A beleza de Córdoba derrete até coração de pedra |
Enquanto meu trem vencia os 150 km que separam Granada de Córdoba, eu já ia me preparando para perdoar a cidade, caso ela falhasse na tarefa de me encantar. Mas tem tanto o que fazer em Córdoba que eu fui fisgada pela cidade em 15 minutinhos.
A Mesquita de Córdoba vista da Ponte Romana, em uma tarde de
inverno quase tropical |
Ela me conquistou de cara! Desafio qualquer um a resistir aos encantos de Córdoba ao caminhar pela beira do Rio Guadalquivir, numa tarde ensolarada de inverno, vendo o sol cair sobre a Ponte Romana (Século 2 a.C.) e sobre as velhas construções mouras e mudéjares.
O amor à primeira vista só cresceu, nos quatros dias que fiquei em Córdoba.
A Plaza del Potro é citada até por Cervantes |
Muralhas do Alcázar de los Reyes Cristianos, um palácio real
com lindos jardins |
Se buscarmos uma marca singular, vamos nos perder de encanto pelos pátios cordobeses — celebrados, inclusive, em um festival anual, que elege os mais bonitos.
E o que dizer das estreitas ruas tortuosas da Judería de Córdoba, prontas a nos sussurrar histórias épicas ou prosaicas?
O Arco Alto, na Plaza del Socorro, é um dos dois únicos
acessos à Plaza de la Corredera |
O espaço da Plaza de la Corredera é usado desde os tempos
dos romanos. Já abrigou um mercado e uma arena de touros. Hoje, reúne bares e
restaurantes |
Ah, e a Mesquita de Córdoba não está nesta lista, porque ganhou um post só para ela.
O que fazer em Córdoba: 6 razões para se apaixonar
Torres, muralhas, fontes e laranjeiras: um passeio pelo
Alcázar de los Reyes Cristianos |
⭐ Alcázar de los Reyes Cristianos
Mosaicos romanos, muralhas e jardins
Onde fica: Calle de las Caballerizas Reales, s/n.
Horário de visita: aberto diariamente, das 8:30h às 20 horas.
Preço: o ingresso custa € 4,50 ou € 7 (combinado com o show de som e luz, sempre às 20 horas).
A capela do Alcázar abriga uma bela coleção de mosaicos
romanos |
O mosaico mais famoso, do Século 2º d.C., retrata o casal
mitológico Polifemo e Galateia. Essa peça foi encontrada em escavações durante
obras na Plaza de la Corredera |
Os Reis Católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão) viveram cerca de oito anos nesse palácio mudéjar fortificado e cercado de lindos jardins.
Eles fizeram do Alcázar de Córdoba um de seus quartéis generais durante a Reconquista Cristã da Andaluzia, no final do Século 15.
Fiquei completamente encantada com os jardins do Alcázar dos Reis Cristãos de Córdoba |
As feições atuais do Alcázar, porém, foram delineadas nos séculos 13 e 14, já sob domínio cristão.
Todas as noites, um espetáculo de som e luz nos jardins do Alcázar conta a história do lugar.
⭐ Palácio de Viana
Pátios cordobeses em versão nobre
O Palácio de Viana é um painel de cinco séculos da tradição
cordobesa de construir pátios encantadores |
Horário: os pátios podem ser vistos no ritmo que o visitante ditar, mas o interior do palácio, só em visitas guiadas, de hora em hora. Aberto de de terça a sexta, das 10h às 19. Aos sábados e domingos, das 10h às 15h. Em julho e agosto, funciona nos mesmos horários do final de semana.
Preço da entrada: € 8.
O Pátio del Recibo, do Século 16, é um espaço mais
cerimonioso |
O Patio del Archivo, do Século 18, tem um climinha mais
doméstico |
Os pátios são típicos espaços de sossego e convivência, abrigados do burburinho e do calor das ruas.
Em Córdoba, o pátio foi alçado à condição de obra de arte, com suas fontes, samambaias, laranjeiras e muita luz.
O Patio de los Naranjos ("Pátio das laranjeiras")
é do início do Século 15 e tem características francamente mouras |
O Patio de los Gatos foi integrado ao Palácio de Viana no
Século 18 |
O Palácio de Viana reúne 12 dessas preciosidades, um painel que cobre cinco séculos do requinte dos pátios andaluzes.
Os chamados Patios de Viana variam entre o luxo (o Patio Del Recibo), a exuberância de um frondoso jardim (Patio de los Naranjos) ou a singeleza e o climinha doméstico do Patio del Archivo.
O Patio de las Rejas ("Pátio das Grades") é do Século
17 |
O Patio de la Madama tem inspiração barroca |
Antiga morada dos Marqueses de Viana, o palácio tem origem no Século 14. Ao longo de 500 anos, foi ganhando acréscimos e incorporando edifícios vizinhos.
A visita guiada ao Palácio de Viana percorre algumas das suas dezenas de aposentos onde estão expostos um rico mobiliário e muitas obras de arte. Um panorama do modo de viver das famílias da alta aristocracia andaluza.
O interior do Palácio de Viana não pode ser fotografado, mas
é possível fazer alguns cliques através das janelas |
Depois do roteiro guiado ao interior do Palácio de Viana, os visitantes podem circular à vontade pelos 12 pátios, mergulhando na beleza e no silêncio desses espaços.
Em Córdoba, a bisbilhotice não é falta de educação, é parte
do prazer de descobrir a cidade |
Em Córdoba a arte dos pátios não é privilégio dos palácios. A maioria das casas dos bairros históricos ainda mantém os seus espaços de descanso e convivência.
Bem cuidados, verdejantes e lindos, os pátios privados e anônimos encantam, cada um com sua cara.
Talvez o melhor jeito de descobrir Córdoba seja a bisbilhotice: andar na rua sempre espichando o olho para dentro das casas que, muito sedutoras, sempre deixam a porta da rua aberta.
É o jeito de Córdoba homenagear sua arte e manter viva a tradição dos moradores que, desde sempre, celebraram a chegada da primavera visitando os vizinhos para ver a exuberância de seus pátios, com suas fontes e jardins.
O Festival de los Patios Cordobeses é uma oportunidade para os turistas irem além das miradas roubadas, tendo contato com espaços vivos, usados no cotidiano, nas casas de gente comum.
As visitas aos pátios são liberadas em horários predeterminados (precisam ser agendadas), às sextas, sábados e domingos, e são gratuitas.
Ao final do festival, um concurso elege os pátios mais bonitos. Para maiores informações, acesse o site do evento.
⭐ Museu de Belas Artes de Córdoba
A beleza do Barroco Cordobês
A Virgen de los Plateros (à esquerda), de Valdés
Leal, é uma das obras mais celebradas do Museu de Belas Artes de Córdoba |
Onde fica: Plaza del Potro nº 1.
Horário de visitas: Terças, das 14:30h às 20:30h. De quarta a sábado, das 9h às 20:30. Domingos, das 9h às 14:30h.
Preço da entrada: € 1,5.
Ainda bem que fui seduzida pela bela Plaza del Potro e (adivinhe...) pelo pátio do antigo Hospital de la Caridad. Resolvi esticar o passeio ao interior do museu e dei sorte: escapei de perder um programão.
O pátio do antigo Hospital de la Caridad dá acesso ao Museu
de Belas Artes de Córdoba e ao Museu Julio Romero |
O Museu de Belas Artes de Córdoba foi fundado em 1843 e reúne uma coleção centrada no Barroco Cordobês. Sua história não difere muito da de outras pinacotecas andaluzas, cujo acervo foi herdado a partir do fechamento de conventos e mosteiros da região, com a dissolução de ordens religiosas.
Uma das obras mais impressionantes que vi no Museu de Belas Artes de Córdoba foi o Cristo atado à coluna, de Alejo Fernández (também autor da famosa Virgen de los Mareantes que adorna os salões da Casa de Contratación, no Alcázar de Sevilha).
O Museu de Belas Artes de Córdoba funciona no edifício do Hospital de la Caridad desde 1862. A maior parte de seu acervo veio de conventos da Andaluzia |
Outra tela maravilhosa é a Virgen de los Plateros, do Século 17, pintada por Valdés Leal para um altar de rua encomendado pela Corporação dos Ourives.
Em frente ao Museu de Belas Artes, em outra ala do Hospital de la Caridad, funciona o Museu Julio Romero, com acervo composto por obras mais recentes.
Um hammam é o lugar perfeito para esquecer da vida |
Final de viagem, quase 20 dias de muita bateção de pernas, inverno... Imagine, então, como caiu bem o meu momento relax no Hammam Al Andalus, um banho árabe que faz de tudo para preservar a tradição.
Esse hammam de Córdoba é muito bonito, reproduzindo em arcos e colunas as marcas da arquitetura mourisca. Não é permitido fazer fotos lá dentro, mas eu garanto que o lugar é lindo.
A iluminação mínima, com muitas velas, a música baixinha, os aromas de rosa, lavanda, âmbar e azahar (flor de laranjeira) que escapam dos vidrinhos de óleo de massagem e a absoluta ausência de conversas já seriam suficientes pra ganhar meu coração.
Depois de duas horas alternando as piscinas (quente, tépida e fria) e recebendo uma massagem bem relaxante, eu fiquei novinha.
Hammam Al Andalus - Calle Corregidor Luís de la Cerda nº 51, fone 957-484-767. Funciona diariamente, das 10h às 24 horas. Os preços variam de acordo com o tratamento escolhido.
O mais simples é o banho (com acesso às três piscinas, quente, morna e fria e mais a sauna) com 15 minutos de massagem relaxante, que custa €36. O mais caro é o banho Ritual, com direito a kessa (exfoliação) e massagem (€ 67). Se quiser só os banhos, o preço é de € 24.
Ruas de poesia e história
Se Córdoba fosse só a Judería, já valeria programar alguns
dias na cidade pra se perder nesse rendilhado de ruas e se achar nesses
preciosos cantinhos |
O bairro judeu de Córdoba tem uma longa história, ocupado pela comunidade desde o Seculo 10. Um de seus filhos mais ilustres, o filósofo Maimônides, é homenageado com uma estátua, na praça que leva seu nome.
A Judería de Córdoba é um lugar para a gente se perder em caminhadas sem pressa. Simplesmente encantadora!
Uma boa referência para encontrar a Judería é a Mesquita de
Córdoba, que é vizinha. De lá, é só se embrenhar pelo emaranhado de ruas
estreitas que seguem para o Noroeste |
Estátua do filósofo e médico mouro Averróis. Ao fundo, a capela
mudéjar de San Bartolomé |
No Zoco Municipal, na Calle Averroes, funciona um mercado de artesanato |
A estátua do filósofo Maimônides na Judería de Córdoba |
A Mesquita de Córdoba
Como chegar a Córdoba
Hospedagem em Córdoba
Onde comer em Córdoba
A Espanha na Fragata Surprise - post-índice
Madri
Andaluzia: Cádis, Córdoba, Granada, Ronda e Sevilha
Castela e La Mancha: Toledo
Castela e Leão: SegóviaCatalunha: Barcelona, Girona e Tarragona
Comunidade Valenciana: Valência
Galícia: Santiago de Compostela, Caminho de Santiago e cidades da rota
A Europa na Fragata Surprise
Eu só acrescentaria que à noite é possível disfrutar de música flamenca de ótima qualidade nas casas de espetáculos da cidade.
ResponderExcluirÉ verdade, Mauro. Faz um tempinho que estou batucando um post sobre as apresentações de flamenco nas cidades que visitei pela Andaluzia e Córdoba, com certeza, tem ótimas opções :)
ExcluirOlá! Ótimo o teu blog! Parabéns! Inicio de maio ou final de abril seria uma boa época para visitar a Andaluzia? Planejo ir a Sevilha(4 dias completos ), Córdoba(2dias) e Granada (3dias). E fazer de trem o percursso entre elas.Obrigada.
ResponderExcluirOi, Lucia, obrigada :)
ExcluirOlha, a Andaluzia é bem quente no verão, mas creio que nesse período que vc vai esteja agradável. Eu peguei 17 graus em Córdoba em pleno janeiro, pra vc ter uma ideia...