29 de outubro de 2012

Istambul - Basílica de Santa Sofia e a Cisterna, beleza além das palavras

A entrada na Basílica de Santa Sofia: e isso é só o começo...
Todas as palavras de um idioma seriam insuficientes — e cada uma delas, redundante — para descrever a Basílica de Santa Sofia, construção bizantina destinada a celebrar a sabedoria divina. Ela é, sem dúvida, a atração mais essencial de Istambul — e olha que estamos falando de uma cidade que não economiza em maravilhas.

As proporções monumentais da Basílica de Santa Sofia me reduziram a um mero grãozinho de areia e, ao mesmo tempo, me fizeram voar, enlevada por por aquela quadro tão harmônico, onde a monumentalidade é fruto de cada um dos bilhões de minúsculos detalhes, requintados, exatos, magistrais em si mesmos.

A visita à Basílica de Santa Sofia não é coisa para meia horinha. Para ver com calma todo o edifício e registrar seus infinitos encantos, recomendo que você dedique a ela um turno inteiro (pelo menos). Vá de manhã, almoce nas redondezas e depois estique o passeio até a Cisterna da Basílica, que fica do ladinho e também é espetacular.
A Cisterna da Basílica: "palácio submerso"
A Cisterna da Basílica, tão magnífica que é chamada de Yerebatan Sarayı ("palácio submerso"), também é da época bizantina (Século 6). A estrutura, com 10 mil metros quadrados, era parte do sistema de abastecimento de água em Constantinopla, mas é um luxo, com o teto suportado por 336 colunas romanas.

A Basílica de Santa Sofia e a Cisterna da Basílica rendem um roteirinho de dia inteiro pelas belezas bizantinas de Istambul. Veja as dicas e como se organizar.

Primeiro, a gente se sente um grãozinho de areia. Depois, a alma voa
⭐ Museu da Basílica de Santa Sofia (Ayasofia) 
➡️Como chegar: Praça Sultanahmet (tem uma parada de tram bem ao lado).

➡️Horários: a basílica abre todos os dias do ano. De abril a outubro, o horário de visitas vai das 9h às 19h. No inverno, fecha às 17h. A bilheteria fecha uma hora antes do encerramento da visitação.


➡️Preço: o ingresso custa 40 TL (US$ 8/ € 7). 

Não se assuste quando chegar à Praça de Sultanahmet e se deparar com o tamanho da fila de entrada na Basílica de Santa Sofia. Dentro do edifício, a multidão fica invisível, diluída não só nas dimensões gigantescas da basílica e também (acho que principalmente) ofuscada pela beleza do lugar.

Detalhes da cúpula da Basílica de Santa Sofia
Para aproveitar melhor a visita à basílica, alugue o audioguia, que tem explicações bem detalhadas. O roteiro completo da narração é de cerca de 1h30 e o serviço está disponível em 12 idiomas

Não tem em português, mas faça ao menos uma forcinha para compreender a narração em espanhol (as outras línguas são turco, inglês, francês, alemão, italiano, árabe, japonês, farsi, grego, russo e coreano). 

Quando visitei a basílica, em 2012, o aluguel do audioguia custava 15 liras turcas, mas os preços em Istambul mudaram. Consultando a internet para atualizar este post, agora em 2018, não consegui achar a informação em lugar nenhum, então, vou ficar devendo essa 😊. Para você fazer uma comparação, o ingresso para Santa Sofia, que custava 25 liras, agora custa 40.
O Mimbar (púlpito ) e o Mihab (à direita), nicho que aponta a direção de Meca e é considerado o local mais sagrado das mesquitas
Hagia Sophia, em grego — a língua falada pelos bizantinos — significa "Sagrada Sabedoria". A basílica já foi uma catedral ortodoxa, catedral católica romana e uma mesquita, mas — com licença das divindades — ela fala muito mais do engenho humano dos que de deuses.

Santa Sofia está de pé a quase há quase 1.500 anos (inaugurada em 537) e eu duvido que tenha havido algum dia, desde então, em que um marinheiro de primeira visita não tenha sido esmagado pela magnificência daquela construção e, ao mesmo tempo, alçado às alturas pelo simples fato de ser tão humano quanto os mais de 10 mil artistas que trabalharam para erguer aquela beleza.

A sofisticada pintura islâmica, com seus motivos geométricos e florais, convive lado a lado com os mosaicos cristãos bizantinos
Foi o imperador bizantino Justiniano I quem determinou a construção da Basílica de Santa Sofia. A obra levou apenas cinco anos para ser concluída — mais um motivo de espanto, quando a gente pensa em catedrais que levaram séculos em obras —, com um projeto de dois gregos, um matemático e um médico.

Os magníficos mosaicos que se vê hoje no interior da basílica são dessa época — os bizantinos eram feras nessa técnica decorativa, como se pode ver também nas obras impressionantes que adornam alguns edifícios de Ravena, Itália, trabalhos contemporâneos aos de Santa Sofia. Para a então catedral de Constantinopla, eles não economizaram em esplendor.

Mosaicos bizantinos na Basílica de Santa Sofia
Quando os otomanos tomaram Constantinopla, em 1453, Santa Sofia foi convertida em mesquita. Muitos elementos decorativos e os elementos do culto religioso bizantino foram retirados do interior do edifício (muitos mosaicos com cenas dos Evangelhos e outras representações cristãs foram cobertos por argamassa, já que a fé muçulmana não aceita a representação de imagens).

Hoje, as refinadíssimas artes dos bizantinos e dos islâmicos estão expostas lado a lado, compondo um painel alucinante de tanta beleza. A restauração do edifício vem trazendo de volta à luz os mosaicos, ao mesmo tempo em que preserva parte da decoração acrescentada nos 400 anos do período otomano.


Um exemplo é a cúpula da basílica — um portento de 30 metros de diâmetro que paira a 55 metros de altura — onde se vê elementos decorativos herdados das duas culturas.

Desde 1935, a Basílica de Santa Sofia funciona como museu.

A Cisterna da Basílica, a atração mais surpreendente de Istambul
⭐ Cisterna da Basílica
➡️Como chegar: Yerebatan Caddesi n° 13 , entrada pela praça ao lado de Santa Sofia.

➡️Horários: Diariamente, das 9h às 18:30.

➡️Preço: os ingressos custam 20 TL (US$ 4/ € 3,50)

Poucos lugares no mundo conseguem competir com o esplendor de Santa Sofia, do Palácio Topkápi e da Mesquita Azul. Só por isso, a Cisterna da Basílica deixa de ganhar o título de mais espetacular atração de Istambul — basta ser a mais surpreendente.

Pouco citada entre as maravilhas de uma cidade tão cheia delas, a Cisterna da Basílica, com sua inesperada beleza, deixa a gente hipnotizada.

As misteriosas cabeças de Medusa que servem
 de base a duas colunas da Cisterna

A construção bizantina, do Século 6, integrava o sistema de abastecimento de água da cidade e a gente fica pensando que civilização suntuosa era essa, que se dava ao luxo de enterrar 336 colunas arrebatadas de templos romanos para sustentar o teto de um reservatório.

A Cisterna da basílica hoje é usada para concertos e outras atividades culturais.

Experimente caminhar sem pressa pelas plataformas sobre a água, perca-se no labirinto de colunas, tornadas ainda mais mágicas pela iluminação cênica do local e volte à superfície acreditando que visitou uma caverna encantada.


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