quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Um bate e volta a Bruges

A Praça do Mercado de Bruges, com destaque
 para a Torre Belfort (ou Belfry, em flamengo), do Século 13
Bruges é forte concorrente ao título de principal atração turística da Bélgica. E com muita razão. A cidade é uma preciosidade que parece ter parado os relógios bem na horinha em que os ponteiros marcaram seu apogeu como importante centro comercial da Idade Média, preservando todo seu esplendor de então e impedindo que as modas e as aparências de outras eras chegassem por lá. A harmonia do conjunto arquitetônico é impressionante, uma aula ao vivo sobre o peculiar estilo Gótico Flamengo, que tem um pezinho no conto de fadas.

Essa pérola medieval tem pouco mais de 100 mil habitantes e fica a cerca de uma hora de trem de Bruxelas, o que a torna uma excelente opção de bate e volta para quem está na capital belga. Eu passei um dia muito bacana por lá, mas juro que preferia ter dormido na cidade (que deve ser um escândalo à luz dos lampiões). Veja como foi esse passeio  delicioso. 

A harmonia das fachadas "em degraus" e muitos canais:
o charme de Bruges

Para quem chega de trem a Bruges, o prazer do passeio já começa logo depois de atravessar a estrada em frente à Estação Ferroviária e dar de cara com o parque que parece proteger a cidade do movimento, uma área verde bacana para andar de bicicleta, caminhar ou simplesmente escolher um banquinho e ouvir os passarinhos. Depois, uma curta caminhada por ruas estreitas e ladeadas por casinhas antigas leva ao Markt, a Praça do Mercado. 

A chegada à cidade
A água é a grande responsável pelo charme de Bruges. O Rio Dijver banha a cidade e faz um verdadeiro rendilhado de canais em seu tecido urbano. No Século 13, essa malha permitiu que florescesse o vai e vem das frotas comerciais, motor da prosperidade (o nome Bruges deriva de Bryggia, que significa porto no idioma flamengo arcaico). 

A pequena vila, originada de fortificações romanas, acabaria se convertendo em um vibrante centro comercial, estimulada pela exuberante produção têxtil local. O dinheiro dos comerciantes, naturalmente, também atraiu artesãos, pintores e construtores, que deram à cidade as feições encantadoras que vemos até hoje. 

Detalhes de Bruges:
não vi nem um pedacinho da cidade que não fosse lindo
Canais: moldura encantadora para passeios no seco...

...ou na água


Grandes nomes da pintura flamenga, como Jan van Eyck e Jan Provoost, viveram em Bruges. A eles, certamente, não faltaram mecenas naquela cidade próspera, o que pode ter contribuído para a presença tão constante das cenas domésticas das casas abastadas nas telas dessa fantástica escola artística. 

Os quadros, até então território quase que exclusivo das narrativas religiosas, passaram também a testemunhar o cotidiano confortável, talvez numa louvação ao deus comércio... Se quiser ver algumas dessas telas, programe uma visita ao Groeninge Museum

A cidade plana é um convite ao pedal. No Markt, 
centenas de bicicletas descansam, na hora do almoço

Se as águas deixaram de trazer a prosperidade, a partir do Século 15, elas hoje proporcionam o programa mais gostoso da cidade, que é o passeio pelos canais, seja a bordo de um barquinho, seja pelas suas margens adoráveis, feitas de sossego e lindas fachadas.

A Torre Belfry
A descoberta de Bruges começa por sempre pelo Markt, a vasta praça do antigo mercado, cercada de construções imponentes como a Torre Belfry (ou Belfort, em francês), posto de observação erguido no Século 13, como parte do sistema de defesa da cidade. Seus sinos marcavam o ritmo de vida dos moradores. Hoje, já não há inimigos a fiscalizar, mas os 360 degraus até o topo da torre compensam o visitante com uma linda visão do conjunto harmonioso de Bruges. 

O Gruuthuse Binnenhof
Entre as construções mais marcantes da cidade, não deixe de ver a Stadhuis, sede do governo de Bruges desde o Século 14, o Gruuthuse Binnenhof, impressionante pátio de um palácio do Século 15, e o Begijnhof, lindo conjunto de casas branquinhas em volta de um jardim que, desde o Século 13, abriga irmãs laicas (não ordenadas). 

Mas não cometa o pecado de se prender a um roteiro: os edifícios anônimos de Bruges também são apaixonantes e é uma delícia saboreá-los com calma, fazendo planos sinceros de morar em uma das infindáveis casinhas com a fachada de tijolos e portas e janelas coloridas. 

A Stadhuis, sede da prefeitura

Fala se não dá vontade de morar aqui?
Dicas práticas


Como chegar
Partindo da Estação Central de Bruxelas, a viagem até Bruges leva 1h30min. Alguns trens fazem uma parada em Gent, que fica bem no meio do caminho. Compre o bilhete de ida e volta (€ 23, na segunda classe), que não tem hora marcada. A frequência de partidas é grande (algo como a cada meia hora). Eu consegui uma tarifa bem bacana, tipo "especial de verão": €16, ida e volta, oferecida exatamente a quem faz os dois trajetos no mesmo dia.

Da estação de Bruges até o centro, recomendo que você faça o trajeto a pé, pois o caminho é lindo e a distância não assusta (20 minutinhos, indo com calma).


Passeios de barco
Siga as plaquinhas em inglês (boat rides) que estão por toda parte e indicam a direção dos canais. Há cinco pontos de embarque, todos próximos ao Markt. A cidade é pequenininha, não tem como errar, mas a Fragata quebrou seu galho e fez um mapa, rsss. Os passeios duram cerca de uma hora e custam €8



Onde Comer
Mules et frites, mais belga, impossível 
(e você acredita que eu detonei esse caldeirão
 de mexilhões sozinha?)
De Beurze - Markt nº 22. Eu geralmente fujo de restaurantes em lugares tão turísticos quanto a Praça do Mercado de Bruges, mas estava com tanta vontade de almoçar com vista para a beleza da praça que sucumbi - e não me arrependi.

Mesa com vista
Decidimos não arriscar nada muito além do convencional. Pedi o tradicionalíssimo prato de Mules et Frites (mexilhões e batatas fritas), um caldeirão respeitável, que eu detonei sem ajuda de ninguém.

Bruno foi de Waterzooi (talvez o mais flamengo dos pratos), que é um ensopado de peixe com legumes, com um molho à base de creme de leite e gema de ovo. Estava tudo uma delícia.

O atendimento do De Beurze não difere muito do que a gente costuma encontrar nesses lugares muito lotados de turistas: uma certa pressa eficiente que, se não encanta, não compromete.

Com refrigerantes e uma taça de vinho, pagamos €63 pelo total da farra. Não chega a ser uma pechincha, mas adorei comer na mesa ao ar livre, cercada pela beleza do Markt.

Waterzooi
Tem uma Godiva bem na Praça do Mercado, que é pra a gente já chegar no clima. À direita, Bruno com a mão na massa, quer dizer, nos marzipãs, morangos cobertos com chocolate e outras cositas
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4 comentários:

  1. Bruges é apaixonante!!! Estou encantada com suas fotos :)
    Parabéns pelo belo post.
    Bjs

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    Respostas
    1. Cidade linda, né, Gabriela? Eu pretendo voltar. Beijo e obrigada

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  2. Cyntia, linda cidade, ótimo relato!!! Adorei! Está na minha lista de desejos próximos!
    Beijo grande.
    Neblina

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    Respostas
    1. Você vai adorar, Neblina. Bruges é das cidades mais fofas que já vi :)
      Bjo

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