segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Delícias de Bruxelas:
Onde comer (muito bem!) na capital belga

Os 200 metros mais charmosos de Bruxelas: Galerias Reais de Saint-Hubert
Se algum dia eu for chamada a defender a humanidade em um tribunal apocalíptico, vou lembrar aos juízes que a espécie animal capaz de inventar o acarajé, o zabaione e a batata frita sempre há de merecer uma nova chance sobre a face da terra. Dito isso, não preciso mais explicar que patamar ocupam os belgas, criadores das celestiais batatinhas, no meu ranking de admiração culinária. Mas não é que os caras ainda conseguiram me surpreender?

Eu já tinha lido em algum lugar que é impossível comer mal em Bruxelas. Depois dos dias que passei lá, estou fortemente inclinada a concordar (na verdade, eu gostaria de realizar mais testes, não por desconfiança, mas só por rigor científico, mesmo, rsss). Famosa pelos chocolates e pelos mexilhões com fritas, Bruxelas tem muito mais para encantar o paladar do visitante.

Além de ótimos restaurantes, a cidade oferece um prazer que, pra mim, é o auge da experiência gastronômica: a comida de rua, com destaque para as batatas fritas e os wafles, duas invenções genuína e deliciosamente belgas.

Confira as dicas de bons lugares para provar os sabores de Bruxelas. No final do post tem um mapinha.
Nuet Nigenough
Rue du Lombard nº 25, Centro 
A bela fachada Art Nouveau do Nuet Nigenough
Foi pelo Yelp que descobrimos este restaurante moderninho, animado e especializado em cozinha belga. De cara, já caí de paixão pela fachada Art Nouveau, uma vitrine que ajuda a integrar o salão de decoração clássica ao charme das construções antigas da Rue du Lombard, bem pertinho da Grand Place.

O atendimento aos "glutões sovinas" (tradução livre do nome do restaurante) é informal e simpático, o menu é enxuto e a comida é excelente.

E nossos pratos estavam ótimos
Pedi as Boulettes Gantoises, almôndegas de vitela ao molho de cerveja (divino). Bruno foi de Porc Pius X, um porquinho com molho de cogumelos e cerveja, perfeito. Com bebidas (vinho e refrigerante), a conta total foi de €33.

Taverne du Passage
Galerie de la Reine 30, Centro
Taverne du Passage, restaurante tradicional nas Galerias Saint-Hubert
Fiquei de olho na elegância deste tradicional restaurante desde a primeira passagem pelas Galerias Reais de Saint-Hubert, seguramente os 200 metros mais charmosos de Bruxelas. Na clássica passagem coberta, típica do Século 19, funcionam lojas de luxo, restaurantes e até um museu, dedicado às cartas e aos manuscritos. A Taverne du Passage é uma  instituição na cidade e corresponde a todas as expectativas.

Filé à bernaise e as minhas vieiras (impecáveis!)
Babà a la mandarine e tortinha de maçã
A decoração clássica do salão, com lustres de cristal e painéis de madeira, e o atendimento impecável já deixam a gente no clima.

Pedi Coquille de Saint Jacques (vieiras, meu marisco preferido) e Bruno foi no hiper clássico Filé à Sauce Bernaise. Os dois pratos estavam irretocáveis. Para arrematar, pedi Baba a la Mandarine de sobremesa (indescritível, de tão gostoso) e Feuillette aux Pommes, uma tortinha folhada de maçã que arrancou muitos suspiros. Com aperitivo, taça de vinho e refrigerante, pagamos €77 por uma refeição memorável.

La Roue D'Or
Rue des Chapeliers (Hoedenmakersstraat) nº 26, Centro
La Roue d'Or: bonito, elegante e estrelado 
Outro restaurante clássico e lindo no Centro Histórico de Bruxelas. La Roue D'Or tem uma estrela o Guia Michelin e preços surpreendentemente acessíveis. O atendimento caloroso dá a impressão de que jantamos em casa de amigos.


A entrada do restaurante e o meu filé à bernaise
Como eu tinha invejado o filé à bernaise que Bruno pediu na véspera, escolhi esse prato e adorei (o ponto exato da carne - pra mim, sempre mal passada- e o molho impecável). Bruno pediu Cabillaud en Croute (bacalhau na crosta de mostarda e salsa), que também estava impecável. Com as bebidas (taça de vinho e refrigerante), nossa conta foi de €58.

Le Paon Royal 
Rue du Vieux Marché aux Grains (Oude Graanmarkt) nº 6, Metrô Sainte-Catherine ou Bourse
Saia do miolinho mais turístico e experimente um final de tarde na Place de Sainte-Catherine, região perfeita para bebericar ao ar livre e provar frutos do mar
Um pouquinho mais afastada do miolinho turístico, a região da Place de Sainte-Catherine é uma opção deliciosa para bebericar e beliscar, especialmente nos finais de tarde de verão. Os muitos restaurantes e cafés da área , como na Rue du Vieux Marché aux Grains ("Antigo Mercado de Grãos", têm mesinhas ao ar livre, à sombra dos plátanos frondosos, e um parquinho infantil público entretém as crianças, enquanto turistas e moradores se deliciam com todo tipo de comidinhas, especialmente frutos do mar.

A torre da Igreja de Santa Catarina, espreguiçadeiras para os clientes dos restaurantes da Rue du Vieux Marché aux Grains e os nossos croquetes de camarão
Escolhemos nossa mesinha em frente ao Paon Royal meio por acaso, sentamos, relaxamos e comemos uns croquetes de camarão de responsa, acompanhados por uma garrafa de vinho, que ninguém é de ferro. Um jeito fantástico de encerrar mais um dia delicioso em Bruxelas. Total da conta: €42.

Brasserie Horta
Rue des Sables (Zandstraat) nº 20
Brasserrie Horta, no Centro Belga das Histórias em Quadrinhos 
Confesso que eu já estava decidida a gostar desta brasserie, que funciona no Centro Belga das Histórias em Quadrinhos, por conta do belo ambiente Art Nouveau do espaço projetado por Victor Horta. Depois da nossa visita ao museu, é claro que ficamos para almoçar por lá.

O lugar é muito disputado na hora do almoço - os turistas são minoria e grande parte dos frequentadores dá pinta de trabalhar nas imediações. Na muvuca do almoço, o atendimento foi objetivo e correto, sem sorrisos.

O ambiente Art Nouveau do edifício projetado por Horta é um atrativo a mais
Nosso menu: saladinha de farfalle com mariscos e língua ao molho de tomate
A Brasserie Horta serve pratos a la carte e tem três tipos de menu prix fixe (entrada, prato principal e sobremesa), a partir de €12,95, que foi o que pedimos. A saladinha de farfalle com mariscos estava bem simpática, assim como a língua ao molho de tomate. Nossa sobremesa foi uma saladinha de frutas. Comidinha básica, saborosa e com precinho honesto. Vale principalmente pela beleza do lugar.


Comidinhas
A hipnótica vitrine da Elizabeth, 
uma das tradicionais casas de chocolate da Bélgica
Além dos restaurantes fantásticos, Bruxelas me ganhou pela copiosa oferta de beliscos, minha verdadeira paixão gastronômica. As famosas batatas fritas, por exemplo, podem ser encontradas em praticamente qualquer esquina, sempre deliciosas e crocantes, acompanhadas de diversos tipos de molho (fiquei fã do molho andaluz, combinação de maionese e mostarda, mas não me perguntem por que tem esse nome).
A tentação dos beliscos está por toda parte, em Bruxelas. Da loja sofisticada à barraquinha de batatas fritas (petisco que os belgas transformaram em pura arte)
Servidas geralmente em cones de papel, as batatinhas belgas são mais uma prova de que o simples também pode ser celestial. Os preços variam um bocado, mas dificilmente um cone grandão vai custar mais que €4.

Não bastasse terem inventado a batata frita, os belgas também inventaram os wafels (pronuncia-se váfel), que nós e os americanos chamamos de waffles. Assim como as batatinhas, essa delícia também está por toda parte, oferecida em carrocinhas e em estabelecimentos que, muitas vezes, não passam de uma portinha com um balcão.

Pra completar, os belgas inventaram o wafel...
Os acompanhamentos são infinitos: frutas (como os morangos aí da foto), chantili, calda de chocolate, geleias, mel... Eu adoro os meus apenas polvilhados com açúcar, mas acho melhor você testar cada modalidade e escolher seu jeito favorito de degustar essa maravilha belga.

Experimente o café da manha na Waffle Factory, que tem vários endereços na França e na Bélgica. Em Bruxelas, batemos o ponto direto na loja da Rue du Lombard nº 30.

Outra comidinha de rua que não dá pra perder é o cachorro-quente do trailer estacionado perto do ponto de ônibus do Atomium. Quando você for lá, esqueça a lanchonete cara e pouco atraente que funciona no térreo da atração e corra para o trailer. Garanto que não vai se arrepender.

Café da manhã na Waffle Factory, lanchinho da tarde na casa Paul...



Além das delícias da terra,
ainda encontrei ótimos
pastéis de nata e
de Santa Clara
E tem os chocolates, claro, quase uma religião para os belgas. Os locais se orgulham em dizer que há mais de 300 fábricas do produto no país e que as regras estabelecidas para o preparo do chocolate funcionam como um rígido controle, garantindo à Bélgica a fama de campeã mundial de qualidade no ramo.

Basta dar uma voltinha pela Grand Place para ver que o pessoal não brinca em serviço: as lojas de marcas famosas, como Godiva, Neuhaus, Elizabeth e Guylian.

Só não me pergunte de qual eu gostei mais, porque ainda não consegui decidir - acho que preciso de umas três encarnações, com degustações diárias, para chegar a um veredito :)

Não bastassem as delícias da terra, a cosmopolita Bruxelas ainda tem sabores de todos os cantos do mundo.

Do que eu experimentei, recomendo vivamente uma passadinha em uma das lojas de Paul, boulanger/patissier francês, que tem vários endereços na capital belga, para matar as saudades dos financiers, palmiers e outras tentações.

E quando você for visitar o divino Museu Horta, dedicado ao gênio da Art Nouveu, não deixe parar na esquina da Rue Americaine, onde fica o museu, com a Charleroise Steenweg para provar as delícias portuguesas da Pastelaria Forcado, um show de bola!

Siga o mapa



E bebidinhas, é claro 😉
Eu ando numa fase bem abstêmia — vinhozinho acompanhando as refeições, quando muito — e, mesmo em períodos de maior fervor ao culto de Baco, nunca fui muito cervejeira. Mas é claro que eu não poderia passar pela Bélgica sem provar ao menos alguns copinhos da bebida mais famosa do país.

Afinal, pela animação dos visitantes, que já lotam os bares do Centro Histórico nas primeiras horas da manhã, suponho que muita gente vá a Bruxelas apenas para a degustação de cerveja.

Se for essa sua intenção, creio que não vai se decepcionar. A Bélgica produz pelo menos 1.500 marcas diferentes de cerveja, muitas delas artesanais e por toda Bruxelas pululam os lugares especializados, que chegam a oferecer, com o maior orgulho, algumas centenas de marcas diferentes, para a alegria do freguês.

Como não sou expert, fiz algumas (poucas) experiências, com ênfase na única cerveja que eu já gostava, a clássica Duvel. Sem queixas :)

Banca de mariscos e frutas no centro histórico de Bruxelas

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8 comentários:

  1. Adorei seus comentários sobre Bruxelas! Brasileira e residente belga há alguns anos não conseguiria descrever tão bem como você o fez, e ainda me apresentou lugares que não conhecia me deixando com mais vontade de explorar a cidade. Parabéns!

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    1. Obrigada, Queroulaine, fico super feliz de saber que uma residente de Bruxelas curtiu o post :) Abs

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  2. Que delícias...Eu adorei as comidas de rua da Bélgica. Adoro comidas de rua...kkk.

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    1. Também sou doida por comida de rua, Cris (sou baiana, afinal, rsss). Nesse ponto, e não só nesse, Bruxelas bate um bolão. Bjo

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  3. Fabulosa descrição sobre Bruxelas, adorei os seus posts. Obrigada.

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  4. Estou quase de malas prontas para minha viagem para a Bélgica e gostei muito das dicas. Vou tentar ir a todos os lugares. Eles parecem ser o gosto de encontrar quando viajo.
    Parabéns e obrigado adiantado!

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    1. Fico feliz que as dicas da Fragata sejam úteis, Fábio. Aproveite a Bélgica, um país adorável :)

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