18 de fevereiro de 2017

Onde comer e beber em Madri

Comer e beber em Madri: duas grandes atrações turísticas
A mesa e o balcão são duas grandes atrações da capital espanhola. Comer e beber em Madri são experiências tão importantes e prazerosas quanto ver as telas do Museu do Prado, a Guernica e o Parque do Retiro.

Comer em Madri, pra mim, é ir de tapas, beliscando pequenas gostosuras nos balcões das tabernas. É me enredar no aconchego calórico do cocido madrileño e dos callos a la madrileña, pratos engendrados nas cozinhas simples das casas do povo para chegar às mesas requintadas. É sucumbir à simplicidade das yemitas (“brigadeirinhos” de gema) e dos churros mergulhados na xícara fumegante de chocolate.

E ainda tem os frutos do mar, as tortilhas, os queijos, os chorizos e o jamón.  Tudo isso acompanhado de um bom vinho, de um cálice de xerez ou de manzanilla (duas bebidas andaluzas que também são muito populares na capital.

O certo é que comer bem em Madri é fácil e não custa os olhos da cara. Além dos pratos locais e de toda a variadíssima cozinha espanhola, há sabores do mundo inteiro esperando para enriquecer a experiência do visitante. Da minha adorável semaninha passada lá, agora em janeiro, trouxe várias dicas para compartilhar com vocês. 

A comida de mercado em  Madri já ganhou um post. Agora, fique com alguns restaurantes, bares e cafés que curti por lá.

O bar do terraço do El Corte Inglés na Porta do Sol tem vista para o Edifício dos Correios (abaixo) e seu famoso campanário que marca a contagem regressiva da festa de Ano Novo mais popular de Madri
☑️ Começando pelos aperitivos: bares em Madri

⭐PuertasolPorta do Sol nº 10, 5º andar. De domingo a quinta, das 11h à meia-noite. Sextas, sábados e vésperas de feriado, até 1:30 da manhã. 

Inaugurado no ano passado, este bar fica no terraço do El Corte Inglés da Porta do Sol, lugar muito agradável para uma happy hour, com uma bela vista para a icônica praça onde os madrilenhos gostam de comemorar o Ano Novo. Foi lá que passei meu último final de tarde em Madri.

Um ícone de Madri, o Edifício dos Correios visto do terraço do bar Puertasol
O lugar se apresenta como espaço gastronômico e é comandado por chefs famosos na cidade (não confunda com o Gourmet Experience, que funciona em algumas unidades do magazine, inclusive na loja vizinha da Plaza de Callao). Mas as mesas altas, ao ar livre, convidam mesmo é para uma copita. 

Serve um dry martini (€ 10) bem decente e as opções de tapas passam pelos queijos, jamón e chorizos. Vista bonita, serviço simpático e trilha sonora de bom gosto.

Volapié: opção simpática no Barrio de Las Letras
⭐ Taberna del Volapié
Calle del Prado nº 3, esquina com Calle Echegaray (Metrô Sevilla ou Antón Martín).

Sempre fui fã das tabernas do Barrio de Las Letras, que pra mim são as versões etílicas dos cafés parisienses. A qualquer hora do dia, tem sempre alguém lendo o jornal, bebericando uma copita e comentando o noticiário com alguma indignação (que fica mais eloquente naquele sotaque brusco dos madrilenhos).

Essa taberna, mais arrumadinha que a média, não segue o costume de deixar o chão sujo para comprovar o movimento de clientes (uma curiosa tradição de Madri), mas cobra preços honestíssimos e tem uma variedade de tapas muito interessante. Bom lugar para uma copita de jerez (a bebida é andaluza, mas foi adotada pela capital espanhola, como prova o imenso cartaz da famosa marca Tio Pepe, na Porta do Sol, que virou cartão postal da cidade).

E foi o que pedi. A generosa dose de xerez custa € 2 e vem acompanhada de deliciosas tiras de batatas fritas, bem sequinhas. Nas opções de tapas, o céu é o limite.


Gijón, um pedacinho da história boêmia de Madri
⭐ Gran Café GijónPaseo de Recoletos nº 21 (Metrô Colón ou Banco de España). Diariamente, das 7:30h à 1:30h.

Fundado em 1888, o Gijón é uma instituição madrilenha, frequentado por artistas e vanguardas de diversas eras, que lá faziam suas tertúlias literárias e políticas. Garcia Lorca foi um dos seus mais assíduos frequentadores, nos anos 20 e 30. Durante a Guerra Civil Espanhola, o café se converteu em legendário ponto de encontro e boemia dos Republicanos, ao longo da heroica resistência de Madri.

Por tudo isso, o Gijón é visita obrigatória e eu faço questão de bater o ponto em seu vetusto salão todas as vezes que passo por Madri. Ele tem o aconchego de lugar de antigamente e a frequência mescla turistas fãs de história, como eu, representantes de gerações mais vividas e gente que trabalha nos arredores.

Mesas de mármore, estofados de veludo e um terraço no jardim central do Passeo de Recoletos (à esquerda)
O serviço é simpático e muito profissional. Só não recomendo muito a comida, que não anda das melhores. Mas para beber e beliscar, é o máximo. Prepare-se para gastar cerca de € 5 em cada rodada de bebidas (taça de vinho ou cálice de xerez ou manzanilla).

O ambiente do Gijón mantém a pose dos velhos tempos, com mesas de mármore, painéis de madeira e estofados de veludo vermelho. No verão, experimente o terraço que funciona no jardim central do Passeo de Recoletos. E leve um livrinho, pra entrar no clima 😊.

☑️ Restaurantes em Madri
⭐ LhardyCarrera de San Jerónimo nº 8, Centro (Metrô Sol). De segunda a sábado, das 13h às 15:30h e das 20h às 23h. Domingos e feriados, só almoço, das 13 às 15:30h. A loja do térreo abre de segunda a sábado, das 9h às 22h e aos domingos das 10h às 15h.

Tudo pronto para um jantar na Belle Époque
Eis outra legenda madrilenha. O Lhardy foi fundado em 1839 por um francês e trouxe para o coração de Madri toda uma aura Belle Époque. Sua origem foi uma confeitaria requintada (cuja memória ainda sobrevive na loja do térreo, onde são servidos doces e guloseimas).

A fachada do Lhardy e a escadaria que leva ao salão


O restaurante, no primeiro andar, é famoso pelo consomé, mas também pela desenvoltura com que prepara e serve o cocido madrileño (ou puchero, um cozido à base de grão de bico, carnes e verduras) e os callos a la madrileña (dobradinha à moda de Madri) — pratos associados às cozinhas simples, do povão — sobre toalhas de linho, em porcelanas impecáveis, cercado de cristais, pratarias, painéis de carvalho e mogno e estofados de veludo de seu belo salão.

Callos a la madrileña, ay, que me muero
Jantar no Lhardy é brincar de voltar no tempo. O lugar é lindo, o serviço é impecável e a comida estava excelente. Pedi callos a la madrileña, meu prato predileto na capital espanhola. Com vinho antes e café depois, a conta ficou em € 42.

Pequeno, simpático e gostoso: Viet Nam
⭐ Viet NamCalle de las Huertas nº 4, Barrio de las Letras (Metrô Antón Martín). De segunda a quinta, das 13h às 16h e das 20:30 às 23:30h. Sextas, sábados e domingos, funciona sem pausas, das 13h ás 23:30h.

Quer variar o cardápio em Madri? Pois você vai adorar esse restaurante vietnamita cercado de livrarias e de memórias literárias do Barrio de las Letras. Ele ocupa uma loja no térreo de um velho casarão e a fachada é tão estreita e discreta que a gente até corre o risco de passar batida por ele — o que seria uma pena.

No interior, são cerca de oito mesas em um espaço com decoração básica e sem frescuras — só mesmo o funcional. Um ambiente agradável, silencioso e bem iluminado. No fundamental, porém, o Viet Nam acerta em cheio.

Pedi bun cha, fatias de porco fritas e muito sequinhas, acompanhadas de macarrão de arroz e folhinhas de hortelã e outras hortaliças que não identifiquei. Um molho levemente picante, fresco e saboroso, arremata a viagem gustativa. Uma refeição adorável que custou € 20 (com Coca-Cola e café).


Astral caseirinho para uma refeição despretensiosa
⭐ DionisosCalle Augusto Figueroa nº 8, Chueca (Metrô Chueca). Diariamente, das 13h ás 16 e das 20h a meia noite.

 Essa cadeia de restaurantes gregos tem quatro endereços em Madri e também em Barcelona, Valencia e Maiorca e é outra boa ideia para dar uma variada no cardápio. O ambiente é simples, com cara bem caseira e a decoração consiste, basicamente, nos produtos gregos armazenados nas prateleiras que circundam as mesas.

Pedi pastichio (ou pastitsio, como ensinam os helenos), que é a verdadeira lasanha grega, feita com camadas de massa, recheio de carne e molho branco — mais lasanha do que isso, impossível, né? Apesar de a moussaka, que não tem massa, mas fatias de berinjela, levar a fama. O prato correspondeu à memória que eu trazia dele, lá da Grécia.

Pastitsio, retsina e baklava. Quem disse que precisa de muito pra ser feliz?
Para acompanhar, retsina, claro! Esse vinho grego de sabor marcante é uma das minhas paixões etílicas. A sobremesa foi uma alentada e saborosa baklava, meu doce grego favorito, que chegou à mesa carregando uma bola de sorvete de baunilha (combina beeeem), como Atlas sustentando o planeta.

Jantar gostoso, despretensioso e barato: € 18

☑️ Cafés em Madri


O salão do subsolo da chocolateria
Chocolateria San GinésPasadizo de San Ginés nº 5, entre a Calle Mayor e a Calle de Arenal (Metrô Sol). Aberta 24 horas (sem desculpas pra não ir 😊)

Taí uma atração madrilenha que precisa estar em todas as listas de imperdíveis —  no mesmo nível do Museu do Prado.

Fundada em 1894, a tradicionalíssima casa vive lotada, mas é incrível como tudo funciona à perfeição, com o exército de garçons servindo todo mundo com agilidade (às vezes, eles até sorriem) e o tempo de espera por uma mesa nunca excedendo o razoável — desta vez, não esperei nadinha.

As mesinhas externas, no Pasadizo, e o salão no primeiro piso da chocolateria. Abaixo, a entrada


O chocolate com a porção de seis churros (€ 4) é um clássico que todo mundo merece provar antes de morrer e está sempre no ponto certo, mesmo sendo preparado em quantidades industriais para dar vazão às hordas que passam por lá todos os dias. Pra completar, o lugar é bonito, classudo e até confortável.

Funciona assim: você entra na fila, faz o pedido no caixa, paga, pega seu recibo e escolhe um lugar para sentar. O garçom virá anotar seu pedido e conferir o comprovante de pagamento. Uns cinco minutos depois, sua xícara de chocolate e sua porção de churros (ou de porras —  não enrubesça, são aqueles churros com diâmetro bem maior) aterrissa na sua frente.


Sublime...
É claro que a chocolateria serve outras coisas, mas who cares? Os churros com chocolate são sublimes.

Quando for, aproveite para comprar pacotinhos de produtos da casa, como os biscoitos, avelãs cobertas e turrones  tudo com chocolate, por supuesto.

Merimeé: um cantinho muito gostoso em Malasaña
⭐ Merimeé GastrobarCalle Fuencarral nº 61, Malasaña (Metrô Tribunal). De domingo a quinta, das 10h a 1h. Sextas e sábados, até as 2:30h da manhã.


Esse misto de café e bar fica quase em frente ao meu hotel e eu me acostumei a passar por lá para beliscar um croissants com uma xícara de chocolate ou uma porçãozinha de tapas, de manhã cedo ou antes de ir dormir.

O lugar é charmoso, bem decorado, tem ótima música (em volume agradável) e preços excelentes (porção de croquetas a € 6, saladinhas na casa dos € 7 e o café com croissant a € 2,15). Boa pedida para quem está hospedada nas imediações.

A Espanha na Fragata Surprise - post-índice

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2 comentários:

  1. Cara Cyntia

    Como esse povo europeu come bem, né? E gasta pouco também! Lugares chiques, comida boa e barata. As suas dicas são realmente preciosas.Curiosidade: você descobre estes lugares por acaso ou também tem dicas preciosas? Bjos!

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    Respostas
    1. Claro que não é ao acaso. Eu pesquiso, sigo indicações, uso aplicativos (como o yelp)... às vezes, calha de escolher ao acaso e acertar. Também acontece de o lugar não ser tão legal, mesmo com as melhores indicações. Mas eu não cito lugares que não curti aqui no blog -- só se forem arapucas horrorosas, pra os leitores não caírem na mesma armadilha :)

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