sexta-feira, 15 de abril de 2016

Bogotá - hospedagem em La Candelaria:
Hotel de la Ópera

A vista do balcão do meu quarto. Bom demais acordar assim
Uma coisa era inegociável nesse meu retorno a Bogotá: a hospedagem seria no bairro histórico da Candelaria. Tinha gostado muito do astral da região, na primeira passagem pela capital colombiana e, além disso, a maioria das atrações que me interessam na cidade ficam por lá. A chance de fazer grande parte dos deslocamentos a pé é sempre tentadora pra mim. Em uma metrópole famosa pelo trânsito enroscado, isso vira item básico de sobrevivência.

Escolhi o Hotel de La Ópera a partir da indicação de uma colega. Ele é o único cinco estrelas da Candelária — pra ser rigorosa, é o único hotel, hotel meeesmo, do bairro. Os demais que aparecem na internet ou não ficam exatamente na Candelária ou são hospedagens mais alternativas.

Fiquei três noites no Ópera e conto o seguinte: se você quer um hotel bonito, confortável, com excelente localização e preços atraentes, acho que vai gostar da minha escolha tanto quanto eu.

Na dúvida sobre o melhor bairro para se hospedar? Leia este post:
Candelaria ou Chapinero: Onde é melhor ficar em Bogotá?

E a minha experiência na parte moderna na cidade está aqui:
Hospedagem em Chapinero: Best Western Plus 93 Park Hotel



O hotel ocupa dois casarões antigos muito bem restaurados
Localização
A primeiro grande vantagem do Ópera é que ele fica bem no miolinho mais interessante da Candelaria, no quarteirão ao lado ao do casarão da Casa da Moeda (que reúne os museus do Banco da República, entre eles o Museu Botero) e do Centro Cultural Gabriel Garcia Marques. A Praça de Bolívar está a 150 metros e o Teatro Colón é vizinho de parede do hotel. Dá para visitar todas as atrações da área a pé — entre os lugares mais distantes, o Museu do Ouro fica a cerca de 800 metros e a Quinta de Bolívar a 20 minutos de caminhada.

O trecho onde está o Ópera (esquina da Calle 10 com Carrera 6a) é uma área restrita a pedestres, mas os táxis e automóveis podem levar e recolher hóspedes e bagagem até a porta do hotel.

A fachada do hotel e o meu querido balcão (à direita)
Segurança
A região da Candelaria é considerada segura, até porque é densamente policiada. É difícil caminhar 100 metros sem passar pelo menos por uma dupla de policiais ou de soldados do Exército e é raro o estabelecimento mais arrumadinho do bairro que não tenha sua segurança particular. No Ópera, esse trabalho é desempenhado principalmente por mulheres, que se revezam em turnos na entrada do hotel.

Mesmo com esse aparato, os funcionários do hotel recomendam que à noite o hóspede evite andar por áreas desertas e pegar qualquer táxi — sempre que possível, pedir para a equipe do bar ou restaurante chamar por telefone.

Minha experiência no bairro foi bem tranquila, andei pra baixo e pra cima sem jamais me sentir ameaçada. 

Meu quarto bonitão
Acomodações
Quando fiz a reserva no Ópera (com cerca de um mês de antecedência) a diferença de preço do apartamento standard (R$ 350) para as suítes júnior (R$ 400) compensava bastante apostar em uma acomodação mais requintada. Escolhi a suíte júnior colonial (tem uma outra, em estilo Déco, que também parece tentadora), que é imensa, muito bonita, confortável e aconchegante.

Ela fica no primeiro andar e tem um balcão maravilhoso, daqueles de madeira, que deve ter sido fechado por gelosias em outros tempos, mas agora tem janelas envidraçadas que se debruçam para a rua. Esse balcão virou meu cantinho preferido no quanto. Adorava acordar bem cedinho, abrir as janelas e observar a Candelaria despertando aos pouquinhos.

Dois ângulos do quarto: cafeteira (cantinho esquerdo da foto), muitas luzes de leitura, mesa de trabalho... tudo que eu acho indispensável 
Decorado com muito bom gosto, meu apartamento tinha praticamente tudo que eu acho essencial: cafeteira, muitas luzes de leitura, poltronas, mesa de trabalho, armários (três!), cofre... Só não gostei da economia de tomadas (pelamordedeus, hotéis, entendam que tomada na mesa de cabeceira é essencial pra quem usa o celular como despertador!!). Por falar em tomadas, já mostrei no post com as dicas práticas de Bogotá que a Colômbia adota o modelo de pinos achatados. Não esqueça de levar o adaptador.

"Meu" lindo balcão
Outros pontos altos do quarto: cama deliciosa, colchão com a densidade exata, travesseiros fofinhos e cheirosos, roupa de cama de excelente qualidade. Não sou de ver TV, ainda mais quando estou viajando, mas tenho que elogiar a quantidade e variedade de canais a cabo (geralmente, só presto atenção neste quesito de abril a junho, quando Game of Thrones está no ar, mas em homenagem aos leitores da Fragata eu tratei de checar esse item, rsss) .

Banheira com vista para os balcões da Candelária
Adorei a banheira antiga, de ferro esmaltado, tamanho XL, daquelas que quase dá pra treinar natação dentro, perfeita para relaxar depois de um dia de muitas caminhadas pela cidade. A ducha também era excelente, forte e esquentava bem rápido (cada dia tenho menos paciência com chuveiro que demora pra chegar na temperatura certa).



Estrutura e serviço
A equipe do hotel é muito atenciosa, bem treinada e bem disposta a ajudar com informações sobre a cidade. Tentei conseguir de última hora um guia para um passeio histórico/arquitetônico pela Candelaria e o pessoal da recepção de esforçou bastante para encontrar um profissional com agenda livre, em pleno feriado do dia de São José. Pena que não deu certo, mas valeu a atenção. 

O edifício é a reunião de dois casarões antigos (um colonial e outro do Século 19, no estilo republicano), mas o resultado é bem harmônico e a preservação das construções não atrapalha o conforto: o Ópera é todo climatizado, tem WiFi gratuito impecável (imagino o “esforço” do sinal para atravessar aquelas paredes que chegam a ter 70 cm de espessura, nas áreas mais antigas, rss) e todas as comodidades modernas.

A história dos dois edifícios é muito interessante — logo na entrada do meu quarto, um trecho da parede sem revestimento revelava a construção em taipa, muito antiga. A origem da construção colonial foi uma cavalariça, mas as duas edificações também abrigaram um seminário e uma universidade. O local acabou dividido em casa de cômodos e pequenos comércios. Com a revitalização do bairro da Candelaria, o espaço foi comprado, restaurado e transformado em hotel.
Uma sala de estar do hotel
São 42 apartamentos em três categorias (standard, superior e suíte júnior).

O hotel não tem garagem (mas quem é doido de alugar carro em Bogotá?), mas oferece serviço de manobrista e tem convênio com estacionamentos (pagos) da área.

As instalações do spa e a piscina ficam em um terceiro edifício, recentemente integrado ao conjunto, um prédio dos anos 40. Essa área é muito elegante e agradável, mas vou ficar devendo fotos, pois não é permitido fazer imagens lá.


Café da manhã e restaurante
Restaurante La Scala, no térreo do hotel
Há dois restaurantes no Ópera. O La Scala (vou falar mais sobre ele em um post específico), que experimentei duas vezes, serve comida mediterrânea. Ele fica no térreo e também é lá que é servido o café da manhã.

O Restaurante El Mirador fica no quarto andar do hotel e tem uma vista famosa para os telhados da Candelaria. Infelizmente, nos dias em que estive no hotel ele só estava funcionando na hora do almoço e não calhou de eu estar no hotel para experimentá-lo e conferir o visual lá do alto.

O hotel também tem um bar, El Automático, que também não experimentei.

Drink e e livrinho esperando o jantar no La Scala
O café da manhã do Ópera é bom, mas é meio decepcionante, considerando-se a categoria do hotel. Não tenho queixas quanto à qualidade, tudo que provei estava bem gostoso, mas achei a variedade muito limitada. A parte boa é que sempre tinha arepas quentinhas pra começar o dia, com suco de lulo e de graviola (guanábana), duas frutas populares na Colômbia e que eu adoro.

Hotel de la Ópera
Calle 10 nº 5-72, Candelaria
Fiz reserva pelo Booking com cerca de um mês de antecedência. Diárias em apartamento duplo a partir de R$ 350.


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3 comentários:

  1. Realmente é uma grande dúvida saber onde ficar hospedado em Bogotá. Quando fui li relatos que a região da Candelária não era segura principalmente à noite quando tudo ficava deserto. Optei por ficar na Zona Rosa e adorei, mas realmente você tem que definir o que quer fazer em uma cidade antes de reservar o hotel. Zona Rosa = boemia, Candelária = história.

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    1. Oi, Adelaide, é bem assim. Tem que decidir as prioridades. Eu fiquei duas noite na Zona Rosa, quando voltei da Villa de Leyva, e foi uma experiência bem diferente. Gostei muito, também. Logo vai ter post sobre esse outro hotel :)

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    2. Mas, sabe, não achei a Candelaria especialmente perigosa à noite, não :)

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