sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bruxelas: dicas práticas

A Grand Place, coração de Bruxelas: 
além da beleza, a cidade tem um tremendo alto astral
A essa altura da vida, eu já estou acostumada com as surpresas maravilhosas que as viagens colocam no meu caminho. Mas acho que nunca uma cidade contrariou tanto (e tão bem) as minhas expectativas quanto a adorável Bruxelas. Quando coloquei a capital belga no roteiro desta viagem à Europa, esperava visitar uma cidade bonita, organizada e rica e... sem sal. Pois caí do cavalo: que cidade fantástica eu encontrei!

Bruxelas é, sim, muito bonita. Organizada e rica também. Mas tem sal na medida certa — inclusive nas onipresentes e deliciosas batatas fritas, vendidas em cada esquina, o acarajé dos belgas.

Uma metrópole muito bem temperada, cosmopolita e alto astral, Bruxelas tem excelente gastronomia, museus de responsa (amei o da História em Quadrinhos e o Museu Matisse), parques adoráveis e uma arquitetura de cair o queixo, que combina as fachadas "em degraus" do gótico flamengo com obras barrocas encantadoras (com destaque para a Grand Place) e o maior conjunto de edifícios Art Nouveau da Europa (nem preciso dizer que pirei, né?).


Os sabores belgas são um capítulo de destaque
O Museu da História em Quadrinhos, 
que funciona num belo edifício Art Nouveau 
Todo esse charme de cidade começou como um modesto forte controlado pelo Sacro Império Germânico, no final do Século 10. A segurança garantida pela presença das tropas e o fácil acesso pelo rio Senne fizeram florescer um mercado e definiram a verdadeira vocação de Bruxelas, até hoje um centro comercial e financeiro de destaque no mapa da Europa. 

Essa memória ainda está bem impressa no centro antigo da cidade, ao redor da Grand Place (que, em holandês, chama-se Grote Markt — grande mercado, ou mercado principal). O velho mercado ressurge nas placas bilíngues que indicam as ruas "dos chapeleiros”, “do arenque”, “dos açougueiros” e tantas outras. Quase dá para ouvir o pregão dos comerciantes que começaram a montar seus negócios por ali, desde a Idade Média.

Adoro os "degrauzinhos" no topo das fachadas do gótico flamengo

A Rua do Forno também é "Rua Mafalda", a Rua dos Cervejeiros homenageia a Patrouille des Castors. A cidade também tem 50 murais com cenas de histórias em quadrinhos, como esse (centro) que mostra Tintin e seu inseparável companheiro, 
o Capitão Archibald Haddock 
Além dos nomes em francês e holandês, muitas ruas também ganham "apelidos" em homenagem a algum personagem célebre de história em quadrinhos. Porque essa é outra paixão da cidade natal de Tintin e Lucky Luke, e Bruxelas faz questão de anunciar isso nos enormes painéis espalhados pela cidade, retratando seus heróis, nas lojinhas de produtos relacionados aos personagens e nas sessões quilométricas das livrarias dedicadas à arte dos quadrinhos. 

Nos próximos posts, vou contar tudinho sobre Bruxelas. Por enquanto, fique com essas dicas práticas para organizar sua viagem pra lá.

Bruxelas é sede dos principais organismos da União Europeia
Como chegar
Bruxelas foi a segunda etapa do nosso roteiro, que começou em Paris. Da capital francesa até lá, viajamos de trem (Thalys), que é uma opção muito cômoda e rápida: 1h22min de percurso. O preço do bilhete varia muito, de acordo com o horário e a antecedência da compra. Pesquisando agora (começo de outubro), há oferta de passagens por €29, para viajar em dezembro, mas os preços chegam a €70, para partidas nos próximos dias.

Vindo de Londres, Paris ou Amsterdã,
é fácil e rápido chegar a Bruxelas
A dica, portanto, é planejar e comprar com antecedência. Use o site da SNCF, a companhia de trens francesa. Não esqueça de desbloquear seu cartão de crédito para operações no exterior, antes de realizar a compra.

De Paris, os trens partem da Gare du Nord (Rue de Dunkerque, 10º Arrondissement), onde é muito fácil chegar de metrô (linhas 4 e 5) e de trem RER (linhas B e D). A chegada é em Bruxelles-Midi, também servida pelo metrô (e é bem fácil pegar um táxi para o centro).

Usar o trem também é uma ótima opção para quem vem de Londres e de Amsterdã. Nós saímos de Bruxelas para a capital britânica com o Eurostar e super aprovamos a viagem, muito rápida e confortável. Comprando o bilhete com antecedência, o preço pode empatar com o de um voo low cost — sem a chatice de um longo deslocamento até o aeroporto.

Para saber mais sobre essa alternativa, leia este post:
De Bruxelas a Londres no Eurostar

De Amsterdã, o trem é o mesmo Thalys que vai até Paris. O percurso entre Bruxelas e a capital holandesa é de cerca de duas horas.

Onde ficar
Royal Windsor Hotel Grand Place 
Rue Duquesnoy 5, Centro 
Nosso quarto em Bruxelas
Esse cinco estrelas elegante estava com a diária mais barata que a do nosso hotelzinho básico e bonitinho do 11º Arrondissement, em Paris. Pagamos €84 por noite na capital belga, contra os €94 no nosso pouso parisiense... O Royal Windsor tem uma localização excelente, a dois passos da Grand Place.

O apartamento é amplo (cerca de 25 m²) e bem decorado, com ar-condicionado, janelas à prova de som, TV com canais a cabo, frigobar, uma ampla mesa de trabalho (cheinha de tomadas!!!) e WiFi gratuito. O armário grande tem cofre e aquelas prensas de passar que eu nunca me arrisco a usar.


A mesinha de trabalho, ao lado da cama, e a banheira "tamanho adulto" (adoro!)
Apesar do conforto, achei um pouquinho básico demais para um cinco estrelas (senti falta de uma poltroninha de leitura, por exemplo). Mas gostei bastante, no geral, e e recomendo.

O banheiro também é grandinho, com uma boa bancada para espalhar todas as nécessaires, banheira "tamanho adulto" —  daquelas onde não é necessário se encolher — e secador de cabelos.

Não experimentamos a sauna ou a academia do Royal Windsor, nem o bar e o restaurante (que parece ser bem reputado, pois vivia cheio).

Hospedagem comentada - índice com todos os hotéis citados no blog

Como circular
A bela Estação Central, terminal de trem e parada do metrô,
 é uma joia Art Nouveau, projetada pelo papa desse
estilo arquitetônico, Victor Horta
Bruxelas não é exatamente uma cidade plana, mas é perfeitamente possível chegar à maioria das atrações a pé. A rede de metrô da cidade não é muito extensa (são quatro linhas), mas funciona bem. Também há diversas linhas de tram (bonde) e as paradas (que às vezes são mistas, para tram e ônibus) têm sempre uma plaquinha informando quais as linhas que passam por ali e o percurso que elas fazem. O bilhete para uma única viagem custa € 2.

Usei muito pouco a rede de transporte público de Bruxelas, pois a cidade é bem amigável aos pedestres. Não tenho, portanto uma avaliação muito precisa de sua qualidade. Só posso dizer que, do pouco que usei, fiquei bastante satisfeita.

O Atomium, logomarca da capital belga,
foi construído para a Exposição Mundial de 1958
Preços
Só pelo que eu falei da diária do hotel, você já deve ter percebido que Bruxelas é menos salgada que Paris, né? Não espere encontrar uma cidade "baratex" — a capital belga, afinal, é um grande centro financeiro e comercial desde a Idade Média e sua condição de sede dos principais organismos da União Europeia atrai gente do mundo inteiro, o que sempre se reflete (muito nos preços) — mas você vai ver que os preços são mais em conta.

Só outro exemplo, pra você ter mais uma ideia: um jantarzinho para duas pessoas em um restaurante com estrela no Michelin custou €58. Mas as dicas de restaurantes ficam para o próximo post :)

Mais sobre a Bélgica
25 dias na Europa - Roteiro

De Bruxelas a Londres no Eurostar
Bruges: um bate e volta

Bruxelas
Onde comer (muito bem!) na capital belga
Três museus imperdíveis
Passeios bacanas em Bruxelas

A Europa na Fragata Surprise

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4 comentários:

  1. Acompanho seus posts com prazer. Eles servirao de guia para nossa proxima viagem a Europa. Seguindo a fragrata surprise fizemos um tour inesquecivel pela Andaluzia em setembro. Obrigada, Jacy

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    1. Jacy, é sempre muito bom saber que A Fragata está ajudando outros viajantes. O bloguinho é feito com muito carinho e a ideia é essa mesma: compartilhar as experiências e informações. Bjo

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  2. Essas dicas me ajudaram muito no meu planejamento pra Bruxelas. E cara, eu sempre vejo uns relatos meia-boca na internet sobre a capital belga e você foi a única que falou com entusiasmo do lugar (e concordo demais com o seu entusiasmo pois também adorei a cidade!!!). Obrigada pelo post e pelo blog!

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    1. Ô, Bárbara, legal que a Fragatinha foi útil :) Eu não me conformo com o silêncio sobre certas cidades fantásticas. Com Bruxelas foi assim: eu não esperava muito, foi uma baita surpresa. Com Atenas também, quase que fico só dois dias por lá, para ver a Acrópole e os museus, fiquei muito mais e me apaixonei. Minha tese é que a galera não enche muito a bola de certas cidades pra mão atrair muita gente e poder curtir o segredo sem multidões :)
      Bjo

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