quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Porto Alegre - dicas práticas

A Usina do Gasômetro ao pôr do sol
Porto Alegre, pra mim, é um fenômeno. Ela não tem mar, nem montanhas, nem aquele grau de antiguidade que me faz atravessar o deserto para algumas horas de contemplação. Mas tem o Guaíba, uma boemia irresistível, um acervo arquitetônico neoclássico/eclético (que parece cada vez mais valorizado) e parques públicos bem cuidados e sempre cheios de gente.

O maior encanto da cidade, porém, é sua capacidade de ser absolutamente contemporânea sem abrir mão de sua gaúchice — tirando a Bahia, não conheço nenhum outro lugar no Brasil onde a tradição, o apego às raízes e ao seu modo peculiar de ser sejam tão bem incorporados à vida normal, sem resvalar para o folclore ou à pose para inglês ver. Por tudo isso, Porto Alegre é uma das minhas cidades favoritas no Brasil.

Foi um prazer rever a capital gaúcha durante o TchÊncontro - Encontro de Blogueiros de Viagem no Rio Grande do Sul. Aproveitei e reuni algumas dicas básicas que podem ajudar a você a também planejar sua viagem pra lá. Confira:

Onde ficar

Fiquei no Hotel Laghetto Viverone, nos Moinhos de Vento, que é um dos bairros mais elegantes de Porto Alegre. O hotel fica bem em frente aos Jardins do DMAE, um parque público bonito que aproveita as instalações da empresa de abastecimento de água da cidade. A vizinhança tem boa oferta de bares e restaurantes.

A recepção, o restaurante e alguns ambientes de estar do Laghetto estão instalados em um casarão da década de 30, tombado pelo Patrimônio Histórico. A decoração dos vários ambientes de estar é elegante e aconchegante. Uma passarela envidraçada liga o casarão ao edifício moderno, na parte de trás do terreno, onde ficam os apartamentos. É no terraço dessa ala que fica a piscina com vista para o bairro e o parque.

Minha caminha confortável

Banheiro novinho e espaçoso
Fiquei em um apartamento luxo (as outras categorias são superluxo e suíte) de 18 metros quadrados, com os confortinhos básicos indispensáveis (ar-condicionado, cofre, frigobar, TV LCD, canais a cabo e Wi-Fi gratuito bem eficiente). 

Senti falta de uma poltroninha no quarto. A bancada de trabalho, entretanto, era bem espaçosa, com uma quantidade de tomadas bem conveniente. 

O quarto tem um armário grande, com um cofre onde dá para guardar o notebook.

Amei as luzes de leitura direcionais na cabeceira da cama, mas bem que eu teria gostado que houvesse uma tomada na mesinha de cabeceira: tenho mania de deixar o celular carregando no criado mudo, pra poder acionar a "soneca" do despertador, quando toca de manhã — não conheço ninguém que não seja viciado naqueles cinco minutinhos roubados, antes de levantar :). 

O hall dos elevadores, no prédio novo
O banheiro é espaçoso, novinho e bem iluminado. Tem uma boa bancada na pia, o boxe é amplo e o chuveiro é uma delícia. O secador de cabelos é bem potente. O xampu e condicionador, de melão e jasmim, são super cheirosos.

O Laghetto tem uma garagem no subsolo (o estacionamento é cobrado), espaços para reuniões, academia de ginástica e um restaurante bem reputado, que eu não experimentei. 

Os ambientes têm um clima aconchegante

O hall com a lareira e o acesso ao restaurante, no casarão
É no restaurante que é servido o café da manhã, incluído na diária. São muitas opções, diversos tipos de pães, bolos, frutas e sucos. Tudo que provei estava muito gostoso — só não consegui ainda a treinar tico e teco pra fotografar os cafés da manhã dos hotéis. De manhã, eu não funciono bem, rssss.

A entrada, no casarão, e a passarela que leva ao edifício novo
Hotel Laghetto Viverone Moinhos - Rua Dr. Vale nº 579, Moinhos de Vento, em frente aos Jardins do DMAE. São 132 apartamentos em três categorias (luxo, superluxo e suíte). O hotel foi um dos parceiros do TchÊncontro e ofereceu uma tarifa especial para os blogueiros participantes. 

Onde comer
O Mercado Público tem boas opções para o almoço
Restaurante Gambrinus
Embora o Mercado Público ainda esteja se recuperando do incêndio de 2013 (o primeiro andar, onde funciona a maioria dos restaurantes, ainda está em obras), o lugar continua sendo uma boa pedida pra a hora do almoço, na região central de Porto Alegre.

No nosso primeiro dia de encontro, almoçamos no tradicionalíssimo Gambrinus, no térreo do Mercado, uma casa à qual sempre rendo as minhas homenagens, quando passo por Porto Alegre. A comida é simples, saborosa e sem frescuras, como convém a um restaurante em funcionamento desde o ano da Proclamação da República.

O tradicional Gambrinus, no Mercado...
Tenho o maior respeito pelo bolinho de bacalhau servido na casa (e olha que sou quase carioca), mas desta vez escolhi a sugestão do dia, um filé de costela que estava muito macio, acompanhado por batatas fritas e arroz. Sem raio goumetizador, um prato gostoso e reconfortante. Prepare-se para gastar em torno dos R$ 60 quando for lá.

Restaurante Gambrinus - Largo Glênio Perez, no térreo do Mercado Público, loja 85. De segunda a sexta, das 11h às 20:30h. Aos sábados, das 11h às 16 horas. Fecha aos domingos. A parte interna do restaurante é mais sossegada, mas é mais divertido sentar do lado de fora, com vista para o burburinho do mercado. É uma instituição porto-alegrense e merece entrar no seu roteiro ao menos uma vez na vida. Eu recomendo.
... charme, simpatia e bons preços
Churrascaria Roda de Carreta do CTG 35
Nem sei porque eu ainda fico surpresa ao constatar que comer churrasco aos domingos é um hábito de verdade dos gaúchos, e não uma representação para turistas — afinal, eu sou aquela que faz questão do meu acarajé no final da tarde, quando estou em Salvador, e jamais pensa em jantar qualquer coisa num domingão paulistano que não seja pizza.

O almoço de despedida do TchÊncontro não poderia ter sido mais gaudério, na churrascaria que funciona em um Centro de Tradições Gaúchas da capital, o CTG 35, fundado em 1948 e que se apresenta como “o mais antigo do mundo”. 

Se você não sabe o que é um CTG, precisa descobrir correndo qual o mais próximo de sua casa e ir até lá. Basicamente, é um espaço onde se preserva e se celebra a cultura dos pampas. Além da culinária dos espetos, tem as danças, a música, as habilidades derivadas da lida com o gado, como o uso das boleadeiras—e não estranhe se encontrar a galera devidamente pilchada, isto é, vestida a caráter, como se acabasse de desembarcar de uma minissérie de TV.

Além do tradicional churrasco, também tem danças típicas
Esse amor pela tradição também é coisa que eu não devia estranhar — a festa de 2 de Julho da minha casa, quando eu morava em Sampa, era célebre e juntava hordas de baianos desgarrados — mas o interessante do CTG é a organização, com estatutos, registros e diretoria.

Todo brasileiro adora churrasco, mas acho que participar desse autêntico festim em um CTG dá um tempero especial às carnes. Programa clássico e indispensável.

CTG 35/ Churrascaria Roda de Carreta - Avenida Ipiranga nº 5.300, Jardim Botânico. De segunda a sábado, das 11:30h às 14h e das 19:30h às 22:40h. Aos domingos, só abre para o almoço, das 11:30h às 14:40h. Os show são realizados às 21 horas, de segunda a sábado, e às 13 horas, aos domingos. O rodízio custa R$ 55 por pessoa (a churrascaria cobrou um preço especial para os participantes do TchÊncontro).

Como ir do aeroporto ao Centro

O Aeroporto Salgado Filho é bem próximo do Centro da cidade (9 km) e dos bairros mais habitualmente escolhidos pelos visitantes para se hospedar. Entre o aeroporto e os Moinhos de Vento são só 7 km, por exemplo. Vale a pena fazer o trajeto de táxi: cheguei à noite, na bandeira 2, e paguei R$ 35 (e olha que a motorista que me atendeu teve que fazer um desvio, pois eu precisava comprar cigarros).

Como circular
O transporte público de Porto Alegre já foi considerado um dos melhores, entre as capitais do Brasil. Desta vez, porém, usei ônibus só uma vez, pois o preço do táxi, com companhia para rachar o preço da corrida, estava compensando. A tarifa de ônibus custa R$ 3,25.

O trânsito portoalegrense está à altura das grandes cidades brasileiras. Pense muito bem, então, antes de alugar um carro para circular na cidade.

Segurança
Foi-se o tempo em que dava pra voltar a pé da farra, de madrugada, pelo Centro da cidade (acredite, fiz muuuuuito isso). Hoje, o conselho dos locais é que você evite andar à noite, preferindo o táxi para voltar para seu hotel. Durante o dia, fique muito esperta com trombadões e batedores de carteira que atuam no Centro, especialmente na área que vai do Largo Glênio Perez ao Camelódromo.

Encontro de Blogueiros de Viagem no Rio Grande do Sul 
Porto Alegre/Serra Gaúcha 
31/07 a 02/08 de 2105

Organização 
Paula Brum Naiá Mânica, blog Viagens da Mochilinha Gaúcha
Laura Botton, blog Colecionando Viagens
Glacy Machado, do Blog da Glacy

Viaje com a Flora




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4 comentários:

  1. Querida, não tenho como dizer o quanto é delicioso ler minha cidade por suas palavras. Contando que seus relatos se referem ao #TchÊ, ainda mais apaixonante. BjO!!

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    1. POA merece o carinho, Paula. Eu curto muito a sua cidade :) Bjo

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  2. Cyntia,
    Sempre frequento o blog, mas é a primeira vez que comento. Gostaria de te parabenizar pela qualidade dos textos, esse é um dos melhores sites de viagem do país, sem dúvida.
    Quanto a POA, estive lá recentemente e vou dar alguns pitacos:
    1) Hoje o Uber é uma forma barata e fácil de se deslocar pela cidade. Fiquei hospedado na Cidade Baixa e minha corrida do aeroporto até lá deu apenas vinte reais. Nos deslocamentos menores gastava entre oito e doze reais.
    2) Infelizmente os parques públicos não estão tão bem cuidados hoje em dia, a situação financeira da administração pública local é crítica. O Parcão está bem, mas achei o Parque Farroupilha (ou da Redenção, como preferir) um pouco largado com o mato alto e sujeira nos canteiros. De toda forma eles são bonitos e valem a visita.
    3) O pôr do sol no Guaíba é imperdível. A área da Usina do Gasômetro está sendo reformada e não se tem acesso ao gramado. A alternativa que os locais me indicaram foi assistir o cair da tarde no Parque Marinha do Brasil que fica entre a Usina e o estádio do Internacional. Ele também tem um gramado na beira do Guaíba e é uma boa alternativa. Em um sábado a tarde estava cheio, pareceu bem seguro.
    4) Um jeito bacana de conhecer o centro da cidade é com o Free Walking Tour que sai aos sábados às onze horas da praça XV. É bom confirmar no site ou no face se naquela semana terá o passeio, mas sempre costuma ocorrer.
    5) Por fim, aproveitei muito a vida noturna de POA e achei a região da Cidade Baixa a mais interessante.
    Abraço!




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    1. Olá, Daniel, obrigada pelas dicas :)

      Tenho acompanhado a situação do Rio Grande do Sul e imagino que, assim como a segurança pública, a manutenção dos parques também esteja sofrendo. Uma pena. Lembro de caminhar a pé por Porto Alegre à noite, sem medo. Hj, os amigos desaconselham fazer isso até mesmo de dia :(

      Se o gramado do Gasômetro está inacessível, outro bom lugar é o terraço da Usina. O Parque Marinha do Brasil também é muito legal pra ver o pôr do sol. Lembro de algumas edições do Fórum Social Mundial, que tinha atividades por lá e era realmente ótima opção.

      Fiz o Free Walking Tour na última passagem por Porto Alegre (contei aqui neste post http://www.fragatasurprise.com/2015/08/passeiosportoalegre.html) e adorei!

      abs

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