15 de abril de 2018

Comer e beber em São Paulo - do café da manhã ao tira-gosto, 5 dicas perto da Paulista

A Avenida Paulista vista do terraço do Instituto Moreira Salles: estou cada vez mais convencida de que não há região melhor para curtir São Paulo
Que São Paulo é um mudo, no capítulo gastronômico, todo mundo já sabe. E o melhor é que não é preciso sair cruzando a cidade para encontrar opções das mais variadas origens. No último fim de semana, fiz mais uma passagem corridinha por São Paulo. Para ganhar tempo, concentrei meu roteiro gastronômico no entorno da Avenida Paulista e eu me esbaldei com a diversidade da cozinha paulistana.

Numa distância máxima de cinco quadras da legendária avenida, fiz a festa com o inacreditável pastel de feira da Maria, as gostosuras da cozinha judaica no Z Deli, os petiscos com inspiração em diversas culinárias tradicionais do Brasil no Jiquitaia, um café da manhã caprichado em Benjamim – a Padaria, e farra de despedida no boteco meio carioca Pirajá

Veja as dicas:

Café na padoca, pra começar bem o dia
Benjamin a Padaria
Avenida Paulista, 2239 (quase esquina com Haddock Lobo). Diariamente, das 6:30h às 21:30h. Tem outros 19 endereços na cidade, vários deles na região da Paulista, confira no site.


Não tem nada mais paulistano da gema do que tomar café da manhã na padaria (“na padoca", como dizem os locais). Essa é uma tradição que eu aposto que ganha até da macarronada da sogra no domingo. E eu, devotíssima desse ritual, tenho que me render ao pãozinho francês absolutamente irretocável dessa casa.

As opções são bem tentadoras. Mas não perca esse pãozinho na chapa por nada

Depois de escolher, você espera seu pedido confortavelmente sentada
Benjamin faz o gênero “padaria elegante”—São Paulo se amarra no que é “diferenciado”, pra usar o jargão local. Você faz o pedido no balcão, recebe uma plaquinha e uma comanda eletrônica e é encaminhada para uma mesa, pra curtir sua média com pão na chapa, carros chefes da casa, no maior conforto.

Tudo, absolutamente tudo que já provei lá é bom. E o pão é de sair gritando pela rua. Os preços são mais altos que os de uma padaria normal, mas a qualidade compensa. Por um expresso duplo, pão com manteiga na chapa e tortinha de limão espetacular eu paguei R$ 18.


O bufê do Z Deli: só coisa gostosa
Z Deli
Alameda Lorena nº 1689, Jardim Paulista. A delicatessen funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 10h às 17h. O bufê judaico é servido das 12h às 17h, durante a semana, e até as 16h, aos sábados.

Sou uma velha fã cativa das pequenas delícias dessa delicatessen judaica que assumidamente se inspira nas tradicionais delis nova-iorquinas. Fazia empo, porém, que eu não aparecia por lá pra matar a saudade do excelente gefilte fish (bolinhos de peixe) da casa. E fiquei na maior felicidade ao constatar que o lugar ainda bate um bolão.


Esses Varenikes estavam perfeitos

Meu pratinho de entrada, com gefilte fish (o bolinho com a rodela de cenoura), maionese de ovos, patê de fígado, quibinhos, couve flor à milanesa.... À direita, a coalhada seca 
O bufê da Z-Deli tem pratos quentes, como os clássicos varenikes (massa recheada com batata) e as borekas (uma espécie de pastel recheado de de carne, queijo ou legumes) que são aquecidos na hora, e pratos frios, como o gefilte fish (eu me acabo nesses bolinhos), o patê de fígado, a maionese de ovos, a coalhada seca (de morrer!!) e saladas. 

Você também pode escolher os pratos do cardápio, que vão do sanduíche de pastrami á vitela assada. As sobremesas da casa também são famosas, como o cheesecake. Mas desta vez não houve espaço para elas.

Outra coisa ótima do Z Deli é o preço: o bufê custa R$ 49. 

Existe perfeição em São Paulo
Pastel da Maria
Avenida Paulista nº 2001 (esquina com a Padre João Manoel). De segunda a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 12h às 19h.

Eu já declarei meu amor pelo pastel de feira paulistano aqui na Fragata em várias ocasiões. E o pastel da Maria é uma espécie de Chivas Reagal dos pastéis de feira, eleito várias vezes o melhor da cidade. Maria, na verdade, é a japonesa Kuniko Yonaha, que ficou famosa trabalhando em uma barraca na feira livre do Pacaembu.


Hoje, o pastel de Maria não é mais exclusividade das barracas que ela mantém nas feiras livres de Sampa e pode ser encontrado em oito endereços na cidade — quatro deles na Avenida Paulista (veja no site). Eu sou ortodoxa e sempre como o de queijo (de uivar para a lua), mas a variedade de sabores é grande. 

O pastel é sequinho e sua massa é tão deliciosa que até poderia dispensar o recheio. Uma tradição da casa é o molho verde (alho com ervas) oferecido para temperar os pastéis. O molho é muito bom, mas como eu não acho que se deva mexer na perfeição, eu passo. O pastel custa R$ 8 e funciona maravilhosamente como lanchinho no meio da tarde ou almocinho rápido.

Jiquitaia: gratíssima surpresa
Jiquitaia
Rua Antonio Carlos nº 268, Consolação. De terça a sábado, das 12h às 15h e das 18h às 23:30h. Às segundas, abre só para o almoço (das 12h às 15h). Fecha aos domingos.

Foi minha amiga Rose Spina quem me apresentou a esse restaurante com cardápio inspirado nas culinárias tradicionais de diversas regiões do Brasil. Você pode combinar vários itens do cardápio em um esquema de menu a preço fixo (entrada + prato principal  + sobremesa) ou optar pelo cardápio do bar, que oferece uma infinidade de comidinhas tentadoras.

Caju amigo, uma bebida que é a cara de Sampa, e o sanduíche de rabada defumada
Nós escolhemos essa segunda alternativa, mais adequada ao beberico e ao longo papo,  e nos deleitamos com ceviche de camarão e chuchu, sanduíche de rabada defumada, tortilha de pupunha, dobradinha e outras coisinhas que esqueci de anotar. Mas ainda volto lá para experimentar o arroz de pato e a pamonha salgada com bochecha de porco.

Ceviche de camarão com chuchu e dobradinha
O menu de três passos custa R$ 88, no jantar, e R$ 55 no almoço, de segunda a sexta.
Com duas garrafas de vinho, alguns cajus amigos (que estavam ótimos ) e cervejas, a conta ficou em R$ 120 por cabeça, em uma mesa de quatro pessoas.

De cara para o Trianon, a varanda do Pirajá é um bom lugar para bebericar em Sampa
Pirajá
Alameda Santos nº 1737 (esquina com a Peixoto Gomide). De segunda a quarta, das 12h às 15h e das 17h30 à meia-noite. Quinta a sábado, do meio-dia à 1h da manhã. Domingo, das 12h às 19h.

Com inspiração nos botecos cariocas, o Pirajá faz uma releitura mais arrumada e bastante estilizada dessas instituições, mas o resultado é bem agradável. A filial da Alameda Santos, de cara para o Parque Trianon, é muito mais interessante do que as instaladas em alguns shoppings paulistanos (veja os endereços no site). 

A inspiração da casa é declaradamente carioca
Com trilha sonora do bom e velho samba tradicional, chope muito bem tirado (segundo o testemunho de quem bebe chope, porque eu prefiro uísque) e tira-gostos clássicos — croquetes, pasteis e empadinhas —, também serve pratos para as fomes mais alentadas, como o Filé à Oswaldo Aranha.

Eu fiquei nos bolinhos de abóbora om charque (bons) e minhas amigas experimentaram a alheira (linguiça portuguesa de pão, alho e especiarias) à moda do adegão, uma porção pantagruélica, acompanhada por arroz de brócolis, ovo frito e batata chips. 



Comes&Bebes - o índice de todas as dicas gastronômicas da Fragata




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Um comentário:

  1. Hm... não conheço nenhum desses. Vou ficar de olho na próxima vez que for a São Paulo, sempre faço uma caminhada pela Paulista!

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