda feita com pedaços irregulares de cerâmica quebrada.

Do lado de fora, a decoração em cerâmica quase tem cheiro, retratando muitas laranjas e flores de laranjeiras (azahar).

Estação del Nord, Valência, Espanha

Estação del Nord, Valência, Espanha
Mesmo que você não chegue a Valência pela Estação del Nord, vai ser fácil visitá-la: ela fica bem no Centro. ao lado da Plaza de Toros (à esquerda na imagem)

Inaugurada em 1917, a Estació del Nord foi projetada pelo arquiteto Demétrio Ribes, um dos expoentes do estilo Modernista em Valência. Ela fica bem no Centro da Cidade, a 500 metros da Plaza del Ayuntamiento (Prefeitura) e do ladinho da Plaza de Toros. Mesmo que você não chegue a Valência de trem, vai ter zero desculpas para não ir visitar essa maravilha.

Casa del Marqués de Dos Águas, Valência, Espanha
Quer Rococó? Também tem em Valência - a Casa do Marquês de Dos Águas é um escândalo de bonita

Casa del Marqués de Dos Águas, Valência, Espanha

Casa del Marqués de Dos Águas
(Museu Nacional da Cerâmica e Artes Decorativas) Carrer del Marquès de dos Aigües nº 4.  

🕒 Horários do museu: 
de terça a sábado, das 10h às 14h e das 16h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 14h.
💲 Ingresso para o museu: € 3

Já viu o Gótico, o Barroco e o Modernismo? Então bora ver essa joia Rococó que atualmente abriga o Museu Nacional González Martí da Cerâmica e das Artes Decorativas.

Casa del Marqués de Dos Águas, Valência, Espanha
Os Atlantes esculpidos na porta principal da casa representam os rios Túria e Júcar, os dois mais importantes da Comunidade Valenciana. Sobre a entrada, a imagem da Virgem do Rosário, protetora da família dona do palácio

Casa del Marqués de Dos Águas, Valência, Espanha

Palau del Marqués de Dosaigües (nome valenciano da casa) pertenceu a uma família nobre das mais poderosas de Valência, a partir do Século 16. O edifício tem origens góticas, mas ganhou as feições atuais — exuberantíssimas — no Século 18.

Não deu tempo de ver o palácio por dentro (quem viu, garante que é deslumbrante). Mas a fachada, recoberta de relevos em estuque, já vale a caminhada.

Casa del Marqués de Dos Águas, Valência, Espanha
As janelas rococó fazem o maior sucesso

A entrada principal do palácio é um cartão postal conhecidíssimo de Valência, onde figuras mitológicas dos atlantes representam os rios Turia e Júcar, o dois mais importantes da região, em alusão ao marquesado de Dos Águas (Duas Águas), título nobiliárquico dos donos da casa.

Jardins do Túria

Valência é tão, mas tão bacana que uma de suas maiores atrações é gratuita e sem hora pra abrir ou fechar.

Jardins do Túria, Valência, Espanha
Jardins do Túria: os cidadãos de Valência se mobilizaram e conquistaram um parque

Jardins do Túria, Valência, Espanha

Uma caminhada de menos de 200 metros separava minha hospedagem — o mui bacana Bed&Breakfast Almirante, que vai ganhar um post exclusivo — dos Jardins do Túria, um dos parques públicos mais legais que já conheci. Claro que eu aproveitei muito essa vizinhança.

Os Jardins do Túria foram instalados sobre o antigo leito do Rio Túria, que cortava o Centro Histórico de Valência e era danado pra arranjar uma inundação. Na década de 90, o curso do rio foi desviado e Valência ganhou um parque linear com 10 km de extensão e 110 hectares.

Jardins do Túria, Valência, Espanha
Fiquei hospedada do ladinho dos Jardins do Túria e curti muito esse vizinho

Jardins do Túria, Valência, Espanha

Um aspecto muito bacana na história desses jardim é que o projeto original do governo espanhol era cobrir o leito do rio com um monte de asfalto e pistas para automóveis. 

Foi a mobilização do povo de Valência que obrigou o poder público a encontrar essa solução tão mais bacana — quando as comunidades se organizam, as cidades costumam sair ganhando, né?

Jardins do Túria, Valência, Espanha
A grama do parque é pra deitar e rolar

Jardins do Túria, Valência, Espanha

Jardins do Túria, Valência, Espanha

O trecho dos Jardins do Túria no Centro Histórico de Valência preserva as balaustradas seculares que margeavam o rio e as pontes que cruzavam o curso d’água, com um resultado muito bonito. 

O trecho final do parque é a Cidade das Artes e da Ciência, o famoso complexo concebido pelo arquiteto Santiago Calatrava.

Torres de Serranos, Valência, Espanha
As Torres de Serranos, do Século 14, antigo portão fortificado da muralha medieval de Valência

Torres de Serranos e Torres de Quart

Endereços: as Torres de Serranos ficam na Plaza de los Fueros s/n. As Torres de Quart ficam na Avenida Guillén de Castro, s/n, esquina com Carrer de Quart.

🕒 Horários das torres: de 15 de março a 15 de outubro, as visitas são de terça a sábado, das 10h às 19h, e aos domingos e feriados, das 10h às 15. Entre 16 de outubro al e 14 de março as torres fecham uma hora mais cedo, de terça a sábado. Quando chove, s subida às torres é interrompida, por segurança.
💲Ingressos: € 2 (para visitar cada torre)

Torres de Serranos, Valência, Espanha
Serranos era a principal porta de acesso a Valência e se abria para a estrada de Zaragoza, capital do Reino de Aragão

Torres de Serranos, Valência, Espanha

Essas duas torres são os dois últimos elementos das muralhas de Valência, a chamada “Muralha Cristã”, edificada após a conquista da cidade pela Coroa de Aragão e a expulsão dos mouros.

Originalmente, 12 portões fortificados controlavam o acesso à cidade. Com a demolição das muralhas, na segunda metade do século 19, as Torres de Quart e de Serranos estão lá para nos dar uma ideia do poderio das fortificações de Valência.

Torres de Quart, Valência, Espanha
As marcas de balas de canhão nas Torres de Quarts são testemunhas dos ataques sofridos por Valência na invasão napoleônica e na Guerra da Sucessão Espanhola

Torres de Quart, Valência, Espanha

Mas não só: as duas estruturas estão abertas ao público, que pode escalar suas escadas seculares e alcançar as plataformas superiores de ambas, dois tremendos mirantes para cidade.

As Torres de Serranos, do Século 14, eram a principal porta de acesso a Valência e se abriam para a estrada que levava à capital do Reino de Aragão, Zaragoza.

Torres de Quarts, Valência, Espanha
Ao lado de Serranos, Quarts nos dá uma ideia de como era imponente a muralha de Valência, demolida no Século 19
 
Torres de Quarts, Valência, Espanha

As Torres de Quart são um século mais jovens do que Serranos. Nas duas velhas senhoras é possível ver as marcas dos ataques que sofreram, ao longo dos séculos, especialmente durante a invasão napoleônica (Século 19) e a Guerra de Sucessão Espanhola (Século 18).
  
Cidade das Artes e das Ciências
Eu nem sou muito fã do estilo acrobático da arquitetura de Santiago Calatrava, mas confesso que curti a visita à Cidade das Artes e das Ciências de Valência. O lugar é bonito e fica ainda mais agradável com os espelhos d'água, onde é possível até remar um caiaque.

Cidade das Artes e das Ciências de Valência, Espanha
Eu até implico um pouco com a arquitetura acrobática de Calatrava, mas gostei muito da Cidade das Artes e das Ciências de Valência

Cidade das Artes e das Ciências de Valência, Espanha

O complexo, traçado em linhas bem ousadas, conta com sete estruturas principais onde funcionam um cinema de última geração (o Hemisfèric, em forma de olho), o Museu de Ciências, um jardim botânico reunindo espécies da flora nativa da Comunidade Valenciana (o Umbracle), um aquário (o Oceanográfic), uma sala de concertos (Palau de les Arts Reina Sofía), uma praça coberta (a Ágora) e uma ponte sobre os do Túria (Puente de l'Assut de l'Or).

Em me acabei de fotografar a Cidade das Artes e das Ciências de Valência. Essa é mais uma atração que vai ganhar post exclusivo. Aguarde 😊.
 
Bairro da Ruzafa, Valência
Coladinha ao Centro Histórico, a Ruzafa é um bairro de astral boêmio e meio alternativo, ótimo para farrear

Bairro da Ruzafa

Valência também tem seu Eixample (“Ampliação”, em catalão e valenciano), distrito que se desenvolveu a partir da povoação fora das muralhas da cidade — assim como o Eixample de Barcelona. E é nessa região que fica o gostoso Bairro da Ruzafa, vizinhança que está bombando entre os boêmios.

A origem do bairro é um jardim usado pela aristocracia moura de Valência, no Século 9 (Rusafa, em árabe, significa “jardim”). Ao longo do tempo, foi povoado por trabalhadores pobres e, no Século 19, a Ruzafa era um bairro de operários. Agora, virou moda e tem atraído artistas, estudantes e descolados.

Quem me levou à Ruzafa foram os queridos Nah Schiebel e João Guilherme Brotto, de quem sou fã desde que escreviam o blog Pra ver em Londres — hoje Pra ver no Mundo. Nah e João estavam morando em Valência e nos encontramos pra uma farrinha deliciosa na Ubik Cafeteria Llibreria.

Antes de encontra-los, fiz um passeio pelo bairro, curtindo o ambiente jovem e agradabilíssimo.

Se você curte lojinhas de designers, livrarias, galerias de arte, boa gastronomia, coloque a Ruzafa no seu roteiro em Valência.

Mais sobre esta viagem




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6 comentários:

  1. Ah, que delícia de post!!! Eu não tive tempo de perambular por Ruzafa e PRECISO voltar kkkkk

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  2. Desde que entrei no trem para voltar a Barcelona, eu planejo retornar a Valência. Fiquei apaixonadíssima pela cidade, Fer

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  3. Sempre motivo de alegria ver a Fragata com texto novo :)

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    1. Que legal! É sempre motivo de alegria saber que alguém curte a Fragatinha. Bjo

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