24 de novembro de 2012

Istambul: a Mesquita Azul e a Mesquita Nova

Mesquita Azul, em Istambul, Turquia
Na Mesquita Azul, o espaço para os turistas 
é delimitado por um gradil. A separação 
é respeitada mesmo pelos visitantes muçulmanos
Já vi muitas maravilhas andando por aí, mas as visitas à Mesquita Azul e à Mesquita Nova, em Istambul, emplacam facinho um ranking das 10 maiores maravilhas da minha vida de viajante.

As mesquitas de Istambul não são apenas lindíssimas. Elas têm aquela qualidade insubstituível trazida pelo calor e pulsação dos espaços vivos, em pleno uso corrente, incorporados à realidade das pessoas comuns que as frequentam  — eu amo museus, mas não há como negar que a “esterilização” dos espaços museológicos perde de goleada para monumentos que continuam a abrigar a vida real.

Mesquita Nova, Istambul, Turquia
A Mesquita Nova. Ao fundo, à esquerda, o Bazar Egípcio
Monumentos religiosos — de qualquer religião — costumam reunir o que há de mais refinado do engenho e arte do povo que os constrói. As mesquitas de Istambul levam essa tradição às raias do celestial

Os interiores das principais mesquitas de Istambul são uma viagem em si mesmos. É possível passar horas, talvez dias, descobrindo detalhes delicadíssimos, imersa em belezas estonteantes.

Não perca essas visitas por nada deste mundo (nem dos outros mundos 😊).

Detalhes do interior da Mesquita Azul, em Istambul, Turquia
O interior da Mesquita Azul: apenas celestial
E não se intimide se você estiver viajando sozinha. A Turquia tem mais de 100 anos de secularismo e está acostumada às turistas desacompanhadas. Mesmo nas mesquitas.

Coloque as mesquitas de Istambul em seu roteiro. Com o devido respeito e bom senso, garanto que você vai se sentir bem à vontade e bem-vinda. E vai fazer um mergulho inesquecível no que há de melhor na arte otomana.

Veja as dicas:
Acesso á Mesquita Azul, em Istambul, Turquia
Hora da prece na Mesquita Azul
➡️ Regras para visitar as mesquitas de Istambul
Já me perguntaram se é verdade que os turcos muçulmanos ficariam ofendidos com a presença de mulheres ocidentais em seus locais de oração. 

Francamente, não percebi nada disso nas visitas que fiz à belíssima Mesquita Azul e à Mesquita Nova, que recebem centenas de turistas, todos os dias, com a maior naturalidade.

É importante, porém, lembrar que todos os locais de oração têm regras próprias que devem ser respeitadas. Bom senso e o respeito devido a um local de culto resolvem tudo.

Ter acesso a uma mesquita em Istambul não é nenhum bicho de sete cabeças. 

Mesquita de Ali Paxá, Istambul, Turquia
A Mesquita de Ali Paxá, do Século 16, no bairro de Beyoğlu
Antes das preces, os muçulmanos precisam se lavar, fazer as chamadas abluções. Do lado de fora da Mesquita Nova, no caminho para o Bazar Egípcio, há uma fonte bastante concorrida usada com esse objetivo.

Se você vai a uma mesquita como turista, não precisa fazer as abluções, mas seja discreta ao fotografar as pessoas nas fontes.

Pátio interno da Mesquita Azul, em Istambul, Turquia
O pátio interno da Mesquita Azul:
aqui o canto do muezim soa como mágica
➡️ Como se vestir para visitar uma mesquita em Istambul
Ao visitar uma mesquita, preste muita atenção ao que vai estar vestindo. Use roupas discretas (nada de decotes profundos, braços ou ombros expostos. Saia curta ou short, nem pensar). 

Em Istambul, as mesquitas mais procuradas pelos turistas oferecem lenços e “cangas” para os visitantes que estiverem com vestuário fora do “padrão”.

Detalhes decorativos do pátio da Mesquita Azul, em Istambul
Detalhes do pátio interno da Mesquita Azul
É o mesmo sistema que funciona nas igrejas e mosteiros ortodoxos da Grécia.

Em Meteora e em Panormitis, integrantes das congregações também oferecem esses panos aos visitantes e não só às mulheres: homens usando bermudas são convidados a enrolar essa espécie de canga no corpo, para cobrir as pernas.

Decoração do teto de uma galeria do pátio da Mesquita Azul
Decoração do teto de uma galeria do pátio da Mesquita Azul
O uso do véu não é obrigatório para turistas, mas é gentil usá-lo. Quando visitei a Mesquita Azul, vi algumas ocidentais com os cabelos descobertos. Eu fiz questão de cobrir os meus, em sinal de respeito.

Para entrar nas mesquitas, é obrigatório tirar os sapatos. Em Istambul, você vai receber um saquinho plástico para colocar os seus calçados. Para não ficar carregando o trambolho, leve uma bolsa maiorzinha, onde você possa acomodar o pacote.

Fiéis muçulmanos se lavam na fonte da Mesquita Nova, em Istambul
Antes das orações, os muçulmanos precisam se purificar com as abluções
➡️ Demonstre respeito
Na visita às mesquitas, não basta adotar um figurino “modesto”.

A manifestação de respeito — essencial para se visitar qualquer lugar de culto, não importa a religião — deve prosseguir na atitude: não fale alto, não invada o espaço destinado às orações e não fotografe as pessoas que estão rezando.

Entrada da Mesquita Nova, em Istambul
Entrada da Mesquita Nova
➡️ Como é a convivência entre turistas e fiéis no interior das mesquitas
As mesquitas têm espaços delimitados para os visitantes. Na Mesquita Azul, por exemplo, essa área é demarcada por um gradil de madeira (há outro espaço delimitado para a oração das mulheres). 

É surpreendente a quantidade de homens muçulmanos que, por estarem na condição de turistas, ficam desse lado da divisória, mesmo enquanto fazem suas preces.

A Mesquita Azul vista da Praça de Sultanahmet, Istambul
Aproveite o final de tarde para assistir ao sol caindo sobre as cúpulas da Mesquita Azul. Os banquinhos na Praça de Sultanahmet parece que foram colocados lá só pra isso
Perguntei a um rapaz que mora em Berlim por que ele, sendo um fiel do Islã, não ia rezar junto com os demais. Ele me disse que não se sentiria bem em fazer isso e depois sacar a câmera e sair fotografando a mesquita.

➡️ Horário de visita às mesquitas
Algumas mesquitas de Istambul podem ser visitadas a qualquer hora, como a Mesquita Azul, que fica aberta 24 horas. A atividade turística, porém, é  interrompida durante as preces.

Mesmo que você não consiga decorar o horário das orações muçulmanas — ao amanhecer, ao meio dia, à tarde (por volta das 16h), ao crepúsculo e à noite — é fácil saber quando vai encontrar as portas fechadas: basta prestar a atenção no canto do muezim chamando para as preces que ecoa pela cidade, reproduzido pelos alto falantes colocados nos minaretes.

Tapete tecido em seda que recobre o piso da Mesquita Azul de Istambul
Todo mundo tem que tirar o sapato para entrar nas mesquitas. O piso da Mesquita Azul é todo recoberto por esse tapete tecido em fios de seda
As orações duram cerca de uma hora. Quer dizer, quando você ouvir o chamado do muezim, já sabe que só poderá entrar na mesquita daí a mais ou menos 60 minutos.

Em Istambul, uma cidade tão cosmopolita, ouvir o canto do muezim é um momento mágico. O chamado percorre a cidade com uma força que parece calar o trânsito trovejante e o frenesi de turistas. É a memória mais bonita que me ficou de Istambul.

No dia que fui ver a Mesquita Azul, calculei o horário da visita para estar em seus jardins exatamente na hora do chamado para a oração do meio dia. E foi de arrepiar: até o vento ficou quietinho quando começou o pregão.

Detalhes decorativos da Mesquita Azul, em Istambul
A cúpula sobre a entrada de visitantes na Mesquita Azul
⭐ Mesquita Azul de Istambul
(Sultanahmet Camii)
Praça de Sultanahmet, a 200 metros da parada do bonde.

A Mesquita Azul pode ser visitada diariamente, a qualquer hora, exceto durante as orações. Nas sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, a interrupção para das visitas para as preces costuma ser mais longa.
A entrada na Mesquita Azul é gratuita, mas é simpático deixar um donativo.


 A Mesquita Azul é talvez a mais bela das construções de Istambul (a Basílica de SantaSofia, que fica em frente, do outro lado da larga Praça de Sultanahmet, é a única capaz de rivalizar com ela).

Linda por fora, a Mesquita Azul tem um interior simplesmente arrebatador, com mosaicos azuis em cerâmica de Iznik – de onde vem o seu “nome ocidental” — e vitrais extremamente delicados. 

Detalhes da decoração interna das cúpulas da Mesquita Azul
Mesquita Azul
Ela foi construída no comecinho do Século 17 por Ahmed I — daí seu nome oficial, Sultanahmet Camii, ou “Mesquita do Sultão Ahmed”, que está sepultado em suas dependências — com o status de mesquita imperial.

 O local da construção da Mesquita Azul foi cuidadosamente escolhido: o coração da antiga cidade bizantina, diante da Basílica de Santa Sofia.

É absolutamente impossível encontrar um adjetivo que seja suficiente para qualificar a beleza da Mesquita Azul — já tive um trabalhão enorme para me convencer de que ela é real, não um delírio.

O esplendor de cada mínimo detalhe decorativo, a luz que traspassa seus vitrais, as monumentais dimensões da mesquita e seu significado histórico, religioso e cultural me deixaram profundamente emocionada. Não perca essa visita por nada deste mundo quando for a Istambul. 

Fachada da Mesquita Nova, em Istambul
Detalhe da fachada da Mesquita Nova
⭐ Mesquita Nova de Istambul(Yeni Camii) 
Rüstem Paşa Mh, Eminönü. Pode ser visitada diariamente, das 7h às 19h. A entrada é gratuita.

Não se engane com o nome: esta mesquita começou a ser construída no final do Século 16, por ordem da mãe do Maomé III, com o objetivo de impor um marco islâmico a um setor da cidade habitado majoritariamente pela população judaica. 

Entre idas e vindas políticas, a obra da Mesquita Nova só seria concluída 70 anos após iniciada.

Fonte onde os fiéis fazem abluções antes das preces na Mesquita Nova de Istambul
Fieis fazem suas abluções antes da prece, na entrada da Mesquita Nova
O interior da Mesquita Nova também é decorado com cerâmica de Iznik, mas menos monocromático, já que as peças têm tonalidades de verde e azul.

A Mesquita Nova é bem menos turística que a Mesquita Azul. Havia pouquíssimos visitantes, no dia em que estive lá, com uma afluência grande de fieis esperando a hora da prece. Apesar desse tom mais solene, não me senti constrangida.

O Bazar Egípcio (ou Bazar de Especiarias) integra o complexo da Mesquita Nova — era comum que as mesquitas tivessem espaço para o comércio, como fonte de renda para manter o templo.

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2 comentários:

  1. oi Cyntia
    Já escutei muitas vezes seu nome, e hoje por acaso, me deparo com seu blog. Sou Ira, amiga e companheira de algumas viagens de Vivi.
    E também sou adepta dos voos solos, apesar de gostar das companhias dos amigos.
    Tudo parece que agora em junho embarco rumo a Turquia, que é um sonho acalentado por anos, e se não mudar os ventos irei só. Gostaria de muitas dicas. hotéis, roteiros e o que para mim é mais complicado nas viagens sozinhas, ver a noite local até mesmo jantar. se puder me conta suas experiências. Devo ficar 10 dias o que vc acha?.
    beijos e quando vier a Salvador e for encontrar Virginia, me dê um toque.

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    Respostas
    1. Nossa, Ira, dez dias na Turquia, que maravilha!! Eu amei Istambul e teria ficado mais tempo (boa desculpa para voltar), mas tive apenas três dias para ver a cidade, pq "roubei" um dia para ir a Troia.
      Eu achei Istambul muito tranquila, inclusive no capítulo "sair à noite". Já não sou muito baladeira, então, não posso falar sobre noitadas. Mas a saidinha básica para jantar e ver a cidade (acho que a Mesquita Azul sob a luz da lua foi uma das coisas mais bonitas que já vi) é bem segura e tranquila.
      Para ficar mais perto de restaurantes interessantes, talvez seja melhor você se hospedar em Taksim. Veja as dicas neste post aqui:
      http://www.fragatasurprise.com/2012/10/hospedagem-em-istambul.html

      Bjs e qq coisa, estou por aqui

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